All about you (Larry Stylinson)
2 Memory Lane
Notas iniciais

Harry estava terminando de organizar alguns porta-retratos na estante da sala. A última parte de sua mudança havia finalmente chegado e nas caixas estavam seus objetos mais pessoais. Ele não tinha pressa alguma afinal tinha reservado pelo menos uma semana para poder organizar tudo e se adaptar à todas as mudanças. Assim, distraído por lembrar do momento em que uma das fotos com sua irmã foi tirada, ele não notou a presença de outra pessoa no cômodo.
— Então é verdade! Você realmente voltou para me assombrar?!
— Oh! Louis... – sua voz sai fraca e rouca pelo susto – você... vo... eu... como?
— A chave. Junto com todas aquelas merdas que você escreveu, isso – ele retira o objeto do bolso – veio junto. Deduzi ser da nossa... da sua nova casa...
— Nossa, você disse certo. Tudo que é meu sempre será seu... – Harry começa a falar em um tom esperançoso antes de ser interrompido.
— Pare! Apenas pare! – Louis que até agora encarava qualquer outro lugar leva seus olhos até os de Harry – Você não tem esse direito Harry... – sua voz que tinha voltado a soar firme estremece ao notar a tristeza do homem a sua frente – Não pode aparecer assim do nada e jogar tudo isso em cima de mim! O que estava pensando? Que eu chegaria aqui, nos beijaríamos enquanto as cortinas se fecham e letras sobem dizendo que fomos felizes para sempre? – atira as palavras mesmo sabendo a dor que elas causariam.
— Louis, respire.
— Você não tinha...
— Eu sei, eu sei! Só me dei conta depois que já era muito tarde, okay? – Louis estava pronto para cortá-lo mais uma vez, mas a fragilidade que Harry demonstra o deixa paralisado por um momento – Eu não... apenas não sabia mais o que fazer. Achei que se eu voltasse para cá, onde tudo começou, eu acabaria descobrindo... – sua voz se perde assim como seus pensamentos – Não medi as consequências...
— Descobrir o que? Uma maneira de tornar minha vida um inferno? Deixe que eu te ilumine: eu tenho estado lá há muito tempo – um sorriso torto acompanhando seu tom de ironia.
— Você parece cansado. Vem, vamos tomar um chá.
— Aposto que tem o meu preferido – fala para si mesmo.
— Nos conhecemos muito bem, esqueceu? É um hábito... – Harry diz entrando na cozinha.
— Não é como se eu não houvesse tentado esquecer... – o menor fala e sente seu corpo estremecer ao notar a expressão do outro se tornar ainda mais magoada enquanto prepara o chá.
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— Ficou bom?
— Vai querer um elogio por escrito?
— Sabe... – Harry fala enquanto ergue os braços em sinal de rendição – pode largar essas pedras ou seguir atirando, eu não vou a lugar algum – ele sorri pequeno sem deixar de encarar o ser a sua frente.
— Desculpa – o menor suspira e solta a xícara na bancada erguendo os olhos antes de voltar a falar – é muita coisa! Porque toda maldita vez que eu penso que superei você cruza novamente o meu caminho? Porque simplesmente não segue com a sua vida? – ele suspira e aperta uma mão na outra tentando não demonstrar que está tremendo.
Harry fica um momento em silêncio apenas o observando até que um sorriso derrotado surge em seu rosto.
— Porque um dia, há muitos anos atrás, eu olhei no fundo de um par de olhos azuis com pequenas manchas esverdeadas e jurei que minha vida só faria sentido enquanto estivesse ao lado do dono deles. Simples assim Louis – ele termina se esforçando ao máximo para não desmoronar e leva uma das mãos até as do pequeno fazendo um pequeno carinho.
O menor fixa o olhar onde a mão de Harry toca sua pele e algo em seu interior se contrai ao reconhecer o calor tão familiar daquele contato. Ele permanece em silêncio por mais um tempo, mesmo depois do maior já ter se afastado de volta ao seu lugar.
— Idiota. Sabe que eu te liberei de qualquer compromisso Harry...
— Sim, eu escutei cada palavra Louis, mas assim como em todas as outras vezes, você não me olhou de verdade ao dizê-las – tenta passar calma em sua voz e novamente se aproxima do menor, agora erguendo seu rosto até que seus olhares se encontre – quando a indiferença chegar aos seus olhos, eu juro que nunca mais saberá de mim.
Assim, por um pequeno e infinito espaço de tempo, as íris verdes se prendem nas azuis, até que Louis quebra o contato e Harry sorri mais uma vez triste, mas conformado.
— Hazz... eu não posso... não posso nos levar de volta pra isso... agora eu tenho uma família e uma carreira independente... eu posso ser feliz! Queria que você entendesse isso. Evitaria você sentir dor, de nós...
— Você sabe que eu vou sempre perdoar qualquer coisa que você faça, certo? Mas ver você casado com uma mulher, que ainda por cima espera um filho seu... – a voz de Harry se quebra e ele não consegue mais controlar as lágrimas – Sabia que era meu ponto fraco nunca poder ter filhos nossos... foi um golpe baixo Louis, se você queria me ferir, não tinha um jeito melhor... não tinha...
O coração de Louis pula uma batida ao ver o maior encolhido tentando se controlar, era possível ver sua dor como algo sólido de tão profunda. Por instinto o menor se move na intenção de abraçar Harry e dizer que tudo isso vai passar, que ele vai fazer passar, mas então volta atrás e usa todas suas forças para não cruzar essa linha... sabe que se ceder por um segundo, não haverá volta e ele já tirou coisas de mais do outro até que jurou que nunca mais faria isso.
— Por favor... – Louis suplica querendo acabar com tudo aquilo, desejando ter o dom de desaparecer – não faz isso comigo! Não faça... você é uma pessoa incrível Harry. Tão talentoso, lindo por dentro e por fora, você cresceu tanto e continua com esse jeito puro e ingênuo de ver a vida... você tem o mundo aos seu pés, por que precisa de mim? Pra que fazer isso comigo?
Harry leva um tempo para se recuperar, ao menos controlar o choro e encarar Louis enquanto tenta conter algumas lágrimas que teimam em escapar. No silêncio eles analisam um ao outro.
— Um dia fui estúpido o bastante para colocar fama e sucesso acima dos meus sentimentos. Do que me adianta o resto do mundo Lou, se a única coisa que eu quero é você? – mais uma vez seus olhos se conectam e Harry profere as palavras com calma na esperança de fazer com que o outro absorva cada uma delas e seu significado – Sabe que eu voltaria para o anonimato da minha cidade natal, trabalharia oito horas por dia na padaria ou outro lugar assim, viveria na menor casa do bairro e ainda assim seria perfeito, eu seria feliz, contanto que você estivesse me esperando com o jantar, provavelmente queimado, quando eu chegasse em casa... Eu não me importo com mais nada... nada que o dinheiro pode comprar cobre esse vazio aqui dentro depois que eu não tenho mais você...
É a vez de Louis se encolher tentando controlar seu corpo que insiste em tremer enquanto ele chora silenciosamente. Isso leva mais um tempo até que ele possa voltar a falar sem se engasgar.
— Você não me ama mais Harry – ele começa em um tom bem baixo – já passou tempo demais... Você só tem medo de seguir em frente – ele sorri amargurado e volta a encarar o maior que apenas nega movimentando a cabeça de um lado para o outro efusivamente – Apenas me esqueça e recomece. Crie novas memórias, construa uma família e seja feliz!
— Feliz! Feliz como você parece estar agora me dizendo isso?
O menor se sente a beira de uma crise de pânico e leva as mãos aos cabelos os puxando, tentando fazer com que a dor física se sobreponha a emocional.
— Eu te olhei enquanto falava. Não era o que estava faltando? Não é o que queria para entender que te libero de qualquer coisa que você pense que te prende a mim?
Como Harry disse, eles se conhecem muito bem. E ele sabe que a melhor defesa de Louis sempre foi a ironia e quando isso não é o suficiente ele trabalha a raiva nas palavras, fazendo delas verdadeiras facas afiadas. Assim, o maior se rende, mesmo que não dê a guerra por perdida, hoje ele aceita que perdeu a batalha.
— Tudo bem... acho que já me rastejei o suficiente... desculpe, eu realmente pensei que poderia ser seu amigo, mas é besteira pois nós nunca fomos apenas isso... Me dê uma semana, depois disso eu serei oficialmente alguém do seu passado, tudo bem? – ele tenta soar convencido, mas nunca foi uma de suas características fingir bem– Seja por qual for o motivo, você consegue seguir em frente, mesmo que eu consiga sentir de longe toda a dor que isso te causa... Vou me esforçar mais, eu prometo, vou conseguir fazer o mesmo. Obrigado Louis. Com todo o meu coração eu espero que você tenha uma vida maravilhosa...
Mesmo que por dentro a dor tenha tomado um espaço ainda maior de sua alma, Harry tenta colocar verdade em suas palavras, mas ele prefere se afastar antes de desmoronar mais uma vez na frente do outro. Assim ele sai da cozinha em direção às escadas enquanto percebe Louis indo na direção contrária até a porta de saída.
— Não é meu – a declaração faz com que Harry pare nas escadas – O filho... não é meu. Eu posso ser o maior desgraçado do mundo, mas meus planos... nossos planos... sempre foram reais para mim. Jamais tentaria torna-los reais com outra pessoa – o maior finalmente vira em direção a porta quando escuta esta ser aberta por um Louis que não olha para trás – Eu... eu te amo Harry, mas nós dois somos errados. Você tem a chance de ser feliz longe de mim, longe disso tudo e é o melhor para todos. Adeus Hazza...
Antes de bater a porta o menor deixa a chave e mais alguma coisa na mesinha ao lado desta. Quando finalmente o choque passa Harry caminha até lá e encontra um pedaço de tecido desbotado e um sorriso triste, mas esperançoso toma conta de seu rosto enquanto observa o que um dia foi uma de suas headbands.
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