Notas iniciais
Olá pessoas! Gostaria de agradecer a todos pelos reviews com comentários maldosos a respeito do Sam, eu também não gosto dele HSAUASHUSAHUASHUAS Gostaria de agradecer principalmente a todas as críticas e elogios, vocês me fizeram acelerar a criação do capítulo 9 e aqui está ele. Boa leitura!

Desfecho

- Rachel! – Quinn gritou um tanto desesperada correndo atrás de Rachel pelo corredor que separava o auditório do resto do colégio. A morena nem sequer parou de correr ou deu sinal de que tinha a ouvido, Quinn acelerou o pique, aproximando-se um pouco. – Espera! Nós precisamos conversar!

Rachel parou e Quinn quase suspirou aliviada, porém, antes de suspirar, seus olhos castanho-esverdeados encontraram os castanhos chorosos da morena. Rachel estava soluçando, Quinn parou de correr a aproximou-se dela caminhando lentamente.

- E por quê devemos conversar? – Rachel questionou com a voz fraca, mas o olhar dela assumiu um ar forte que Quinn nunca tinha visto. – Por que justo agora você quer conversar?

Ótimo, Rachel estava achando que Quinn a traíra. A loira estava odiando Sam no momento.

- Porque eu acho que devo te explicar o que aconteceu... – Quinn começou a responder tentando manter a calma, embora seu juízo começasse a sumir com a idéia de que Rachel talvez não voltasse a ser sua. A morena revirou os olhos e bufou. – Ou melhor, o que não aconteceu e o que você viu.

- Eu vi o bastante Fabray! – Rachel começou a responder com a voz áspera, Quinn estacou quando ouviu que a morena a chamava pelo sobrenome. – Você não agüentou o tempo que eu te pedi e ficou com Sam, eu devia saber, estava durando demais pra ser verdade!

- Heey! Pode parar! – Quinn exclamou ofendida, retomando sua caminhada em direção a Rachel e parando na frente da morena, encarou os olhos castanhos com intensidade recebendo um olhar frio de volta. – Você pode duvidar de qualquer coisa em mim, até mesmo da minha sanidade... Mas não duvide do que eu sinto por você!

- Eu não estou duvidando ainda, mas estou começando a duvidar! – As palavras de Rachel saíram tão suaves como uma pluma, mas Quinn sentiu que elas estavam dilacerando seu coração. – Você quebrou as suas promessas Fabray e ainda quer que eu acredite em você?

- Todas as vezes que eu disse que te amava foram verdadeiras... – Quinn disse baixinho, contendo as lágrimas e aproximando-se de Rachel. Segurou a mão da morena delicadamente e forçou um contato visual. – E quando eu disse que te protegeria, foi real! Eu te amo Rachel, será que você não entende isso?

- E quando você disse que não voltaria para as Cheerios? – Rachel questionou com algumas lágrimas de fúria começando a escorrer pela face. Quinn sentiu-se fuzilada por aqueles olhos, ficou estática. – E quando você disse que me daria um tempo? Isso foram só coisas que você disse para me enrolar? Você não pretendia cumpri-las?

- Eu queria te proteger Rachel! – Quinn exclamou desesperada, encarando Rachel e procurando um sinal de que a morena a compreendia, mas não encontrou nada, apenas uma Rachel desconhecida dela, uma Rachel ferida e magoada. – Eu queria que Santana parasse de nos perseguir e que nós pudéssemos viver a nossa vida em paz!

- Mesmo, Quinn? – Rachel perguntou limpando algumas lágrimas e com um olhar inquisidor, Quinn ficou muda, ela sabia muito bem o que viria a seguir. – Será que não voltou a ser cheerio porque gosta? Eu vejo sua expressão quando passa pelos corredores... Você gosta disso, gosta que tenham medo de você e gosta de estar no topo. Talvez eu estivesse atrapalhando a sua grande volta por cima!

- Você? Atrapalhando a minha vida? – Quinn questionou incrédula, tentando encontrar um ar de brincadeira nos olhos da morena, mas Rachel estava séria, tensa. Quinn apertou mais a mão dela tentando passar um pouco de veracidade em suas palavras, porque sabia no fundo que Rachel acertara em cheio. – Você me reergueu Rachel, você me fez melhor... Eu to aqui por sua causa!

Rachel ficou calada, a expressão amenizou um pouco e Quinn acreditou por alguns instantes que a morena jogaria os braços ao redor de seu pescoço e a beijaria. Tudo voltaria ao que era antes... Mas isso não aconteceu. Rachel respirou fundo, pareceu pensar antes de falar e quando falou, as palavras pareciam fugir dela.

- Eu não preciso mais de um tempo... Eu vim aqui com a decisão tomada, sabia?

Quinn permaneceu calada, sentiu que Rachel não queria mais ouvir a sua voz. As mãos da loira tremiam e tremeram mais ainda quando Rachel fugiu de seu toque e deu um passo para trás com um sorriso irônico na face.

- Eu vim aqui acreditando que eu poderia te perdoar e esquecer tudo, pelo sentimento que eu achei que tínhamos uma pela outra... – Rachel disparou com a voz um tanto quanto sarcástica. Quinn abriu a boca para se defender, mas foi interrompida pela voz da morena. – Não me interrompa Quinn, eu sei muito bem o que eu to fazendo!

- Tem certeza que sabe? Eu gosto de você! Eu não vou deixar isso acabar por causa dos meus erros que agora eu reconheço! – Quinn defendeu-se com a voz embargada, as lágrimas estavam caindo aos poucos agora... Rachel deu uma risadinha irônica que quase tirou a loira do sério.

- Mas já aconteceu Quinn... Eu não vou viver assim, eu não posso viver assim de novo!

- Está me comparando ao Finn? – Quinn estava irritada agora, ela segurou Rachel pelo pulso e prensou a morena na parede com certa agressividade. – Eu não sou igual a ele, eu te quero feliz e não seria capaz de te machucar!

- Não importa se você não seria capaz... – Rachel estava chorando e Quinn afastou-se, perdida em seus pensamentos e não acreditando no que estava acontecendo. – Você me machucou, você conseguiu!

- Então vai Rachel! – Quinn disparou fazendo sinal para que Rachel desaparecesse da sua frente. – Se acha que sou igual a ele, se acha que eu te machuquei porque quis... Então eu não entendo o que você ainda faz aqui!

- É... – Rachel murmurou um pouco arrependida, achou que Quinn ia se defender, pegá-la a força, beijá-la e mostrar que aquela discussão não tinha sentido. Mas Quinn não fez nada, ficou parada a encarando com aqueles olhos castanho-esverdeados. Rachel notou que ela parecia tão diferente naquele uniforme... A morena recompôs-se e respirou fundo. – Eu também não sei o que ainda faço aqui! Talvez você tenha razão, melhor terminar de uma vez!

Quinn não teve coragem de olhar Rachel ir embora, deu as costas para a morena e deixou que as lágrimas escorressem enquanto Rachel saía caminhando vacilante. A morena esperava inutilmente ouvir a voz de Quinn chamá-la de novo.

- Interrompi alguma coisa? – Sam perguntou preocupado assim que viu Quinn Fabray sentada no chão do corredor com a cabeça entre as pernas. O rapaz tinha certeza que a cheerio estava chorando e sabia que era a principal causa daquilo tudo.

Ele achou que o que presenciou na sala do Glee Club era brincadeira, acreditou que Quinn não tivesse nada com Rachel... Mas pelo visto estava enganado. Sam estava sentindo-se culpado e não sabia o que fazer no momento.

- Não Sam, você não interrompeu nada. Até porque não tinha nada acontecendo aqui... – Quinn respondeu com a voz fria, limpando as lágrimas e levantando-se com algum esforço. A loira não olhava para Sam. – E me desculpe, mas eu realmente não quero conversar com você no momento.

- Eu não sou idiota Quinn... Eu sei que fiz coisa errada! – Sam dissera com a voz culpada enquanto se aproximava da loira, Quinn levantou os olhos para ele e ele pode ver que ela estava muito brava pelo que fizera, só não tinha forças para discutir no momento. – Eu te devo desculpas, não deveria ter te beijado sabendo que você tinha algo com aquela garota!

Quinn olhou para ele com uma expressão desconfiada, a sobrancelha arqueada e sem sorriso algum. Sam encolheu os ombros e colocou as mãos nos bolsos, Quinn notou que ele não estava a julgando, só estava sentindo-se culpado por tudo que acontecera. A cheerio olhou para ele com uma expressão muda de gratidão e disse:

- Você não fez nada Sam... Foi só um mau momento, as coisas entre nós já estavam difíceis antes mesmo de você entrar na nossa vida.

- Eu sei o que fiz Quinn, você está sendo legal comigo enquanto todas as cheerios e todos os jogadores riem de mim por ser um novato... – Sam continuou com os olhos fixos na loira, Quinn deu um sorrisinho triste e derrotado. – Eu acho que acabei confundindo as coisas.

- Você não tem culpa Sam, as coisas simplesmente aconteceram... – Quinn respondeu com um tom de voz mais firme, tentando convencer não apenas Sam, como ela própria. Ainda não acreditava que Rachel tivesse terminado tudo entre elas. – Eu devia saber que nada daria certo entre eu e ela, somos muito diferentes. Só me surpreende o fato de que você não está me julgando no momento.

- Que isso Quinn! – Sam disse com um ar divertido. – Eu vim de um lugar onde isso era bem comum!

- Ah... – Quinn arregalou os olhos confusa, será que Kurt estava certo? – Você é gay? Ou bissexual?

- Não... Que isso... – Sam estava envergonhado agora, ele não queria que a líder das Cheerios e a garota mais linda do colégio achasse que ele era gay. – Não! É que eu vim de um internato masculino, esse tipo de coisa era bem comum por lá...

- Ah sim... – Quinn dissera não muito convencida, um silêncio estranho perdurou entre eles. Os dois olhavam-se e rapidamente desviavam os olhos envergonhados. Quinn estava sentindo-se mal, queria ir embora, precisava chorar e humilhar-se sozinha. Deu um aceno para Sam que retribuiu com um aceno da cabeça, já tinha dado as costas a ele quando Sam disse:

- Sabe... Eu posso tentar me redimir com você, se precisar conversar um dia, eu estarei a sua disposição.

Quinn voltou para ele e deu mais um sorriso, estava mais tranqüila. Sam parecia ser um rapaz legal e se ela não estivesse tão mal por causa de Rachel, com certeza ele seria um bom namorado... Depois saiu dali.

Sam observou-a sair pelas portas com os ombros caídos e cansada, o rapaz suspirou e retomou seu caminho para o auditório.

Estava mais confuso do que ela.

***

Rachel não sabia há quanto tempo estava trancada no quarto chorando e ouvindo os pais baterem na porta perguntando se ela estava bem. A morena não queria abrir, não queria falar com ninguém... Queria apenas entender em que ponto as coisas começaram a dar errado entre ela e Quinn.

Com certeza começara quando Quinn dera a desculpa de protegê-las para entrar nas Cheerios... Será que a loira não entendia que Rachel já passara por isso? Quinn não entendera porque a relação entre Finn e Rachel fracassara? Fora por causa da reputação dele, pela ânsia dele em ser quaterback e Quinn fizera o mesmo, a loira era igual...

- Querida... – Leroy Berry chamou com sua voz grave e preocupada. – Se você não abrir essa porta, eu vou acabar tendo que arrombar e você sabe que os gastos vão para a sua poupança depois!

Rachel deu uma risadinha rouca entre o choro e os soluços, a morena levantou-se sentindo quebrada por dentro. Girou a chave na fechadura e voltou para a cama, escondendo-se entre as cobertas. Leroy sentou-se na cama ao lado da filha e afagou os cabelos dela com carinho, o homem estava preocupado.

- Foi ela, não foi? – Mesmo sendo uma pergunta, Rachel percebeu que ele estava afirmando que Quinn era culpada de seu estado. Rachel não conseguiu tirar o rosto das cobertas, apenas afirmou com a cabeça e ouviu Leroy bufar irritado.

- Trouxe uma sopa querida, acho que você tem que comer alguma coisa! – Hiram entrara no quarto com uma bandeja nas mãos e com uma expressão triste, olhou para o marido que apenas lhe deu um olhar de “eu bem que avisei que ela não prestava”.

- Eu não quero nada, só quero ficar sozinha! – Rachel respondeu com a voz abafada pelos cobertores, sabia que já estava tarde e que os pais teriam plantão no dia seguinte. Não entendia porque eles ainda estavam ali. Ela podia se virar sozinha com aquilo, era apenas mais uma decepção em sua vida amorosa como fora com Finn.

- Rachel... – Leroy chamou o nome da filha carinhosamente e tentou tirá-la dos cobertores, mas Rachel continuou firme. – Querida, você precisa conversar conosco agora. É muito melhor desabafar do que ficar guardando e remoendo tudo dentro de você...

Leroy deu um último puxão e tirou as cobertas da garota a força, Rachel imediatamente aninhou-se nos braços do pai em um abraço apertado e chorando compulsivamente. Hiram afagou os cabelos da filha ao lado de Leroy com uma expressão decepcionada na face.

- Por que ela fez isso? Por que ela agiu como Finn?

- Eu te avisei sobre a família que ela vinha querida... – Leroy dissera sabiamente enquanto abraçava a filha e a ninava nos braços. – Quinn Fabray não é o melhor exemplo de garota que largaria tudo para viver um romance homossexual.

- Ela mentiu para mim! Ela quebrou todas as promessas que tinha feito! – Rachel dissera entre soluços enquanto tentava entender as ações de Quinn, não conseguia tirar a loira da sua cabeça e sabia que aquilo seria impossível, pelo menos naquela noite.

- Eu esperava que isso acontecesse... – Leroy dissera sincero, recebendo e ignorando o olhar agressivo que o marido lhe dava. Leroy afastou-se um pouco da filha e colocou-a sentada, olhando para ele e Hiram. Rachel estava sem aquele brilho tradicional dela, sem aquele ar que encantava todos... Leroy teve vontade de dar uns bons tapas em Quinn Fabray naquele momento.

- Todo mundo já sofreu uma decepção em algum momento da vida, estrelinha... – Hiram disse bondosamente com um sorriso gentil, Rachel deu um leve sorriso limpando as lágrimas, ela parecia tão vulnerável agora, parecia tão pequena e indefesa. – Acredite, essa foi a segunda e não foi a última que você sofrerá na sua vida. As pessoas nos decepcionam, mesmo que elas não percebam e principalmente, mesmo que elas não queiram.

- Não venha defender a Fabray agora Hiram! – Leroy exclamou indignado quando ouviu as palavras do esposo, Hiram abriu a boca para questionar, mas foi interrompido pelo marido. – Olha o estado que ela deixou a nossa filha, ela não merece nem mesmo uma segunda chance!

- Não preciso que vocês briguem agora! – Rachel exclamou mais calma e olhando com repreensão para os dois, podia não ter uma mãe, mas tinha dois pais que valiam por uma família inteira. A morena respirou fundo e apanhou a sopa de Hiram, tomou uma colherada e continuou. – Papai está certo, porém, o pai também está.

- Como assim?! – Leroy e Hiram disseram confusos, tentando entender o raciocínio da filha, Rachel era extremamente diferente na forma de pensar dos dois, talvez herdara isso de Shelby. Rachel deu um sorrisinho para eles e pareceu mais calma, por mais que dentro dela parecia que tudo fosse explodir a qualquer momento.

- Quinn não era a pessoa mais indicada para que eu me apegasse e mesmo que ela não quisesse, ela me decepcionou e o que importa, é o resultado final. Ela agiu como Finn agiria, ela agiu exatamente como prometera não agir.

- Isso quer dizer que você não vai dar uma segunda chance a ela? – Leroy perguntou com a voz amena, mas Rachel percebeu certa presunção. A morena acenou afirmativamente com a cabeça enquanto continuava a tomar a sopa. Hiram pareceu decepcionado com a decisão da filha e avisou:

- O amor também é feito de perdão. – Leroy lançou mais um olhar indignado ao marido, Hiram levantou-se com um ar sentido, mas não parou. – Espero que saiba disso, estrelinha. Venha Leroy, vamos deixá-la descansar.

Leroy saiu a muito custo, depois de beijar a filha na testa, apanhar a bandeja e cobri-la com cuidado. Rachel estava sentindo-se melhor e mais confusa também, Hiram dissera aquilo para que ela pensasse, mas a morena sabia que não conseguiria perdoar Quinn. Pelo menos não agora.

Teria que esquecer a loira, exatamente da mesma forma que fizera com Finn e Jesse. Foi com as mãos tremendo que Rachel tirou o colar que Quinn lhe dera do pescoço, sentindo-se subitamente estranha sem ele.

Quinn chegou em casa um pouco mais tarde do que costumava, ficara rondando de carro próximo a casa dos Berry, mas não teve coragem de entrar lá e tentar mudar as coisas, parecia que algo a prendia

Talvez fosse o sentimento de culpa.

Quando abriu a porta de casa, logo ouviu a voz de Judy perguntar preocupada:

- Quinn? É você, querida?

- Sim, mamãe... Desculpa sumir do mapa, mas eu precisava ficar uns minutos sozinha. – Quinn respondeu melancólica, deixando a mochila de treino das Cheerios ao lado da porta e sentando-se no sofá. Sentindo toda a sua falsa segurança proporcionada pelo uniforme sumir agora que saíra do McKinley High e enfim, a verdade e a certeza de que Rachel estava ainda mais distante dela tomar-lhe por inteira.

E céus, como aquilo doía.

- O que aconteceu? Conseguiu se resolver com a Rachel? – Judy perguntou mais para fazer a filha falar, seu instinto maternal já lhe dissera que as coisas tinham dado errado para a filha. A mulher deixou a cozinha e sentou-se de frente para filha, Quinn tinha um sorriso irônico na face ao responder:

- Conseguimos nos resolver e dessa vez foi definitivo, não demos um tempo.

- E o que vocês decidiram? – Judy estava sentindo-se mal forçando a barra, mas tinha que fazer a filha falar, senão Quinn se fecharia naquele mundinho dela e enfrentaria tudo sozinha, voltara para provar para a filha que as coisas era mais fáceis se uma mãe de verdade estava por perto. Quinn lançou um olhar agressivo a ela.

- E o que você acha? Acha que estou assim por que quero?

- Calma, Quinnie... – Judy pediu com um ar mais calmo, mudando de lugar e indo sentar-se ao lado da filha. Quinn a olhou com uma expressão mais amena e balançou a cabeça, estava sentindo sua cabeça doer e tinha o pressentimento de que as coisas podiam piorar. – Pode melhorar se você continuar a falar.

- Eu não quero falar sobre isso, porque parece que dói ainda mais! – Quinn dissera com as lágrimas escorrendo de novo, estava cansada de segurar o choro, precisava desabafar. Judy olhou para a filha, compreendendo cada pedacinho daquela dor que ela sentia e deu um sorriso encorajador.

- Eu estou aqui querida, desabafe. Você não pode fazer isso sozinha, vai ser mais difícil.

- Odeio admitir, mas eu me importo com a minha reputação e com meus status, quando voltei a ser cheerio foi por minha causa e não por ela! – Quinn continuou sem segurar as lágrimas dessa vez, sua voz estava falhando, estava sentindo como se faltasse uma coisa muito importante agora que estava sozinha. – E para completar, ela me viu beijando o Sam... Deve estar pensando que eu sou a maior vadia de Lima!

- Quinnie, nem sempre as coisas são como queremos... – Judy começou sabiamente, Quinn prestou atenção em cada palavra que a mãe tinha para lhe dizer. – Rachel teve a chance de acreditar em você e se ela ainda duvida que você a ama, ou que pelo menos gosta dela, eu não sei o que se passa na cabeça daquela garota.

- O que você quer dizer com isso? – Quinn estava com uma expressão confusa, achou que a mãe fosse jogar milhões de pedras nela dizendo que fora culpada de tudo e que estava aliviada pela sua filha não relacionar-se mais com uma garota. Mas Judy deu um sorriso e a surpreendeu novamente, disse orgulhosa:

- Porque eu vejo desde quando você acorda até quando dorme o quanto você a ama. Seus olhos, mesmo agora que estão inchados e vermelhos, ainda brilham quando você fala dela. Você pode dizer que voltou a ser cheerio porque gosta, quando na realidade, eu sei que no fundo você também fez por ela. Você quis voltar a ter o que lhe fazia falta com ela ao seu lado, só que ela não entendeu.

- Mas mãe... Eu quebrei uma promessa! – Quinn questionou indignada, ela não era o melhor ser humano do mundo, sua mãe não precisava ficar falando aquele tipo de coisa para levantar sua moral, sabia muito bem que era egoísta e que isso destruíra seu relacionamento com Rachel. Judy agitou a cabeça negando, segurou as mãos da filha e continuou:

- Você quebrou uma promessa buscando uma felicidade ainda maior para vocês duas, não deixe que te façam sentir pior querida!

- Se eu fiz tudo certo, se eu queria ser ainda mais feliz... – Quinn começou a questionar-se, mas sua voz falhou quando se lembrou de Rachel deixando-a parada sozinha naquele corredor. Ela chorou e a mãe a abraçou afagando seus cabelos. – Por que então tudo está desabando?

- Porque amar requer maturidade e um pouquinho de sofrimento. – Judy murmurou dolorosa, ninando a filha e afagando-lhes os cabelos. Quinn adormeceu pouco tempo depois, cansada de tanto chorar.

***

A semana passou entre ensaios, treinos das Cheerios e olhares que se cruzavam nos corredores.

Quinn resolveu deixar a cheerio que ainda sabia existir dentro de si tomar conta da situação, a “nova” Quinn, aquela que Rachel Berry fez nascer estava cansada demais para continuar naquela batalha que sabia estar perdida. Não foi surpresa Quinn dar uma folga para Santana, afastar-se de Kurt e Mercedes e isolar sozinha no topo da pirâmide social do colégio. Os boatos de que Quinn estava tendo um caso com Sam só estavam tornando a situação mais fácil de lidar, por mais que sentisse falta de Rachel e doesse pensar nela, a loira percebeu que apenas ela parecia preocupar-se com o fim do relacionamento.

Rachel Berry sabia ser muito teatral quando queria, estava conseguindo enganar Quinn disfarçando toda a falta que a loira fazia em sua vida. Andava para cima e para baixo com Finn em seu encalço, ela e o rapaz (que perdera a vaga de quaterback para Sam) pareciam ser o mais novo casal de perdedores do colégio. As raspadinhas estavam tornando-se freqüentes e Rachel surpreendeu-se ao notar que estava divertindo-se com Finn. O rapaz sabia ser um bom amigo quando queria.

Mas a situação mudou no dia da apresentação dos duetos para a competição no Glee Club. Rachel Berry estava caminhando pelos corredores, acabara de chegar e notou que Karofsky e Azímio vinham com raspadinhas na mão. Olhou ao redor, era o único alvo ali.

Quinn passara por ela, trocando olhares extremamente fortes e agressivos, Rachel apenas abaixou a cabeça e esperou sentir aquela sensação gelada desagradável da qual já estava acostumada. Porém, os dois jogadores passaram por ela e jogaram as raspadinhas em Sam.

Rachel não conteve o sorriso maldoso e virou-se para observar a cena. Os cabelos loiros de Sam estavam cobertos de raspadinha de uva e a morena riu dele, Quinn correu até Sam e lançou um olhar repreensivo a diva quando notou que ria. Em seguida, Rachel viu que Quinn perguntou se Sam estava bem antes de levá-lo para longe dali, abraçada a ele.

A risada morreu na garganta de Rachel, a morena viu que talvez tivesse feito uma besteira ao não acreditar em Quinn... Mas a loira também não fizera nada para evitar que aquilo acontecesse a elas!

Rachel precisava culpar alguém pelas suas próprias falhas.

- Rachel? Você está bem? – Finn perguntou preocupado, parando ao lado dela e observando-a. Rachel deu um sorrisinho de lado para ele, abraçou-se mais aos livros e encarou o rapaz.

O Finn do qual gostara ainda estava ali, parado diante dela. Talvez fosse possível voltar a gostar dele e esquecer Quinn...

- Sim, eu estou bem... Só algumas coisas que ainda me preocupam! – Rachel respondeu com um tom de voz mais ameno e chutando Quinn para longe de sua mente. – Vamos para a aula?

Rachel apanhou o braço de Finn e o rapaz deu um sorriso surpreso enquanto caminhava com ela pelo corredor. Sentindo-se o cara mais feliz do mundo.

- Você tem bastante experiência com isso... – Sam comentou surpreso enquanto ele e Quinn tentavam lavar seu cabelo na pia do vestiário masculino. Quinn deu um sorrisinho triste para ele e respondeu gentilmente:

- Depois de tudo que eu passei, ao menos uma coisa eu aprendi e foi tirar raspadinha do cabelo.

- Mas você é capitã das Cheerios e a garota mais linda da escola... – Sam falou olhando para Quinn através do espelho, a garota corou levemente e ele deu um sorriso. – Não deveria saber dessas coisas... Afinal, você só ficou com aquela Rachel Berry e só o Glee Club sabe disso!

- Não foi apenas isso Sam, se você perguntar pra qualquer um dessa escola, eles vão te dizer o verdadeiro motivo de eu ter largado as Cheerios ano passado... – Quinn respondeu desconfortável, jogando água nos cabelos de Sam. Um “dejá-vu” veio a sua mente, há menos de quatro meses, era Rachel que estava ajudando-a com a raspadinha no cabelo. – Vamos falar de você... Por que anda recebendo raspadinhas freqüentemente?

- Finn estava certo, entrar no Glee Club foi um erro. – Sam respondera sério, fazendo Quinn arregalar os olhos com as palavras dele. Imediatamente Sam deu uma gargalhada da expressão da garota. – Mas foi um erro muito bom, acho que isso vai parar quando ganharmos o primeiro jogo e eu for o herói da partida.

- Você confia muito em si mesmo, não é? – Quinn perguntou com um sorriso, Sam era uma boa companhia, era ele o responsável por seus dias não estarem sendo tão terríveis. Sam deu um sorrisinho convencido e Quinn achou fofo até, em seguida, respondeu:

- Se eu não confiar em mim, quem vai?

- É, você tá certo! Vou seguir a sua teoria, faz sentido. – Quinn estava com a expressão pensativa agora, aquelas palavras faziam sentido para ela, porque ela sabia muito bem que deveria confiar mais em si mesma caso quisesse que as coisas mudassem... A cheerio entregou a toalha para Sam, o rapaz chacoalhou os cabelos jogando um pouco de água em Quinn, a loira gargalhou dele e quando os olhos de ambos se encontraram novamente, Quinn viu que podia confiar nele. Sam não era um rapaz tão terrível assim.

- Acho que você podia testar a minha teoria agora... Vamos precisar acreditar muito em nós se quisermos aquele jantar no BreadStix. – Sam estava animado, ele jogou a toalha na pia e segurou a mão de Quinn, sem qualquer segunda intenção. A loira apertou a mão do rapaz com um sorriso, mas sua expressão rapidamente mudou, ela tinha um ar melancólico quando disse:

- Sabe, estou precisando daquela conversa que você me deve...

- Sou todo ouvidos, pode falar! – Sam sentou-se na pia e ajudou Quinn a fazer o mesmo, a loira balançou os pés e não conseguiu tirar os olhos deles. Ainda doía pensar em Rachel e doía ainda mais perceber que a morena parecia bem sem ela.

- Estou começando a achar que a minha relação com Rachel estava fadada ao fracasso...

- Por que pensa isso, Q? – Sam perguntou confuso, chamando Quinn pelo apelido. A loira nem ligou, apenas olhou para ele com uma expressão derrotada. – Eu vejo quando vocês se esbarram pelo corredor e acredite, ela ainda gosta de você.

- Achei que você estava a fim de mim, Sam! – Quinn murmurou impressionada, arrancando risos de Sam. O rapaz deu de ombros e disse sério:

- E estou, só que eu te respeito. Não quero tentar nada enquanto você não achar que devo, só é difícil resistir a seus olhos... Eles são muito lindos, já te disseram?

- Sim e eu acho que... – Quinn disse rindo, estava sentindo-se melhor agora, pulou da pia e puxou Sam. – Essa conversa tomou um rumo muito perigoso, melhor irmos para a sala do Glee Club agora.

Sam deu um sorriso de lado e abraçou os ombros de Quinn, a loira não o repeliu. Estava precisando de um pouco de carinho.

Rachel estava nervosa sentada ao lado de Finn, o que quase nunca acontecia ás vésperas de uma apresentação no Glee. A morena estava nervosa porque Quinn não aparecera com Sam ainda, mil e uma possibilidades passavam em sua cabeça e todas elas incluíam Quinn sendo beijada pelo jogador.

Finn pareceu perceber que ela estava nervosa e supôs que fosse pela apresentação, o rapaz apertou a mão de Rachel e lhe deu um sorriso otimista. Rachel não conseguiu retribuir porque nesse instante, Quinn entrou juntamente com Sam e os dois riam.

- Até que enfim chegaram, estávamos esperando por vocês! – Mr. Schue exclamou um pouco irritado e empurrando os dois para as cadeiras, Quinn passou por Rachel e sequer olhou para a morena. – Bem, vamos começar então... Espero que tenham se esforçado!

A competição começou com Mercedes e Santana que arrasaram juntas, em seguida Mike e Tina fizeram uma apresentação melhor ainda em que Mike realmente cantou. Brittany e Artie comunicaram que não iam participar e Quinn olhou para Santana, que deu de ombros constrangida. A latina tinha culpa no cartório.

Kurt cantou sozinho e arrasou, depois foi a vez de Rachel e Finn que cantaram “Don’t Go Breaking My Heart” com tanta sintonia que Quinn chegou a revirar os olhos de ciúmes. Sam olhou para ela com tranqüilidade e a cheerio acalmou-se um pouco.

- Bem, os últimos... Sam e Quinn! – Mr. Schue exclamou com os olhos brilhando de euforia, ele estava muito contente com as apresentações. Quinn sentiu-se insegura, a música que ela e Sam cantariam era bem simples perto dos outros números. O rapaz chegou perto dela, já com o violão e perguntou preocupado:

- Tá tudo bem?

- Não, mas eu tenho que acreditar em mim, não é? – Quinn respondeu nervosa, mas dando um sorriso que pareceu convencer Sam. O rapaz então iniciou a música e durante toda a sua execução, olhou para ela.

Quinn estava com vergonha, mas fez sua parte, ignorando o Glee Club a sua frente. Como combinado, ficou ao lado de Sam e fez as notas no violão, os dois trocaram olhares por toda a música e Rachel parecia estar segurando-se na cadeira.

O clima da música tomou conta da sala e os casais rapidamente abraçaram-se, Santana lançou um olhar irritado quando viu que Brittany estava sorrindo para Artie e Rachel acomodou-se em Finn. Quinn quase desafinou nessa hora e devido a essa atitude de Rachel, ela não brigou quando Sam segurou sua mão antes de finalizar a música.

Rachel olhou para Quinn com ciúmes e a loira retribuiu com frieza.

- Muito bem! Acho que podemos votar! – Mr. Schue exclamou visivelmente feliz. Puxou alguns papéis de dentro da pasta e ordenou que votassem no vencedor, obviamente todos votaram em si mesmos, menos Artie e Brittany. Mr. Schue contou os votos e anunciou:

- Bem... Foi uma votação apertada mas, que rufem os tambores! – Nesse momento a banda de jazz rufou os tambores como ordenado. – O jantar grátis no Breadstix vai para... Quinn e Sam!

Todos aplaudiram, menos Rachel e Finn que pareciam incrédulos com o resultado. Rachel estava com ciúmes e muito irritada para completar, fez sua tradicional saída a lá Rachel Berry observada por todos... Mas ninguém deu muita atenção, a não ser Finn que correu atrás dela enquanto todos cumprimentavam Sam e Quinn.

- Parece que acreditar deu certo... – Sam comentou satisfeito quando todos saíram, ficando apenas ele e Quinn. A loira sorriu um pouco triste, notara que Rachel saíra correndo ao saber do resultado. – Que horas posso te pegar no sábado?

- Isso não é um encontrou Sam, posso eu mesma ir e te encontrar lá... – Quinn respondeu um pouco envergonhada, Sam pareceu um pouco triste, mas concordou com a cabeça e deu um aceno antes de sair.

Quinn ficou um pouco sozinha... Sem coragem de sair lá fora. Finn também não a parabenizara, tinha medo de sair e encontrar Rachel com Finn lá fora. Mas ao mesmo tempo, tinha que dar um basta naquela humilhação, tinha que ao menos tentar reerguer-se... Respirou fundo e saiu do Glee Club.

Achou que estava a salvo até chegar ao estacionamento, ouviu risadas que reconheceu ser de Rachel... A morena estava nos braços de Finn, rindo de alguma coisa que ele falara enquanto ele a beijava. Os olhos de Quinn ficaram turvos de tanta raiva, ela entrou no carro e bateu a porta.

Rachel não percebera que Quinn passara por ali até ouvir os pneus cantando no asfalto.

***

When you're dreaming with a broken heart

The waking up is the hardest part

John Mayer ecoava no carro e Quinn estava parada em frente a casa dos Berry na escuridão, já anoitecera e a rua estava em silêncio. Estava sendo idiota, Rachel já a esquecera... Então por que parecia tão difícil acreditar e principalmente, por que era tão difícil sair dali?

You roll out of bed and down on your knees

and for a moment you can hardly breathe

Wondering was she really here

Is she standing in my room?

As lágrimas escorriam pelo rosto da cheerio, mas ela não parecia querer limpá-las. A luz da janela do quarto de Rachel acendeu e ela viu um vulto passar pela janela, a loira saiu do carro e atravessou a rua.

No, she's not

cause she's gone, gone, gone, gone, gone.

Não rumou para a porta e sim, para a árvore que ficava em frente a janela da morena e que lhe trazia tantas lembranças boas que pareciam distantes dela no momento. Ouviu uma música dentro do quarto, era a mesma que estava ouvindo no carro.

When you're dreaming with a broken heart

The giving up is the hardest part

Olhou para a janela, a silhueta de Rachel passava de um lado para o outro. Parecia estar escolhendo alguma coisa.

Uma roupa talvez, para encontrar com Finn que era o atual príncipe encantado dela.

She takes you in with her crying eyes

then all at once you have to say goodbye

wondering could you stay my love

will you wake up by my side?

Quinn escorou na árvore, ainda observando e sentindo-se a pessoa mais idiota do mundo. Sempre achara que nunca ia sofrer, que teria os garotos aos seus pés e agora... Rachel Berry, a garota que ela maltratava, estava lhe fazendo desejar que nunca tivesse se apaixonado.

No, she can't

cause she's gone, gone, gone, gone, gone.

Soltou os cabelos e continuou ali, naquela escuridão. Lembrando-se daquela noite em que escalou a janela para declarar-se para a morena. No momento, queria escalar a janela, gritar com Rachel e mostrar a ela que ainda a amava...

Mas Rachel parecia distante...

Do I have to fall asleep with roses in my hand?

Do I have to fall asleep with roses in my hand?

Do I have to fall asleep with roses in my hand?

Do I have to fall asleep with roses in my, roses in my hands?

Would you get them if I did?

A música continuava a ecoar… Mas Rachel pareceu ter ficado desconfortável com o som, porque a morena desapareceu da janela e no instante seguinte, o silêncio perdurou novamente. Quinn pegou o celular e mandou uma mensagem para Sam nesse momento. Dentro do quarto, Rachel ouviu uma voz cantarolar.

No, you won't

Cause you're gone, gone, gone, gone, gone.

A diva abriu a janela bruscamente, mas não havia ninguém ali embaixo. Mas ela ouviu os mesmos pneus de mais cedo cantarem seguidos de um barulho furioso de motor de carro.

When you're dreaming with a broken heart

the waking up is the hardest part.

Rachel correu escada a baixo e saiu pela porta, pode ver o carro de Quinn virando a esquina. A morena ficou estática, parada ali na noite olhando para a esquina acreditando que veria Quinn voltar...

Do outro lado da cidade, Sam acordou com o aviso de mensagem de seu celular.

Você está com sorte... Nosso jantar de sábado acaba de se tornar um encontro, me pegue às 8 da noite. Beijos, Q.

Sam deu golpes de karatê no ar em comemoração, pelo menos alguém não estava com o coração partido naquela noite.

Notas finais
Eu sei, eu sei... "Chega de Evansbray!" "Quando é que essas duas vão se acertar?" "Você é culpada de tudo!" Mas tentem me entender... Isso teve que acontecer, por mais que eu não quisesse =/ Sou a favor da volta das duas tanto quanto vocês, mas isso é necessário tá bom? Espero que postem reviews, aceito até ameaças de morte, tá bem? HSAUASHUASHUASHUASHUASHASU Beijos e até o capítulo 10. Ah, música do capítulo: John Mayer - Dreaming With a Broken Heart