Notas iniciais
Oi pessoal!
Antes de tudo, muito obrigada pelos reviews! Muito motivadoras e fiquei muito feliz em ver que estão gostando tanto assim da fic.
Bem, quanto a esse capítulo... Aqui está uma das partes que eu acho mais lindas de toda a fic, espero que gostem.
Beijos e boa leitura!

Por Ela

- Quinn... Vamos Q, você tem que acordar! – Quinn ouviu uma voz tão conhecida chamá-la, mas a loira não ousou acordar e muito menos a acreditar. Sua mente estava trabalhando rapidamente diante de todos os fatos que ocorreram na noite anterior ou os fatos que ela pensava ter ocorrido.

Quinn começou a pensar, ainda de olhos fechados. Sentia a garganta arder, provavelmente passara algum tempo na chuva mesmo, mas era tudo tão perfeito que ela recusava-se a aceitar. Até que sentiu um toque leve em seus cabelos.

- Vamos, baby... Sei que você está acordada! – Quinn Fabray deu um sorriso, mas não abriu os olhos. Estava bem ali, sentindo a mão de Rachel Berry passear pelos seus cabelos e a verdade preenchê-la por completo: tudo acontecera de verdade. Ouviu um muxoxo de impaciência e em seguida, o perfume e os cabelos de Rachel roçaram em sua face. A morena deu vários beijinhos em seu pescoço e murmurou contra sua pele:

- Você realmente precisa acordar!

- E essa é uma maneira fantástica de acordar! – Quinn respondeu com um sorriso sacana na face enquanto abria os olhos e deparava-se com Rachel em cima de si sorrindo, com um joelho de cada lado de sua barriga. A loira sentou-se na cama e a diva arrumou-se em seu colo, Quinn afagou-lhe os cabelos e disse:

- Vou tomar um banho quente e escovar os dentes, depois você pode me dar todas as broncas que quiser e me dizer por que me acordou tão cedo.

Rachel concordou com a cabeça, os olhos brilhando de felicidade enquanto dava um beijo na bochecha da loira e a observava andar, meio sonolenta, até o banheiro. Quinn conseguia ser linda até quando acordava e também, quando dormia. A morena acordara há meia hora e perdera-se observando o rosto angelical da outra e a respiração lenta dela ao seu lado na cama.

Até que viu as horas e tirou Quinn da cama. A loira precisava sair dali, voltar para casa e ainda se arrumar para escola. Não sabia se os seus pais agüentariam o choque de ver que sua menininha passara a noite com outra menina, ainda mais aquela que até algumas horas antes era o motivo de seu choro.

Rachel deitou-se novamente na cama e fechou os olhos, sem acreditar na noite incrível que tivera. Nem em seus melhores momentos otimistas imaginaria que seus sentimentos por Quinn um dia fossem correspondidos, contentava-se em observá-la de longe, em viver em seu mundo de sonhos, em repelir as pessoas para pensar só nela... Mas no final das contas, o futuro preparava algo muito melhor para ela.

A porta do banheiro tornou a abrir e Quinn saiu por ela, já vestida com as roupas da noite anterior que agora estavam secas e quentes, os cabelos estavam molhados e despenteados e ela abriu um sorriso quando viu Rachel deitada na cama, de olhos fechados e sorrindo bobamente. Aproximou-se devagar e beijou-lhe os lábios, as mãos da morena foram para sua face e trouxeram-na mais para perto.

Quinn sorriu entre um beijo e outro, Rachel estava desesperada e parecia ter esquecido o motivo de acordá-la.

- Agora você pode começar a me dar a bronca e me dizer por que me acordou a essa hora... – Quinn achou melhor lembrar a diva, senão, seria mau humor na certa dali para frente. Para sua surpresa, Rachel deu um suspiro indignado quando a loira sentou ao seu lado e a olhou com diversão. Rachel sentou-se também e recebeu de bom grado o abraço que a loira lhe dava.

- Acho que você tem que voltar para a casa de Mercedes, digamos que meus pais não ficariam nada felizes se você aparecesse descendo as escadas comigo. – Rachel murmurou enquanto encaixava a cabeça entre o pescoço e o ombro de Quinn, a loira exalava um cheiro bom e o coração dela parecia a melodia perfeita para seus ouvidos naquele momento. Quinn fez um leve carinho em seu braço e riu em seguida.

- Desde quando você voltou a ser tão chata, Berry?

- Chata? Eu estou pensando no seu bem e... – Rachel afastou-se e começou a questionar indignada quando Quinn revirou os olhos e aproximou-se, calando-a com um beijo. As mãos da loira seguravam sua face e o beijo era sem urgência, repleto de carinho, a língua de Quinn dançava em sua boca e a loira sabia exatamente o que fazer. Rachel sentiu-se vencida e mais uma vez, deu um muxoxo quando a loira se afastou dizendo:

- Ainda bem que eu arrumei uma excelente forma de te manter calada, não acha?

Rachel corou levemente enquanto observava Quinn pegar o celular e preparar-se para sair pela janela. A morena não deixou que ela saísse, aproximou-se devagar e abraçou-a pela cintura, colocando a cabeça no ombro da loira, perguntou preocupada:

- Como vai ser hoje na escola? Vai me ignorar de novo?

Quinn virou-se para ela com uma expressão fria, como se aquelas palavras não fizessem o menor sentido. A loira apertou a cintura de Rachel e em seguida a abraçou, murmurou calmamente em seu ouvido:

- Acha que eu vou conseguir te ignorar depois disso? Eu amo você, não vai ser tão fácil me largar de agora em diante.

Rachel tinha lágrimas nos olhos quando se separaram, a loira segurou a sua mão até o instante em que pulou da janela para a árvore. A morena chegou a temer por ela, mas Quinn sorria achando tudo muito divertido, ela fora uma cherrio e sabia muito bem o que estava fazendo, afinal. Quando saltou da árvore para o chão, Quinn lhe deu um aceno e saiu correndo pela manhã fria e repleta de névoa.

Inexplicavelmente, Rachel sentiu seu quarto muito frio e vazio sem ela ali.

- Atende... Atende... – Quinn repetia aquilo como se fosse uma mantra com o celular na orelha, estava esperando Mercedes na porta, esquecera da chave quando saíra apressada para acertar sua situação com Rachel. – Não me obrigue a arrombar a porta ou a pular outra janela hoje, por favor!

- Eu devia saber que era você! – Quinn ouviu a voz de Mercedes dizer meio sonolenta e visivelmente irritada. A loira virou-se para ela com um sorriso culpado na face e deu de ombros, Mercedes estava de pijamas segurando o celular em uma das mãos, ela revirou os olhos e fez um gesto para que Quinn entrasse.

- Você vai se arrumar e eu vou tentar dormir mais um pouco, mas depois... Se prepare, você vai me dizer tudo! – Mercedes murmurou antes de subir as escadas e entrar no próprio quarto, Quinn que estava perfeitamente acordada correu para o seu quarto e se trocou. Demorou um bom tempo para escolher a roupa e riu diante disso, tudo por culpa de Rachel Berry.

Quinn apanhou uma calça jeans que estava escondida sob os milhões de vestidos e uma blusinha, colocou uma sapatilha e olhou-se no espelho feliz com o resultado. O sol já tinha quase se levantado quando ela terminou de arrumar o cabelo e de apanhar a bolsa. Seu celular vibrou, deu um sorriso quando viu uma mensagem vinda do número de Rachel.

Inexplicavelmente, tudo pareceu mais frio depois que você saiu daqui. Por favor, não se atrase hoje. Beijos, amo você.

A loira ficou alguns bons minutos olhando para a tela do celular com um sorriso bobamente apaixonado. Ouviu risadinhas atrás de si e deparou-se com Mercedes a observando com uma careta, escorada no batente da porta.

- Sério, eu ia te xingar por me acordar tão cedo. Mas eu não consigo parar de rir da sua cara!

- Ok, ok, pode me zoar! Meu humor está muito bom para eu me irritar com alguma brincadeirinha idiota! – Quinn respondeu animada pegando a bolsa e saindo pelo quarto, Mercedes a segurou pelo pulso e quando a loira virou-se para atendê-la, a outra tinha uma expressão no mínimo, assustada.

- Onde você foi essa noite para voltar desse jeito? – Mercedes perguntou.

- Fui conversar com Rachel e a gente se acertou! – Quinn disse com os olhos brilhando de felicidade e paixão, Mercedes segurou uma risada, Quinn não merecia uma piadinha ou algo do tipo. Fez uma cara de desentendida e perguntou fingindo uma ligeira curiosidade:

- Como assim “se acertaram”?

- Como você mesma disse cara Mercedes, existem coisas que são melhores descobertas do que contadas! – Quinn disse dando-lhe uma piscadela e um sorrisinho maroto e em seguida, descendo as escadas. Mercedes bufou impaciente não acreditando que a amiga não lhe contaria nada, por isso, resmungou:

- Não acredito que você não vai me dizer nada!

- Calma, você vai descobrir na escola, prometo! – Quinn respondeu tranquilamente enquanto dava bom dia aos pais de Mercedes e sentava-se à mesa. Mesmo insatisfeita com o fato da amiga não lhe contar o que ela sabia que tinha acontecido, Mercedes sorriu, finalmente estava vendo Quinn ser sincera consigo mesma.

***

Rachel Berry estava impaciente no caminho para escola, ao mesmo tempo em que tinha medo que Quinn a ignorasse, confiava o bastante na loira depois daquela noite e das palavras que ela dissera antes de sair. Mas não podia deixar que a sua mente vagasse nas milhões de situações que poderia acontecer a partir de agora. Seus pais perceberam a preocupação da diva, pois ela permaneceu calada durante todo o trajeto da casa dos Berry até ao McKinley High.

Ao pararem na frente da escola, Rachel quase pulou para fora do carro. Mas Leroy a chamou e perguntou, preocupado:

- Aconteceu alguma coisa que queira nos contar, querida?

- Ahm é... – Rachel murmurou enquanto pensava se deveria ou não falar, resolveu-se pelo meio termo. – Sim, eu conheci uma pessoa... Mas não vou falar sobre isso agora, prometo que depois explico tudo.

Dizendo isso, a morena saiu praticamente aos pulos do carro deixando os pais com expressões confusas e atravessou o estacionamento em silêncio, com o coração quase saindo pela boca. Entrou na escola e como sempre, foi bem recebida por Santana que gritou algo do tipo:

- Bom dia anã!

Mas Rachel estava perdida demais nos próprios pensamentos para notar em alguma coisa que não fosse Quinn, pelo visto a loira conseguira atrasar-se novamente, mesmo depois de seu pedido pelo celular. A diva rumou para seu armário, um pouco mais irritada agora, guardou alguns livros lá dentro e sentiu que alguém chegara e parara ao seu lado.

- Será que podemos conversar?

Para seu desespero não era Quinn e sim, Finn que tinha um sorriso no rosto.

- Eu não quero falar com você, Finn... – Rachel murmurou desapontada. – Acho que não temos nada para conversar.

- Mas Rach, depois de tudo que a gente viveu, não acha justo você me dar uma segunda chance? – Finn perguntou com a expressão um pouco mais pesada agora que notara que Rachel não seria tão fácil de convencer. A morena encarou-a com frieza e uma expressão fechada no rosto, em seguida, deu um sorrisinho e respondeu:

- Olha Finn, eu estou cansada de suas batalhas internas! Se você tiver que escolher entre eu e sua reputação, eu sempre sei que vai optar pela sua fama de quaterback e não por mim e sabe... Isso não me magoa mais, eu te entendo perfeitamente.

Finn fez uma careta pensativa que até uns dias atrás Rachel achava extremamente fofa, mas agora, só fazia a diva achar o garoto ainda mais bobo. Em seguida, ele abriu um sorriso presunçoso e perguntou:

- Isso é um “sim”?

- Isso é um não, Finn... – Rachel disse com um sorriso no rosto e rindo da cara de decepção do rapaz. – Mas olha, em respeito a tudo que vivemos, talvez possamos ser amigos. O que acha?

- Eu não vou ser seu amigo Rach! Eu vou te reconquistar, você vai ver! – Finn respondera com um sorriso esperançoso nos lábios antes de sair dali, Rachel ficou rindo do rapaz, talvez tivesse sido melhor dizer para ele que estava com alguém. Aliás, ela e Quinn estavam juntas? A morena ficou confusa diante da indagação, não saberia dizer em que grau a sua relação com a loira se encontrava.

Voltou-se para o armário e olhou no horário as matérias que tinha nos períodos. Novamente alguém se aproximou dela sorrateiramente, mas ela conhecia aquele perfume e seu coração acelerou, acompanhado de um arrepio gostoso que tomou seu corpo.

- Dormiu bem essa noite? – Quinn perguntou em seu ouvido, Rachel pode ver o sorriso formar-se nos lábios dela, mesmo estando de costas. Virou-se e deparou-se com Quinn observando-a com felicidade, Rachel olhou para os dois lados do corredor, ninguém as observava. Portanto, aproximou-se mais da loira e murmurou bem perto da boca dela:

- Claro que sim, exceto ahm... Por alguns acontecimentos no meio da noite que tiraram meu sono brevemente.

- Espero que não esteja cansada, sabe... Temos um dia longo pela frente. – Quinn respondeu corando diante da distância que separava ela de Rachel, seu coração quase saiu pela boca quando sentiu o hálito quente de Rachel em sua face. A diva não tinha direito de fazer aquilo, não na frente de todo mundo e sem que ela pudesse fazer alguma coisa em troca.

- É mesmo... Temos uns cinco minutos antes do sinal, o que quer fazer? – Rachel perguntou inocentemente enquanto voltava-se para o armário e trancava-o, Quinn conseguiu retomar o ar que lhe faltara alguns minutos atrás e sorriu maldosamente. A morena encarou-a assustada, Quinn aproximou-se dela novamente e murmurou:

- O que eu quero fazer não dá para fazer nesse momento então... Me contentaria se você ficasse comigo, nesse tempinho.

- Nunca mais... – Rachel murmurou antes de respirar profundamente recuperando um pouco de ar e de sanidade. Não conseguia tirar os olhos da boca de Quinn que estava lhe chamando para ser beijada. – Faça isso Fabray!

Quinn fez uma carinha inocente e Rachel sorriu para ela, achando a cena toda muito fofa. O sinal tocou nesse momento, arrancando as duas de seus devaneios e Rachel ficou um pouco para baixo quando viu que teria que se separar da loira por uns instantes, sentiu a loira segurar sua mão e sorriu.

Mercedes e Kurt que observavam a cena ao longe sorriram um para outro, aproximaram-se em seguida com um ar de quem não vira nada.

- Quinn vem comigo para a aula de História... – Mercedes dissera enquanto apanhava a loira pelo braço, em seguida apontou para Rachel. – E você vai para a aula de Álgebra com Kurt.

- Desde quando Kurt fala comigo? – Rachel perguntou confusa enquanto olhava de Mercedes para Quinn, a loira ria abertamente. Kurt fez uma expressão ofendida e respondeu:

- Desde que você me pareceu ser uma pessoa legal ora!

Rachel não deu-se por convencida e fez uma expressão irritada, Mercedes e Kurt puxaram cada uma para um lado e Quinn não conseguia parar de rir enquanto Mercedes a arrastava pelo corredor. A outra acompanhou suas risadas e explicou-se, em seguida.

- Decidirmos agir, senão vocês iam acabar se agarrando ali mesmo.

- Se agarrando?! – Quinn repetiu completamente assustada e estacando no corredor, Mercedes revirou os olhos enquanto a puxava novamente.

- Hey... Te conheço o bastante para reconhecer expressões apaixonadas e olhares perdidos, sei muito bem para onde você foi ontem e com quem se acertou. Portanto, sem drama.

- Tá tão na cara assim? – Quinn perguntou envergonhada enquanto sentia o rubor preencher sua face. Mercedes murmurou algo como “own que coisa mais fofa” e riu em seguida, apertando uma das bochechas da loira.

- Está bem na cara depois de toda aquela demonstração de amor, carinho e outras baboseiras.

- Sempre soube que nunca poderia esconder nada de você! Só não quero que mais ninguém saiba, isso fica entre nós. – Quinn murmurou brincalhona enquanto dava um sorriso, Mercedes sentiu-se bem ao ver a amiga tão feliz e tão satisfeita com a vida que estava levando.

- Kurt já sabe, como você mesma disse, ele tem algum tipo de radar para essas coisas... – Mercedes respondeu arrancando risos de Quinn. – Mas só tomem cuidado, se continuarem assim, logo todos vão perceber que tem algo entre vocês.

- Tudo bem... – Quinn dissera mais tranqüila ao entrar na sala, mas antes de sentar puxou Mercedes para um abraço. – Obrigada, não sei o que fiz para merecer uma amizade como a sua, mas obrigada mesmo assim.

Mercedes deu um sorriso emocionado, também não sabia o que fizera para ganhar uma amizade como a de Quinn.

- O que você realmente pretende com a Quinn? – Kurt perguntou inquisidor enquanto encarava Rachel Berry com intensidade, a morena arregalou os olhos diante do tom do rapaz.

- Nós só... Estamos nos conhecendo! – Rachel respondeu nervosa enquanto caminhava ao lado dele, estava sentindo-se desconfortável com o braço do rapaz prendendo-a. Kurt revirou os olhos e continuou.

- Vocês se conhecem há muito tempo, quero saber o que você pretende ter com ela no futuro!

- Somos amigas Kurt, não sei do que você está falando! – Rachel respondera sentindo o rubor denunciá-la, Kurt deu uma risadinha e um sorriso maldoso formou-se em seus lábios.

- Não tente me enganar Berry, já disse que tenho uma espécie de radar para esse tipo de coisa, sei muito bem que você e ela estão fican... – Mas foi interrompido pelo dedo indicador de Rachel Berry em seus lábios, seguido de uma careta irritada e uma olhada nervosa para os lados do corredor.

- Não ouse falar disso aqui, isso é só entre eu e ela. Agora entre você e Mercedes! – Rachel dissera com aquele mesmo tom usado quando alguém interrompia seus raciocínios no Glee Club, em seguida, soltara-se do rapaz e saíra caminhando à frente. Kurt alcançou-a rapidamente e continuou.

- Não fique irritada Berry, só quero saber o que você quer com ela, Quinn já sofreu muito esse ano!

- Pelo que eu saiba, ela era a cherrio malvada e era eu quem levava raspadinhas de graça pelos corredores! Sofrimentos é o que mais sobra aqui! – Rachel respondeu com um tom mais ameno, mas ainda assim agressivo. Kurt revirou os olhos e pareceu estar cansado, aliás, o humor e a personalidade de Rachel Berry irritavam mesmo. Quinn era uma santa por querer algo com ela.

- Então vai fazê-la sofrer, é isso? – Kurt questionou com uma expressão maldosa, viu Rachel bufar raivosa enquanto os olhos castanhos dela semicerravam-se agressivamente.

- Eu não vou fazê-la sofrer, está bem? Eu gosto dela e gosto da companhia dela, só não quero que ninguém se intrometa entre a gente, porque se houver intromissão, aí sim eu vou começar a dar uns ataques que nunca ninguém me viu dar!

Rachel sabia muito bem o que sentia por Quinn, sabia muito bem o que queria com ela, só que não queria que outras pessoas intrometessem nesse relacionamento. Seu relacionamento com Finn provara que muitas pessoas notando um casal era mau negócio. Kurt pareceu satisfeito com a resposta dela, deu um sorriso vitorioso e enganchou seu braço no dela novamente, depois a arrastou até a sala e disse:

- Ótimo Rach, era isso que eu precisava ouvir.

Rach? Kurt a chamara de Rach? A morena deu um sorriso para ele e ficou feliz de ver que Kurt estava se esforçando para se entender com ela. Porém, assim que se sentaram lado a lado, Kurt ficou sério e Rachel sentiu que viria alguma brincadeira pela frente.

- Só que isso não vai me impedir de te importunar... Sabe, é só para manter a rotina!

Rachel deu um sorriso e acenou afirmativamente, finalmente parecia que as coisas começavam a se acertar e tudo aquilo era somente por causa de Quinn Fabray.

***

- Pronto, ambas entregues sem danos ou traumas! – Kurt disse quando o quarteto se encontrou para o intervalo e ele separou-se de Rachel, a morena praticamente saiu correndo para ficar ao lado de Quinn que lhe sorria como se não a visse há anos.

- Só espero que vocês nos respeitem, tá bem? – Mercedes dissera com uma expressão divertida no rosto enquanto pulava para ficar ao lado de Kurt. Quinn deu um sorrisinho safado que deixou Rachel morrendo de vergonha, em seguida, deslizou a mão suavemente pelo braço da morena deixando-a arrepiada.

- Eu vou tentar me comportar, prometo. – Quinn falou tranquilamente depois, enquanto Kurt a olhava impressionado e Mercedes ria ainda mais da situação. Rachel fechou os olhos e pareceu contar até dez, em seguida, quando sentiu o arrepio passar, sibilou com um sorriso sexy nos lábios:

- Vai ser difícil eu me comportar, mas se Quinn me ajudar, será melhor!

- Ah não! Vão para um motel vocês duas! – Kurt disse desesperado enquanto erguia as mãos para o céu, Quinn e Rachel caíram na gargalhada e agora era a vez de Mercedes parecer desconcertada com a atitude da morena. Kurt puxou Mercedes e esta se sentiu grata por isso, em seguida, o rapaz gritou por cima do ombro:

- Comportem-se! Ainda temos aula daqui a pouco!

Quinn e Rachel deram as costas aos dois e rumaram para a extremidade oposta em direção as arquibancadas. Quando chegaram a um local em que se encontravam menos alunos (a maioria rumava para o refeitório), Rachel sentiu a mão da loira acariciar sua nuca gentilmente e ela sorriu satisfeita, logo em seguida, Quinn murmurou baixinho em seu ouvido:

- Nunca mais dê aquele sorriso na frente dos outros!

- Por quê? – Rachel perguntara com o mesmo sorrisinho sexy de momentos atrás, Quinn pareceu ficar um pouco hipnotizada pela sua boca e balançou a cabeça para recuperar os sentidos. Em seguida, a loira pigarreou e disse com a voz falhando:

- Por que ahm... Ele destrói meu sistema nervoso, acho que ele não agüentaria se você repetisse pela terceira vez.

As duas saíram do prédio principal e subiram as arquibancadas, assim que ambas sentaram-se, a mão de Rachel correu pela perna de Quinn desenhando pequenos círculos com a ponta do dedo indicador. A loira mordeu o lábio visivelmente desconfortável fazendo com que Rachel sorrisse maldosamente dessa vez, a morena levantou os olhos e observou Quinn profundamente antes de perguntar:

- E o que você faria com o sistema nervoso destruído?

Quinn respirou fundo. O sorriso, o toque e o olhar de Rachel estavam matando-a lentamente. Estava segurando-se para não fazer nenhuma besteira como agarrá-la ali mesmo, por mais que os jogadores de futebol que estavam ali perto não tivessem notado a brincadeira das duas, notariam se ela saísse beijando Rachel Berry sem nenhuma vergonha. E da onde surgira aquela Rachel sedutora?

Por outro lado... Rachel queria brincar, certo? Então as duas brincariam.

Quinn aproximou-se ainda mais de Rachel, as duas ficaram realmente muito próximas, os narizes quase se tocavam. Apanhou a mão de Rachel que ainda deslizava círculos em sua perna e lançou-lhe o melhor olhar safado que acreditava ter.

Produziu efeito instantâneo. Os olhos de Rachel também vidraram enquanto observavam a sua boca.

- Sabe eu poderia... – Quinn começou lentamente, respirando o cheiro dos cabelos de Rachel enquanto falava. – Acabar fazendo besteira e isso inclui te beijar aqui e agora.

- Eu não me importaria se você me beijasse aqui e agora! – Rachel disse quase desesperada, Quinn riu internamente, não podia estragar tudo agora. A loira afagou a mão de Rachel e sorriu-lhe, sabia que o que falaria agora deixaria a morena muito irritada. Mas respirou fundo e continuou:

- Porém, eu estou com fome. Vou até o refeitório, quer alguma coisa?

Quebrou o clima mesmo.

Rachel afastou-se dela emburrada e murmurou um “não” muito bravo. Quinn gargalhou dela enquanto levantava-se e antes de entrar no prédio e no refeitório, pode ver Rachel respirar fundo e se abanar e ela mesma respirou um pouco de ar que não incluía o perfume de Rachel nele. Sentiu seus hormônios acalmarem-se um pouco.

A loira sentiu-se observada por Santana e Brittany enquanto comprava tudo que queria e saía dali. Mas não deu atenção e ignorou.

Santana porém observou-a até onde deu, sentada ao lado da cherrio loira.

- S, será que podemos conversar? – Brittany perguntou naquele jeitinho meigo dela, a latina não lhe deu atenção e pediu para que ela se calasse enquanto pensava onde e com quem Quinn estava, mas já sabendo as respostas das próprias perguntas. A cherrio loira levantou-se e saiu dali, a latina só notou quando se virou para falar com ela novamente.

Para desespero de Santana, Brittany estava sentada na mesma mesa que Artie e parecia contar a ele algo desagradável, porque Artie agora olhava Santana com desprezo. A latina ignorou o beijo que Puck tentava lhe dar e permaneceu emburrada, Quinn e Brittany estavam tirando-a do sério.

***

Dizer que Quinn estava feliz era pouco, a loira quase não cabia em si de tantas coisas boas que estavam acontecendo. A entrada inesperada de Rachel Berry em sua vida trouxe mais recompensas do que decepções, a relação das duas estava caminhando bem e a cada dia que passava parecia que estavam mais felizes uma com a outra.

Mas uma coisa ainda incomodava Quinn em seu interior, não conseguira falar com a mãe depois da discussão na casa de Mercedes e Rachel vinha lhe falando tanto para ao menos tentar conversar com mais calma que a loira estava quase se convencendo.

Era dezembro e o último dia de aula, o ar soprava frio pelos corredores do McKinley High e a neve ameaçava cair a qualquer momento. Quinn estava caminhando devagar pelo corredor, enquanto algumas situações que vivera naquele ano passavam em sua mente.

Começara o ano como a head cherrio e namorando Finn, parecia tudo bem naquela sua vida falsamente perfeita e depois da gravidez estava com Rachel Berry. A loira sorriu para os próprios pés enquanto ajeitava o casaco, se alguém lhe falasse que terminaria o ano apaixonada pela “Aberração” ela ia dar um soco no indivíduo.

Sentiu uma mão tocar levemente seus dedos, nem precisou virar-se para reconhecer quem era. Rachel caminhava agora ao seu lado, com aquele sorriso de 1000 watts iluminando tudo em volta dela. Quinn sorriu sem caber em si de felicidade.

- Da onde a senhorita está vindo? – A loira perguntou enquanto lançava um olhar de lado para Rachel, a morena revidou com um olhar misterioso.

- Acabei de sair da aula, oras.

- A aula acabou há dez minutos, não minta para mim Berry! – Quinn tornou a falar com um tom falsamente repreensivo e que Rachel acreditou. A morena arregalou os olhos e parou no meio do corredor em direção a saída, forçando Quinn a parar ao seu lado, em seguida cruzou os braços com uma expressão contrariada.

- Eu não estou mentindo, a aula acabou e eu estava falando com Mr. Schue oras. Já que nessa semana fomos dispensadas do Glee Club.

Mr. Shue dispensara o membros do Glee já que ambos estavam desesperados por causa das provas finais e também, porque o trabalho deles deveria continuar apenas no próximo ano. Quinn não se conteve e acabou rindo da expressão de Rachel, a diva conseguia ser muito paranóica ás vezes.

- Eu estava brincando amor... – Quinn disse meiga enquanto acariciava a bochecha de Rachel. Mas a morena afastou-se dela impressionada. A loira fez uma expressão intrigada e baixou a mão, olhando para o corredor esperando que alguém as tivesse visto.

- O que foi Rach?

- Você me chamou de “amor”... O que tem dado em você nos últimos dias? – Rachel perguntou confusa e visivelmente desconcertada enquanto retomava o caminho pelo corredor e puxava Quinn pela mão. A loira deu um muxoxo de irritação, achava que fosse algo mais sério. Em seguida, respondeu de má vontade:

- Qual o problema de eu querer ser romântica?

- Mais do que você já é? – Rachel tornou a questionar divertida com um sorriso, provocou um leve rubor em Quinn que acabou desmanchando a expressão de irritação. A loira estava visivelmente envergonhada agora.

- É que eu quero fazer as coisas da maneira certa dessa vez... – Quinn dissera enquanto observava o céu pesado que pairava sobre elas. – Quero que as coisas dêem certo entre a gente, quero viver tudo o que eu tenho direito, só isso.

- Toda vez que você fala alguma coisa do tipo, eu fico sem saber o que dizer. – Rachel dissera apaixonada enquanto enlaçava os dedos de sua mão com a de Quinn, a loira beijou-lhe a mão e deu um sorriso.

- O que já é um grande passo, você calada é quase que um milagre! – Quinn dissera divertida acabando novamente com um momento. Rachel revirou os olhos para ela, mas não se separou da loira, estava muito frio para fazer qualquer drama que incluísse sair perto do calor de Quinn Fabray.

- Mesmo eu não gostando nada dessa sua mania de acabar com os momentos fofos que nós temos eu acho que...

Mas Quinn a beijou no meio da rua, não foi um beijo, foi um selinho. Quando as duas afastaram-se, Quinn não conseguia parar de rir da cara de espanto de Rachel, a morena deu uma sequência de tapas em seu ombro antes de disparar:

- Você é maluca? Alguém poderia ter nos visto e...

- Quer que eu repita? Porque se você continuar a reclamar eu posso muito bem repetir! – Quinn disse com um sorriso sacana parando Rachel e se aproximando da outra sedutoramente. A morena estacou e prendeu a respiração, o vento frio estava incomodando-a, mas ela não conseguia reunir qualquer força de vontade para sair dali. Mas a loira se afastou dela, deixando Rachel na vontade novamente e continuou a caminhar despreocupadamente.

- Eu odeio quando você faz isso! – Rachel sibilou entre os dentes. Quinn deu uma gargalhada e apanhou a mão da morena novamente, com uma expressão apaixonada nos olhos.

- E você tem que aprender a se controlar um pouco mais, senão vai me atacar em todos os dias das férias.

- E quem disse que eu vou te ver todos os dias das férias? – Rachel perguntou ameaçadoramente assim que chegou a porta da casa dos Berry. Quinn arqueou a sobrancelha ligeiramente preocupada.

- Bem, não sou eu que precisa da Q aqui toda hora... – A loira respondeu convencida. Rachel a puxou pela gola do casaco e deu-lhe outro selinho antes de gargalhar, Quinn sentiu o hálito quente da outra em sua face e quase fez besteira novamente.

Tinha sorte de ter mais autocontrole do que Rachel, afinal, alguém tinha que ser um pouco racional naquela relação.

- Tá bom, eu não consigo ficar sem você por muito tempo. Não me dói admitir, porque eu também sei que você ia ficar louca sem mim! – Rachel revidou no mesmo tom convencido de Quinn, a loira deu uma piscadela para ela e acenou indo embora.

Enquanto caminhava de volta para casa dos Jones, a gargalhada e o sorriso de Rachel ainda estavam impressos em sua mente. A morena evitara o assunto “Judy Fabray”, mas a loira sabia que ela queria que se acertasse com a mãe.

E foi pensando em Rachel que Quinn mudou bruscamente o caminho, apanhou o papel onde a Sra. Jones tinha anotado o endereço atual de sua mãe e rumou para lá.

***

As pernas de Quinn tremiam quando ela subiu os degraus e aterrissou no tapete de uma modesta casa localizada bem longe do McKinley High e o tremor nada tinha a ver com o frio que estava fazendo. Ela vacilou algumas vezes antes de bater na porta, parecia que o simples ato de bater estava tornando-se uma batalha épica dentro de si, seu braço parecia pesar uma tonelada.

Na quinta ou sexta vez, Quinn não soube dizer, ela conseguiu bater a porta. Bateu desesperada, era verdade, mas mesmo assim bateu. Ouviu passos apressados dentro da casa.

- Já vou! – Quinn reconheceu a voz de sua mãe e em seguida, Judy Fabray apareceu na porta. Quando seus olhos chegaram a Quinn, o sorriso desapareceu e uma expressão preocupada tomou conta da face dela. Quinn controlou-se para não dar um abraço na mãe, estava sentindo falta dela como nunca.

- Desculpa vir sem avisar, mas eu pensei que talvez você ainda quisesse conversar comigo... – Quinn murmurou mais para os próprios pés do que para mãe, Judy não esperou a filha terminar de falar e já a puxou para dentro da casa. A loira notou que tudo tinha absolutamente a cara de sua mãe e o ambiente estava leve, sem a personalidade forte e sufocante de Russel Fabray.

Judy não disse nada, colocou a filha sentada em uma poltrona e foi para cozinha. Voltou com uma xícara fumegante de chá colocando-a em frente a Quinn, a loira aceitou muda enquanto levava a xícara aos lábios.

- Então querida... Sobre o que quer conversar? – Judy perguntou um pouco receosa enquanto observava Quinn repleta de esperanças, a loira engoliu o líquido fumegante e respirou fundo.

- Sobre tudo, olha... Eu sei que não fui à melhor pessoa do mundo ultimamente, mas acho que ambas devemos explicações uma para a outra! – Quinn disse segura de si levantando os olhos castanho-esverdeados para a mãe, Judy achou que ia receber um olhar frio da filha, mas Quinn a observava ansiosa e pedindo uma resposta para só então perdoá-la.

- Deixe que eu fale tudo que eu sinto, depois você pode jogar quantas pedras quiser em mim, está bem? – Judy perguntou a filha, Quinn estava tão perdida em seus pensamentos contraditórios entre perdoar ou não, escutar ou ignorar que só conseguiu acenar a cabeça em sinal afirmativo. Judy pigarreou e aspirou todo o ar que podia, tentando ali reunir também um pouco de coragem.

- Sei que não vai adiantar nada pedir desculpas para você novamente, o que eu fiz... – Judy parou nesse momento, um sorriso triste formou-se em seus lábios quando viu que Quinn a encarava com intensidade. – Ou melhor, o que eu não fiz por você foi imperdoável. Eu não vou tentar justificar nada, porque não existe justificativa para covardia.

Quinn permaneceu olhando para a mãe, mas quando ela enfim assumiu o medo que tinha do marido, a loira abrandou a expressão e sentiu que as lágrimas estavam começando a formar-se em seus olhos. Judy estava limpando as lágrimas que escorriam na própria face, parecia afobada e estava tendo problemas em recomeçar a falar.

- Não quero que você me perdoe agora Quinnie... – Judy ousou chamar a filha pelo apelido carinhoso, Quinn fez uma careta desconfortável, mas logo aceitou abertamente as palavras da mãe. – Só quero que você dê um tempo para mim, aliás, para nós duas. Eu quero mostrar para você que eu tenho plena noção do que eu fiz e que posso ao menos tentar me redimir.

Quinn pescou as palavras no ar e tentou montá-las em sua cabeça. Mas não conseguia. Tudo que ela queria era a mãe de volta, sentir novamente os abraços que ela lhe dava e até mesmo as broncas. Por mais que estivesse feliz com Mercedes, precisava de sua família de volta e como sabia que não a teria novamente, estava começando a aceitar de bom agrado aquilo que a mãe lhe oferecia.

- A senhora sabe perfeitamente o que não fez por mim e as conseqüências disso, não sabe? – Quinn perguntou de cabeça baixa enquanto se levantava, as lágrimas já estavam escorrendo e ela só queria tentar parecer forte perto da mãe, mas não conseguia. Estava tão feliz agora que parecia injustiça não procurar se acertar com sua mãe.

Judy levantou-se rapidamente, com medo de que sua filha saísse porta a fora e desaparecesse novamente. A mulher parecia não saber o que responder, aliás, tinha medo da resposta. Quinn ouviu a mãe andar de um lado para o outro, com certeza estava pensando na melhor resposta.

- Sim filha, eu tenho plena consciência do que eu não fiz por você e dos danos que isso causou. – Judy Fabray respondeu por fim, parecendo estranhamente derrotada e infeliz, prometera que ia ser sincera com a filha, por mais que aquilo a afastasse ainda mais e sabia que poderia afastá-la.

Quinn deveria estar odiando-a naquele momento, estava assumindo que a abandonara e que sabia muito bem o que aquilo poderia causar.

- Ótimo... – Quinn começou a falar meio insegura, levantou os olhos para a mãe que quase correu para abraçá-la ao ver que as lágrimas escorriam por ele. Quinn preferia que a mãe tivesse feito isso, deu um sorriso diante da indecisão dela, tão parecida com sua própria indecisão e relutância em assumir o que sentia pó Rachel e continuou:

- Isso era tudo que eu precisava ouvir, obrigada.

Judy não entendeu o que a filha quis dizer até sentir o corpo de Quinn aproximar-se do seu. A mulher pegou a filha nos braços e chorou, não de tristeza, e sim de felicidade. Sentiu Quinn desabar sobre seus ombros, parecia que a ex-cherrio tinha tirado um peso enorme de suas costas.

Ficaram ali abraçadas, tentando recuperar tudo que tinham perdido.

Após alguns minutos de choro, soluços e abraço apertado. Quinn separou-se da mãe, sorrindo aliviada.

- Eu prometo que virei para cá amanhã, antes preciso falar com uma pessoa. – Quinn avisou enquanto se levantava e a muito custo separava-se de vez da mãe, Judy deu um sorriso emocionado e perguntou:

- Com os pais de Mercedes, certo?

- Não, com a pessoa que provocou tudo isso. Até amanhã... – Quinn disse apressada enquanto levantava-se e abria a porta, mas antes de sair, a loira voltou correndo, deu mais um abraço em Judy e disse:

- Até mais, mãe.

Judy Fabray sorriu aliviada e deixou-se cair no sofá enquanto limpava as lágrimas, achava que nunca mais fosse ouvir o “mãe” vindo da boca de sua doce Quinnie.

***

Tem como você sair? Preciso mesmo falar com você. Beijos, Q.

A mensagem de Quinn quase fizera Rachel pular de susto, estava na sala junto com os pais vendo o noticiário quando sentiu o celular vibrar. Hiram olhou para filha curioso enquanto Leroy parecia saber mais do que devia. A morena recompôs-se e perguntou:

- Papai, posso sair um pouco? Tem uma pessoa me esperando lá fora.

- Na realidade, ela tá a sua espera há uns 10 minutos e eu reconheci aquele cabelo loiro. – Leroy respondeu agressivo levantando-se e abrindo uma fresta na cortina. Visualizou perfeitamente o vulto de Quinn Fabray esperando a filha na frente de casa, sua expressão logo se tornou séria. Porém, seu marido fez um pedido mudo para que ele ficasse calmo e disse:

- Claro que sim filha, está tarde e muito frio. Sua amiga não pode esperar muito tempo.

Rachel saiu praticamente correndo antes que os pais pudessem mudar de idéia, teve certeza que antes de sair ouviu Leroy dizer alguma coisa como “nossa filha vai acabar sofrendo se você continuar a achar que todos são perfeitos para ela!” mas ignorou. Seus olhos demoraram a acostumarem-se com a quase total escuridão da rua.

Quinn não estava ali, procurou no jardim lateral a casa e não encontrou também. Estava quase mandando a loira sair, da onde quer que fosse, quando sentiu as mãos da loira em sua cintura. Quinn beijou seu pescoço provocando leves arrepios e disse em tom de desculpa:

- Eu realmente precisava te ver, arrumou problema com seus pais?

- Não, claro que não. – Rachel respondeu preocupada enquanto se virava, Quinn não parecia bem. Estava com os olhos inchados e a expressão meio perdida. A morena apanhou o rosto da outra com as duas mãos, beijou-lhe os lábios levemente e perguntou:

- O que foi aconteceu amor?

- Eu fui falar com a minha mãe depois da escola. – Quinn respondeu mais tranqüila, Rachel era uma boa observadora e logo perceberia o que teria acontecido. As mãos da diva estavam geladas, um motivo a mais para que Quinn as apertasse junto a suas tentando esquentá-las.

A expressão de Rachel rapidamente tornou-se preocupada e assustada, sabia muito bem que uma hora ou outra Quinn perceberia que estava evitando esse assunto para que a mesma pudesse tomar alguma atitude. Só não esperava que a pressão que fazia, mesmo silenciosa, era tão grande que a loira resolvera tomar uma atitude logo.

- E bem... Nós conversamos, tranquilamente até. – Quinn respondeu a pergunta muda que Rachel lhe fazia, mas aqueles olhos castanhos pareciam querer mais. A loira abraçou a morena e rapidamente, as lágrimas caíram timidamente.

Estava muito emotiva naquele dia e aquilo estava começando a irritar.

As mãos geladas de Rachel afagaram os cabelos da loira, a morena sentia como se aquelas lágrimas pudessem machucá-la. Não queria ver quem amava tanto chorando, com muito cuidado, perguntou:

- E se resolveram?

Quinn separou-se dela no instante que ouviu a pergunta, limpou as lágrimas e deu um sorriso. Rachel ficou sem entender o que estava acontecendo.

- Sim, nós resolvemos. Prometi a ela que amanhã volto para casa! – Quinn respondeu feliz abrindo os braços novamente para receber Rachel, mas a morena cruzou os braços numa expressão contrariada.

- E você chega aqui, a essa hora da noite, chorando e me fazendo crer que as coisas tinham piorado! Eu devia te bater agora, Fabray! – Rachel disparou irritada enquanto empurrava Quinn em direção a lateral da casa para que os pais não ouvissem a sua voz que ela tinha certeza que se elevara pelo menos um grau. Quinn ficou olhando para ela atônita, sem saber o que fazer.

- Você me deixou preocupada, eu devia saber que é bem a sua cara fazer esse tipo de coisa e...

Quinn a interrompeu novamente, beijou Rachel com paixão e a empurrou para a parede, prensando a morena em seus braços. Correu o beijo pelo pescoço da morena e sentiu Rachel gemer quando sua língua brincou com o lóbulo da orelha dela, em seguida, deu um sorrisinho maldoso e mordeu levemente o lábio inferior de Rachel.

- Ela me perguntou aonde eu vinha depois de sair de lá... – Quinn disse entre suspiros enquanto distribuía beijos nos cabelos e nos pescoços de Rachel. A morena respirou fundo e perguntou entre gemidos:

- E o que você disse? Que vinha ver sua namorada?

Quinn parou o beijo, Rachel mais uma vez suspirou decepcionada. A loira riu dela e segurou o queixo dela com carinho, em seguida, deu mais um beijo e respondeu apaixonada:

- Disse a ela que ia vir ver aquela que foi o motivo de tudo.

Rachel esqueceu-se do beijo, a única coisa que conseguiu fazer foi puxar Quinn para um abraço, tentando esconder da loira que aquela foi a melhor declaração de amor que ela recebera na vida e que as lágrimas que escorriam pela sua face eram de felicidade.

Notas finais
E aí? O que acharam do drama todo entre Judy e Quinn?
É que assim... Eu particularmente fiquei triste com a forma como a Quinn voltou para a casa e tudo mais, poxa, os pais a abandonaram. Eu não aceitaria tão facilmente que me dessem um lar de novo xD
Daí resolvi colocar a minha visão da história (bem dramática por sinal).

O que acharam das duas juntas? Ficou bom?
Espero que não tenham achado o capítulo chato, mas eu precisava postá-lo '-'
Beijos e mandem reviews, ok?
x)