Notas iniciais
Olá pessoal *o*
Obrigada pelos reviews, mais uma vez. Só quem escreve sabe quão boa é a sensação de abrir o Nyah! e deparar-se com comentários novos em sua fic. É realmente incrível e a inspiração simplesmente nasce do nada HSUHASUHSAUASHUAS

A respeito do capítulo, eu tenho impressões bem horríveis sobre ele, mas espero sinceramente que gostem :X

Boa leitura!

Intolerância

- Q, não podemos ficar nos encontrando no vestiário sempre que seu treino acaba! – Rachel disparou ofegante, sentindo os lábios de Quinn percorrerem seu pescoço e chegando perigosamente próximos aos seus seios. Quinn deu uma gargalhada contra a pele de Rachel e disse sedutora:

— Eu sempre tive um fetiche por vestiários, sem mencionar que você que tem que parar de chegar do nada e ficar me observando trocar de uniforme.

— Eu nunca fiz isso Q! – Rachel respondeu envergonhada, afastando a cheerio de si e olhando-a com visível irritação. Quinn arqueou a sobrancelha daquele jeito tradicional e cruzou os braços, deu um sorrisinho maldoso e murmurou:

— Tem certeza? Porque Santana me disse que você vive chegando de mansinho pra ver se me pega trocando de blusa!

— Santana também... Não perde uma! – Rachel respondeu fazendo biquinho e arrancando uma risadinha rouca de Quinn, a diva então segurou a gola da blusa da cheerio e continuou com um ar sexy. – E se eu quiser te olhar? Qual o problema?

— O problema é que... – Quinn falou sacana, quase queimando Rachel com o olhar, pegou a mão da morena e colocou na própria cintura. – Eu sou toda sua, você não precisa ficar espionando!

Rachel deu um sorrisinho de lado e apertou a cintura de Quinn antes de aproximar-se e beijá-la mais uma vez. As mãos de Quinn descreveram um lento caminho por suas costas, arrepiando-a mais e mais enquanto deslizava em sua pele, ao chegar a cintura, uma das mãos da cheerio segurou a nuca de Rachel e interrompeu o beijo. A diva deu um gemido de insatisfação, Quinn abriu um sorriso maldoso e mordeu o pescoço de Rachel levemente... Rachel inclinou-se para trás e respirou com dificuldade.

— Vocês podem arrumar um motel, por favor? – A voz conhecida de Santana chegou ao ouvido das duas, interrompendo o amasso. Antes de Quinn separar-se de Rachel apressada, a diva a puxou para um beijo intenso, mordendo e abocanhando cada pedaço da boca de Quinn que pudesse conseguir... A cheerio quase enlouqueceu e esqueceu-se de que a latina as observava. Separaram-se ofegantes e Rachel disparou:

— Você podia parar de nos interromper.

— E vocês duas podiam parar de serem tão intensas! – Santana estava boquiaberta e com uma expressão engraçada na face, Quinn deu um risinho nervoso enquanto sentia a mão de Rachel deslizar até sua bunda. A diva estava insaciável naquele dia.

— É, eu acho que mais uma vez você salvou o dia S... – Quinn murmurou muito corada enquanto guardava suas últimas coisas dentro da bolsa e a jogava pelo ombro, Rachel dera uma leve apertada antes de deixá-la terminar de organizar as coisas. Recebeu um olhar indignado de Rachel e um olhar satisfeito de Santana. – Eu estava começando a perder o controle!

— Você já tinha perdido o controle Q... – Santana comentou arrancando um risinho de Rachel, Quinn olhou descontente para a morena que apenas continuou a rir. Estaria ferrada se Santana e Rachel decidissem ser BFF’s agora. A loira respirou fundo, tentando retomar um pouco a sanidade enquanto sua mente gritava para que ela voltasse para Rachel e disse séria:

— De qualquer forma, eu já estava indo embora... Acho que você e B deveriam ir também, a Treinadora Sylvester costuma vir agora para ver se ainda tem alguma de nós trancada aqui dentro!

— Como você sabe que B está aqui? – Santana perguntou assustada e dessa vez, Rachel e Quinn que trocaram risinhos. As duas se entreolharam enquanto Santana corava e B saía de trás de alguns armários, sorrindo alegremente e acenando. Rachel pigarreou e disse tranqüila:

— Você está com cara de quem está... Satisfeita!

— Pode falar, Rach... – Quinn disse entre risadas, puxando Rachel para um abraço e beijando a diva no rosto. Santana estava com os braços cruzados, numa expressão de “isso não é engraçado, suas vadias”. – Ela está com cara de quem acabou de se satisfazer com um bom amasso.

— Sexo, no caso da Santana! – Rachel completou as gargalhadas e fazendo carinho na barriga de Quinn, Santana encarou-as e quase gritou com as duas, mas foi a voz sonhadora de Brittany que disse inocentemente:

— Vocês duas são adivinhas e não me contaram? Eu realmente queria saber onde meu gato escondeu meu diário!

— Elas não são adivinhas B... – Santana murmurou entre dentes, contendo a raiva na voz e olhando para as outras duas com os olhos flamejando. – Elas só estão tirando com a minha cara!

— Estamos tirando da sua cara e indo embora. – Quinn disse entrelaçando a sua mão com a de Rachel e a puxando para fora dali. Sentiu a morena apertar sua mão e aquela foi a melhor sensação que sentiu naqueles dias. – Beijos para as duas.

— Tchau meninas! – Rachel disse com um aceno da mão livre e pendurando-se no braço de Quinn, Santana e Brittany acenaram e sorriram quando as duas saíram pelo corredor. Assim que saíram, Quinn olhou para Rachel e a encarou, a morena fez uma carinha confusa e a cheerio apenas sorriu para ela.

— Por que esse sorriso? – Rachel perguntou curiosa, notando o quão lindos ficavam os olhos de Quinn quando ela sorria, parecia que eles iluminavam-se ainda mais. A loira sorriu para ela e apertou ainda mais a mão da diva antes de responder:

— Estou feliz que finalmente nós resolvemos e não temos mais a Sant no nosso caminho...

— Mas ainda temos o Sam, você sabe muito bem o que eu acho da sua relação com ele! – Rachel respondeu séria, sentiu a mão de Quinn tencionar sobre a sua e a loira ficou momentaneamente séria. – E não adianta implicar, você sabe muito bem que eu estou certa.

— Sim, eu sei... – Quinn disse com a voz mais baixa, estava difícil terminar com Sam, o rapaz estava sendo um bom namorado apesar de toda a distância que Quinn colocara entre eles desde o recomeço de seu lance com Rachel. – Só preciso de tempo, está bem? Sam é um bom rapaz e eu sei muito bem que não merece isso que estou fazendo com ele.

— Ao menos você sabe que o que está fazendo não é justo com ELE! – Rachel respondeu irritada, dando ênfase na última palavra. Quinn olhou para ela com espanto e divertimento, estava presenciando o primeiro ataque de ciúmes de Rachel Berry, soltou a mão da diva que lançou mais um olhar furioso e perguntou incrédula:

— Rachel Berry... Você está com ciúmes?

— Não estou, só estou preocupada com Sam... – Rachel responde de nariz empinado caminhando a frente de Quinn de braços cruzados, a cheerio segurou uma risadinha enquanto a observava andar imponente pelo corredor. – Afinal, você está sendo injusta APENAS com ele!

Quinn caminhou mais rápido para alcançar Rachel e a abraçou por trás... A morena tentou se soltar, mas logo gostou da posição e deixou que a loira tomasse conta de si. Quinn afastou os cabelos de Rachel do pescoço e beijou ali, em seguida, sibilou ao pé do ouvido dela:

— Eu estou com você, não com ele. Se estou sendo injusta com o Sam, estou sendo uma idiota com você. Prometo resolver isso, só me dê tempo...

Rachel deu um sorriso quanto sentiu os lábios de Quinn em seu pescoço, apertou as mãos da cheerio que estavam em sua barriga e virou-se para ela com a expressão amena. A diva segurou a face de Quinn com as duas mãos, sentindo as mãos da loira irem para a sua cintura e respondeu, compreensiva:

— Tudo bem, estou sendo chata mesmo... Me desculpe.

— Chata? Você? Imagine... – Quinn repetiu com um ar irônico, recebendo alguns tapinhas no ombro e em seguida, um selinho demorado nos lábios. As duas separaram-se e Rachel disse, triste:

— Bem, é agora que cada um toma seu rumo.

— Sem dramas Berry, ou eu apareço na sua janela hoje a noite! – Quinn respondeu com uma risada antes de acenar e se afastar correndo. Rachel ficou parada ali, rindo da felicidade da cheerio, nunca tinha visto Quinn tão satisfeita. Aliás, nunca ela própria esteve tão satisfeita. Rachel puxou o cordão que ganhara de Quinn e apertou-o na mão como uma silenciosa prece de que, naquela vez, tudo conspirasse a favor delas.

***

Quinn chegara em casa do treino e subira direto para o quarto, gritando para a mãe da escada que tomaria um banho e faria os deveres. Judy apenas acenou e gritou algo em resposta para filha enquanto Quinn subia as escadas com um sorriso enorme no rosto e com a melhor sensação do mundo dentro do peito.

Se Quinn estava feliz? Não, ela estava nas nuvens, extremamente feliz com a segunda chance que Rachel estava dando a ela. A cheerio entrou praticamente aos pulos dentro do quarto e ao tomar banho, cantou músicas bregas e românticas... Quinn achou tudo muito engraçado e vestindo-se, não pode conter a série de sorrisos e carinhas bobas que se permitiu fazer.

Depois resolveu voltar a realidade e como boa aluna que era, sentou-se na escrivaninha e começou a dar os últimos retoques no desenho de Rachel que seria enviado para a amostra anual. Tinha conseguido um bom resultado com as sombras quando ouviu a porta de seu quarto abrir e sua mãe entrar por ela, falando ao telefone.

— Ah, olá Sam! – Judy Fabray disse animada enquanto olhava para filha, Quinn fez vários sinais de negação e a mãe entendeu que ela não queria falar com o rapaz. – Ela ainda não chegou do treino, acho que resolveu ficar um pouco na biblioteca. Quando ela chegar, prometo dizer que você ligou... Tudo bem, tchau querido.

Judy desligou o telefone e sentou-se na cama da filha, olhando intensamente para ela. Quinn baixou a cabeça e contemplou os próprios pés enquanto tentava formular uma boa explicação para o que estava fazendo... Porém, Judy foi mais rápida. O olhar da mais velha passou pelo desenho que estava exposto na escrivaninha da filha e uma sombra de entendimento passou por eles. A mulher pigarreou, deu um sorriso e perguntou:

— Tem alguma coisa para me falar, Quinnie?

— Olha, mãe... Eu não te contei antes porque nem eu mesma estava acreditando que estava acontecendo de fato! – Quinn respondeu rapidamente, quase atropelando as palavras. Judy olhou para filha com uma expressão amena na face, apesar do sorriso ter desaparecido e perguntou:

— Você e a Rachel voltaram, estou certa?

— Sim, acho que isso deve tá escrito na minha cara... – Quinn respondeu sem conter o sorriso e o brilho apaixonado nos olhos. Judy olhou para ela com uma expressão séria e em seguida, disse severa:

— Mas você não pode continuar a enganar o Sam, ele gosta bastante de você e não pára de ligar. Dê um jeito nisso ou eu vou falar com ele. Não te criei para enganar as pessoas, Quinnie.

— Tudo bem, mamãe... Prometo que vou me resolver com ele o mais rápido que puder! – Quinn respondeu um pouco nervosa e assustada com a reação da mãe, Judy deu um sorriso e beijou a testa da filha antes de sair do quarto. A cheerio voltou-se para seu desenho e continuou a trabalhar nele, nesse exato momento, seu celular vibrou.

Quinn apanhou-o rapidamente, com certeza era Sam.

Estou morrendo de saudades, sei que a gente acabou de se ver... Mas estou passando na sua casa, beijos, Rach.

Um sorriso enorme abriu-se novamente na face da loira que desceu as escadas correndo, esquecendo-se que tinha que terminar o desenho até o dia seguinte. Judy assustou-se quando viu a filha no andar debaixo e perguntou:

— Você não tinha que terminar aquele desenho?

— Tinha, mas surgiu um pequeno imprevisto. – Quinn murmurou uma resposta rapidamente, olhando pela janela da cozinha para ver se encontrava Rachel em algum ponto da rua. Nem sinal da morena e ela sentou no banco do balcão da cozinha com uma expressão ansiosa. Judy deu um sorrisinho de entendimento e comentou:

— Ah mas eu sei que quem está vindo agora com certeza vai te ajudar a terminar o desenho, não é mesmo?

— Você vai ficar tirando da minha cara até que horas, mãe? – Quinn retrucou indignada, provocando risos na mãe. Nesse instante, a campainha tocou e a cheerio quase caiu no tapete ao tropeçar enquanto corria para abrir a porta, Judy não conseguia parar de rir da filha enquanto terminava de fazer o jantar.

Quinn abriu a porta e deparou-se com Rachel e aquele tradicional sorriso de 1000 watts que ela costumava dar. A diva nem ao menos esperou Quinn dizer alguma coisa e já se pendurou ao pescoço dela, distribuindo beijos pelo seu rosto. A cheerio sorriu contra o rosto de Rachel e recebeu outro sorriso em troca enquanto fechava a porta. Judy pigarreou e disse entre risos:

— Ainda estou aqui, meninas.

— Ah Sra. Fabray... – Rachel respondeu rapidamente soltando-se de Quinn com o rubor tomando conta da face, Judy olhou para a diva com uma expressão desconfortável. – Me desculpe, Judy.

— Tudo bem... – Judy respondeu abrandando a expressão e olhando para a filha que ria do rubor e do desespero de Rachel, a morena estava apertando a mão da loira com força e fez a senhora rir mais ainda. – Tenho certeza que Quinn quer lhe mostrar uma coisa lá em cima, podem subir... Eu as chamo quando o jantar tiver pronto!

Rachel pareceu dar graças aos céus quando Quinn tomou a frente e a puxou pelas escadas. Nunca tinha entrado no quarto da loira e surpreendeu-se ao notar o quão sóbrio e maduro ele era. A diva sentou-se na cama e comentou impressionada:

— Até mesmo seu quarto é sério.

— Foi uma das coisas que acabei adquirindo com meu pai, ele meio que me obrigava a ser mais madura do que a minha idade permitia. – Quinn respondeu um pouco incomodada ao recordar-se da educação que recebera de Russel Fabray, ele podia ser um péssimo homem quando queria. Rachel percebeu o desconcerto de Quinn e continuou, mudando de assunto:

— O que você queria me mostrar?

— Ah não é nada... – Quinn comentou com a vergonha bem evidente na voz, Rachel olhou para ela com a expressão não-convencida. – Minha mãe só fala demais.

— Se você diz... – Rachel murmurou um pouco magoada e levantando-se para checar a instante de livros e cd’s da loira que se encontrava próxima ao computador dela. Quinn a acompanhou com o olhar, decidindo-se entre mostrar ou não o desenho no qual estava trabalhando. Rachel passou os olhos por todos os livros e puxou um bem desgastado dali, em seguida, comentou:

— Eu nunca vi uma pessoa ler tanto quanto você!

Quinn aproximou-se dela e apanhou o livro da mão de Rachel, era um dos vários livros de Stephen King que a loira tinha. Era apaixonada por literatura, desde os clássicos até contos de terror como aquele, a cheerio sorriu para Rachel e respondeu ainda segurando-lhe a mão:

— Assim como você é apaixonada pela Broadway, eu sou apaixonada por literatura.

— Mas já leu todos? – Rachel perguntou com uma risadinha, puxando o livro da mão de Quinn novamente e examinando-lhe a capa. Era um palhaço, com a boca coberta de sangue, aquela imagem lhe provocou arrepios, Quinn não parecia ser o tipo de pessoa que apreciava aquele tipo de livro, sempre pensou na cheerio lendo romances. – Até esse com essa capa incrivelmente convidativa?

— Nunca julgue um livro pela capa, Berry! – Quinn repreendeu com um sorriso, dando um beijo de leve nos lábios de Rachel, em seguida, a cheerio olhou para ela com uma expressão séria. – Esse livro foi um dos primeiros do Stephen King que eu li e creio eu que é um dos melhores.

Rachel olhou novamente para o livro, ele chamava-se “A Coisa”. Sentiu um arrepio percorrer seu corpo, deve ter feito uma expressão de muito medo, pois Quinn deu uma gargalhada e puxou o livro da mão dela, colocando-o de volta a estante e dizendo enquanto procurava outro livro:

— Mas é um livro pesado e não indicado para pessoas que são medrosas, tipo você. – Quinn recebeu um tapa de leve no braço, seguido de uma risadinha de Rachel, a cheerio deu outro selinho na diva antes de puxar um segundo livro da instante. – Acho que esse é mais a sua cara.

Rachel apanhou o livro com curiosidade, aquela paixão de Quinn por literatura estava começando a contagiá-la e mesmo sendo uma negação no assunto, estava disposta a conhecer mais para poder conversar com Quinn sobre isso. O livro era menos grosso que o anterior e tinha uma paisagem na capa, Rachel questionou:

— “Orgulho e Preconceito”? Eu já vi o filme.

— Mas o livro é melhor e se você já viu o filme... – Quinn disse roucamente, posicionando-se atrás de Rachel e abraçando-a pela cintura, a diva deu um suspiro satisfeito enquanto ainda olhava para o livro. Sentindo a respiração leve de Quinn em seu pescoço seguida da voz baixa e rouca dela. – Sabe que é a história de um casal que se odeia a princípio e depois compreende que confundiram antipatia com amor... Te lembra alguma coisa, minha linda?

Rachel deu uma gargalhada divertida e virou-se para beijar Quinn. Os lábios da cheerio receberam os dela com ardor e carinho, Quinn entrelaçou as mãos das duas e trouxe as mãos de Rachel para sua cintura. Segurou a morena pela nuca e a prensou na estante. Rachel sentiu a língua de Quinn deslizar pela sua e depois, os dentes dela morderem levemente seu lábio... As mãos da loira percorriam sua nuca e apertavam levemente enquanto Rachel arranhava levemente os braços da loira, quando separaram-se ofegantes, Quinn respirou o perfume dos cabelos de Rachel como se ele fosse o único ar puro ali, Rachel sentiu arrepios e tremores quando as inspirações quentes e úmidas da outra tocavam sua pele.

— A história é incrivelmente familiar pra mim! – Rachel respondeu entre risos, trazendo Quinn mais perto de si e apertando a cintura dela com possessividade enquanto a loira sorria para ela e beijava-lhe o rosto. As duas ficaram um tempo abraçadas, Rachel achava o cheiro de Quinn incrivelmente delicioso e estava muito feliz naquela posição, sentindo os braços dela envolverem-na com tanta perfeição.

Sentia-se amassada e pequena perto de Finn e com Quinn, parecia que estava no lugar certo e que se encaixava perfeitamente entre os abraços dela. Quinn era delicada, sempre fazia carinho durante os abraços enquanto Finn apenas ficava com os braços estáticos e imóveis... Naquele momento, a loira afagava seus cabelos e a puxava para sentar-se na cama. Porém Rachel levantou-se novamente e disparou:

— Pode parar por aí Fabray, quero saber mais a seu respeito!

— Mas você já sabe tudo que deve saber! – Quinn retrucou divertida, levantando e ficando ao lado da morena que agora observava o lado da estante que continha os cd’s e filmes que a loira gostava. Tudo muito organizado e em ordem alfabética. – E outra, que graça tem se você souber de tudo? Acho que você deve descobrir com o passar do tempo...

— Isso não é justificativa! – Rachel deu um sorriso e ficou na ponta dos pés para beijar Quinn, em seguida, abraçou-se a ela sentindo o braço de Quinn passar pela sua cintura e provocar arrepios, como se fosse a primeira vez que se abraçavam. – Você pode começar a mudar a opinião ruim que eu tenho do seu gosto musical.

— Meu gosto musical não é ruim... – Quinn justificou-se com um tom levemente indignado, Rachel observou os cd’s com olhares atentos e disse surpresa:

— Não que Madonna, Lady Gaga e Britney Spears sejam ruins... Mas eu achava que você só escutava esse tipo de música.

— Claro que não, tenho um gosto bem eclético! – Quinn tornou a dizer ainda indignada, Rachel puxou um dos cd’s da estante e disse:

— Pelo visto você adora John Mayer, tem quase todos os cd’s aqui.

— É um dos meus preferidos. – Quinn disse com o tom de voz mais leve e apanhando o cd das mãos da morena e olhando as músicas na parte de trás do encarte. Mas Rachel já puxara outro cd, o choque fora grande porque a morena separou-se de Quinn e exclamou:

— Desde quando você escuta country?

— Desde quando eu não coloco rótulos nas músicas que ouço! – Quinn respondeu divertida, puxando o cd da banda Lady Antebellum da mão de Rachel e dando um selinho na morena. Em seguida, a loira percorreu o quarto e foi até micro system, colocando o cd ali e em seguida, procurando uma música.

— Bem, você é bem eclética mesmo... – Rachel comentou observadora, uma leve melodia preencheu o ambiente enquanto ela ainda olhava os cd’s, Quinn fez um som de entendimento e puxou o bloco que estava em cima da escrivaninha, traçando os primeiros esboços. – Beatles, Maroon 5, U2, Pearl Jam... Seu gosto realmente me surpreendeu!

Rachel virou-se para ver o que Quinn estava fazendo que parara de lhe responder. A loira estava debruçada sobre o bloco de desenho e olhava para ela de tempos em tempos, quando os olhares de ambas se encontraram, Quinn sorriu e pediu para que ela ficasse parada.

This world keeps spinning faster

Into a new disaster so I run to you

I run to you baby

And when it all starts coming undone

Baby you're the only one I run to

I run to you

Rachel obedeceu e ficou parada, olhando para Quinn com um sorriso e os olhos brilhando de excitação. A música chegou aos seus ouvidos e rapidamente ela achou que tinha tudo a ver com o que estava vivendo com a loira, observou Quinn trabalhar tão concentrada em seu desenho que não agüentou... Aproximou-se sorrateiramente da cheerio e a beijou de surpresa nos lábios.

As mãos de Quinn largaram o bloco de desenho e o lápis que esboçavam mais um desenho de Rachel, a loira puxou Rachel para seu colo e as duas ficaram frente a frente. Quinn ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha de Rachel e deu um sorriso, os olhos dela estavam quentes, exatamente como a morena se recordava deles quando Quinn a observava em silêncio... Em seguida, Quinn abraçou-a com força e murmurou em seu ouvido:

- Eu te amo, tudo bem? Nunca se esqueça disso, duvide de tudo, menos disso.

- Eu não seria mais capaz de duvidar de você! – Rachel respondeu de volta, aconchegando-se nos braços de Quinn e fechando os olhos... Parecia que tudo perdia o sentido quando estava com a cheerio e que o mundo tornava-se um lugar separado e distante da felicidade que encontravam uma na outra.

***

Enquanto isso, no McKinley High, Sam Evans estava cabisbaixo procurando Quinn. Claro que ele sabia o que estava acontecendo, não era idiota e por mais que estivesse magoado com Quinn, não conseguia sentir raiva dela. Afinal, a cheerio a ajudara e se hoje ele deixara de ser o garoto novo para ser o quaterback era por causa dela. Só achava que merecia uma explicação.

Sam estava tão vidrado em seus pensamentos que acabou esbarrando em alguém enquanto caminhava para o estacionamento. Era Kurt Hummel, aquele rapaz do Glee Club que sempre puxava conversa com ele e que... Era amigo de Quinn.

— Me desculpe, eu realmente não te vi!

— Você parecia distraído mesmo, tudo bem... – Kurt respondeu com um sorriso tranqüilo enquanto apanhava a pasta que tinha caído, Sam o ajudou com alguns materiais e em seguida ficou com cara de bobo, sem saber o que fazer. Kurt agradeceu e os dois ficaram se olhando por alguns segundos.

— Aconteceu alguma coisa, Sam? – Kurt perguntou educadamente, quando percebeu que Sam estava com os pensamentos muito distantes dali. Ele sabia qual seria a resposta, era observador o bastante para perceber que as coisas entre Quinn e Rachel tinham melhorado e estava prestes a bater nas duas por não contarem nada a ele. Sam coçou a cabeça e olhou para Kurt como se estudasse a hipótese de desabafar com ele, em seguida, pigarreou e disse inseguro:

— Problemas com Quinn.

— Ah novidade, Quinn costuma ser bem complicada mesmo! – Kurt respondeu em tom de brincadeira, arrancando um sorriso tímido de Sam e aquele sorriso fez com que Kurt tivesse uma sensação boa dentro do peito. Sam recomeçou a caminhar com Kurt ao seu lado, o loiro perguntou:

— Ela sempre foi meio insegura?

— Não costumava ser até ficar grávida no ano passado, antes disso, só me lembro da Quinn malvada que jogava raspadinhas em todos que esbarrassem nela nos corredores... – Kurt tornou a responder com uma sinceridade incrível, estava sentindo-se bem ao lado de Sam assim como o quaterback estava sentindo-se melhor por ter com quem conversar sobre Quinn, já que Finn e Puck estavam fora de cogitação por motivos óbvios. Sam respirou fundo parecendo cansado e deduziu o que estava na cara:

— A gravidez a mudou, então?

— Sim, mas não só isso... – Kurt deixou a frase em aberto, provocando uma expressão confusa no rosto de Sam. Não sabia se era a pessoa certa para dizer ao quaterback que a namorada dele e a head cheerio, estava tendo um caso ás escondidas com a maior loser do colégio e capitã do Glee Club. Sam olhou para ele e perguntou:

— O que você quer dizer com esse “mas não é só isso”?

— Acho que não sou a pessoa mais indicada a te falar sobre isso, Sam... Só faça o que achar melhor pra você e pra ela, se você realmente gosta dela, vai saber o que fazer. – Kurt disse rapidamente, acenando para Sam e saindo pelo estacionamento. Esperava que Sam não fosse tão burro como Finn e entendesse o que ele queria dizer. Sam ficou parado, sem compreender muita coisa, mas logo um sorriso passou pela enorme boca do rapaz e ele tomou sua decisão.

Já Kurt parecia estar um pouco arrependido com o que falara até que localizou uma pessoa que estava tornando-se freqüente na escola e nos locais aonde ia nos últimos dias. Dave Karofsky estava parado de carro ao lado do portão da escola e olhava para Kurt com desagrado, o rapaz tentou ignorar aquele olhar ao qual já estava bem acostumado... Só que Karofsky o olhava de forma diferente, como se quisesse destruí-lo com os olhos...

Kurt quase correu dali, mas manteve o caminhar rápido e quando ouviu os pneus cantarem atrás de si, quase sentiu seu sangue gelar. Ouviu passos atrás de si e Sam estava ao seu lado, o rapaz parecia preocupado ao perguntar:

— O que Karofsky queria com você?

— Nada, ele só ficou olhando... – Kurt respondeu assustado olhando para os dois lados da rua e torcendo para que Karofsky não voltasse. Sam olhou indignado para Kurt e seus olhos estavam agressivos quando ele disse:

— Não, ele não estava só olhando Kurt. Eu vou te acompanhar até em casa, melhor.

Kurt estava tremendo da cabeça aos pés e Sam notou aquilo e por algum motivo que o quaterback desconhecia... Ele sentiu necessidade de protegê-lo.

***

O sorriso de 1000 watts nos lábios de Rachel Berry na manhã seguinte poderia ser explicado pelo fato de ter reunião do Glee Club mais tarde, porém, a realidade era que a noite passada com Quinn fora incrível. As duas jantaram com Judy e depois viram alguns filmes na sala até que Leroy ligou revoltado e obrigou a morena a voltar para casa. Quinn a levou e Rachel pode ver a felicidade de Hiram e a expressão de “é, não tem jeito” de Leroy. Parecia que tudo estava caminhando para dar certo.

— Pode ir falando tudo! – Kurt disparou com um tom mandão sobre Rachel assim que encontrou a morena na biblioteca, estudando junto com Quinn. A diva arregalou os olhos para ele e fez-se de desentendida:

— Tudo o quê?

— Você e a Quinn voltaram, já percebi! – Kurt estava eufórico e sorria maldoso para Rachel, a morena fez uma cara assustada. – Sim, vocês duas disfarçam muito mal! Tão mal quanto Brittany e Santana.

Rachel olhou para outra mesa onde Brittany e Santana estavam de cabeças baixas e trocavam carinhos por debaixo da mesa. A diva sorriu derrotada e contou tudo para Kurt que no final do relato, estava quase dando pulinhos de alegria. Mas então, uma careta desconfortável formou-se no rosto dele e ele perguntou:

— E quanto a Sam?

— Q disse que vai falar com ele hoje, logo após a reunião do Glee Club. – Rachel respondeu um pouco curiosa e observando os olhos de Kurt que brilhavam, tinha entendido perfeitamente o que acontecera. – E por que esse interesse todo no Sam?

Kurt corou furiosamente, mas não respondeu, apenas puxou Rachel de volta para a mesa que ela estava sentada com Quinn. A cheerio cumprimentou Kurt com um sorriso e olhando desconfiada para Rachel que ria sem parar da situação toda, o sinal tocou e os três saíram da biblioteca. Acompanhados por Brittany e Santana que pareciam nas nuvens.

Na porta da biblioteca, Karofsky passou por eles e derrubou os livros de Kurt. O rapaz levou um susto e começou a tremer, Rachel segurou o braço dele preocupada enquanto Karofsky gritava:

— Aqui não é local para aberrações!

Kurt abaixou a cabeça e algumas lágrimas escorreram pelo rosto dele, Rachel abraçou-o pelos ombros e disse algumas palavras de conforto junto com Brittany que também se aproximara. Mas Santana e Quinn olhavam para Karofsky com nojo e foi a head cheerio que tomou a primeira atitude:

— Quem você pensa que é para falar com ele dessa forma?

Todos os olhares do corredor viraram-se para Quinn que mesmo sendo alta, parecia tão pequena ao encarar com fúria o brutamontes que era Dave Karofsky. O jogador de futebol olhou surpreso para ela e disse:

— Olha Q, não quero envolver você nisso. Aliás, nem sei por que você ainda anda com o Glee Club.

— É Quinn para você! – Quinn respondeu agressiva, dando um passo e ficando muito próxima a Karofsky, ele recuou diante da aura furiosa que ela emanava. – “Q” é só para meus amigos, amigos como Kurt que você fez o favor de ofender!

— Eu não ofendi! – Karofsky respondeu incerto, olhando para Kurt que estava sendo amparado por Brittany e Rachel. Santana revirou os olhos e foi a vez dela tomar a frente:

— Sim, você o ofendeu! O que te leva a crer que é melhor que ele?

— Pois você não é! Kurt é um HOMEM que você nunca vai ser, ele não precisa ficar humilhando os outros por aí para mostrar quão bom ele é! – Quinn completou com orgulho, olhando para Kurt enquanto falava, o rapaz sorriu agradecido para ela. Santana olhou para Quinn e concordou com a cabeça, os comentários estavam começando a chegar aos seus ouvidos e a head cheerio localizou Sam e Finn do outro lado do corredor, observando a cena atônitos.

— O que você está insinuando, Fabray? – Karofsky questionou incrédulo, dando um soco num armário próximo. Quinn não assustou-se e deu um sorrisinho irônico para ele, Rachel viu a sombra da cheerio malvada passar sobre os olhos dela.

— Eu não insinuei nada Karofsky, você que deve ser reprimido o bastante para sentir isso!

Karofsky foi em direção a ela, mas Santana a puxou para trás enquanto Puck surgia do outro lado do corredor e o agarrava. Sam e Finn saíram de seu estado de vegetação e correram para ajudar, os três empurraram Karofsky no chão e Puck disparou:

— Não ouse chegar perto dela de novo, senão eu acabo com você!

— Nem dela e muito menos do Kurt! – Sam completou furioso enquanto praticamente cuspia as palavras em Karofksy, Kurt olhou confuso para cena e apenas recebeu um aceno de cabeça do loiro. Finn olhou com nojo para o outro jogador de futebol no chão e disse:

— Se você se aproximar de qualquer um de nós de novo, vamos nos defender e acredite... O Glee Club sabe se defender muito bem de idiotas como você!

Mike chegou logo depois e olhou para Karofsky ameaçador, Tina aproximou-se de Kurt e perguntou se o rapaz estava bem, substituindo Rachel que correu para abraçar Quinn. Se os comentários já eram muitos antes dessa cena das duas, aumentaram ainda mais. Rachel apertou Quinn com força, notando que seus braços tremiam descontroladamente, Quinn parecia tão pequena perto de Karofsky...

— Calma, eu estou bem! – Quinn disse aliviada e afagando os cabelos de Rachel antes de separar-se dela com um sorriso tranqüilo. Rachel respirou fundo e notou que todos no corredor olhavam sem entender para a cena, a diva deu um passo e rumou para a sala do Glee Club com todos os demais atrás de si.

A multidão dispersou-se assim que Karofsky levantou-se e saiu bufando de raiva dali, o que mais impressionou foi que nenhum professor estava no caminho. Quinn notou que Sam olhava para Kurt com preocupação, o quaterback cruzou os olhos com o dela e aproximou-se, perguntou:

— Ele te machucou?

— Não, eu estou bem... – Quinn respondeu séria caminhando logo atrás de Brittany e Santana que andavam de mãos dadas, a loira percebeu a tensão de Sam que não parava de olhar por cima da cabeça das outras duas cheerios verificando se Kurt estava mesmo bem. – Mas você tem muito a me explicar sobre agora a pouco.

Sam engoliu em seco quando entrou na sala do Glee, como Quinn queria que ele se explicasse se nem ele mesmo sabia o que estava sentindo?

— Podem ir me falando o que aprontaram dessa vez! – Mr. Schue estava com um ar sério e ao mesmo tempo preocupado, pois estava tornando-se cada vez mais freqüente as brigas do Glee Club com os demais alunos do colégio. Puck parecia tenso demais, estava com um olhar mortífero quando disse:

— Karofsky achou que era bonito partir para cima de Quinn, nós só a defendemos! Mr. Schue, você não sabe como foi difícil para eu não partir a cara dele!

Puck estava referindo-se a semana que ele passou no reformatório, ainda estava na condicional por roubar um caixa do supermercado. Quinn olhou agradecida para ele e Puck sorriu, a cheerio notou que o olhar dele não era mais esperançoso e sim, tranqüilo. Parecia que Puck queria apenas a amizade dela agora. Mr. Schue balançou a cabeça e virou-se para Quinn.

— Por que Karofsky queria partir para cima de você?

— Eu apenas disse umas verdades que ele precisava ouvir e que ninguém tinha coragem de falar! – Quinn respondeu maleficamente, recebendo aplausos de todos no Glee Club, Santana bateu um high five com ela e Brittany assoviou. Mr. Schue bateu palmas e pediu silêncio, em seguida perguntou um pouco mal-humorado:

— E que verdades você disse a ele, Quinn?

— Na verdade Mr. Schue, a culpa é minha. – A voz de Kurt estava baixa e irreconhecível, ele estava encolhido entre Tina e Mercedes, estava pálido e com as pupilas arregaladas, o medo ainda presente em seu corpo. – Karofsky me ofendeu, Quinn e Santana apenas tomaram a frente para me defender.

— Ele te ofendeu? Como assim, Kurt? – A expressão de Mr. Schue mudou da água para o vinho, ele parecia muito preocupado agora. Santana revirou os olhos e respondeu rude:

— Ele se referiu ao Kurt como sendo uma aberração.

— E não é a primeira vez que Karofsky faz alguma coisa do tipo com Kurt... – Sam tomou coragem para falar, recebendo olhares confusos de todos, o rapaz remexeu-se incomodado por ser o centro das atenções. – Ontem ele estava parado na frente do colégio no final das aulas, eu tive que acompanhar Kurt em casa porque tinha certeza que ele faria alguma coisa com ele.

— Bem, isso tomou proporções muito grandes e tornou-se um crime. Vamos ter que relatar isso para a direção, tudo bem Kurt? – Mr. Schue perguntou gentilmente ao rapaz que só teve capacidade de acenar afirmativamente com a cabeça e esconder o rosto entre os braços de Mercedes. Mr. Schue olhou para o resto do Glee Club com um sorriso triste e disse com leve animação:

— As Seletivas estão chegando e queria comunicar a vocês que vamos mudar um pouco nossa apresentação.

— Como assim, Mr. Schue? – Rachel perguntou assustada, recebendo olhares furiosos em troca, sabia que aquela não era a hora de deixar o estrelismo tomar contar, mas não queria perder seu solo. Mr. Schue olhou para ela com um pedido mudo de desculpas, Rachel entendeu perfeitamente o que ia acontecer e não se surpreendeu quando ele disse calmamente:

— Como Quinn e Sam venceram a competição de duetos, a música será deles e quero Mike e Brittany organizando uma coreografia, pois a segunda música que Santana cantará será dançante e atual.

— QUINN E SAM COM A MÚSICA DAS SELETIVAS? – Finn disparou incrédulo e olhando para Mr. Schue esperando que ele começasse a rir e declarasse que tudo era uma piada, mas ele não riu e Rachel ficou furiosa quando seu olhar encontrou o olhar culpado de Quinn. A head cheerio pigarreou e disse:

— Mas Mr. Schue, acho que não estou preparada para isso e...

Porém Sam a interrompeu com um beijo animado, Rachel ficou observando a cena com as mãos apertadas na cadeira. Santana que estava fazendo uma dancinha por ter ganhado um solo parou observando a cena com desgosto enquanto Brittany a abraçava. Kurt olhou para Sam e Quinn com uma expressão indecifrável, o quaterback separou-se da head cheerio e disse animado:

— Nós faremos a música Mr. Schue, obrigado!

Rachel contou os minutos para o ensaio da nova música terminar e saiu da sala, sem deixar Quinn sequer se aproximar dela. Kurt e Mercedes apenas correram em seu encalço e a acompanharam silenciosamente, num sinal de mútua compreensão.

— Por que você fez isso, Sam? – Quinn perguntou irritada ao rapaz, os dois caminhavam para o refeitório. Sam coçou a cabeça e respondeu:

— Você é a minha namorada, nada mais justo do que eu te beijar quando eu quiser.

Quinn que estava caminhando a frente dele parou bruscamente e o puxou para dentro de uma sala de aula vazia. A cheerio trancou a porta e fuzilou-o com os olhos, em seguida, disse:

— Eu sei muito bem que não fui eu quem você defendeu agora a pouco.

— O que você quer dizer com isso? – Sam perguntou assustado, os olhos arregalaram e mesmo que ele negasse, Quinn tinha a certeza de que o rapaz estava confuso sobre seus sentimentos em relação a Kurt naquele momento. Mas Quinn não estava com paciência para ajudá-lo no momento e apenas disse:

— Olha, acabou tudo entre a gente, ok? Aliás, acho que nem era para ter começado.

— Você não pode estar terminando, somos um casal, somos amigos, lembra? – Sam perguntou um pouco desesperado enquanto observava Quinn abrir a porta para sair dali, a cheerio parou e deu um sorriso compreensivo. Aproximou-se de Sam e beijou-lhe na bochecha, depois disse tranqüila:

— Sim, somos amigos, mas nada além disso. Você vai me agradecer mais tarde, quando entender o que tá se passando com você.

Sam ficou boquiaberto quando sentiu os olhos castanho-esverdeados de Quinn o estudarem e compreenderem coisas que nem ele mesmo compreendia, mas deu um sorriso agradecido depois e acenou a cabeça em entendimento observando-a sair da sala.

Quinn saiu para os corredores barulhentos e ligou para Rachel. A morena desligara o celular e a cheerio bufou impaciente, estava cansada de ter que correr atrás dela.

***

Quinn voltou para casa naquele dia um pouco mal-humorada, já ligara dezenas de vezes para Rachel deixando recados na caixa postal e também, enviara algumas mensagens, mas nem sinal da morena. Nem prestara atenção ao trânsito e assustou-se ao perceber que já estava em frente de casa, porém, tinha um carro parado. Era uma Mercedes preta e Quinn ficou confusa.

A cheerio estacionou o carro e desceu, atravessando a rua com a mochila nas costas. Assim que colocou os pés na calçada, Russel Fabray desceu do carro e Quinn sentiu aquela mesma sensação de pequenez e fraqueza que sentia quando aquele homem se aproximava dela.

Russel Fabray a olhou de cima em baixo, Quinn não conseguia entender o que continha naquele olhar porque era tudo muito distante para ela naquele momento. O homem deu um sorriso forçado que Quinn não retribuiu, a cheerio passou reto por ele em direção a porta de casa e perguntou:

— O que você pensa que está fazendo aqui?

— Essa não é a educação que eu te dei, Quinnie... – Russel murmurou descontente com o tom de voz grave, Quinn revirou os olhos quando ouviu o apelido e virou-se abruptamente para ele. Os olhos dela estavam frios quando ela tornou a perguntar:

— O que você pensa que está fazendo aqui?

— Achei que podíamos conversar, mas pelo visto, sua mãe não anda exigindo muito da sua educação ultimamente! – Russel respondeu com rudeza enquanto encarava a filha, Quinn sentiu crescer dentro de si uma sensação de rebeldia, as palavras praticamente voaram da sua boca:

— Eu sou educada com quem merece e acredite, a minha educação é só um pouco do que você não merece de mim!

— Eu estou tendo ser civilizado aqui... – Russel disse entre dentes e segurando o braço de Quinn com força, mesmo doendo, a cheerio não deu um sinal de fraqueza e continuou a olhá-lo com raiva. – Mas se você continuar a falar nesse tom, serei obrigado a te repreender!

— E você acha que ainda pode me repreender? – Quinn questionou irônica enquanto realizava um movimento brusco e soltava-se do pai, Russel arregalou os olhos desconhecendo aquela garota que estava na sua frente. – A partir daquele dia que você me expulsou de casa, você não tem direito de me repreender e muito menos, de falar comigo!

— Quem você pensa que é Quinn? – Russel questionou indignado segurando o braço da filha com mais força e apertando ainda mais quando Quinn tentava se soltar. – Você ainda é minha filha!

— Já cogitou a idéia de que talvez eu não considere ser sua filha? – Quinn disparou sarcástica e com um sorrisinho malvado nos lábios, Russel ficou vermelho de raiva e a veia em sua têmpora saltou. O homem empurrou Quinn e a jogou no chão, a cheerio caiu dolorosamente sobre os degraus de entrada.

— Você não era assim! Tem convivido demais com a filha dos Berry!

Quinn sentiu seu sangue ferver, levantou-se abruptamente e ficou bem próxima do pai, sentindo toda a frustração que guardara naquele um ano vir a tona. Colocou o dedo indicador na face do pai e disparou:

— Não ouse falar dos Berry, eles são melhores do que você nunca vai ser!

Quinn não viu a mão do pai erguer, apenas sentiu uma pancada forte na face esquerda seguida de uma dor lancinante que quase a cegou. A cheerio caiu novamente nos degraus de entrada, segurando a face com incredulidade e olhando com nojo para Russel.

— NÃO OUSE ME COMPARAR AQUELA GENTALHA! – Russel disparou com o ódio chegando aos olhos, Quinn levantou-se novamente sentindo uma dor nas costas do lugar que amortecera sua queda. A cheerio sentiu gosto de sangue em sua boca e continuou:

— Aquela “gentalha” é melhor do que você, eles não precisam julgar os outros para sentirem-se melhores como você, tão hipocritamente, fazia!

Dessa vez não foi um soco e sim, um tapa que atingiu a face de Quinn. Ela tornou a virar-se pro pai com uma expressão de dor, mas sem demonstrar qualquer arrependimento, virou a face direita para o pai e disse:

— Eu não vou me rebaixar ao seu nível, estou te oferecendo a outra face assim como Jesus ofereceu na bíblia que tantas vezes você me obrigou a ler. Ao menos uma coisa eu aprendi, do contrário de você!

Russel ficou estático observando a filha, mas não teve coragem de erguer o punho mais uma vez. O homem só teve forças para tecer o seguinte comentário:

— Eles fizeram uma lavagem cerebral em você e agora, você é defensora desses pecadores imundos!

— Eu sou uma pecadora imunda se assim você diz! – Quinn sentiu as palavras pularem de sua boca com uma força incrível, estava sentindo a coragem palpitar em cada pedaço do seu corpo. – EU SOU HOMOSSEXUAL E NADA DO QUE VOCÊ DISSER VAI ME ATINGIR OU ME FAZER MUDAR DE IDEIA! PORQUE MESMO SENDO UMA PECADORA IMUNDA, EU AINDA SOU MELHOR DO QUE UM HIPÓCRITA NOJENTO COMO VOCÊ!

Russel levantou a mão novamente e Quinn fechou os olhos esperando a pancada que nunca chegou, ouviu pneus freando bruscamente e abriu os olhos assustada. Frannie, sua irmã estava segurando o braço de Russel com dificuldade saída sabe-se lá Deus de onde e dizia ameaçadora:

— Você não vai mais machucar ninguém nessa família!

Judy correu de encontro a Quinn e abraçou a filha aos prantos enquanto observava Frannie empurrar Russel em direção ao carro, Quinn ainda teve forças para gritar:

— Adultério é um pecado ainda maior! Eu pelo menos cumpro o principal mandamento de Deus que é amar e não desejar!

Russel tentou voltar novamente, mas Frannie praticamente chutou-o para longe dali. A Mercedes preta saiu cantando pneus e Frannie correu desesperada para abraçar a irmã, as três ficaram em silêncio e abraçadas na entrada da casa. Muitos vizinhos tinham saído para presenciar a cena e Judy achou melhor levá-las para dentro.

Quinn não era capaz de dizer mais nada, parecia que a sua bolha de felicidade explodira. O preconceito existia, a intolerância existia e ela estava presa em seu mundo encantado achando que tudo era felicidade sem dor... A cheerio desabou abraçada a irmã, sem saber o que fazer dali em diante. E pela primeira vez, sentiu vergonha e medo do que sentia por Rachel Berry.

Notas finais
Eu seei, vocês devem estar bem confusos com o capítulo, ainda mais por saberem que a fic já está acabando.

Mas era um capítulo necessário, afinal, homofobia existe e nas piores formas possíveis. Seja em comentários maldosos ou em agressões físicas e eu realmente precisava colocar essa parte aqui.

Espero que comentem de qualquer forma *o*
Lembre-se, seu tempo para: me xingar, me criticar, me mandar a PQP, me elogiar (?) ou me ameaçar de morte está acabando... Só resta mais o capítulo FINAL fora o epílogo!
HASUASHUASHUASHUSAHUSAHUSA

A música do capítulo é: I Run To You - Lady Antebellum

Bem, é isso. Até o próximo e último capítulo, beijos.
x)