All We Know Is Falling
9 Franklin
Eu sei que acabamos ficando juntos de novo... Mas ainda não tenho certeza se foi uma escolha certa. Não, não sei. Talvez eu tenha deixado isso acontecer novamente porque foi tudo muito rápido. Talvez eu estivesse apenas sob pressão ao vê-lo chorar em minha frente e tive que fazer alguma coisa. Talvez tenha sido apenas um impulso. Não, foi isso sim. Eu sei. Tem que ter sido isso.
Pois olhe só, mesmo com você ao meu lado – eu espero – mais uma vez, ainda não tenho coragem suficiente para contar-lhe todas estas coisas sem precisar escrever. As palavras não saem mais facilmente de minha boca como era quando nos conhecemos.
Fiquei pensando nos dias que passamos nos conhecendo. Nossa, tínhamos onze anos, lembra-se!? Acho que ninguém nunca imaginou que melhores amigos como éramos, se tornariam isso. Talvez só nós, lá dentro, bem no fundo, soubéssemos que era isso que nos esperava. Talvez soubéssemos que não seria uma simples amizade. Talvez soubéssemos que era mais do que esse amor.
Talvez não.
Ah, tudo bem, sei que é meio idiota ficar escrevendo sobre essas coisas. Porém até isso ficou difícil de falar pessoalmente, me desculpe. Eu te amo. Te amo muito, Gee. Te amo, te amo e posso escrever isso até o final desta carta e ainda não será suficiente. Mas esse lugar onde vivemos, não é onde pertencemos.
Eu sinto falta de quem éramos na cidade que chamávamos de “nossa”. Onde passávamos a madrugada descendo a rua da nossa vizinhança, que ficava vazia, de skate. E depois subíamos tudo de novo correndo, para descer de novo.
E quando voltávamos para casa, quando os vizinhos não acordavam com nossas altas gargalhadas ou qualquer besteira, nossas mães brigando e mandando o mesmo velho sermão de que poderíamos ser atropelados...
Sinto falta de ser suspenso no colégio por responder os professores, por matar aulas e por aquela vez quando pixei o muro da entrada. Sinto falta das festas e dos bailes de fim de ano. Sinto falta do dia em que você me convidou pra dançar no meio de toda aquela gente no último ano da escola. E de como não liguei para tudo que podiam estar pensando ou dizendo naquela hora.
Porque você me lembrava que eu estava vivo. E aquilo era incrivelmente bom. Você se lembra disso? E embora eu me sentisse triste por estar contrariando totalmente meus pais e todos os outros que eu dizia amar, em ficar com outro garoto, você me ajudava a esquecer tudo que eu deixei para trás. Então, lembra disso?
Mas você não se cansa de estar no mundo sozinho porque tem sua família. Ainda que eles não gostem de mim, não se importam quando você os visita.
Eu perdi tudo. E mesmo que eu saiba aonde todos os outros que amo – ou amava, não sei, é tanto tempo longe que às vezes até a gente esquece -, simplesmente não posso ficar lá. Sei que não vai ser a mesma coisa. É desconfortável voltar para aquela vizinhança, para aquela casa. Para aqueles pais.
Mas isso não quer dizer que eu não sinta falta.
Porque nós ficamos aqui agora, e ninguém nos conhece. Sei que é até bom para recomeçar de uma vez. Mas eu não vou me acostumar com isso. Não vou me acostumar em ter partido. Mesmo que não me acostume se eu voltar.
E isso é horrível, pois só me faz perceber que não sei onde é meu lugar. Será que realmente não pertenço a nada? Será que a única coisa que já fiz foi nascer? Será que nunca vou encontrar um lugar, um sentimento, um olhar, um sorriso, uma foto, uma música a qual eu tenha certeza de que é minha, de que está aonde deveria?
Ah sim, eu tenho você.
Desculpa, assim pode parecer que eu me esqueci de você, Gerard. Não é verdade. Porque tudo que eu faço se volta para você, certo? Mas eu estou cansado. Não posso voltar atrás, não posso e pensar nisso só toma mais o nosso tempo.
Mas, Gerard, se lembra do tempo em que éramos tão vivos? Você se lembra disso?
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