All The Things She Said
1 Capítulo único
Suspirei e entrei. A mão dela com a minha, ela me puxava para dentro de sua casa. Minha bolsa estava quase caindo do ombro direito, tentei arrumá-la mas não consegui, ela era mais forte do que eu. Essa é uma das desvantagens de ser fraca de mais.
Subimos as escadas correndo. Ela abriu a porta do quarto e entrou. Jogamos-nos em sua cama, afobadas e cansadas.
- Vou tomar um banho. – disse, pegando uma toalha no armário e entrando no banheiro do quarto. Eu apenas assenti e coloquei minha bolsa em cima de um puff.
Desamarrei minhas botinas e as tirei. Coloquei meus pés em cima da cama e peguei meu celular. Mandei uma mensagem para meu pai, avisando que já estava na casa de minha amiga. Esta logo saiu do banho, enrolada em uma toalha. Abriu o guarda-roupa – que é enorme – e tirou uma lingerie vermelha e colocou uma camiseta xadrez longa, preta e branca por cima.
Eu desliguei o celular e coloquei na bolsa, fiquei encarando-a, com poucas roupas.
- O que foi? – perguntou, notando minha reação.
- A-ah... – gaguejei. – Nada não. Vou tomar um banho também. – disse pegando uma toalha e entrando no banheiro.
Deixei a água do chuveiro molhar meu corpo, água quente... Estava pensativa, não sabia se era certo estar ali, ainda mais no quarto dela. Com tudo que eu estava sentindo. Sacudi a cabeça negativamente, evitando pensar nesses sentimentos. Passei o sabonete pelo corpo, enquanto ouvi a porta ser aberta.
- Ta tudo bem com você, mozão? – perguntou, entrando. Adorava ouvir o som da voz dela, dizendo a palavra mozão. Ainda mais quando esta palavra se referia a mim.
- Aham. – disse, elevando um pouco mais a voz, para que ela pudesse me ouvir.
Ela se encostou no lado de fora do box.
- Você está estranha hoje. Não queria estar aqui? – perguntou de novo, dessa vez o timbre da voz dela estava um pouco mais manhoso, triste.
- Ta brincando, Karol? É o lugar que eu mais gosto de estar, na sua casa. – no seu quarto... – continuei a frase, em pensamento. – Pode pegar a toalha para mim? – perguntei, abrindo um fecho do box.
Ela pegou a toalha e me entregou. Eu sai enrolada na toalha, sorri para ela e sai do banheiro. Ela ficou um tempo parada em frente ao box, vendo eu me vestir de longe.
Peguei minha blusa longa do Iron Maiden e uma meia calça 7/8 preta. Tirei a presilha dos cabelos, soltando minhas madeixas onduladas.
Sentei na cama de casal do quarto de minha amiga, me cobrindo com um edredom lilás que estava na cama.
- Vai mesmo ficar aí, mozão? – elevei a voz novamente, indagando, o porquê dela ainda estar ali, quando poderia estar do meu lado, na mesma cama.
Vi de longe ela suspirar e vir ao meu encontro. Retirou os chinelos e se deitou do meu lado, encostando a cabeça no meu ombro. Pegou o controle remoto que estava ali perto e ligou a TV, em um canal de videoclipes. Estava passando a música All The Things She Said, da dupla t.A.T.u. Ironia do destino ou não, a música falava sobre o amor de uma garota, por outra. Era o momento perfeito.
- Você se incomoda...? – sussurrei baixinho, perto a seu ouvido.
Ela, sem tirar o olho da TV, respondeu:
- Com o que?
- Que eu te trate assim, te chame assim... – falei, ainda sussurrando.
- Claro que não. Adoro que me trate assim, me sinto amada. – um pequeno sorriso brotou no canto de seus lábios rosados.
- E também não se importaria com isso...?
Ela virou o rosto.
- Com isso o qu-...? – não terminou a frase. Eu já estava próxima demais dela, com os olhos fechados, o que fez os dela automaticamente se fecharem também. Nossos lábios se selaram.
No começo foi só um selinho. Um beijo técnico, como diriam. Mas logo eu resolvi arriscar, e pedi permissão para que minha língua entrasse em sua boca. Ela “autorizou”, misturando sua língua junto a minha, em uma espécie de “dança”. Aquele sabor de Karol em minha boca...
Coloquei minhas mãos em sua nuca, aprofundando mais o beijo. Ela afastou o edredom com as mãos, parou o beijo por alguns segundos, os suficientes para ajeitar suas pernas entre minha cintura. Voltou a selar sua boca com a minha, agora o beijo não necessitava mais doçura e nem inocência. Era um beijo avassalador, com paixão. Desci minha mão para sua cintura, enquanto ela rebolava em cima de mim. Cara, aquela garota sabia como excitar qualquer um.
Ela passava a mão em meus cabelos e depois começou a arranhar minhas costas, enquanto eu beijava seu pescoço carinhosamente. Cheguei ao seu colo descoberto, comecei a beijá-lo e tentei abrir os outros botões da camisa xadrez. Karol segurou minha mão e murmurou:
- Vamos devagar.
Eu assenti, entendendo. Não queria, de modo algum, apressar ela. Voltei a beijá-la, a pressionando mais contra minha cintura.
O beijo foi diminuindo o ritmo, se tornando selinhos ao final.
- Eu te amo, mozão. – sussurrei ao seu ouvido.
Ela sorriu e me deu mais um selinho. Voltou à posição normal, se cobrindo com o edredom. Aconchegou-se em meu ombro novamente e disse, antes de fechar os olhos:
- Eu continuo fechando meus olhos, mas não consigo tirar você da cabeça...
Um sorriso largo surgiu no meu rosto, era um pequeno verso da música que tocava ao fundo, que estava quase no final. Eu me cobri e apoiei minha cabeça perto da dela. Naquela noite, eu dormiria feliz.
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