Notas iniciais
Amor eterno à Conceived Dream, que betou esse capítulo (e me forçou a escrever) ♥

[02. Respirar você]




– Quem poderia se apaixonar por você? Não me faça rir, você é um fracasso. – o moreno falou de forma simples. – Sempre foi e sempre vai ser.



Nesse momento, soltou uma risada fria e seca enquanto acendia um cigarro. A pessoa a qual ele se dirigia se encolheu mais ainda, parecendo uma sombra estirada aos seus pés.



–Fiz... Tudo por você... – a voz era um borrão tão fraco, que quase sumia. Um choro perdido.



–Tudo? Isso é tudo? – se abaixou vagarosamente, dando uma tragada lenta no cigarro – Por isso que você nunca foi suficiente. Nunca, e sabe disso. Nem quando criança, nem mais velho, nem como amante. Nem de jeito nenhum.



“Você apenas serviu pra escrever uma história de fracassos. E se você não se odeia, é mesmo digno de pena, porque pelo menos pra isso deveria se dar ao respeito. Vou te deixar agora, como todos te deixaram antes, e é apenas pra isso que você vive, pra se ridicularizar.”



A fumaça do cigarro saiu por entre os lábios cheios devagar, fazendo uma espiral de fumaça que parecia se arrastar no ambiente denso. Estava frio, mesmo com o apartamento fechado, o ar quase condensava ao sair da boca do ocupante que jazia no chão.



–Sabe o que você pode fazer por mim? – o moreno voltou a falar, se aproximando do outro e segurando seu queixo. – Sabe?



–Me diga... Por favor.



–Você podia morrer. – sussurrou lentamente no pé do ouvido alheio. Acariciou lentamente os cabelos dele, se levantando em seguida.



Yuu não olhou pra trás, não viu o olhar do outro perder o foco e sua respiração sair condensada em desespero gélido. Estava começando a raiar um novo e adorável dia.



–O-

–Bom dia, Uruha. – falou com seu bom humor habitual.



Kouyou girou os olhos, não tinha exatamente gostado daquele apelido, muito menos sabia de onde o moreno tirou aquela ideia. No começo, tinha achado um absurdo e ficado completamente envergonhado, mas isso foi só até perceber que espernear não adiantaria muita coisa, e que Shiroyama Yuu era exatamente do tipo que constrange pessoas como ele pelo simples fato de respirar.



–Bom dia, Shiroyama-san. – respondeu por fim, pegando o bule de café, e enchendo uma xícara para Yuu. Ele sempre pedia a mesma coisa, todas as manhãs, desde aquela em que se conheceram.


–Já disse pra me chamar de Aoi. – entretanto, ele nunca faria isso, porque daria ao moreno a intimidade que ele não queria que tivessem.



Desde o dia em que se conheceram, o moreno aparecia no primeiro raiar de sol, pouquíssimo depois de Kou abrir a cafeteria. Já tinha se acostumado com ele por ali, e quase podia dizer que conseguia conviver com seu jeito desconcertante de ser.



Quase. Porque a única coisa previsível no homem era o pedido que fazia todas as manhãs – café forte e sanduíche simples.



–Quando eu vou conseguir seu telefone? – ele soltou.



–Oh, nunca. – Uruha riu, terminando de entregar o sanduíche. Não é que não gostasse dele, ou que não o achasse definitivamente atraente... Apenas...



Sabia que seria o tipo de garoto tolo que se apaixonaria, que teria ideias erradas. Ou então diria alguma coisa idiota e o afastaria. Preferia assim, aquela companhia desconcertante todas as manhãs.



–Nunca? Mesmo? – Yuu deu um sorrisinho. – Sempre teremos amanhã.



Sempre assim. Nunca forçava, nem tampouco aceitava a negativa do loiro. Apenas voltava no dia seguinte para outra xícara de café.



–Uruha, você já teve a sensação de que está se esquecendo de algo muito importante? – Kouyou limpava o balcão, apenas levemente compenetrado quando a pergunta surgiu.



–Hã?



–É. Uma coisa muito, muito importante.



–Bom, sempre esqueço minhas chaves. – fez uma careta ao pensar no assunto. – Uma vez tive que dormir do lado de fora, porque o chaveiro só poderia vir no dia seguinte. Eu tinha esquecido minhas chaves em... Algum lugar. Até hoje não sei ao certo onde.



Aoi permaneceu em silêncio. Não eram chaves, ele não precisava de chaves.



–Sente que esqueceu alguma coisa, Shiroyama-san? – a voz de Uruha o chamou de volta àquela conversa.



–Sinto que esqueci alguém. – Yuu tirou uma nota do bolso, e a deixou sobre a bancada. Dando uma piscadela para Kouyou antes de sair.



O loiro permaneceu parado ali, olhando para a porta por mais alguns instantes. O café ainda estava vazio, e só receberia cliente em mais alguns minutos, a metrópole começava a acordar – alguns diziam que nunca dormia.



Aquele moreno era provavelmente a pessoa mais ininteligível que Kou já conhecera. Perguntava-se por quanto tempo continuariam naquele jogo até que ele admitisse que perderia, que acabaria dando seu telefone e outras coisas mais.



Só que nunca podia ser simples assim, por isso quanto mais Uruha pensava em perder de uma vez, mais vontade tinha de continuar negando apenas para ver até quando ele voltaria.



“Sinto que esqueci alguém.”



Não quero que esse alguém seja eu. Mas de que maneira ele não seria esquecido? Cedendo ou negando?



これが悩み生んだ結果。もう聞かないでくれ。

This is the result born from agony. Please don't ask me anymore.


Notas finais
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