Notas iniciais
--- eu tinha dito que esse cap. seria do Travis, mas não tive ideia do que escrever, então é da Frances, desculpe Andreia, eu tinha dito que seria dele o cap. mas não deu... me desculpa, viu?
--- bem, esse cap. é da Frances.. mas o próximo, sem falta é do Travis
--- eu prometo, e espero que gostem!

ALL THAT DRUGS

CAPITULO 12: Clinica

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“She likes to be

She's into guilt

Guilt

She likes to think

she likes to drink

She seems too weak, she takes all the rent”

- Oh The Guilt — Nirvana

Acordou. Mas, não se lembrava de ter voltado a dormir alguma vez, mas se lembrava de algumas coisas que tinham acontecido antes, fragmentos... O sangue, o ardor, a madeira, e os gritos. Se sentia como se ainda estivesse naquele pesadelo, a mesma luz branca, o mesmo quarto branco, mas neste havia um armário de madeira amarela que ia do chão até o teto, era o mesmo quarto, só que com cômodos.

Tentou se mexer, mas sentiu algo prendendo suas mãos, olhou para as mesmas, com espanto, viu que estavam presas por uma espécie de cintos, afivelados às grades da maca hospitalar. Sacudiu os braços e rodou as mãos para tentar soltar, mas estava muito apertado, e seria impossível, procurou por alguém no quarto... Havia uma mulher loura, com um coque, lendo uma daquelas revistas nojentas para adolescentes, falando daquela boyband nova, que Frances não fizera questão de gravar.

Parecia jovem demais para estar trabalhando, a julgar pelo seu corpo miúdo, e pela face de criança, com os olhos vidrados, brilhantes lendo a revista adolescente.

Fingiu uma tosse, seca e ruidosa, e a moça tirou os olhos da revista e olhou para Frances, com enormes olhos negros e brilhantes.

- Onde estou? – perguntou, assim que percebeu que a enfermeira tinha total atenção a ela.

- Clinica de reabilitação. – Frances olhou boquiaberta para a enfermeira.

- Ah, que ótimo – disse em ironia, caindo de costas no travesseiro, desviando o olhar da enfermeira, olhando a enorme janela que tinha quase tomando toda a parede.

Tinha uma enorme vegetação, parecia que a clinica era no meio do mato, o sol entrava bem pela enorme janela, fazendo sombras estranhas por causa das folhas e galhos das árvores. Olhar muito tempo para a claridade fez seus olhos doerem, afastou o olhar, a enfermeira ainda a encarava, parecia, pelo olhar dela, nervoso, confusão, duvida e insegurança, Frances deveria ser a primeira paciente dela.

- Como eu vim parar aqui?

Aquela pergunta parecia que não era a melhor pergunta para se fazer para a nova enfermeira. Ela olhou para os lados, coçou a garganta, mexeu no coque, coçou a sobrancelha, mas não respondeu.

Depois de alguns minutos a loura voltou a falar:

- Seus pais estão aí fora.

- Não quero vê-los. — Virou o rosto novamente para a janela, e completou: — Só quero ir embora... Não preciso dessa merda de clinica de reabilitação, eu não uso drogas.

A enfermeira pegou uma prancheta no pé da cama, analisou-a por alguns minutos e a mostrou para Frances, que não entendeu nada.

- Seu quadro mostra uma quantidade razoável de heroína no sangue... Ainda não usa drogas? – ela sorriu para Frances, fazendo-a corar. – Tudo bem... A maioria também chega negando qualquer envolvimento com drogas... sabe?

Frances fez uma cara emburrada e desviou o olhar da enfermeira. Fechando os olhos.

- Se quiser dormir, bem... vou deixar você dormir. – disse saindo do quarto.

Respirou fundo, abriu os olhos, a loura não estava mais ali, olhou para o vidro com as persianas abertas, seus pais conversavam com a garota, ela deveria estar falando que Frances tinha acordado, e dito algumas coisas, só esperava que o Senhor e a Senhora Lorance não entrassem no quarto, quase arrombando a porta.

Queria ficar ali, quieta, até poder ir embora... Revirando suas memórias, a procura de alguma coisa que a pudesse deixar alegre ao se lembrar durante os tempos que ficasse naquela clinica.

Suspirou olhando para a janela, os pássaros estavam inquietos lá fora, ela podia ouvi-los, mesmo com o vidro da janela, que estava semi-aberto. “Calem a boca!” pensou, enquanto tentava uma posição confortável na cama, mas sem resultado pelas mãos amarradas.

Era de dia, e eles estavam no Cayenne de Travis, parados em um terreno desocupado, com uma casa grande, velha e caindo aos pedaços, enferrujada e com muitos tijolos faltando, virando pó, desgastando com o tempo.

Ouviam música, enquanto conversavam, mas para ela, Travis parecia distante demais, parecia calmo, pensativo demais. Frances o viu abrir um compartimento do Cayenne e tirar uma carteira de cigarros de lá. Colocou-o na boca e acendeu com um isqueiro.

Ele estava agindo muito estranho comparado ao normal, estava chapado, lerdo demais para conversar?

“Travis?” ela o chamou, mas parecia tão distante “Está tudo bem? Travis, ei! Acorda!”

Frances deu um peteleco na testa dele, e riu com a expressão dele.

“Ei!” reclamou expelindo a fumaça pela janela do carro “Por que fez isso?!”

“Você não respondeu aí eu fiz isso”

Travis sorriu.

“Você ta bem?” o sorriso aumentou. “Está mais estranho que o normal...”

“Eu estou no meu normal”

“Então você é estranho normalmente...?”

“Sou?” ele fingiu duvida. “Não mais que você...”

Ela o esmurrou no braço.

“Não sou estranha” Travis soltou uma gargalhada, de divertimento, com um toque de zombaria.

“U-hum, tá... vou acreditar nessa...”

“Seu...“ Frances estava vermelha.

“Você é estressadinha demais, não acha?”

“Não sou estressada! Não me chame de estressadinha!”

“Mal humoradinha, então...” o olhar dela para ele era homicida. “Tá bom, tá bom... Já parei, do que você quer que eu te chame então?”

Ela fingiu pensar, não queria que ele a chamasse de nada, além de seu próprio nome.

“Só Frances...”

Travis sorriu, colocou a mão em seu pescoço e a puxou para um beijo quente e apaixonado, seu lábios eram finos, mas macios e quentes, e Frances os adorava mais que tudo.

Frances estava sorrindo quando ele parou de beijá-la. E Travis começou a gargalhar.

“Okay, Senhorita Só Frances”

Seu sorriso sumiu aos poucos, se tornando uma linha reprimida de frustração e raiva, seu olhar era morto e parecia que poderia matar Travis só com o olhar. Ela o bateu de novo, mas dessa vez com mais força.

“Ta bom, Frances... Parei! Não sabe brincar...” ele levantou o dedo indicador e começou a balançá-lo para frente e para trás. E imitou uma voz grave: “Não sabe brincar não desce para o Play. Frances má”

Ele não conseguiu aguentar por muito tempo a expressão séria, e logo começou a dar risada, junto com Frances.

E a risada de Travis ficou ecoando em seus ouvidos, até que ela realmente adormeceu novamente.

Notas finais
--- espero que tenham gostado, embora estivesse terrivelmente chato
--- não esqueçam as reviews, minhas caveirinhas lindas *uu*