Notas iniciais
E AQUI ESTAMOS NÓS COM O PRIMEIRO CAPITULO!
------ Nome estranho logo para o primeiro capitulo, né?

ALL THAT DRUGS

CAPITULO 1: Morfina

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“Did you ever think of me?

You’re so considerate

Did you ever think of me?

Oh, so considerate”

– Let It Die – Foo Fighters



Seus pais já estavam quase que acostumados com as saídas de Frances, sem dar as típicas satisfações de: aonde vai? Que horas volta? Com quem? Como? Vai fazer o que lá?, haviam desistido, sabiam que ela não iria responder e só ignorar, proibiram ela de sair quando a proibiram de ir ver Travis, havia alguns meses, eles sabiam que ela saia no meio da noite, as vezes, mas dessa vez havia uma semana que ela ficara em casa, eles percebiam quando ela saía no meio da noite, mas ela não estava saindo, e naquele dia ela não havia comido nada, desde que acordara, seus pais estavam preocupados, não era normal que ela ficasse sem comer até tarde.

Já estava escurecendo, e Frances estava em seu quarto, com sua guitarra, tocando uma de suas músicas favoritas: Let It Die, do Foo Fighters, do seu jeito mais calmo e suave, o jeito que Travis dizia que só ela conseguia usar.


Heart of gold but it lost it's pride...

Beautiful veins and bloodshot eyes...

Ela cantava, com a voz quase baixa demais, quase um sussurro.

Nem ela mesma sabia o porquê de estar daquele jeito. Talvez fosse por causa do Travis, queria vê-lo, queria tocar em seu corpo quente e forte, olhar em seus olhos elétricos, enfiar suas mãos em seus cabelos lisos e mesclados de loiro e preto, e beijar sua boca sensual, que ela amava.


I’ve seen your face in another light.

Why’d you have to go and let it die?

Why’d you have to go and let it die?

Why’d you have to go and let it die?

In too deep and out of time

Why’d you have to go and let it die?

Seus pais a ouviam do outro lado da porta, ouviam ela com pesar, não sabiam o que ela tinha, aquele seria o pior caso que eles enfrentariam da filha?

– Frances, querida... – sua mãe disse na porta – Vamos, saia desse quarto...

Ela não deu ouvidos. Só continuou a tocar, com a face coberta por lágrimas, sem deixar transparecer enquanto cantava.


A simple man and his blushing Bride

Intravenous, interwined.


– FRANCES! – o pai a chamara na porta, batendo. Por que ele era sempre tão rude com ela?

Ela ouviu a senhora katherine dizer ao senhor Edmond:

– É a heroína... Só pode... Abstinência.

– É melhor assim – senhor Edmond disse, no tom rude de sempre, voltando a bater na porta.


Hearts gone cold your hands were tied

Why’d you have to go and let it die?

Why’d you have to go and let it die?

Why’d you have to go and let it die?

In too deep and out of time

Why’d you have to go and let it die?

Esqueceu os pais por um momento e voltou a tocar sua guitarra, pensando em sua abstinência de heroína, era Travis quem dava para ela, naquela casa não havia mais, pensou o quanto ela estava corroendo por dentro, seu estômago parecia se contorcer dentro dela, mas Frances não ligava, não queria saber de comida, queria Travis a abraçando, e a heroína.


Did you ever think of me?

You’re so considerate

Did you ever think of me?

Oh, so considerate

In too deep and lost in time

Why’d you have to go and let it die?

Beautiful veins and bloodshot eyes

Why’d you have to go and let it die?

Hearts gone cold and hands were tied

Why’d you have to go and let it die?

Why’d you have to go and let it die?

Aquilo a estava irritando, seria assim tão impossível evitar os pais ali na porta, batendo sem parar?

Did you ever think of me?

You’re so considerate

Did you ever think of me?

Oh, so considerate

Desistiu de tocar, era impossível evitá-los, largou a guitarra na cama e se dirigiu à janela, abriu as cortinas e olhou para baixo, na esperança que houvesse um Travis ali embaixo, esperando ela para irem a uma festa, ou a qualquer lugar. Mas não estava lá, só o que tinha era o jardim de sua mãe, com um enorme pinheiro, e uma mesa de madeira para piquenique, quase branca de tão desgastada pelo sol.

Os pássaros cantavam lá fora, Bran miou e correu até onde Frances e saltou para o parapeito da janela, atrás do carinho de sua melhor amiga.

– Hey, Bran – ela sorriu para ele, carregou-o e beijou-lhe a cabeça. Podendo ouvir ele ronronar alegremente para ela.

Ouviu um barulho de chaves batendo uma na outra, virou para trás pelos calcanhares, Bran se assustou e correu para debaixo da cama, Frances fechou a cara e viu os pais entrarem no quarto com uma cópia das chaves.

– Já ouviram falar em privacidade? – perguntou petulante.

– Já ouviu falar em respeito? – seu pai respondeu com outra pergunta.

– Chega os dois – a senhora Katherine disse – Frances... Não pode ficar nesse quarto para sempre. O que fez com seu cabelo?

Ele estava todo repicado nas pontas, ainda comprido, quase todo loiro, mas na raiz e por dentro ainda podia se ver a cor natural: O preto, como carvão. Mas parecia que aquele cabelo, daquela forma destacava mais ainda os seus olhos azuis, gélidos.

– Eu posso, e vou – disse, dando as costas para os dois. – Desde que vocês me colocaram em prisão domiciliar...

– Prisão domiciliar? Você já viu como está, Frances? Estamos te mantendo aqui para melhorar! Aquele rapaz...

– Delinquente – resmungou o pai de Frances atrás das duas.

– Aquele rapaz – a Senhora Katherine voltou a dizer – Estava lhe drogando, ele era uma má influencia para você Fran...

– Má influencia?

– Sim, estamos te mantendo afastada daquele rapaz...

– Travis. – rosnou Frances.

– Travis, que seja... Estamos te mantendo afastada dele para você melhorar, vê?

– Não há nada para ver.

– Sua melhora...

Frances sabia que sua mãe tinha razão quanto a Travis, mas apenas em parte, a Senhora Katherine sempre achara que Travis havia colocado a heroína na vida de Frances, era parte verdade, ele a havia mostrado aquela droga, ele sabia o quanto ela sofria, emocionalmente, e fisicamente, por suas dores de estômago, que pareciam queimar ela, a heroína aliviava a queimação que sentia, aliviava todos os seus problemas, a heroína não era um problema, e sim uma solução. Por isso Travis a oferecera a droga, para ajudá-la a amenizar suas dores, e sem aquela droga as dores voltavam como uma bomba, explodindo dentro dela, trazendo consigo na explosão as dores do estômago, e todas as dores psicológicas que adquirira com a falta da heroína, com a prisão domiciliar, e com a falta de seu melhor fornecedor de drogas, seu melhor amigo, e seu namorado, Travis Moranttes.

– Tome – sua mãe lhe estendeu um pote amarelo com um monte de pequenos comprimidos em forma redonda, e um copo de água.

– O que é isso?

– Morfina – Frances não entendeu o motivo de sua mãe estar lhe dando morfina. Olhou para o pai, mesmo sem saber se deveria realmente estar fazendo aquilo. – Vai lhe ajudar, eu prometo.

– Uma droga por cima de outra? – Frances riu, descrente do que a mãe acabara de falar. – Você quer é me matar.

– A heroína ia te matar... – disse o Senhor Edmond, com a voz em um tom mais gentil. – Por favor... Ouça a tua mãe, Frances.

– Frances, eu li sobre isso... Acha que eu ia te dar morfina para você se drogar? Morfina ajuda na desintoxicação da heroína no sangue.

Frances pegou o pote cheio de comprimidos de morfina, abriu-o, pegou um comprimido, fechou o pote e o devolveu para a mãe, em troca do copo de água. E lá ela começou seu tratamento, mas talvez não durasse muito.


Notas finais
--------- Se não ficou bom, avisem
--------- Se ficou bom, avisem também
--------- Espero que tenham gostado!