All Over Again
50 Capítulo 50
Notas iniciais
Alejandro dirigiu por ruas e mais ruas dando voltas por caminhos que talvez eu jamais saberia chegar sozinha e quanto mais percorríamos, mais certeza eu tinha de que estávamos próximos à periferia. A todo momento, minha mente estava em James, em sua preocupação, nos seus esforços que provavelmente estavam sendo infinitos para me encontrar e também na agonia que meu marido estava compartilhando. Meu Deus! E Nicolas? Como meu pequeno deveria estar? Certamente acoado, com medo e clamando pela mãe em algum lugar escuro. Esse último pensamento me fez estremecer e passei as mãos pelos meus próprios braços como se estivesse com frio. Por horas tive vontade de abrir a porta e pular, de abaixar os vidros e gritar por socorro, até porque a ausência de armas — até onde vi — do meu sócio deixavam minha fuga ainda mais fácil, mas seria estupidez da minha parte, pois quem arcaria com as consequências certamente seria o meu menino. A verdade é que agora tínhamos apenas um ao outro e nada mais. Assim que chegamos ao local, Alejandro guiou o carro para a garagem. O portão fechou atrás de mim e senti minha coluna gelar. Respirei fundo sentindo já meus olhos se encherem de lágrimas e ele apenas desceu indicando-me para fazer o mesmo.
Abri a porta sentindo minhas mãos tremerem. Se há uma certeza na vida é que nunca estamos preparados para situações de risco até enfrentá-las. Desci da caminhonete alta e assim que meus pés tocaram o chão fui atingida por um golpe na cabeça que pouco a pouco foi fazendo com que tudo apagasse. Lembro-me de piscar uma ou duas vezes tentando encontrar equilíbrio, mas logo a escuridão atingiu-me.
JAMES POV:
Petterson parecia visivelmente preocupado com a situação em que nos encontrávamos. Ele já havia entrado em contato com alguns conhecidos que faziam parte da inteligência e em pouco tempo nossa casa tinha virado um espetáculo. O agente do casal (leia-se, nosso agente) e os nossos representantes de mídia cobravam por respostas para ser dadas à imprensa e em um momento de desespero concordei que fosse dada a queixa do desaparecimento de minha esposa e filho, mas não entrei em acordo para que essa notícia vazasse à imprensa. Roberto, nosso motorista, encontrava-se quieto em um canto rezando solitário e Julieta chorava descontroladamente com o pano de prato nas mãos. A equipe de segurança conjuntamente com especialistas e policiais bolavam planos táticos para encontrá-los e esperar que algum contato fosse feito. Equipamentos chegaram, mais especialistas e consequentemente, paparazzis e repórteres também vieram, montando uma espécie de acampamento em frente à minha casa. De alguma maneira, a notícia havia sido divulgada e pela janela eu podia observar a quantidade de flashs em direção. É claro que essa exposição poderia não ser das melhores, no entanto, não havia mais o que pudesse ser feito. Enquanto todos estavam atentos aos telefones acreditando que o culpado — veja bem, Alejandro era um suspeito, mas não uma certeza — entraria em contato, meu celular tocou e isso fez com que a percepção de cada um da sala se aguçasse. Olhei o visor, eram os pais de Giselle. Céus, as coisas definitivamente não poderiam ficar piores. Engoli palavras de dor que jamais poderiam sair naquele momento e atendi.
– Senhora Carla, eu...
– James, o que houve com a minha filha e o meu neto? — Seu sotaque brasileiro e sua voz trêmula eram notórios
– Eles desapareceram, Carla, eu... eu não pude protegê-los.
– Onde você estava? O que? O que houve?
– Parece que Nicolas desapareceu e assim que a Giselle soube saiu desesperada pelas ruas. Não conseguimos encontrá-la, ela não atende mais ligações e estamos considerando que possa ter acontecido algo.
– O que está fazendo para recuperar a minha filhinha? Pelo amor de Nossa Senhora, meu filho, ache-a.
Eu não sabia o que era Nossa Senhora — apesar de algumas vezes ter visto minha esposa rezando, então acredito que faça parte da sua religião — mas o fato de tê-la ali implorando como se eu tivesse o destino de ambos em minhas mãos era algo que eu não poderia suportar.
– Eu estou tentando, todos nós estamos. — Suspirei amargurado sentindo meus olhos ficarem úmidos
– Talvez esse tipo de coisa não tivesse acontecido se vocês morassem no Brasil como pedi. — Claro, ela sempre voltaria nesse assunto
– Carla, você mesma está no Texas atualmente. Sabe que morar do outro lado do mundo não seria viável, sabe que a minha profissão não permitiria isso.
– E permite agora? Permite que meus dois tesouros estejam em risco? Use seu dinheiro e sua fama, use o que for preciso, mas ache-a. Estou implorando, ache-a!
– Eu farei o que for preciso para tê-los de volta nos meus braços, prometo. — Houve um momento de silêncio — Você sabe que eu a amo, não sabe?
– Claro que sei, James. Desculpe pelo que acabei de dizer! É que... ela é minha única filha.
– Eu sei, Carla, realmente sei, assim como ela é a minha mulher. Ninguém mais do que eu a quer de volta.
– Compreendo.
– Não se preocupe que te manterei informada caso ela apareça.
– Pode ser mesmo um sequestro?
– Não sei, não sei. Acredito que sim. — Minha voz foi falhando até se tornar um fio
– Por Deus! — Um grito de horror saiu de sua boca — Falarei com Francisco, iremos até ai.
– Acha melhor? Pode ser uma viagem cansativa.
– Eu tenho que estar presente para a volta dela.
– Está certo. Se cuide, Carla, por favor.
– Me cuidarei. Entrarei em contato assim que estiver tudo acertado, mas acredito que amanhã mesmo estarei ai.
– Tudo bem. Tenho que desligar agora, existe uma enorme equipe policial aqui em casa e tenho que estar por perto.
– Certo querido, boa tarde.
Minha relação com Carla nunca foi a mais equilibrada, mas também sempre houve um tipo de conflito indiretamente. Apesar de ser uma sogra exemplar, era clara sua preferência de que eu abandonasse tudo por Giselle e me mudasse para o Brasil, onde ela cria a ilusão de ser o lugar perfeito e caloroso para formar uma família pelo simples fato de estar longe da minha carreira. Até concordo que meu antigo eu deixou uma imagem horrível e que ela ainda deve acreditar fielmente que sou o James que abandonava Giselle e que facilitou as coisas deixando-a sozinha e exposta ao perigo, mas Carla precisava saber que eu amava sua filha, que a amava tanto quanto no dia em que a beijei pela primeira vez e fomos flagrados pela sogra.
Fui interrompido dos meus devaneios, quando o telefone tocou mais uma vez. Dessa vez era o fixo de casa e todos os policiais ficaram em alerta. Percebi os olhos se arregalarem quando o número no visor indicava claramente quem era, era o celular de Nicolas.
– James! — O detetive me chamou — Temos uma ligação. Lembre-se: atenda com calma e cautela, fale normalmente e não dê a entender que está cercado por policiais. Estaremos escutando tudo e tentando rastrear de onde vem, então trate de mantê-lo na linha o máximo de tempo possível.
– Eu entendi, eu entendi. — Repeti freneticamente enquanto sentia minha mão direita tremer ao segurar o aparelho. Os toques tornavam-se cada vez mais insistentes e fiquei por alguns segundos tomando uma coragem dentro de mim que tinha medo de encontrar. Na realidade, o medo se baseava no fato de que essa pessoa poderia estar de fato com o meu filho, que poderia escutar seu choro, seus gritos... Isso me deixava ainda mais impune. Tomado pela raiva de que alguém poderia estar lhe fazendo mal, puxei o telefone do gancho de uma única vez e com afobação contestei: — Alô.
– Papai!
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