All Over Again
33 Capítulo 33
Notas iniciais
- Roupa da Gi: http://files-cdn.formspring.me/photos/20111211/n4ee4ae0327570.jpg
- Roupa do Jay: http://cdn03.cdn.justjared.com/wp-content/uploads/2009/11/gigandet-toast/cam-gigandet-toast-09.jpg (exceto pela criança e o treco de carregar criança kk)
Voltei para o quarto enrolada na toalha e James veio atrás de mim cantarolando alguma música do Lenny Kravitz antiga. Ele estava cheiroso, mas tão cheiroso, que nosso cômodo todo se inebriou com seu aroma. Era cheiro de Pacco Rabanne #1 e, claro, cheiro de James, o que tornava tudo muito melhor. Enquanto eu o observava se vestir, fui tendo uma pequena noção de que o lugar secreto para o qual me levaria não era tão formal assim. Meu marido estava com uma jaqueta de couro preta que o deixava extremamente sexy, jeans e um óculos de sol que dava um ar descolado à produção. Assim que o vi daquela forma meu coração disparou. James era gostoso e aquela maldita calça caída daquele jeito maravilhoso fazia com que o cós marcasse seu membro de uma maneira que não permitia que eu desgrudasse meus olhos dos seus quadris. Decidi me concentrar na escolha das peças que usaria, até porque não seria justo um terceiro round na mesma manhã. Como não sabia onde íamos, separei uma saia preta tubinho e marcada, saltos altíssimos para ficar mais elegante e tornei o look mais casual com uma jaquetinha. Até então, eu estaria arrumada e confortável, assim como Jay. Fiz uma maquiagem normal – sem parecer emperequetada o bastante –e passei um pouco de base e pó compacto nas marcas encontradas em meu pescoço essa manhã. Claro que eu já havia achado outras enquanto me trocava, mas e daí? Essas estavam cobertas e apenas o meu homem veria. James veio até mim dando-me um pequeno selinho e peguei pela minha bolsa enquanto ele já passava as mãos pelos bolsos se certificando de que não esquecia nada.
– Não estou muito arrumada? – Eu fazia questão de perguntar toda hora
– Amor, você está perfeita. De verdade, tinhamos que ser escolhidos como o casal mais bem vestido do ano!
Eu ri enquanto o abraçava por tras ficando nas pontinhas dos meus pés e enlaçando seu pescoço com meus braços.
– Já disse que você é muito convencido, não é?
– Sim, macaquinha – Ele fez menção ao fato de estar pendurada em suas costas enquanto descíamos as escadas – Aliás, isso é uma coisa que te incomodou bastante quando me visitou no ensaio durante nossa separação.
Senti meu rosto queimar, ele então havia percebido? Sai de suas costas ficando ao seu lado e dando-lhe a mão ao passo em que caminhavamos para a garagem.
– Claro que me incomodou. Você tinha acabado de me dar um pé na bunda e ficava exibindo esse... esse... esse corpo para mim.
– Não estava exibindo, eu tinha tirado o casaco para bater no Ethan e também para ensaiar, não tenho culpa que tenha chegado em má hora.
– Boa hora. – Corrigi
– Por que? – James ergueu uma sobrancelha enquanto apertava minha mão de levinho
– Porque você fica gostoso com o corpo suado.
– É mesmo? – Ele ria baixinho
– E molhado, diga-se de passagem.
– Bom saber, esposa, muito bom saber. – Disse entre uma gargalhada
Entramos no carro de James e como que de imediato minha mente viajou para a última vez em que estive nesse automóvel. Passei meus dedos devagar pela parte interna da porta do carona tocando os botões da janela, o vidro e depois o banco. Parte de mim queria saber que aquilo tudo era real e não sei porque tive o ato bobo de usar o sentido do toque para confirmar algo a mim mesma. Fiquei um tempo calada lembrando da proposta, da briga, das razões pelas quais nos divorciamos e, puta que pariu, lembrei-me do beijo. Um enorme enjôo invadiu meu estômago e minha nuca gelou denunciando minha pressão caindo por culpa da minha memória traidora. “Não, Giselle, não se permita lembrar de uma fase ruim.” , eu me repreendi e no fundo sabia que estava certa. James tinha se arrependido do que fez – não que tenhamos conversado a respeito já que tem apenas um dia que voltou – e estava comigo, não é mesmo? Nossa, quem diria que em um dia tanta coisa aconteceria, teríamos feito amor, fodido no dia seguinte, tido um café da manhã em familia e agora estaríamos aqui? Quero dizer, alguns dias atrás eu estava nesse mesmo lugar com o coração partido e, para ser franca, parece um absurdo que tudo tenha tomado esse rumo tão depressa. Eu e meu marido nem conversamos a respeito e, aliás, era marido ou ex marido? Porra, como eu vou saber? Respirei fundo e comecei a controlar o ar que entrava e saía de mim para me acalmar – pelo menos alguma coisa eu tinha que ter controle – e não demorou muito para que o homem ao meu lado prestasse atenção no meu comportamento suspeito. James colocou a mão sobre a minha coxa e a alisou devagar. Seus olhos encontraram o meu em uma fração de segundos antes de olhar novamente para as ruas com atenção e ele perguntou:
– O que houve?
– Não é nada. – Eu disse engolindo todos os pensamentos que habitaram meu consciente nos últimos quatro minutos.
– Gi, eu te conheço. Não esqueça que são nove anos casados e que isso é o suficiente para saber cada tom diferente na sua voz, um olhar mais esquisito ou até mesmo uma microexpressão facial que faça.
– Qual é, você não é especialista em microexpressões. – Tentei brincar para discontrair
– Não, não sou. Mas sou especialista quando o assunto é você e sei que tem algo te incomodando.
– É só essa situação toda. Você voltou ontem a noite James e até então eu estava magoada contigo, de coração partido e, no entanto, hoje de manhã parecemos um casal em lua de mel sendo que não houve nenhuma explicação ou pedido de desculpas. É como se tivessemos cortado parte da nossa história e isso não parece leal aos meus sentimentos. – Desembuchei.
– E não é leal mesmo. Eu estou te levando a um lugar muito importante para mim, Giselle e parte de tudo que preparei é conversarmos a respeito. Só quero te pedir, por favor, que não toque nesse assunto agora. Eu sei que fui um idiota na última semana e, talvez nos últimos anos, mas preciso que esteja de coração aberto para tudo que acontecerá hoje.
Fiquei em silêncio apenas assentindo com a cabeça, mas isso parecia não convencê-lo.
– Promete para mim.
– Prometo, eu vou abrir meu coração a ti.
James sorriu e coloquei minha mão sobre a dele acariciando. Se antes eu já estava curiosa a respeito da tal surpresa, agora então eu mal podia esperar para colocar tudo em pratos limpos e tornar nossa relação melhor. Até porque, quando nos separamos o motivo havia sido o medo que meu marido possuía de não me fazer feliz e agora me questiono se em seu interior ele considera que o faz.
O trajeto continuou por cerca de mais quarenta minutos e admito que minha agonia não se continha apenas em meu corpo. Eu já estava balançando as pernas e batendo com os pés no chão do carro, além de me mover de um lado para outro desconfortável. Quando menos esperei, estavamos chegando a uma enorme área lilás e perfumada. Eu não sabia do que se tratava, mas aquele “mar” na minha cor favorita me deixava ansiosa. Olhei para Jay com os olhos brilhando e cheia de curiosidade, ele logo estacionou e deu a volta no carro abrindo a porta para mim.
– O que é isso? – Eu dizia maravilhada e respirando fundo, deixando que aquele cheiro de flores tomasse conta de mim e me envolvesse em um contorno perfeito.
– Tire os sapatos, amor.
– Mas... – Fiz biquinho
– Por favor! – Ele disse se ajoelhando à minha frente e soltando as tiras da minha sandália. Deixei que as guardasse no carro e senti a grama sobre meus pés, eu estava em extase.
– O que? Por que? Que lugar é esse? – Minha curiosidade permitia muito mais que uma pergunta
– Hm, se lembra do primeiro presente que te dei?
– Claro, foi quando saímos para uma quermesse da cidade dos seus avós no interior e você ganhou uma pelúcia para mim em um dos jogos.
– Não amor, o primeiro.
– Foi esse.
– Não, esquecidinha. – Ele disse bagunçando meu cabelo, o que me fez formar um biquinho em meus lábios – O primeiro presente que te dei foi antes de namorarmos. Você tinha ficado doentinha e eu estava me tornando seu amigo, então fui na sua casa com um buquê enorme de lavanda e você ficou emocionada porque era sua cor favorita. No final daquele dia você me beijou e por sua causa passei bons dias também gripado. – James disse rindo e colocando as mãos nos bolsos.
De fato isso havia acontecido. Eu me lembrava muito bem, tinha ficado internada por alguns dias devido à uma gripe forte que tinha se tornado princípio de pneumonia e assim que cheguei em casa meu até então amigo foi receber-me com um buquê grandioso. Como não reconheci o cheiro? Aquelas flores eram o início de tudo!
– Então...
– Então que para um recomeço perfeito temos que voltar ao início e o nosso início foi graças a essas flores, ao beijo que me deu e que sua mãe flagrou, graças aquele dia perfeito no qual você se tornou minha e eu sabia que era para sempre. Sendo assim, eu te trouxe a esse campo de lavandas, o mesmo dos quais vieram aquelas flores de anos atrás, para que você se lembre do porque se apaixonou por mim e saiba que aquele homem pelo qual se encantou ainda está aqui e quer fazer de ti a mulher mais feliz do mundo.
James pegou-me pela mão e foi andando comigo pelos caminhos entre a imensidão lilás que nos envolvia. O cheiro era forte, admito, mas eu estava encantada pelas lembranças que se reproduziam em minha mente. Quando atravessamos o campo, uma tenda branca esperava por nós e sobre a grama havia um enorme tecido também branco enfeitado por pétalas em diversos tons de lilás. Ao lado se encontrava algumas comidinhas – em maioria chocolate – e algumas frutas, além de champanhe cor de rosa. Meu Deus, aquilo tudo era mesmo para mim? Larguei a mão do meu marido e corri livremente enquanto o vento despenteava meu cabelo. Olhei para minhas próprias roupas e ri, eu não estava nem um pouco adequada para o local, no entanto a única peça que parecia cair perfeitamente em meu corpo estava ali de braços cruzados olhando a forma como meus olhos se enchiam de lagrimas emocionada.
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