Notas iniciais
Roupa da Giselle: http://www.vegaschatter.com/files/63189/Holly_Mads_NYE.jpg

Me arrumei para o jantar com algumas das roupas mais provocantes que encontrei. Se iria fazer ciúmes em James com Alejandro, certamente precisaria antes fisgar o bofe. Ah, claro, acho que esqueci de mencionar esse detalhe crucial: Se meu ex marido se sentia no direito de me trocar pela primeira lambisgóia que aparecesse, nada seria mais justo do que também encontrar um homem para esfregar na cara dele, digo, para estar ao meu lado. Escolhi um modelito dourado e curtinho que valorizou minhas pernas e o volume dos meus seios. Apesar de extremamente pequeno na frente, o tecido dava um ar refinado e elegante, o que não me tornava uma mulher vulgar da noite para o dia. Deixei meu cabelo solto, fiz uma maquiagem um pouco mais carregada em tons de preto e esperei que Ale viesse me buscar. Cavalheiro, ele foi pontualíssimo e as nove da noite já estava em frente aos portões de casa me esperando. Assim que desci, Alejandro olhou-me espantado, quase que assustado e pude ver seus olhos saltarem. Pelo visto, a primeira impressão que causei com minha mudança foi muito boa. Ele desceu do carro e abriu a porta antes parando diante da mesma para me analisar.
– UAU! – exclamou
Senti meu rosto corar, eu estava mesmo sendo galanteada depois de tanto tempo e não sabia como me portar diante de tal situação. “Não sabe? Calada, você sabe sim”, meu outro eu respondeu.
– Gostou? – Perguntei dando uma voltinha. Logo meu sócio puxou-me pela mão fazendo nossos corpos se chorarem, respirei fundo prendendo minha respiração.
– Está magnifica, magnifica.
– É, bem, vamos entrar?

Ele concordou e entrei no carro. Ficamos conversando assuntos comuns durante todo o caminho e por várias vezes meu lado mais racional perguntou-me se eu estava fazendo o que era certo. É claro que o emocional magoado e domado pela raiva se deixou vencer, convencendo-me de que aquela era a punição perfeita. Apesar de toda a culpa que sentia e da guerra que se mantinha dentro da minha cabeça, não havia mais o que fazer. Eu tinha que pelo menos tentar e, se possível, causar dor ao homem que não hesitou em me ferir. Assim que o veículo parou, pude perceber onde estávamos. Se tratava de um estabelecimento extremamente caro, principalmente se formos considerar que Emma Stone estava sentada em uma das primeiras mesas que avistei. Logo que entramos, fomos encaminhados para uma reserva para duas pessoas na qual um candelabro luxuoso era a única iluminação ao nosso redor. O clima estava propiciamente romântico, o que fez com que eu me questionasse se Alejandro não estava disposto a participar do mesmo jogo que eu desde o princípio. Comemos, bebemos, rimos, falamos de trabalho e de todo o resto — até mesmo sobre o Obama — mas quando já não havia mais como disfarçar engolindo o máximo de alimentos possíveis, bebendo ou puxando papo furado, me dei conta de que não tinha mais como fugir. Quer dizer, tinha. Eu ainda podia pegar minha bolsa e sair correndo, só que não seria elegante ou ético.
– Ale, acho que precisamos conversar.
– Eu concordo Giselle, aliás acho que já sei o motivo pelo qual me pediu para jantarmos.
– Já?
– Sim. Eu estou ciente de tudo que tem acontecido com seu ex marido e a maneira como tem se magoado. Inclusive, acredito que essa mudança de visual e personalidade faça parte disso.
– Você tem razão.
– Mudou por ele, não é mesmo? Gi, eu não sou idiota. Eu sei que estou aqui numa tentativa de preencher o vazio que James deixou e provavelmente sei que vai me usar. – Constrangida, abaixei minha cabeça – Só que não quero que me use e principalmente não quero que faça as coisas pelo James e sim por você.
– Eu estou fazendo por mim
– Não, não está. Está pensando como fazê-lo sentir dor, em como dar o troco e eu sei bem disso.
– Você sabia desde o início?
– A coincidência era muita, não é? E além do mais, você nunca me deu brecha para que eu me aproximasse e de repente me convidou de livre e expontânea vontade para um jantar.
– Me desculpa Ale, me desculpa. Eu só... Eu só quero esquecê-lo.
– Quer esquecê-lo por você ou quer que ele sofra ao te ver com outro?
– Os dois. – Fui honesta
– As coisas não são assim Giselle, por mais que eu o odeie, não posso deixar que brinque comigo.
– Entendo – Disse um pouco magoada comigo mesma pela minha atitude.
– Mas...
Voltei meu olhar para Alejandro. MAS? COMO ASSIM “Mas”?
– Mas...?
– Se estiver disposta a fazer isso por você e a abrir seu coração para alguém que gosta muito de ti, eu quero ser essa pessoa.

Eu estava disposta? Talvez nunca soubesse a resposta dessa pergunta. Apesar do meu coração estar cheio de hematomas, sangrando e na UTI, era mais do que nítido que o que me impulsionava e ainda ditava o rumo da minha vida – mesmo que indiretamente – era James. Como poderia, então, começar um relacionamento sabendo que mesmo a dor que ele me causava era doce? Insuportável, mas ainda assim uma dor doce. Era como lutar entre o certo e o errado, o sim e o não, o justo e o não justo. Desde pequena sempre ouvi que não era bom tomar decisões quando se está de cabeça quente, mas o que eu sei e aprendi com a vida é que situações desesperadoras pedem por medidas também desesperadoras e, meu bem, um soldado de guerra com transtorno de estresse pós traumático vai sempre se esconder quando pensar que está em um fogo cruzado. Sendo assim, eu também vou me esconder – e bem fundo, se preciso – quando sentir que me expondo estarei dando brecha para ser atingida. Aliás, antes ser atingida por uma flecha torta de cupido do que mais uma facada nas costas. Ah, se eu pudesse! Se eu pudesse arrancaria meu coração e o deixaria em regime de solitária. Sozinho, trancafiado e em punição por todas as mágoas. Se pudesse, faria de tudo para escondê-lo e não ter sentimentos novamente. Só que sentimentos são bons, até mesmo os ruins, pois nos fazem crescer, evoluir, mudar e até mesmo nos transformar. Se Alejandro seria o melhor para mim, só o tempo iria dizer. O que não era correto comigo mesma era me manter presa ao fantasma de um homem que só errou comigo nos últimos anos.
– Eu estou disposta, sei que estou.
– Como pode ter certeza?
– Porque eu não aguento mais chorar. Se mais alguma lágrima cair dos meus olhos vai ser como confessar que fracassei comigo mesma, com minhas tentativas e com meu desempenho como mulher. Se você pode, e eu sei que pode, fazer com que isso cicatrize... Então faça!
– Sem James? Sem mencioná-lo? Sem sequer pensar nele?
– Exato.
– Então namora comigo, vamos começar um relacionamento, tentar algo especial. Nunca foi segredo tudo que eu senti e ainda sinto por você. Só precisa dizer sim, Giselle, um sim e eu serei seu.
– Eu aceito, Alejandro, eu digo sim.