All Of Our Feelings
1 Oneshot
Notas iniciais
Eu escrevi essa fic com o intuito de dedicar à minha pequena do coração @___sunkyuismine, porque ela é linda, amo ela que sempre cobra que eu escreva, além de ser uma fofa.
Nacchan, se você ler isso e falar mal da Gayoon depois eu vou ficar muito triste T-T
No meio da história tem assim... Alguns links que eu acho interessante que os leitores vejam para saberem do que eu estou falando -q
Então, acho que é isso...
Até lá embaixo!
Eu não conseguia dormir. De novo.
Isso já virou rotina. Eram muitas apresentações, viagens, performances, participações em programas de variedades, apresentações, shows, viagens, muito canto, viagens, apresentações, danças e mais apresentações. Eram coisas demais e tempo de descanso de menos. Eu já estava ficando enjoada de tudo isso.
Levantei da cama soltando um suspiro de desanimo e olhei para o relógio. Três e vinte e cinco da manhã. É, parece um bom horário pra levantar de madrugada. Saí do quarto com cuidado para não acordar minha companheira e fechei a porta para não atrapalhar o sono dela com a luz da sala. Sentei no sofá e suspirei um pouco mais alto, apertando um pouco meu próprio pescoço para ver se relaxo um pouco. Não estava surtindo efeito, mas não custa tentar, certo?
Olhei para o teto e comecei a pensar. Realmente faz tempo que eu não durmo bem. Desde que começaram as viagens pelo mundo com o concerto da United Cube. Em aviões eu até durmo, até porque fico entediada muito fácil. Meu medo por aviões dificulta muito, mas o carinho das minhas amigas torna tudo muito mais fácil. Depois de uma viagem para o Japão que eu mal consegui fechar os olhos para piscar, Jihyun e Gayoon sempre seguravam minhas mãos para me fazer sentir segura. De uns tempos para cá só Jihyun, mas ainda assim me passava a segurança que eu precisava.
Fechei os olhos. Eles pesavam, mas eu sabia que não ia conseguir dormir. Comecei a pensar, agora não iria parar mais. Na verdade, eu sei que o motivo da minha insônia não é o estresse pelo trabalho. Eu amo o que eu faço, e amo encontrar nossos fãs. Mas desde que começamos a viajar pelo mundo, mais uma coisa começou, e consequentemente começou a me tirar o sono.
Blow.
Blow nada mais era do que uma performance conjunta minha com Gayoon, onde interpretamos um cover da música da Ke$ha. Por algum motivo, essa performance sempre arrancava berros dos nossos fãs. Gayoon dizia que era porque os fãs gostam de nos ver juntas. Acho que não podem gostar mais do que eu mesma gosto. Nos chamam de SsangYoon... Ou de 2Yoon... Podem dar o nome que quiser, o nome não muda nada. Eu só gostaria que ao invés de ser somente 2Yoon ou SsangYoon, pudessem nos chamar de namoradas. Mas a Cube nunca aceitaria isso. Os fãs mais conservadores nunca aceitariam. E o mais importante, Gayoon nunca aceitaria.
Gayoon é o tipo de pessoa que pode ser um amor em um minuto, e no minuto seguinte ser um completo mistério. Simpática, as vezes bastante sarcástica, mas sempre atenciosa comigo em qualquer momento. Uma irmã mais velha as vezes muito super protetora, por mais que não fosse isso que eu queria. Em outros momentos, ela se prende no mundo dela, seja o do sono ou dos pensamentos, deixa seu olhar se perder em pontos aleatórios e se desliga do mundo e das pessoas ao seu redor. Tenho inveja dela por conseguir se desligar assim. E dos seus pensamentos, por não poder estar na cabeça e coração dela nesses momentos.
Fechei meus olhos e encostei a cabeça no sofá. No começo tudo parecia tão inocente... Nossa amizade sempre foi linda. Sempre cantávamos juntas, uma motivando a outra, dançávamos juntas. Até que começaram os ensaios para Blow, e meus sentimentos nunca mais foram os mesmos. Andar de mãos dadas com ela era comum. As brincadeiras da nossa maknae sobre nós era fácil ignorar. Daí um dia Hyuna me mostra umas tais de fanfics sobre nosso grupo. Alguns fãs torcem por casais. Tentam juntá-los. E eu sei porque. Eles só querem nossa felicidade, assim como só queremos a felicidade deles. E alguns fãs querem minha felicidade com Gayoon. Depois disso, nunca mais vi as coisas do mesmo jeito, se é que eu ainda via de uma forma inocente. Foi como se aquilo abrisse meus olhos e eu pudesse finalmente entender meu coração. Gayoon era minha amiga. Mas ela era mais próxima de mim entre todos ao nosso redor. Bem mais próxima que as outras meninas. Não consegui evitar e comecei a me sentir mais tímida perto dela.
Sempre que algo está errado e não resolvemos, as coisas pioram gradativamente. Apimentaram a coreografia de Blow. Começamos a dançar mais próximas. Tinha partes onde quase nos tocávamos mesmo. Meu coração doía cada vez mais. Eu me afastava. Ela percebia. Eu sofria, ela sofria. Acabamos nos afastando pouco a pouco. Por minha causa. E as performances continuavam. Quase um beijo que me levava à loucura. Quase um bom toque no corpo dela, que quase me fazia perder a razão. Ela passa a mão no meu rosto, e eu sonho com isso todas as noites desde então, antes de acordar e não dormir mais. Eu tremo até não conseguir me controlar. Saímos do palco e eu fujo dela. E ela se tranca no mundo dela. E cada vez mais me vejo como uma pessoa cruel.
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– Ah, você está aí! — Sohyun apareceu na sala e se aproximou de mim, se ajeitou ao meu lado e começou a apertar meus ombros. — Você está tensa, unnie... Assim não vai conseguir dormir!
– Sohyun-ah, eu te acordei? — Perguntei preocupada, deixando-a apertar meus ombros e abaixando um pouco a cabeça.
– Não, eu vi as luzes acesas quando fui ao banheiro. — Ela respondeu simpática, apertando meus ombros e pescoço com cuidado. — Sem sono?
– Dormi um pouco, mas acordei e perdi o sono. E você, maknae?
– Tive um sonho estranho, então acordei. — Ela falou num tom indiferente e tentei olhar para ela, pensando que tipo de sonho poderia ser. — No meu sonho, Hyuna-unnie ia embora... — Não pensei duas vezes e me virei para ela, puxando-a para um abraço.
– Talvez fosse melhor você conversar com ela... Você poderia tirar suas dúvidas e tirar esse peso dos seus ombros... — Aconselhei minha companheira de quarto enquanto deixava-a aconchegada.
– Eu não conseguiria, unnie. E eu nunca tenho oportunidade... — Ela me confessou baixinho. Não pude deixar de sorrir.
– Arrisque, Sohyun-ah. — Fui interrompida pelo som da porta do dormitório se abrindo e Gayoon entrando o mais silenciosa possível. Ela estava fora até agora? Nossos olhares se cruzaram e fui capaz de ver uma exaustão muito parecida com a que eu sentia, senão maior ainda. Desviei o olhar ao sentir Sohyun se mexer nos meus braços de forma desanimada. Tinha perdido a chance dela.
– Boa noite, meninas. — Gayoon nos cumprimentou baixinho, com um olhar sem brilho, deixou sua bolsa no cabide ao lado da porta e se espreguiçou após fechar a porta devidamente.
– Estava gravando, unnie? — Sohyun perguntou. Ela ia gravar alguma coisa? Ah é, chamaram ela de última hora hoje a tarde... Tinha me esquecido.
– Sim, os mc’s foram muito gentis comigo. — Ela sorriu bem de leve e tirou os sapatos para entrar em casa direito.
– Foi divertido? — Eu olhava de uma para a outra. Sohyun estava disfarçando o fato de estar desapontada, e Gayoon fingia que estava tudo bem. Eu só estrago as coisas por aqui? Eu só queria ajudar a maknae!
– Foi sim, só um pouco cansativo. Bom... Vocês estão vendo a hora que estou chegando...
– Sim... Unnie, vá tomar um banho para relaxar e vá dormir!
– Não! — Falei sem pensar e vi as duas me olharem confusas. — Ga, eu queria conversar com você... E... Tinha que ser hoje. — Olhei diretamente nos olhos dela, pedindo para ela não perguntar, apenas aceitar. — Sohyun-ah, se importa de dormir no quarto da Ga hoje? — Gayoon continuava olhando diretamente para meus olhos com uma expressão única e um olhar sem brilho.
– Tudo bem. Vou pegar uma troca de roupa e vou tomar um banho, daí... Eu volto pra cá? — Ela me perguntou e eu apertei um pouco Sohyun.
– Sim, acho que aqui é melhor. — Falei evitando pensar em estarmos só nós duas no meu quarto. — Ou no quarto, você que escolhe onde for melhor. — Ela realmente acha que eu tenho o que dizer? Mas... Eu só queria tirá-la do quarto dela... Será que ela vai entender?
Gayoon foi até o quarto que ela e Hyuna dividiam, e quando ouvimos o som da porta do banheiro fechando, Sohyun começou a me dar vários beijos no rosto. Eu sei que ela gosta da Hyuna, e eu desconfio que o sentimento seja recíproco. Estou feliz pelas duas, e por poder ter facilitado um pouco para elas. Mas eu vou ter que enfrentar Gayoon agora. Suspirei inconscientemente e me levantei, segurando as mãos de Sohyun.
– Vai lá. E seja sincera com ela.
– Mas e se ela estiver dormindo? — Me perguntou preocupada.
– Sohyun-ah, acho que Hyuna não está dormindo ainda. Deve estar no computador ou tirando fotos de madrugada. — Sorri de forma tranquila para ela.
– Certo então. Boa noite, unnie. Descanse, e faça a Gayoon-unnie descansar também. Cuide bem dela! — Ela me pediu num tom super fofo.
– Hwaiting! — Exclamei baixinho para ela, e ela sumiu no corredor dos quartos sorrindo. Sentei, voltei a encostar as costas no sofá e fechei os olhos, evitando pensar em qualquer coisa. Pensar significaria ficar nervosa. E agora era bom eu estar normal, certo? Estou cansada, ela está cansada... Qualquer coisa explico a situação das lindas das nossas 2Hyun.
Ouvi ela sair do banheiro alguns minutos depois e andar pelo corredor, bater na porta de um quarto e desejar boa noite para a nossa Jihyun de um jeito amável. Sim, no lugar dela eu faria a mesma coisa, e acho que Jihyun pediu para a Ga avisar quando chegasse. Continuei pensando nesses detalhes quando senti um cheiro suave de sabonete e óleo para pele contagiar o ar ao meu redor. Um cheiro de amêndoas. Abri os olhos e a vi de shorts e uma regata de pijama, sentando encolhida no outro sofá e me analisando, enquanto abraçava uma almofada.
– Não quer falar comigo, não é? — Ela me perguntou. Nossa, ainda sou transparente para ela? Será que ela sabe porque... Porque me afastei?
– Eu queria facilitar para as duas... Você ouviu se elas estão conversando? — Perguntei olhando para ela, ainda com a cabeça encostada no sofá.
– Não reparei... Tinha esquecido delas até voltar pra sala. — Ela me respondeu num tom baixo e preguiçoso.
– Está com fome? Posso ver algo para você comer. Deve ter sido puxado trabalhar até agora... — Comentei me levantando.
– Não, não... Eu comi alguma coisa no caminho aqui pra casa... — Parei de me levantar e sentei novamente.
Ficamos em silêncio. Gayoon desviou o olhar para o centro da sala, algum ponto perdido no chão, e eu a observava como não fazia a muito tempo. Eu não sabia o que dizer. Eu deveria tentar conversar um pouco com ela, demonstrar interesse pela vida dela. Mas eu estava sendo indiferente quanto ao motivo dela chegar tão tarde, e insensível em não puxar um assunto. Gayoon, se as vezes eu soubesse o que você está pensando... Quando eu achei que ficaríamos em silêncio até amanhecer, ouvi a voz dela em uma das formas que mais me agradavam. Ela cantava, e cantava para mim. Somente para mim.
“Nareul bomyeon ni, maeum heundeullil su itge.
Neoreul saenggak hamyeon deo,
Geo ure bichin, nae moseubeun machi,
Neomu yeppeunde, neoneun jakku wae,
Dareun saenggakman haneunji, wae nal boji anhneun geonde?”
(http://www.youtube.com/watch?v=whPkM-w_Zv8)
Sentei mais reta que o normal observando-a. Eu me lembrava dessa performance. Foi em uma das premiações de final de ano, se não me engano no MBC Gayo! Ela preparou um solo apenas de um pedaço da nossa música promocional, e apresentou apenas ao som do piano. Mas dessa vez ela olhava direto em meus olhos. Senti novamente tudo que senti ao ouví-la cantar daquela vez no palco enquanto esperava nosso momento de entrar no palco. E naquela vez ela estava linda. Um vestido lindo, um olhar lindo, um penteado lindo. Ela estava linda. Estava radiante. Agora, por outro lado, eramos apenas nós duas, sinceridade, exaustão e medo de trocarmos palavras e olhares.
“Então, quando você olhar pra mim eu serei capaz de fazer seu coração tremer.
Quando eu penso em você eu vejo um reflexo no espelho,
Minha aparência é mais intensa do que qualquer outra coisa,
Embora eu seja tão bonita, como você pode continuar
Pensando em outras coisas? Por que você não pode simplesmente olhar pra mim?”
Pensei lentamente nas palavras cantadas. Gayoon suspirou e sustentou o olhar no chão. Continuava sem brilho algum, mas dessa vez tinha uma sombra de mágoa também. Ela está me dizendo o que estou imaginando? Sustentei o olhar em silêncio, sem criar coragem de quebrar o contato visual e sem pensar numa resposta à altura. Não precisei. Gayoon resolveu isso para mim. Ela se levantou deixando a almofada no sofá e andou lentamente até meu quarto, entrou e encostou a porta.
Continuei olhando para a porta do quarto enquanto permanecia sentada no sofá da sala. Eu realmente estou confusa. O que ela quis dizer com esse trecho de música? E porque me olhava daquele jeito? Eu não consigo decifrar essa garota... Porque ela não pode só chegar e me falar o que ela quer? Porque ficar fazendo esses enigmas e me deixar pensativa? Só porque eu fiz quase a mesma coisa com ela quando me afastei? Tive vontade de ficar na sala esperando a hora que as outras meninas iam sair dos quartos, mas me senti culpada. Eu vou mesmo tratar como se aquilo não fosse importante para mim? Como se ela não fosse alguém importante? Senti minha cabeça pesar, soltei um grunhido frustrado, levantei e fui atrás dela.
Abri a porta com cuidado e antes de entrar espiei o cômodo. Ela estava sentada na cama de baixo do beliche, olhando para o chão totalmente sem expressão e com as costas encostadas na parede, com as pernas cruzadas e as mãos apoiadas no colchão de forma reta, como se estivesse se apoiando. No quarto podíamos ouvir perfeitamente os risos do quarto ao lado. Acredito que 2Hyun tenham se acertado mesmo. Criei coragem, entrei no quarto e fechei a porta, sentei ao lado dela e... Respirei fundo antes de segurar a mão dela com cuidado e um pouco de receio ao chamar a atenção dela. Percebi que ela se assustou e sorri tranquilizadora para ela. Ela ficou me olhando e sustentei novamente o olhar, observando-a um pouco sem jeito enquanto me fazia soltar a mão dela. Realmente ela nunca aceitaria namorar comigo.
– Já faz um bom tempo... — Gayoon comentou baixinho, olhando para a frente de novo. Concordei num grunhido enquanto ouvia mais uma explosão de risadas no quarto ao lado. — Parece que com elas está tudo bem. Que inveja.
– Sim... Mas ainda bem, não é? — Olhei sorrindo para ela. Estou super feliz por ela estar aqui comigo. Mesmo.
– Sim, elas merecem ser felizes. — Gayoon respondeu baixinho e soltou um suspiro que para variar eu não consegui interpretar. Mas eu sei que ela está incomodada com alguma coisa.
– Podemos conversar?
– Sobre o que? — Ela me olhou curiosa, ainda visivelmente incomodada. Essa conversa está muito lenta. E a hora passa. Só agora que percebi como o tempo passou desde que ela chegou. Será que se eu tentar conversar com ela, podemos voltar pelo menos a amizade?
– Sobre... Nós.
– Ji... O que você acha que temos para conversar sobre nós? — Ela me perguntou suspirando desanimada. Boa pergunta essa que ela fez.
– Eu preciso me desculpar com você. — Ela me olhou confusa. Engoli em seco e continuei a falar, sem pensar, apenas dizendo o que meu coração pedia. — Esses últimos meses nós acabamos nos separando, e não foi por sua causa. Foi por minha, sabe?
– Jiyoon, do que você está falando? — Ela perguntou, mas parecia completamente desconfortável. Isso não é muito comum de acontecer.
– Eu... Fiquei incomodada. Nas performances da United Cube somos obrigadas a ficar muito próximas, sabe? Eu fico pensando nas reações das pessoas, ao mesmo tempo que vejo a nossa proximidade e me sinto... Intimidada.
– Intimidada? — Abaixei a cabeça e suspirei mais uma vez. Continuei falando olhando diretamente para as minhas próprias pernas.
– É intimidante estar tão próxima de você. Você é uma grande pessoa, sabia? Eu invejo tanta coisa em você... Sua voz, você é linda... Parece que você tem uma facilidade de se proteger e de passar segurança para quem está do seu lado... E eu sou... Sou a pessoa do seu lado que sorri por ver você bem, ou que quer estar ao seu lado mas só te machuca... Você entende como isso pode ser intimidante e frustrante? Você é exatamente como uma princesa de contos, enquanto eu... Sou somente eu.
Esperei por uma resposta que tinha certeza que não viria. Acredito que se estivesse na situação dela, não conseguiria pensar numa resposta. E agora que falei isso para ela, me vejo como uma boba. Como se só agora tivesse percebido como fui infantil e egoísta. Continuei encarando minhas pernas enquanto ouvia sons estranhos e engraçados passando pela parede, mas não tive coragem de erguer o olhar. Se fosse antes, nós duas nos olharíamos e daríamos gargalhadas que poderiam ser escutadas no prédio inteiro, enquanto fazíamos uma lista de coisas para zombar das meninas no dia seguinte. É, bons tempos. Agora ficou apenas o silêncio perturbador, o clima pesado, os barulhos esquisitos e o som de tic tac dos dois relógios do quarto.
– Você consegue imaginar como me deixou confusa? — Ela perguntou com voz fraca alheia aos sons que ecoavam pelo quarto, me obrigando a erguer o olhar e vê-la mordendo o lábio e encarando o chão de novo, segurando o ar com força dentro de seus punhos apoiados em suas pernas. — Eu perdi a conta de quantas noites eu passei em claro pensando o que foi que eu tinha te feito. Tentando descobrir o que tinha te chateado a ponto de você se afastar de mim... De tentar me tirar da sua vida. Quantas vezes não vi você falando com as outras meninas e senti inveja por não estar no lugar delas... Não podia olhar nos seus olhos... — A voz dela tremia. — Não podia rir com você, segurar sua mão. Até mesmo perguntas como se você dormiu bem eu comecei a guardar...
– Ga... — Eu via como ela estava ficando nervosa e fiquei aflita. Não era minha intenção, eu só queria me desculpar... Eu sabia que tinha afastado ela, mas ver ela assim e saber que a culpa é minha...
– Você segura a mão da Jihyun nos aviões ao invés da minha, sendo que eu comecei a tentar te ajudar. Você conversa com a maknae, abraça a maknae, e parece nem notar mais minha existência. Você brinca com a Hyuna, enquanto me ignora... E eu fiquei de lado esse tempo todo, porque eu te deixo intimidada? Por que eu te intimido por você me admirar um pouco? — Meu coração começou a se despedaçar. Ela tremia, mordia o lábio, não conseguia controlar a voz... E agora não consegue conter as lágrimas. E isso me fez ajoelhar na cama de frente para ela e segurar carinhosamente as suas mãos, tentando aliviar a força que ela usava ali, enquanto chorava timidamente junto com ela. — Você acha que eu não te admiro também? Acha que não tem nada em você que eu possa admirar e querer para mim também? Eu queria pelo menos sua amizade, mas até isso me tiraram por bobagem!
– Ga, eu... — Eu estava sem palavras. Eu fui insensível e egoísta com ela. Eu queria me proteger quanto aos meus sentimentos, e acabei machucando seriamente a única pessoa que eu não queria machucar. Que eu não podia machucar. Abaixei os olhos e decidi perguntar uma coisa que sempre esteve na minha cabeça. Agora que começamos o assunto, é melhor ir até o final. — Ga... Porque você desistiu de mim? Porque não tentou voltar tudo ao normal? Se estava tão atormentada, porque não me obrigou a voltar a falar com você?
– Esqueceu das minhas tentativas? — Ela usou aquele tom de voz sarcástico que sempre evitava comigo antes. Aquele que sempre me arrancava risos quando era usado. — Porque claro, eu não tentei te perguntar qual era o problema. Não mesmo... Também não tentei escrever um bilhete para você dizendo que não gostava desse seu jeito estranho, e não escondi na sua agenda junto com uma foto nossa. Nunca te perguntei porque você se afastou, ou mesmo perguntei o que eu te fiz. Nunca perguntei, não é? Fala sério, Jiyoon, o que mais você queria que eu fizesse? Te prendesse no banheiro e te obrigasse a falar? Perguntasse no palco qual era o seu problema comigo?
Comecei a chorar sem vergonha e sem tentar me conter. Ela chorava pelas minhas atitudes. Eu também chorava pelo mesmo motivo. Ela fez o que precisava, eu que não dei chance à ela. Eu que afastei ela daquela forma. E aos poucos ela foi desistindo de fazer tudo voltar ao normal. Eu só posso estar fora de controle para chorar dessa forma, nunca choraria assim normalmente. E para Gayoon deixar o orgulho dela de lado, chorar na minha frente desse jeito depois de tudo, sendo sincera e direta, ela também estava descontrolada.
– Eu... Senti muito a... Sua falta... — Tentei falar enquanto chorava e soluçava, olhando para o rosto lindo dela marcado pelas lágrimas. Ela ficava linda até chorando. Ela também me olhava, com um olhar de mágoa e dor. — Pra mim... Foi hor-rrível! Ga, e-eu te amo... Te deixar de lado foi... — Desisti de falar. Já tinha dito o que não devia. Abaixei a cabeça de novo e fiquei esperando ela me expulsar da cama. Ah, Gayoon... Como você é um mistério para mim...
– Pra você foi horrível? — Ela secou as lágrimas com as mãos, mas não conseguiu se conter e continuou chorando. Soluçava baixinho num ritmo acelerado. Meu coração doía mais do que eu imaginava que podia suportar. Por favor, Gayoon, pare de chorar! — E para mim? Minha amiga virou as costas para mim! Para mim também não foi fácil! Meu amor me abandonou e ficou tratando nossas amigas cada vez melhor, enquanto parecia que eu não era nada para ela! — Gayoon olhou para a parede constrangida. — Que nunca fui nada...
O assunto acabou. Ergui o rosto confusa com o que acabei de ouvir e fiquei observando sua feição triste. Não consegui me segurar, me aproximei e puxei-a contra o meu corpo, envolvendo-a num abraço. Eu só fui perceber como eu tremia quando estava com ela nos meus braços daquela forma. Apertei-a forte contra meu corpo enquanto as palavras dela iam e voltavam na minha cabeça. Ela acha que nunca foi nada? Eu realmente deixei parecer isso? E além disso... Ela falou em “meu amor”? O que ela quis dizer com isso? Lembrei do momento na sala, que ela começou a cantar baixinho uma música nossa. Não consegui evitar de soltar um risinho nervoso perante toda essa situação.
– De repente entendi todo o significado da nossa música. — Comentei baixinho no ouvido dela e continuei abraçando-a enquanto esperava ela se acalmar um pouco. Posso não ter dito nada, mas apenas estar tendo esse contato com ela deve ser o suficiente para acalmá-la um pouco. Demorou mais do que eu esperava para ela voltar ao normal e se acalmar. Dei mais alguns minutos para o ritmo dos soluços também diminuírem, soltei minha amiga e procurei seu olhar calmamente. — Gayoon... Heo Gayoon, olha pra mim. — Segurei o rosto dela com carinho e fiz ela me olhar, vendo seus olhos levemente vermelhos e seu rosto molhado. Sequei-o com as mãos calmamente e observei enquanto ela fechava os olhos com o toque. — Preciso te contar uma coisa.
– Estou ouvindo... — Ela respondeu com voz rouca. Era agora ou nunca, certo?
– Eu te amo. — Falei com convicção e só então percebi que ainda segurava o rosto dela. Soltei-o e abaixei as mãos até as mãos frias dela. Suspirei e olhei para ela, que estava com uma expressão misteriosa para mim de novo. Os lábios entreabertos me fizeram pensar que ela estava surpresa com o que eu disse, ao mesmo tempo que estava pensando sobre minha declaração. Eu arrisquei de vez a amizade com ela quando contei para ela meus sentimentos, mas acho que só assim vou poder confirmar o que me pareceu com o que ela disse agora a pouco. E pior do que já está é difícil ficar, certo?
– E se... Eu também te amar? — Ela me perguntou em tom baixo, abaixando o olhar novamente de forma cautelosa.
– Então acho que eu vou me tornar a pessoa mais feliz do mundo. E vou me esforçar para te fazer sentir a mesma felicidade que eu.
– Babo... — Ela soltou minhas mãos e por um momento senti toda minha felicidade indo embora, enquanto pensava que seria rejeitada. Mas minhas esperanças voltaram com toda a sua capacidade quando senti os braços de Gayoon passarem pelos meus ombros e descansarem ao redor do meu pescoço. — Eu sempre te amei...
Foi involuntário, ao ouvir as palavras dela, abri um sorriso que nem sabia que poderia dar. Passei meus braços em sua cintura e deixei uma das minhas mãos segurando suas costas. Meu coração batia completamente fora de ritmo, de forma até um pouco dolorosa de tão forte e rápido. Mas eu estava feliz. E eu sentia o corpo dela quente junto ao meu, sentia o cheiro do corpo dela misturado ao cheiro de óleos de banho e sabonete, e percebia que aquilo poderia sim ser real ao invés de um sonho bom e ousado.
– Você pode me desculpar? — Perguntei quase sem perceber. Minha pergunta soou mais como um pedido do que como uma pergunta. Esperei pacientemente a resposta dela, enquanto ela respirava fundo e soltava o ar num suspiro lento e contido.
– Eu te mato se você não cuidar bem de mim a partir de agora... — Ela respondeu baixinho com uma voz entre séria e divertida, e eu comecei a rir como não ria a muito tempo. Me sentia muito mais leve. Me sentia feliz. Para completar a felicidade que eu sentia, só faltava uma única coisa. Respirei fundo tomando coragem e soltei-me do abraço dela, olhando para seus olhos com o máximo de carinho que eu conseguia. Não era difícil. O carinho que eu sinto por essa garota é da mesma intensidade que o amor que eu sinto pela mulher que estava na minha frente.
Levei uma mão calmamente até seu rosto e comecei a fazer um carinho leve ali. Aos poucos ela ia cedendo e relaxando as costas, sentando de um jeito mais solto e se encostando melhor na parede. Aguardei mais um pouco. Queria um sinal de que poderia fazer o que pretendia, o que não demorou quase nada. Ela levou uma mão até a minha e segurou-a cuidadosamente ao mesmo tempo que me sorriu. Meu coração quase parou naquele momento. O lado bom é que eu sei que não é um sonho, porque minhas emoções e sentimentos chegam e vão num ritmo e intensidade tão grande que são capazes de provar que isso está mesmo acontecendo.
Aproximei meu rosto do dela sem pressa, olhando atentamente para seu rosto, querendo memorizá-lo, e assim nunca esquecer desse momento. Quando reparei, estava com um joelho de cada lado de suas pernas e com a testa colada na dela. Ela estava com os olhos fechados, e eu podia sentir sua respiração acelerada no meu rosto, ao mesmo tempo que sentia um cheiro fraco mas agradável de pasta de dente. Não sei como ainda me segurava. Fechei meus olhos e uni nossos lábios com uma calma que me surpreendeu. Realmente, nesse momento eu tinha todo o tempo do mundo. Eu não precisava ter pressa.
O primeiro contato foi morno e terno. Senti meu corpo inteiro arrepiar, ao mesmo tempo que senti ela estremecer junto do meu corpo. Levei novamente minha mão para o rosto dela enquanto movia os lábios com cuidado sobre os dela, sendo correspondida com um carinho que eu nunca havia sentido. Heo Gayoon, como você consegue ser tão misteriosa e guardar tanta coisa dentro de você? Eu perdi completamente a noção de tempo enquanto mantinha nossos lábios unidos numa dança que obedecia um ritmo lento e cativante, ditado pelos nossos próprios corações.
Só fui me dar conta de que estávamos nisso a um bom tempo quando ela me fez parar e sorriu do jeito mais lindo que eu já vi. Senti meu peito pedir por mais. Meu coração pedia por mais. Aproveitei minha mão no rosto dela e segurei a cabeça dela com cuidado o suficiente para puxá-la para outro beijo. Dessa vez eu queria provar um pouco mais. Logo no começo do beijo passei minha língua lentamente pelos seus lábios e senti ela estremecer de novo. Segurou minha cintura com um pouco de força quando me permitiu o acesso para onde eu queria. Esse segundo beijo começou tão singelo quanto o primeiro. Aos poucos eu ia conhecendo o que eu queria e deixava ela me segurar enquanto correspondia ao beijo no mesmo ritmo. Mas conforme fomos mantendo o beijo, aquele ritmo lento foi criando uma intensidade que me fazia querer um pouco mais. E mesmo que vez ou outra parássemos o beijo para nos olharmos, cada vez que nossos lábios se encontravam novamente eu aumentava o ritmo e intensidade das carícias que nossas línguas faziam, e ela correspondia prontamente, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Aos poucos fui passando meus braços pela cintura dela, me aproximando mais, e ela me abraçava segurando minha camiseta com um pouco de força. Fui desistindo de me conter, e aquele beijo calmo agora era um beijo intenso e profundo, enquanto eu explorava a boca dela e ela se preocupava em brincar com a minha língua em um ritmo intenso e gostoso. Quando senti um pouco de falta de ar, rompi o beijo de forma calma e comecei a beijar o rosto dela, indo até sua orelha, lambendo-a um pouco, descer os lábios inconscientemente para o pescoço dela e começar a beijar e mordiscar ali, ouvindo-a suspirar e ofegar várias vezes pelo toque dos meus lábios ali.
Quanto mais eu mordiscava e chupava seu pescoço, mais ela puxava minha blusa e suspirava meu nome. Levou uma mão por baixo da minha camiseta e ficou passando os dedos pelas minhas costas, enquanto a outra mão puxava a camiseta com força. Não aguentei a situação, soltei um risinho e decidi provocá-la mais um pouco, pensando em qual seria sua reação.
– Você sempre teve vontade de arrancar minha roupa, não é?
– O-o q-que?? Do que você t-tá falando, Jiyoon?! — Ela ficou completamente sem jeito e eu soltei mais um risinho enquanto admirava aquele rosto lindo levemente corado.
– Não é a primeira vez que você tenta arrancar minha roupa num puxão, não é? — Brinquei com ela e dei um selinho em seus lábios. — Mas da outra vez você conseguiu me despir em um único puxão... Perdeu o jeito, hein Ga... — Soltei mais uma risada e levei vários tapas no braço enquanto ela fazia uma expressão muito fofa junto com um biquinho. — Ya, ai, ai, ai! Violent Princess! Já não basta ameaçar me matar, ainda tem que ficar me batendo e tentando rasgar minha roupa??? Assim não dá!
(http://img823.imageshack.us/img823/9503/1009232yoon2.gif)
– Você quer morrer? Hein Jiyoon? É por isso que está falando essas coisas? — Continuou me dando alguns tapas, diminuindo o ritmo deles aos poucos. — Se quer tanto assim posso te ajudar!
– Não, Princesa... Eu quero é você. — Falei sem perceber e meu rosto inteiro esquentou em menos de um segundo, ao mesmo tempo que eu vi o rosto dela ficar pálido pela minha resposta. Mas sinceramente, sou louca por ela a muito tempo... Estou realmente me segurando para não avançar rápido demais... Naquele momento eu estava apenas me guiando pelo meu desejo, e testando até onde ela me deixaria ir. Mas não consegui evitar de tirar a regata de pijama dela de um jeito provocante e voltar a beijar seu pescoço enquanto segurava as mãos dela, aproveitando que ela ainda estava sem reação pela minha resposta.
Gayoon continuava suspirando e ofegando dependendo de como eu a tocava. Cada reação dela me provocava cada vez mais. Desci meus lábios até a base do seu pescoço e comecei a mordiscar seu ombro, enquanto eu sentia ela mover a cabeça para o lado oposto, facilitando completamente o acesso àquela área para mim. Afastei a primeira alça do sutiã dela, e calmamente continuei a provocá-la ali, enquanto provava o gosto daquela pele que eu tanto tempo esperei para poder tocar. Ergui o rosto novamente, dei-lhe mais um selinho e desci os lábios para a base do pescoço dela do outro lado que o anterior, provocando-a como antes, porém dessa vez afastando a segunda alça do sutiã dela. Assim devia ficar tudo mais fácil.
– Jiyoon... — Gayoon suspirou me chamando e eu arrepiei da cabeça aos pés. — Jiyoon...
Desci os lábios novamente, trilhando um caminho até o seio dela, puxei o sutiã dela para baixo e admirei o corpo à minha frente por pouco tempo para não deixá-la constrangida. Soltei a peça de roupa e removi-a para poder ter uma visão melhor do corpo dela. Me perdi naquela visão. Admirei cada canto do corpo sem roupa dela demoradamente, sendo expulsa dos meus pensamentos ao levar mais um tapa de leve no meu ombro.
– Pare de me olhar com essa cara de... De... Você está me assustando! — Ela estava completamente vermelha, e tentava proteger o corpo com os braços de um jeito extremamente fofo. Sorri.
– Você é linda... Muito linda, sabia? Você me causa coisas, Ga. Sentimentos, vontades e desejos... — Falei baixinho enquanto aproximava meus lábios do corpo dela. Quando alcancei o primeiro seio, comecei a mexer nele lentamente, de um jeito tímido e sem experiência, mas foi o suficiente para ouvir um gemido baixo de surpresa vindo dela.
Foi o suficiente para me fazer perder a cabeça e começar a lamber e chupar com toda vontade aquele ponto que causava expressões tão lindas no rosto da garota que agora eu posso chamar de minha. E enquanto eu estimulava-a, observava suas expressões com atenção. Continuei provando-a e ouvindo-a gemer cada vez mais rápido, embora ela tentasse se controlar para não chamar a atenção das meninas do outro quarto. Estava para trocar o seio que estava tocando quando ouvi um barulho alto e estranho, que me fez começar a rir como nunca, e fez Gayoon ficar tão constrangida que deitou na cama escondendo o rosto e o corpo sem roupa enquanto me acompanhava nas risadas.
– Princesa, achei que você tinha dito que já jantou! — Consegui me controlar por alguns segundos, tempo o suficiente para perguntar o porque do estômago dela fazer aquele barulho tão alto.
– Mmmmamaqimmmmm da! — Ela grunhiu com o rosto ainda escondido. Ou pelo menos foi isso que eu ouvi ela falando.
– Não entendi nada. — Fiquei preocupada e já estava levantando da cama para levá-la até a cozinha, mesmo que ainda risse do que acabou de acontecer.
– Eu não falei nada, só praguejei por ter feito esse barulho agora... — Ela levantou protegendo o corpo com os braços e me olhou séria, ficando extremamente linda e um tanto sexy com o rosto mais vermelho que todas as vezes que já vi. — Olha pra lá!!
Ri do constrangimento dela e me virei para a porta. Mal sabe ela que eu conseguia observar tudo pelo espelho do quarto, mas é melhor ela não saber mesmo dessa parte. Observei-a vestir novamente a regata do pijama, olhar para si mesma constrangida, tirar novamente a blusa, procurar o sutiã e vestí-lo de uma forma um tanto afobada, me fazendo precisar abafar um risinho de forma discreta para não chamar a atenção. Olhava perdidamente para aquele rosto de anjo. Esperei ela terminar de se vestir, levantar e abraçar meu braço, e procurei a mão dela carinhosamente, segurei-a e entrelacei meus dedos nos dela. Sorri carinhosamente para a minha companheira e puxei-a para a cozinha em silêncio, determinada a cuidar dela.
Fiz minha princesa sentar enquanto procurava alguma coisa para ela comer, e ela apoiava os braços e a cabeça na mesa e descansava um pouco. Achei algumas coisas que ela poderia gostar de comer e levei até a mesa servindo-a. Ela se endireitou e sentou mais próxima de mim, e começou a comer lentamente, enquanto conversávamos sobre algumas coisas. Fazia muito tempo que não nos falávamos direito, então assunto não vai faltar. Nós rimos, conversamos, trocamos alguns segredos... Estávamos completamente à vontade. Eu encostei minha cabeça no ombro dela, após ter abraçado seu braço, e Gayoon me fazia carinho na cabeça de forma amável.
Nos assustamos quando ouvimos duas pessoas rindo vindo para a cozinha. Ficamos olhando e vimos Hyuna e Sohyun entrando na cozinha quase gargalhando, avistarem-nos sentadas encarando-as e ficarem um pouco constrangidas.
– Ya! Vocês duas deveriam estar dormindo! — Sohyun falou enquanto nos mostrava um sorriso radiante e nos olhava de uma forma brilhante e expressiva. — Achei que você ia querer dormir, unnie! — Comentou olhando para Gayoon, que sorriu de uma forma calma e feliz.
– Estava terminando de ouvir o que Jiyoon tinha para me dizer, maknae! — Hyuna olhava para nós três e sorriu, fazendo um pouco de aegyo que minha menina e eu fizemos questão de ignorar com todas as nossas forças.
– Vocês já sabem da última novidade? — Ela nos perguntou quase não cabendo em si de tanta felicidade. — Tive uma ótima surpresa hoje! — Olhei para Gayoon e nós duas rimos uma para a outra, enquanto eu observava de canto de olho as duas maknaes se encarando. Eu conheço esse olhar. Elas estão pensando que nós duas voltamos a conversar com os olhos. Voltamos mesmo, finalmente, e isso me deixa cada vez mais feliz. É como se eu mesma ainda não tivesse me convencido do que aconteceu agora a pouco.
– Conta pra gente, Myeona! — Gayoon falou tirando sarro de Hyuna, que fez uma careta pelo apelido.
– Sohyun-ah... Quer dizer... — Ela parou para pensar. — Ela... Ela não, nós... — Fez mais uma expressão fofa e eu vi Gayoon erguendo os olhos reclamando mentalmente pelo aegyo exagerado. — Nós estamos namorando! — Olhamos para o casalzinho e Hyuna abraçou os ombros da nossa maknae, que estava com um sorriso tão feliz e bobo no rosto que parecia nem estar ouvindo nossa conversa. Imediatamente Gayoon e eu começamos a rir juntas, cada vez mais alto.
– Vocês estão loucas!!! — Sohyun pareceu sair de seu mundo dos sonhos e chamava nossa atenção exasperada. — Querem acordar a Namji-Omma?? — Fui parando de rir enquanto Gayoon mal conseguia respirar de tanto que gargalhava pela notícia que as duas nos deram como uma grande novidade inesperada.
– Desculpa! — Pedi ainda me recuperando do acesso de riso enquanto balançava e abanava a garota ao meu lado para que parasse de rir. — É que para nós não é bem uma novidade...
– Como assim?? — As duas ficaram nos olhando completamente constrangidas, o que me fez cair na risada de novo e Gayoon me abraçar enquanto encarava-as.
– Nós imaginamos que vocês iriam se acertar. — Gayoon respondeu como se fosse algo óbvio, enquanto trazia no rosto uma expressão de dúvida quanto à reação das duas. — Vocês ainda não tinham percebido que uma gostava da outra?
– Ya! — Hyuna soltou um gritinho agudo enquanto Sohyun tampou a boca dela e Gayoon abriu um sorriso, deixando claro que estava pronta para provocá-las de todas as formas que conseguisse pensar.
– Ixi, maknae... Acho que vai ter que obrigar a sua namorada a falar baixo! Que tal nos mostrar como faria isso? — Levei um dedo até os lábios dela silenciando-a, enquanto ela abaixava o olhar e as duas maknaes nos observavam confusas e um pouco constrangidas pelo comentário dela.
– Você por um acaso teria algo contra Sohyun silenciar a Hyuna agora, Gayoon? — Perguntei num tom de desafio, tentando olhar direto nos olhos dela, enquanto ela soltava um risinho e me soltava do abraço.
– Nenhum, só acharia fofo ver as duas sem graça depois. — Ela comentou com um sorriso sincero que fez as duas arregalarem os olhos e me causou mais um ataque de risos. Levei mais um tapa no braço enquanto ela fazia um bico. — Não ria de mim!
– Não estou rindo de você!!! — Continuei dando risada, quase não me aguentando mais sentada. Hyuna olhava para nós como se nos analisasse, e pareceu pensar muito bem antes de se pronunciar.
– Faz muito tempo que eu não vejo vocês duas assim... — Ela comentou ainda nos encarando pensativa, o que fez Sohyun nos olhar também curiosa.
– Verdade! Unnie, tem algo a ver com a conversa que vocês estavam tendo?
– Que conversa, maknae? — Foi nossa vez de ficar confusas.
– Você queria que Gayoon-unnie fosse dormir no seu quarto para que você pudesse falar com ela, não é? — Ela me olhou de um jeito curioso e inocente.
– Na verdade, achei que se vocês estivessem no mesmo quarto... Vocês duas se acertariam. — Sorri para elas. — E deu certo. De coração, parabéns para vocês duas!! — Ambas olharam para baixo sem graça novamente. Agora sabiam que tinha sido só uma armação minha.
– Mas nós estávamos sim tendo uma conversa importante, meninas. — Gayoon comentou séria, levantando da cadeira e levando a louça para a pia. Acompanhei-a de canto de olho. Não entendi o que ela estava querendo dizer. — Se não fosse por esse momento que Sohyun nos deu, talvez ainda não estivéssemos nos falando como antes. — Senti meu rosto esquentar pela lembrança de ter me afastado dela por bobagem. Se eu tivesse tido mais coragem...
– Hey, Neunggeuli Gayoon... Você andou chorando? — Hyuna se aproximou de Gayoon enquanto ela lavava a louça, o que me fez levantar rápido demais e quase derrubar a cadeira que estava sentada.
– Não é da sua conta, Myeona! — Mesmo estando um pouco apreensiva pelo rumo da conversa, abri um sorriso tímido pelas provocações que elas se faziam.
– Ya! Pare de me chamar assim! — Hyuna protestou fazendo uma careta fofa, que fez Sohyun quase se derreter ao meu lado.
– Pare de se meter onde não é chamada e paro de te chamar assim, Myeona! — Gayoon aproveitou as mãos molhadas e moveu-as rapidamente na direção da companheira de quarto, molhando-a. Hyuna se encolheu um pouco se protegendo da água e foi se esconder atrás da maknae enquanto fazia um bico e eu sorria.
– Mas eu fico feliz que vocês duas estejam se falando... — Sohyun comentou e eu abaixei o olhar sem ver a reação de Gayoon. Sim, eu também estou feliz por isso. — Acho que deviam ter conversado antes. Tanto por nós quanto por vocês...
– Também acho! — Hyuna concordou fazendo aegyo na voz. Nossa, isso tá me enjoando já. — Só é uma pena que pareça que você estava chorando. — Hyuna foi completamente ignorada. Nada fora do normal, já que essas duas só se bicam, mas se amam.
– Não se engane, maknae. — Ergui os olhos perplexa. Não fazia ideia do que ela queria dizer com isso e tinha certeza que minha reação deixou isso bem claro para as duas recém chegadas no cômodo. Gayoon terminou de lavar a louça que estava usando e colocou no escorredor, pegou um guardanapo e secou as mãos sem pressa. — Acredito que nossa conversa ainda não acabou.
– Não? — Perguntei confusa e visivelmente nervosa. Faltou conversarmos sobre alguma coisa? Mas não estava tudo certo entre a gente, agora?
– Nós... Terminamos a conversa? — Ela me perguntou abalada. Virou na minha direção e encostou na pia, com aquele olhar quase sem brilho que estava me incomodando todos esses dias. Hoje vi algo pior ainda, vi um olhar vazio e sem brilho algum, de alguém quase sem esperanças, mas esse olhar também me machuca. E foi analisando o olhar dela que comecei a desvendar um dos mistérios de Gayoon. Sorri para mim mesma e entendi o que ela estava querendo dizer.
– Não, você tem toda razão. — Desencostei da mesa e sorri para ela da forma mais doce que conseguia. — Falta finalizarmos o assunto mesmo. — Andei lentamente até ela, esquecendo a presença das duas maknaes na cozinha conosco, segurei suas mãos com carinho e olhei diretamente nos olhos da minha Gayoon. — Heo Gayoon, podemos terminar o assunto agora?
Ela me olhava confusa. Eu não sei porque exatamente pedi permissão, mas admirava o rosto perdido dela com um sorriso bobo no meu. Apertei um pouco suas mãos com as minhas, e ela abaixou a cabeça antes de concordar com o meu pedido. Soltei uma de suas mãos e segurei seu rosto com cuidado, e fiz ela me olhar. Sorri mais abertamente e toquei no ponto que percebi que ela queria.
– Você vai ser minha namorada, não é? Você vai considerar isso um pedido, e vai estar sempre ao meu lado como a minha garota e me fazer a sua garota, não é? — Ela continuava em silêncio. Eu fiquei em silêncio. Eu sabia a resposta, então para mim foi normal esperar aquela resposta. Eu não precisava de pressa. A partir de agora eu tenho todo o tempo do mundo para ela.
– Achei que não iria perguntar... — Ela me abraçou com força e retribui o abraço de forma acolhedora e protetora, e com os olhos fechados me entreguei novamente às emoções de estar junto dela. Fomos chamadas de volta ao mundo real com o som de palmas das duas garotas que nos assistiam, nos deixando sem graça e cada uma olhando pra um lado diferente.
– Achei que eu tava enganada quando pensava que Gayoon gostava de você, Jiyoonit... — Hyuna comentou sorrindo e observei os olhos de Sohyun brilhando novamente. Ela se aproximou de nós e nos abraçou forte.
– Parabéns, meninas! Vocês merecem pessoas que gostem muito de vocês, e se vocês se gostam, melhor ainda!
Sorri agradecida e olhei para Gayoon, que estava vermelha novamente. Parece fácil deixá-la assim. Acho que vou tentar mais vezes, ela fica tão fofa...
– Obrigada, garotas! — Agradeci de coração para elas. Eu mesma não cabia em mim de felicidade.
– Vai ter beijo? Quero ver beijo!! Beijem, vai, por favor!! — Hyuna começou a falar mil vezes a mesma coisa, e Sohyun e eu começamos a rir, enquanto Gayoon fuzilava a companheira de quarto com o olhar.
– Fica quieta, Myeona!
– Não adianta, isso não vai me parar! Beijem logo! — Ela continuava tagarelando alegremente, até que o despertador de Jihyun começou a tocar um som abafado, começando a despertar nossa líder. Olhamos na direção do corredor e nos silenciamos. — Escapou por pouco, Gayoonit! — Hyuna sussurrou provocando a minha namorada. Nossa, agora posso chamá-la de namorada! Isso é tão bom!
– Vai ter volta, Myeona... — Gayoon falou entre dentes, andou até a minha direção e segurou minha mão com um carinho que eu não esperava. — Estamos voltando para o quarto até a hora de levantarmos mesmo. Boa noite para vocês. — Ela começou a andar na direção dos quartos e eu a segui calmamente, sorrindo boba pelo toque da mão dela na minha. No meio do caminho até os quartos, ela se virou para as duas maknae e falou uma última provocação. — Até daqui a pouco. Sohyun, aproveite esse tempo pra ensinar bons modos para a sua namorada! — Me puxou até o quarto, entramos e fechamos a porta.
Já no quarto, Gayoon sentou de qualquer jeito na cama e sentei ao seu lado. Segurei a mão dela entrelaçando nossos dedos e dei um beijo rápido em seu rosto. Vi um sorriso surgir no canto de seu lábio, e dei-lhe um selinho. Ela sorriu mais abertamente e beijei-lhe mais uma vez, antes de fazê-la deitar e me juntar a ela, abraçando-a pela cintura.
– Sabe Ga... Eu não sei nem explicar o que eu to sentindo agora...
– Uhm... Não é como se você precisasse explicar, porque acho que sinto a mesma coisa... — Ela me respondeu e se aconchegou melhor junto ao meu corpo.
– Eu te amo... — Sussurrei em seu ouvido, e ouvi um “também” pronunciado bem baixinho. — Vamos descansar um pouco, agora. Temos muita coisa para contar para Namji mais tarde... Sem contar que você é minha. E eu sou toda sua. Então não precisamos ter pressa, certo? — Dei mais um beijo em seu rosto e ela me sorriu cansada, fechando lentamente os olhos.
– É, você está certa, Ji. Sou sua, e temos todo o tempo do mundo.
Abracei-a melhor e me permiti fechar os olhos. Foi a primeira vez que consegui dormir tão bem depois de tanto tempo, mesmo que fosse apenas por alguns minutos. O que antes era uma preocupação minha, agora era minha razão de felicidade e minha alegria. Naquele momento, os poucos minutos que conseguimos dormir foram o suficiente. Essa era apenas a primeira noite juntas, e como nós mesmas concordamos, não precisávamos ter pressa. Muitas noites bem dormidas poderiam estar vindo.
Afinal, ainda temos todo o tempo do mundo à nossa frente.
Notas finais
Não me crucifiquem, fiz o melhor que pude!!
Não esqueci minha outra fic não, só estou com uma dificuldade inexplicável para terminá-la.
Mereço reviews? Aceito críticas, hein?!
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