All Night Long

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Olá! Faz realmente muito tempo que eu não posto nada no fandom de Saint Seiya/CDZ, ou até mesmo aqui no Nyah (sempre será Nyah para mim) em geral. Eu tava limpando algumas coisas no meu pc e acabei achando essa oneshot aqui e decidi postar :) Espero que vocês curtam a história e que gostem de Aiolia x Mu tanto quanto eu. Boa leitura 🖤 Beijão!

Mu não sabia dizer que horas eram, ou há quanto tempo havia chegado na casa de Aiolos. A bateria de seu celular tinha acabado pouco tempo depois que chegara ali. Sentado em um sofá de três lugares, Mu segurava um copo preenchido por algum coquetel que ele desconhecia. Suspeitava de que fosse o mesmo que Afrodite estava bebendo ao seu lado direito, já que fora ele quem trouxe. Já do lado esquerdo, Shaka se encontrava de mãos vazias, pois se recusara a beber. Na verdade, era até um evento raro ver Shaka numa das festas de Aiolos.

Havia pessoas perambulando para lá e para cá pela casa espaçosa. O anfitrião era importunado pelos gêmeos Saga e Kanon, Aldebaran e Milo faziam uma competição de quem bebia mais enquanto eram observados com desgosto por Camus e Hilda, Shina e Marin pareciam se divertir ao explorar o Just Dance na TV da sala de estar etc. Mu não conseguia se encaixar em nenhum desses grupos e optou por continuar sentado ali com seus amigos.

Remexeu o copo em suas mãos, dando um gole significativo na bebida. Era doce, mas ainda assim havia um fundo amargo e alcoólico no final. Não queria ficar alterado, mas não faria mal beber apenas um drink. O número exagerado de pessoas na casa tornava o ar em volta quente e abafado, fazendo com que algumas preferissem ficar no jardim. Mu considerou comentar a hipótese com Shaka e Afrodite.

Percorreu o local com os olhos, desta vez olhando para a escada que levava ao segundo andar. Aiolia descia de dois em dois degraus, vestindo uma camisa xadrez vermelha e presta, jeans rasgados e coturnos. Os cabelos molhados indicavam um banho recente. Mesmo que não fosse a primeira vez que Mu via Aiolia, ele nunca deixaria de se espantar com a semelhança que este possuía com o irmão mais velho. Era comum confundi-los logo que os conhecia.

Mu conhecera Aiolos através de Afrodite e, consequentemente, conhecera Aiolia também. Nas idas aos pubs e bares, nas poucas vezes em que concordava em ir. Trocaram poucas palavras, mas os olhares discretos estavam sempre ali. Aiolia estava, na maioria das vezes, rodeado pelos amigos de Aiolos, ou então por um grupo de meninas, o que dificultava a aproximação de Mu.

— Cuidado para não babar, Mu. — Afrodite zombou, ao passo em que Shaka fazia uma careta de desagrado.

Pelo que Afrodite havia comentado, Shaka tinha uma boa relação com Aiolos, mas não com Aiolia. Não sabia dizer se havia um real motivo, ou se era apenas implicância do amigo. Sabia que o loiro tinha tendência a julgar cedo demais. Mu apenas se remexeu sobre o sofá, embaraçado.

Surgindo do nada, como uma nuvem de fumaça, Carlo sussurrou alguma obscenidade na orelha de Afrodite, fazendo-o torcer o nariz em desaprovação. De um jeito ou de outro, os dois sumiram dali logo em seguida. Shaka parecia distraído ao analisar as revistas embaralhadas sobre a mesa de centro. Mu aproveitou a oportunidade para se erguer do sofá, deixando o copo sobre a mesa e seguindo até o lado de fora.

A noite de céu estrelado caía sobre ele, mas o clima continuava agradável. Havia menos pessoas do lado de fora. Mu respirou o ar puro, se sentindo mais aliviado. Alcançou o celular no bolso da calça, tentando ligá-lo novamente. Um ícone vermelho surgiu na tela, indicando a falta de bateria do aparelho. Suspirou. Não poderia se comunicar com Shion, ou buscar alguma distração.

Cruzou os braços contra o peito, considerando permanecer ali, ou voltar para dentro. Mu não era tão sociável quanto a maioria da galera que se encontrava ali. Havia aceitado o convite por insistência de Afrodite, que o convenceu a ir, depois de tantas recusas. Era uma programação diferente do que estava habituado a fazer, mas não era exatamente o seu tipo. Ainda preferia ficar em casa, fazendo qualquer coisa.

— Cansado? — uma voz agradável, ainda que um tanto grossa, perguntou atrás dele.

Mu virou cabeça, se deparando com Aiolia, que se aproximava dele com as mãos nos bolsos. O ariano o cumprimentou com um meio sorriso, um pouco surpreso com a presença do outro ali.

— Sufocado, eu diria. — deu de ombros, sem se importar muito com a própria situação.

Aiolia o examinou, percorrendo a expressão de Mu com os olhos verde-oceano. Parecia decidir sobre o que falaria a seguir. O ariano acompanhou o movimento de cabeça que o grego fez, apontando para um Opala estacionado na calçada em frente à casa.

— Os amigos do meu irmão já estão começando a ficarem bêbados demais e eu prefiro deixar essa parte para ele lidar. — Aiolia retirou uma chave do bolso — Ainda é muito cedo para ir para casa. Quer dar uma volta?

Mu crispou os lábios rosados, avaliando a proposta mentalmente. De fato, ainda era cedo. Mas não tinha muito o que Mu pudesse fazer ali, além de observar os outros à sua volta. Afrodite havia sumido com Carlo e provavelmente não apareceria de novo tão cedo. Shaka não moveria um músculo para interagir com quem quer que fosse e o próprio Mu não era tão próximo das demais pessoas da festa. Dar uma volta com Aiolia parecia a oportunidade perfeita de passar um tempo sozinho com ele e ter uma conversa completa com o leonino.

Por fim, Mu assentiu. Não tinha nada a perder.

[...]

Do I Wanna Know preenchia o ambiente quando Aiolia estacionou o carro em um mirante. A melodia calma da guitarra e o timbre doce do vocalista transformavam a atmosfera do momento em algo cúmplice, tentador. Com um mar de infinitos caminhos dos quais poderiam seguir. A escolha só cabia a eles.

O silêncio entre os dois se fazia presente, com exceção da música tocando no pendrive do rádio. Não era desconfortável, mas também não era exatamente como eles desejavam estar. Mu perguntou-se mentalmente se deveria se pronunciar, iniciar alguma conversa aleatória e amena apenas para que se mantivessem em contato, ou se deveria esperar que Aiolia tomasse a iniciativa. Paciente como era, ele não se importaria em acatar com qualquer uma das duas escolhas.

A noite quente de verão, com aquele ar típico de férias, permitia que as janelas ficassem abertas. Uma brisa muito leve tocava o rosto de Mu, bagunçando alguns fios de sua franja, trazendo o cheiro de terra e grama consigo. O local era calmo e estava vazio, já que a maioria dos demais jovens estavam no pub mal frequentado à algumas quadras dali. Pessoalmente, Mu preferia a tranquilidade do mirante e a privacidade que agora tinha com Aiolia. Poderiam conversar melhor, sem a intromissão de seus amigos.

— Há quanto tempo conhece Afrodite? — foi o leonino quem se pronunciara primeiro, capturando a atenção do outro imediatamente.

— Desde os sete anos. — Mu deu de ombros — Nossos pais se conhecem.

Aiolia assentiu, como se a compreensão finalmente recaísse sobre si.

— Aquele loiro entojado também? — voltou a indagar.

Mu riu, uma risada rápida e baixa. Era mais como um barulho de satisfação. Ele já esperava que Aiolia e Shaka fossem implicar um com o outro.

— Sim. — confirmou — Shaka e eu temos gostos em comum, conseguimos conviver pacificamente. Afrodite é o drama e o caos que falta em nosso círculo de amizades.

Mu se virou no banco, ficando de lado para que pudesse encarar o outro rapaz. Quase como uma mímica, Aiolia fez o mesmo. Ambos compartilharam um olhar de interesse. Mu examinou o leonino, a camisa xadrez vermelha e preta contrastava muito bem com o tom de pele bronzeado dele. Com as mangas arregaçadas até os cotovelos, exibindo os antebraços com veias aparentes.

Mu arqueou uma das sobrancelhas ao se deparar com uma correntinha dourada ao redor do pescoço do grego. Sem hesitar, levou a mão direita até ela, puxando um pouco para que pudesse tirá-la de seu esconderijo dentro da camisa de Aiolia. Um pingente de flecha adornava o acessório.

— Presente de aniversário. — Aiolia explicou, sem se importar com o toque do ariano. Na verdade, pelo contrário.

— Aiolos? — Mu devolveu, supondo.

— Exato. — sorriu ao lembrar do irmão. — Ele também usa uma. A dele tem um pingente de arco, que completa a minha flecha. É cafona, eu sei.

— É fofo. — Mu riu novamente, achando uma gracinha o constrangimento repentino do outro ao falar sobre o presente.

Aiolia negou com a cabeça, mas acompanhou Mu na risada. O ariano era contagiante, além de ser excêntrico. Era praticamente impossível para Aiolia desviar os olhos dele, ou não se sentir hipnotizado pelos seus movimentos. Mu havia lhe fisgado facilmente. E isso instigava Aiolia. Ele estava acostumado a seduzir, e não a ser seduzido.

— Tem isso aqui também. — o leonino dissera, enquanto levantava um pouco mais a manga do braço esquerdo, mostrando uma tatuagem de raio na linha que separava o braço e antebraço — Aiolos tem uma igual.

— Vocês são realmente muito próximos. — Mu observou e Aiolia assentiu, concordando.

Ambos se calaram novamente, Mu continuou sua análise intensa da aparência do grego. A camisa justa deixava os músculos de Aiolia bem marcados sob o tecido. Assim como a calça também não fazia esforço algum para esconder o que o leonino guardava ali. Mu sentiu um rubor ameaçar subir pelas suas bochechas ao fazer tal observação, imediatamente desviou o olhar para cima outra vez. Os olhos verde-oceano de Aiolia o encaravam com a mesma intensidade na qual era analisado por si.

Mu sentiu-se como uma criança que era pega no flagra fazendo algo sapeca. Empurrou uma mecha do cabelo longo para trás da orelha, sem querer desviar o olhar, mas sem saber o que fazer também. Uma movimentação ao seu lado quebrou a dúvida.

Aiolia desabotoava um por um dos botões da camisa xadrez. Sem pressa alguma. Para alguém como ele, os movimentos eram surpreendentemente lentos. Contudo, mesmo com toda essa demora, Mu não teve tempo de questionar o que o grego estava fazendo. Na verdade, ele sequer conseguiu abrir a boca para falar algo, pois estava ocupado demais preso à cena que se desenrolava à sua frente. Acompanhou cada um dos dedos de Aiolia trabalhando em tirar a peça, sua boca secando conforme o encarava, como se ansiasse pelo final, quando a peça finalmente fosse completamente retirada.

Para a insatisfação de Mu, isso não aconteceu. Aiolia apenas abriu os primeiros botões da camisa e expôs um dos ombros para mostrar a tatuagem de leão que ali havia. Mesmo com essa pequena abertura, Mu podia ver alguns relances do abdômen definido do leonino sob a penumbra da noite. Céus, e em pensar que ele era apenas um ano mais novo do que si...

Quando Mu ergueu os olhos outra vez, Aiolia o encarava com certa expectativa, e então o ariano percebeu que passara tempo demais observando o corpo esculpido do mais novo. Arranhou a garganta discretamente, querendo garantir que sua voz não falhasse enquanto falava.

— É a sua cara. — foi tudo o que conseguiu dizer.

— Obrigado? Vou levar isso como um elogio. — Aiolia respondeu, não parecia nenhum pouco incomodado por estar sendo tão avidamente obsevado pelo outro.

A tintura preta da tatuagem era forte sobre a pele um tanto avermelhada da região, indicando que era recente. O leão era relativamente grande e, numa área como aquela, Mu imaginava que deveria ter doído ao menos um pouco durante o processo.

Um toque suave sobre sua mão direita o fez piscar aturdido, enquanto Aiolia levava sua mão até a tatuagem, instigando-o a tocá-la. A pele de Aiolia era quente, muito quente. Macia e convidativa. O ariano lambeu os lábios, instantaneamente querendo saber como seria a sensação da pele e músculos do mais novo sob seus lábios. Delicadamente, ele alisou o desenho, sentindo um leve relevo.

Mu podia sentir a respiração acelerada de Aiolia contra a sua mão, entregando o quanto o seu toque o afetava. Sabia o que o leonino queria, ele era transparente demais. Coincidentemente, Mu queria a mesma coisa. A atração inegável que existia entre os dois, a vontade de estarem tão próximos um do outro. Queria dar uma chance aos chamados de seu interior.

— Eu não vou conseguir ir embora sem ao menos um beijo seu. — Aiolia dissera, o tom de voz baixo, para que apenas o mais velho ouvisse, ao passo em que se inclinava na direção dele.

Contrariando seu comportamento sempre tão polido e contido, fora Mu quem avançou e acabou com a mínima distância que os separava. Instantaneamente, suas mãos seguiram até a nuca de Aiolia, os dedos se embrenhando naqueles fios curtos e castanhos, que mais pareciam loiros. O grego foi urgente ao intensificar o beijo, segurando o quadril de Mu, muito, muito, perto de sua bunda. O contato enviou uma onda de arrepios ao seu corpo.

Mu estava sendo excepcional ao acompanhar os movimentos da língua de Aiolia, que explorava sua boca sem pudor algum. A vontade implícita naquele beijo deixava indícios de que já fazia um certo tempo que Aiolia pensava sobre beijá-lo. Mu não sabia como, nem porque havia chamado tanto a atenção do leonino, mas não estava descontente com tal. Nem um pouco, na verdade.

Aiolia mordeu o lábio inferior de Mu antes de deixá-lo respirar ao findar o ósculo. Enquanto o mais velho se recuperava, beijou-lhe o queixo e a mandíbula, descendo em direção ao pescoço. No mesmo instante, Mu estremeceu e Aiolia soube que tinha achado o ponto fraco dele. Provocante, deixou selinhos rápidos sobre o local, mal tocando. O aperto em sua nuca indicava que não era o suficiente.

Com um sorrisinho de lado, o leonino teve seu ego massageado o ver Mu fechando os olhos quando percorreu o pescoço dele com a língua. Simples assim. Sem pudor. Não havia sequer o mínimo resquício de hesitação nos atos de Aiolia, apenas um desejo desconcertante, que rondava Mu como um verdadeiro leão em caçada.

Aiolia encostou seus narizes, segurando o rosto do mais velho com a mão livre. Era um tanto áspera e calejada, de quem não se importava muito com cuidados. Mu imaginou que deveriam ser efeitos dos equipamentos da academia que Afrodite comentara uma vez, onde vira o leonino malhando. Mu colocou sua mão sobre a dele, apertando um pouco.

Aiolia o encarou com uma sobrancelha arqueada, como se indagasse se ele queria continuar a sessão de amassos. Mu sabia que era tarde já, provavelmente por volta das duas da manhã. Deveria estar voltando para casa. Mas, afinal de contas, ele estava ali justamente porque era época de férias. Justamente porque queria estar a sós com Aiolia. E agora não havia nada o impedindo. Nada além de sua consciência, sempre o lembrando do que era correto ou não.

Mas, naquele momento, Mu sabia que não havia alternativas erradas.

O ariano voltou a grudar seus lábios aos de Aiolia, esperando que aquele beijo respondesse à pergunta silenciosa dele. No geral, Mu era bom com as palavras. Mas achou que valia mais à pena agir naquele momento. Não pensaria sobre que horas eram, nem no lugar onde estavam, ou no provável sermão que levaria de seu irmão Shion. Já era maior de idade e tinha consciência o suficiente de suas atitudes.

Como se não pesasse nada, Mu teve seu corpo erguido e puxado em direção ao colo de Aiolia, sentando-se sobre as coxas dele. Mu se apoiou nos ombros largos do grego, sem quebrar o beijo. Seus troncos estavam colados, as respirações seguindo no mesmo ritmo. Todo o corpo de Mu estava em contato com o de Aiolia. E Aiolia era quente, forte e convidativo. Era como se ele atiçasse todas as vontades secretas de Mu. Como um teste ao seu autocontrole.

As mãos de dedos longos do ariano apertaram os ombros de Aiolia, a pele quase como brasa sob seu toque. Mu ousou descer um pouco através das costas, sentindo os músculos do grego se contraírem. Voltou a embrenhar os dedos naqueles cabelos castanhos muito loiros, puxando a cabeça de Aiolia para trás e assim cessando o ósculo. O grego lhe encarou com um ar petulante, os lábios vermelhos e brilhosos, os olhos banhados com encanto e desejo. Mu se sentiu verdadeiramente desejado. E isso enviou uma fisgada em seu baixo-ventre.

Aiolia puxou o elástico que prendia parcialmente os longos cabelos de Mu, fazendo com que uma cascada lilás caísse sobre o corpo esguio dele. Aiolia achava que Mu se parecia muito com um ser místico, quase impossível de ser real. Era o tipo de beleza que você só via uma vez na vida, pois parecia demais para ser verdade.

O ariano grudou suas testas, fechando os olhos enquanto sentia a mão de Aiolia traçar um carinho singelo em suas costas e quadril. Eles se beijaram novamente, desfrutando da solidão do local. A quietude do mirante em nada combinava com o que se passava no interior de ambos, um misto de sensações que se embaralhavam e acabavam transbordando através de ações. De repente, Mu passou a compartilhar do mesmo calor de Aiolia.

— Por favor, me diz que eu não sou o único sentindo isso. — o grego dissera, a voz levemente rouca devido o tempo sem uso.

— O quê? — Mu perguntou, genuinamente confuso. Aiolia o deixava desnorteado.

O leonino guiou uma das mãos de Mu até o lado esquerdo de seu peito, enfatizando os batimentos cardíacos acelerados. A respiração de ambos se misturando e condensando em uma nuvem quente. O clima dentro do carro continuava ameno graças às janelas abertas. Mu deitou a cabeça no ombro de Aiolia, logo depois de depositar um selinho sobre a tutuagem de leão.

— Talvez eu esteja até pior. — o mais velho comentou.

Aiolia riu, fazendo um cafuné nos cabelos lilases do outro. Possuíam um cheio doce, e por mais leigo que fosse no assunto, o grego chutaria que deveria ser o aroma de alguma flor. O pendrive no rádio continuava reproduzindo a playlist de músicas, que eram uma mistura dos gostos de Aiolia e Aiolos. Não fazia a mínima ideia de quantas músicas já haviam tocado, mas algo lhe dizia que já estavam fora há bastante tempo.

Mu fisgou o celular de Aiolia do bolso traseiro da calça dele, conferindo o horário rapidamente. Três e dez da manhã. Estava ferrado. Muito ferrado. Sabia a que ponto Shion se preocupava consigo e provavelmente havia várias chamadas perdidas em seu celular. Mas a culpa não era sua se a bateria tinha acabado pouco tempo depois que chegara na casa de Aiolia e Aiolos. Teria que ser paciente.

— Eu preciso ir para casa. — Mu se pronunciou, devolvendo o celular do mais novo ao seu lugar anterior.

Aiolia arqueou as sobrancelhas, parecendo ter sido pego de surpresa.

— Já? — havia uma certa indignação na voz dele, como se não quisesse deixar Mu ir.

— São três da manhã, Aiolia. — Mu riu — Meu irmão deve estar uma pilha de nervos. É provável que já tenham ido embora da sua casa também.

Aiolia resmungou alguma coisa, concordando a contragosto com o que o ariano dissera. Mu pulou de volta para o banco do carona, enquanto o grego abotoava de volta os botões de sua camisa. Ele ofereceu carona e é claro que Mu aceitou, além da oportunidade de passar um pouco mais de tempo na companhia de Aiolia, ele não arriscaria ir embora sozinho para casa naquele horário.

O caminho foi um pouco mais longo do que o esperado, devido ao fato de estarem no mirante e não na casa dos irmãos. Um seguimento de músicas dos Scorpions acompanhou o trajeto de volta. A mão direita de Aiolia permaneceu grande parte do caminho na coxa de Mu, às vezes apertando a carne da região no ritmo das músicas. Conversaram sobre aleatoriedades, inclusive sobre como a semelhança de Aiolia e Aiolos já haviam lhes rendido problemas.

Mu indicou as ruas nas quais Aiolia deveria seguir para chegaram em sua residência. Quando o leonino estacionou, a fachada da casa se encontrava completamente escura e com as persianas fechadas. Apesar da aparente calmaria, Mu sabia que Shion devia estar lhe esperando sentado na poltrona da sala de estar, com o celular em mãos e uma expressão de poucos amigos.

— Amanhã é a sexta da bebedeira. Seria legal se você pudesse ir. — Aiolia comentou, girando a cabeça para olhar Mu.

— Sexta da bebedeira? — Mu repetiu, pedindo por uma explicação mais detalhada.

— Todas as sextas, os gêmeos organizam uma sessão de bebedeira na casa deles. Enfim, é apenas uma desculpa 'pra eu te ver de novo o quanto antes. — deu de ombros, sendo sincero.

Mu mordeu os lábios, considerando a proposta. Ele queria ver Aiolia outra vez tanto quanto Aiolia queria vê-lo. O problema era que talvez ele estivesse em maus lençóis com Shion.

— Se eu sobreviver ao sermão do meu irmão, prometo que estarei lá amanhã. — garantiu, colocando a própria mão sobre a do leonino em sua coxa, como se o confortasse.

— Eu venho te buscar, de noite. Você sai pela janela depois que seu irmão dormir. — Aiolia propôs, parecendo realmente sério com sua sugestão.

Mu soltou uma risada incrédula.

— Eu prefiro ser honesto com ele. — respondeu, vendo o grego bufar.

Mu olhou novamente para a fachada de sua casa. Ainda sem movimentações, ou qualquer outro sinal de vida. Deveria entrar logo.

— Boa noite, Aiolia. Obrigado por hoje. — agradeceu, a mão destra enganchando na porta.

— Boa noite, Mu. — levou a mão do ariano até a boca, depositando um beijo sobre ela.

Mu sorriu genuinamente antes de deixar o carro. A brisa agora estava um pouco mais gelada, devido ao horário tardio em que se encontravam. Mu abraçou o próprio corpo, usando os cabelos como uma cortina contra o vento. A luz provinda dos postes nas proximidades da rua iluminava parcamente o lugar. Era quase impossível ver com nitidez alguma coisa há mais de um metro de distância.

O ariano deu a volta no carro, parando ao lado da janela do motorista. Aiolia tinha acabado de ligar o carro novamente, quando teve sua atenção roubada por Mu. Debruçando-se sobre a janela aberta, ele segurou o rosto de Aiolia com uma das mãos, depositando um selinho nos lábios macios dele.

Até amanhã. — Mu sussurrou, deixando implícito que, mesmo com o sermão de Shion, ele daria um jeito de comparecer na casa dos gêmeos.

Mu empurrou o portão de ferro de sua casa, sendo o mais silencioso possível ao fazê-lo. Aiolia arrancou com o carro, dirigindo a uma velocidade um pouco mais elevada do que anteriormente. O mais velho observou-o ir embora enquanto tocava os próprios lábios com os dedos, lembrando de horas atrás. Agora ele tinha um motivo bom o suficiente para passar a comparecer às festas arranjadas por seus amigos. Um motivo alto e bronzeado.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!