Todos as horas que ele passou afastado de ChanSung, sem exceções, foram horríveis.

No dia seguinte, ligou para ChanSung umas mil vezes. No outro dia, umas duas mil. E ele não atendeu.

Começou a achar que entendia como o próprio ChanSung havia se sentido na época em que era ele quem não estava atendendo os telefonemas, mas depois se deu conta de que não tinha como saber. ChanSung, afinal, tinha motivos pra não querer falar com ele. Taec não tivera, a não ser que suas razões egoístas possam ser consideradas motivos.

Jay ia voltar dali a menos de uma semana, e olhe o que ele estava fazendo. Ligando desesperadamente para outro garoto. Ou, olhando por outro lado, desperdiçando seus últimos dias com ChanSung. Bem, era uma situação ridícula, não importava por qual lado ele olhasse.

Pior era saber que a culpa era toda sua.

Porque queria os dois. Mas não podia.

- Estou começando a achar que ele não vai mesmo atender – JunSu comentou, distraído, na quarta-feira de tarde.

TaecYeon lançou um olhar feio para ele.

- Do que você acha que está falando?

- Do ChanSung – JunSu sorriu cinicamente. – Vai dizer que não é para ele que você passou os últimos dois dias ligando compulsivamente?

Taec teve o cuidado de fazer com que seu olhar feio ficasse ainda mais feio.

- E como é que você sabe disso, espertalhão?

JunSu bufou.

- Jay me ligou ontem, dizendo que volta na terça. Desculpa falar desse jeito, Taec, mas é fácil imaginar o que aconteceu. Ele está te pressionando pra que você decida ou desistindo de vez?

O mais novo ficou olhando para ele por alguns segundos, sem saber como responder. Então, simplesmente deixou o peso daquilo tudo desabar e deitou a cabeça na escrivaninha, entre os próprios braços.

- Eu não consigo, JunSu. Eu juro pra você que tentei, e que venho pensando nisso o tempo todo, mas não consigo. Não posso desistir dele... só que eu amo o Jay.

JunSu alevantou-se, cruzou a sala e se ajoelhou ao seu lado, passando um braço por suas costas, confortando-o.

- Hey... pensa dessa forma, Taec... Pode ser que seja mais fácil, se ele decidiu por vocês dois. Já está feito, e não depende mais de você. E se você não consegue suportar isso... talvez ChanSung seja quem você realmente quer.

Taec mordeu o lábio inferior, ainda sem coragem de erguer a cabeça.

JunSu tinha razão. Pela primeira vez desde que tudo isso havia começado ele estava pensando seriamente na hipótese de terminar tudo com Jay.

- Isso só vai piorar as coisas.

- Acredite em mim, o que vai piorar as coisas é ter dois relacionamentos ao mesmo tempo – ele disse calmo. Taec balançou a cabeça. – Você está realmente considerando essa possibilidade, não está?

- Eu... Não. ChanSung disse que não vai rolar.

O mais velho suspirou.

- Ele me deixa aliviado. Pode ser que seja uma coisa horrível de se dizer, Taec, mas Deus me livre essa história acabar tendo que ser decidida por você. Se eu te conheço, você é capaz de terminar sem nenhum deles.

TaecYeon desenterrou a cabeça dos braços. Não que ele não soubesse disso, mas também não precisava que lhe jogassem na cara.

- Eu adoro como você confia em mim.

JunSu sorriu. – Não é que eu não confie. E só que eu te conheço bem demais.

Taec somente balançou a cabeça, detestando ter que concordar com ele.

***

Na quinta-feira, quando ele achava que já estava ficando louco com a ausência de resposta de ChanSung – ainda ligava para ele toda vez que ficava ansioso pensando no assunto, o que acontecia com muito mais frequência do que ele consideraria normal – Taec foi almoçar com WooYoung.

Fazia dias que ele não via o amigo – desde a noite em que ele havia conhecido JunHo? Podia mesmo ter sido tanto tempo? -, e aproveitou para aceitar o convite que o outro havia feito. Principalmente porque ele não aguentaria ter que ver o olhar acusador de JunSu até na hora do almoço.

Ele parecia bem. Feliz e animado como sempre, mas ainda assim... com alguma coisa diferente na expressão.

- Fazia mesmo muito tempo que a gente não se via – WooYoung comentou, assim que eles fizeram o pedido.

- Também, você sumiu – Taec protestou, rindo.

- Olha quem tá falando – o mais novo respondeu, com um olhar acusador. — Um dia eu ainda descubro o que você anda aprontando, Ok TaecYeon.

- Eu?! Qual é, uma pessoa não pode passar dias e noites lamentando a ausência do quase-namorado?

- Aham. Continua, estou quase acreditando.

Taec sorriu. Não queria dizer aquelas coisas, mas também não deixava de ser divertido. De qualquer forma, não é como se ele estivesse mesmo aprontando alguma coisa. Pelo menos não agora, que ChanSung estava o evitando.

- É sério.

- Mas ele já vai voltar, não é? Ele me ligou ontem, avisando – WooYoung disse, parecendo satisfeito. – Você deve estar animado.

Você nem imagina o quanto, ele pensou, contendo a vontade forte que sentia de suspirar.

- Sim. Jay ficou muito mais tempo lá do que o planejado...

- Será que ele não te trocou por um americano? – WooYoung disse, rindo. – Já pensou ele chegar aqui com um estranho a tiracolo?

Não, Taec não tinha pensado. E não era um pensamento agradável, tampouco. Mesmo que fosse ser a mesma coisa para Jay, se ele voltasse e Taec estivesse com ChanSung a tiracolo. Cada vez que ele pensava no assunto, mais convencido ficava de que terminar com Jay estava fora de cogitação.

Mesmo que ficar sem ChanSung também fosse fora de cogitação. E, falando nele, será que já não estava na hora de tentar ligar novamente?

- Nah, ou ele já teria me preparado psicologicamente.

- O Jay? Tem certeza?

TaecYeon riu.

- Esquece isso, não vim aqui pra falar sobre mim. Vim pra satisfazer minha curiosidade. Me conta, como vai o JunHo?

Nesse momento o garçom chegou com o almoço deles, o que os fez parar com a conversa momentaneamente. WooYoung estranhamente estava conseguindo fazer com que ele se sentisse melhor – o máximo de descontração dos últimos dias, ele poderia dizer. Ainda assim não era o suficiente.

- Bem, eu acho – Woo respondeu assim que o garçom deu as costas.

- Acha? Não tem falado com ele?

- Tenho, mas como posso saber se ele está bem ou se está fingindo que está bem?

Taec repentinamente teve vontade de falar com JunHo. Ele com certeza poderia dizer coisas sobre ChanSung que ele mesmo não sabia. Se o mais novo estava bem ou mal. Se ainda iria querer ver Taec na face da terra ou não. Esse tipo de coisas.

Mas não tinha nenhuma desculpa para pedir o número dele para WooYoung, o que provavelmente já era um aviso forte o suficiente para que ele parasse com aquelas ideias antes que conseguisse complicar ainda mais a situação.

- Não sei – Taec sorriu sarcasticamente. – Você pode estar fazendo com que ele se sinta bem.

Woo estreitou os olhos, embora sorrisse. – É, acho que você pode dizer que estou fazendo isso.

- Sabia! – o mais velho riu. – Você acha que o negócio está ficando sério, então?

WooYoung somente mastigou a comida por algum tempo, parecendo pensativo.

- Eu acho que... ainda não posso dizer nada. Ele é legal, mas...

- Mas...?

- Eu sinto como se não o conhecesse o suficiente, para poder dizer se quero que fique sério ou não – ele suspirou. – E nem se ele quer que fique sério. Ele nem mesmo parece o tipo de pessoa que iria querer.

TaecYeon abriu a boca para dizer alguma coisa, mas fechou-a depressa. Quem iria dizer que ChanSung poderia querer algo sério, também? E JunHo era amigo dele. Talvez fosse tão louco quanto.

- No fim, o negócio não é o que você quer ou não. Tem coisas que não dá pra evitar.

O menor olhou para ele, calado. Taec ficou pensando no que ele mesmo dissera, porque na verdade fazia todo o sentido do mundo. Algumas coisas... ele simplesmente não conseguia evitar.

- Sabe, eu tenho vontade de concordar com você, mas não vou fazer isso só porque é mais fácil desse jeito – WooYoung comentou, muito provavelmente sem nem desconfiar que aquilo era um balde de água fria em cima de todas as certezas de Taec.

- O que você quer dizer com isso?

- Quando são as nossas emoções, sempre dá pra evitar, se a gente realmente quiser – ele respondeu, sorrindo. – Mas eu meio que não quero evitar, e acho que você também não.

- E-eu...? – pediu, em pânico. Era sobre o ChanSung que ele estava falando. Só podia ser. JunHo podia ter dito-

- Você estava falando do Jay, não estava? – WooYoung ostentava uma expressão de quem sabia das coisas.

TaecYeon teve vontade de suspirar de alívio. Essa era provavelmente a pior parte de estar escondendo de praticamente todo mundo o relacionamento que tinha com ChanSung. Ele estava ficando paranóico, achando que todo mundo já sabia da verdade e que estavam apenas lhe enganando, do mesmo modo que ele fizera.

- Hm... eu estava falando no geral, na verdade...

- Para com isso. Se você parar pra pensar, todo esse tipo de reflexões sempre tem uma carga de experiência pessoal.

- JunSu andou te contaminando com as filosofias de vida dele? – Taec pediu, com o cenho franzido.

WooYoung riu.

- Não. Eu também sei filosofar, embora você talvez não perceba, Taec.

O mais velho concordou mudamente. WooYoung sempre ficava desse jeito quando estava gostando de alguém. Ainda mas sério e, felizmente, menos estressante.

Eles conversaram animadamente durante todo o resto do almoço. Taec de certa forma o invejava. Ele só tinha JunHo – pelo menos Taec acreditava que sim – pra se preocupar, e conseguia ficar preocupado de qualquer forma. Mas era tão simples... tão mais simples do que sua própria situação, pelo menos.

Ele achava que estava um pouco mais animado, entretanto. Não conseguia parar de pensar em ChanSung e querer se desesperar durante o almoço, mas o aperto que sentia no peito tinha diminuído um pouco.

Acima de qualquer coisa, ele tinha ótimos amigos, com quem podia contar a qualquer hora. Podia ser que ele não pudesse dizer nada para eles por causa de Jay – com exceção de JunSu, que já era seu melhor amigo antes que sequer conhecesse todos os outros – mas eles não precisavam fazer realmente alguma coisa que tivesse a ver com ChanSung para que ele passasse a se sentir melhor.

Rir, falar besteiras e agir normalmente já soava muito bem.

E, principalmente, ele ainda tinha Jay. Começava a achar que, se não havia terminado com o mais velho até agora, provavelmente não seria capaz de fazer isso depois que ele voltasse, mesmo que ChanSung não estivesse ignorando-o.

Olhando por esse lado, até mesmo teve vontade de concordar com JunSu. Podia ser melhor que ChanSung tivesse o deixado sem opção. Assim ele não precisava ficar se martirizando para tomar uma decisão, quando ele claramente não conseguia fazer isso.

Mesmo que todos os segundos que passasse sem ChanSung fossem péssimos, durante aquele almoço ele decidiu que não adiantava ficar rastejando atrás dele. Sim, a culpa de tudo o que tinha acontecido era de TaecYeon, e ele não podia ter raiva do mais novo por causa disso. Mas, se ChanSung quisesse ficar sozinho, então podia não ser uma má ideia deixá-lo sozinho.

Ele vivia muito bem antes de conhecê-lo, afinal. Não sentia falta de nada, e nem tinha motivos para sentir. Adorava seu emprego, seu namorado, seus amigos. Sua vida. Tinha tudo o que a felicidade pedia para poder se instalar.

E sentiu aquilo com extrema sinceridade.

Quando estava voltando para o trabalho, porém, as coisas foram parecendo piores a cada passo que ele dava.

E, quando finalmente entrou em sua sala, a primeira coisa que fez foi se jogar na cadeira da escrivaninha e mandar uma mensagem de texto para ChanSung.

Eu simplesmente não aguento mais. Sinto a sua falta. Volta.

***

Taec andou alguns passos apressados pelo apartamento e, após uma olhada rápida pelo olho mágico, abriu abruptamente a porta.

Suas mãos tremeram um pouco, seu coração disparou no peito e ele sentiu a mesma coisa que sentia todas as vezes que o via. Como se não houvesse mais vida, só ele. Como se ele fosse estúpido por achar que algum dia poderia querer alguma coisa com mais força do que o queria.

ChanSung estava sorrindo um pouco. Aquele sorriso safado que ele sempre estampava – eu não tenho solução, era o que Taec achava que ele queria dizer -, desta vez mesclado com uma ponta do que poderia muito bem ser culpa. Ou talvez só fosse sua impressão.

Ele ficou olhando para o mais novo, sem saber se deveria sorrir, chorar ou gritar com ele. Somente ficou olhando, provavelmente com uma cara de paisagem da qual não se podia extrair nada.

Nem mais achava que ele viria. E, apesar de saber o quanto aquilo estava acabando com ele, só sentiu realmente a intensidade da falta que o outro fizera no momento em que o vira de novo.

ChanSung soltou uma risada breve que poderia muito bem ser de deboche, olhando para ele por detrás das franjas que caíam sobre sua testa. Ele se escorou no batente – era uma coisa que ele parecia adorar fazer – e disse a mesma coisa que dissera na primeira vez que voltara ali, naquela vez em que era Taec quem o estava ignorando, não o contrário.

- Eu posso entrar?

Ele ainda sorria, mas Taec não conseguia sorrir de volta. Olhou para o chão, apertou os lábios, e então suspirou. Não dava pra continuar com aquilo. Ele não aguentava. E o quisera de volta. Tanto.

Então faça alguma coisa. Por favor.

TaecYeon segurou o pulso dele e o puxou de leve em sua direção.

- O que você está esperando?

***

- Por que você voltou? – Taec sussurrou, olhando para o que dava para ser visto do teto de seu quarto, mal iluminado pelas luzes da cidade que entravam por sua janela.

Não queria olhar para ChanSung. Sabia que ele estaria parecendo ainda mais bonito do que de costume – era quando ele parecia melhor, quando eles tinham acabado de fazer sexo e estavam deitados lado a lado, a barriga firme dele subindo e descendo no compasso de sua respiração. Sabia que, se queria conseguir falar alguma coisa, era melhor não prestar muita atenção nesses detalhes. E, principalmente, sabia que seria melhor se ChanSung não olhasse nos seus olhos enquanto respondia.

Porque ambos podiam ver o que não queriam. Provavelmente veriam.

- Eu não ia – ele respondeu, após uma pausa, no mesmo tom. – E nem devia... De qualquer forma, eu não tinha dito que iria querer até que você quisesse?

- Não achei que isso ainda estivesse valendo – Taec retrucou, perfeitamente cônscio de que ele não tinha respondido a pergunta.

- E não está, eu acho. Mas eu preciso de uma desculpa pra tentar me convencer.

- Convencer...?

- E eu tinha deixado algumas coisas aqui.

Taec se obrigou a virar o rosto para o lado dele, repentinamente. ChanSung olhou para ele também. Claro que foi uma má ideia. Ele sabia que seria.

- Você só veio pra pegar as suas coisas?

ChanSung sorriu, mordeu o lábio inferior e passou uma das mãos pelo contorno do rosto dele. Taec piscou demoradamente e então ergueu as costas da cama e inclinou o tronco em sua direção.

Mordeu o ombro de ChanSung, quase sem força nenhuma, e depois beijou o local. Subiu o rosto até que seus olhos encontrassem a linha do maxilar dele. Ficou só olhando por alguns segundos o contorno bonito de seu rosto. A luz da noite fazia a pele um pouco bronzeada dele parecer de um tom maluco entre dourado e azul escuro. Beijou suavemente o local, indo em direção à orelha.

ChanSung deixou um suspiro escapar, daquele tipo que o fazia sentir que não teria mais fôlego para uma semana.

- Me responde – ele disse, meio entre sério e brincalhão, quando atingiu o lóbulo da orelha dele.

O mais novo demorou alguns segundos. As mãos dele passaram pelo peito musculoso de Taec e foram até o ombro, onde fizeram uma leve pressão para baixo, o que indicava que ChanSung queria que ele chegasse mais perto.

- N-não...

Taec sorriu, satisfeito, antes de beijá-lo calmamente na boca.

- Não, o quê? – perguntou, entre beijos que depositava aqui e ali, por todo o rosto dele.

- Não foi só pra pegar as minhas coisas que eu vim – ChanSung disse baixinho, e mordeu o lábio inferior de Taec, com força o suficiente para que doesse. Não que fosse uma dor ruim, entretanto. – A verdade é que... eu não aguentei. E deu. Simplesmente não aguentei.

Taec bufou e deitou-se novamente de costas na cama. Detestava saber que o mais novo se sentia da mesma maneira que ele... mas não na mesma medida em que gostava daquilo. Só que não deveria gostar. Gostar de vê-lo tão sem controle quanto ele próprio estava só piorava as coisas.

- O que foi? – ChanSung continuou. – Não queria que eu tivesse dito isso? É a verdade, Taec. Droga, se eu pudesse ignorar eu faria isso, só qu-

- O problema não é esse – ele disse, sem ter certeza de que sua voz saía sem falhas. – Eu... não era pra ser desse jeito.

- Não, não era. Eu sei disso, também. Mas o que você quer que eu faça? Suma de vez? – foi a vez de ChanSung bufar. – Se você pelo menos conseguisse me deixar fazer isso.

- Eu me sinto do mesmo jeito que você, e agora você está falando como se fosse tudo culpa minha.

ChanSung riu e se inclinou por cima dele, obrigando Taec a encará-lo.

- A grande novidade é que é tudo culpa sua, idiota.

TaecYeon olhou para ele por algum tempo, sério. Sabia que ChanSung tinha razão, mas não estava pronto para admitir aquilo.

- Se eu te mandasse embora... você iria mesmo?

ChanSung sorriu e balançou a cabeça, incrédulo. Todas as vezes em que ele sorria, sem exceção, Taec sentia o corpo um pouco mais fraco. Era aquele jeito de moleque dele que fazia isso, só podia. Do mesmo jeito que sua expressão séria era provavelmente a coisa mais sexy do mundo.

- Se você tivesse certeza de que eu não queria mais vir até aqui, você teria me ligado o tempo todo durante esses dias?

- Não – Taec respondeu, sério. Sabia onde ele queria chegar.

- Então... por que você acha que eu não atravesso aquela porta agora mesmo e nunca mais dou as caras por aqui? – ele perguntou, ainda sorrindo. – Porque eu nunca mais ia conseguir tirar da minha cabeça que você ainda iria querer, e não ia dar certo. Eu ia voltar. Eu voltei.

- Eu preciso falar com o Jay.

ChanSung deu uma risada breve, e então se deitou com a cabeça no ombro dele.

- Como é a relação de vocês? Como ele é com você?

Taec tentou olhar para ele, mas na posição em que estavam só conseguia ver seus cabelos negros.

- Ele é... – Taec começou, mas então se interrompeu. Não sabia o motivo da pergunta, e achava que não queria saber. Era desconfortável dizer para ele. – Um pouco como meu melhor amigo.

- Você tem muito mais a perder se ficar comigo. Se é que essa possibilidade existe. Não só ele, Taec, mas todos os seus amigos, já que eles também são amigos dele.

O mais velho franziu o cenho. Já tinha pensado nisso, mas preferia ignorar o assunto.

- Por que você está dizendo isso?

- Não sei.

- Posso fazer novos amigos, se eles não aguentarem.

ChanSung riu.

- E JunHo está saindo com um amigo seu, por mais incrível que pareça.

- Ah, sim – Taec respondeu, sorrindo. – Então, eu acho que não vou ficar sem amigos. Woo está saindo com um amigo seu, e JunSu já sabe sobre nós, de qualquer forma. Até o Jay é capaz de aceitar numa boa. Quero dizer, ele provavelmente vai aceitar numa boa. Pode ser que no começo as coisas fiquem meio estranhas, mas-

Antes que Taec pudesse terminar o que queria dizer, ChanSung se ergueu novamente e o beijou brevemente na boca.

- Para. É melhor não ficar tendo essas ideias se você não pretende fazer nada disso.

TaecYeon sorriu, olhando nos olhos escuros dele.

- Você me faz querer jogar tudo pro alto.

- Hm... então é melhor a gente parar de falar nisso. Hoje é quinta-

- Sexta – ele interrompeu. – Acho que já é sexta, agora.

- E ele volta na terça?

- Sim.

- Vai falar com ele antes ou depois de ele chegar? Ou nem vai falar? – ChanSung perguntou, e, embora estivesse rindo, Taec sabia que era sério.

- Eu... Vou falar. Em algum momento.

- Eu sei que provavelmente não vai, mas vou fingir que está tudo bem e que acredito que você vai. Pelos próximos... três dias, pelo menos. A partir de segunda é melhor que você pense no que vai querer fazer. Pense mesmo.

- Eu tenho pensado. Nas últimas semanas eu tenho pensado nisso o tempo todo.

O mais novo suspirou e depositou um beijo no ombro dele.

- O pior, então, é ainda não ter decidido. Eu tinha que estar gostando de um canalha – ChanSung falou, como se estivesse falando consigo mesmo. – Provavelmente é o que acontece quando temos sido o canalha por tanto tempo. Um dia se volta contra a gente. É por isso que eu não consigo te odiar, eu acho... porque eu já fiz isso que você está fazendo tantas vezes...

Taec franziu o cenho e refletiu que não era difícil imaginar aquilo.

- Eu não sou o cara mau. Mesmo – então ele riu, sem conseguir se conter. – Embora eu provavelmente pareça, já que Jay me fala isso o tempo todo.

ChanSung simplesmente sorriu e ficou olhando para ele, por um longo tempo, sem dizer nada. Naquele momento, independente da falta que ele estava sentindo de Jay, desejou que aquilo durasse para sempre e que pudesse ficar com ele sem que sua vida se tornasse tão complicada.

Então, o mais novo suspirou e encostou a testa na sua. Taec achava que conseguia ouvir as batidas do coração dele. Ou talvez fossem as suas. Embora provavelmente estivesse imaginando.

- Hey... Eu não sou muito de dizer isso... – ChanSung disse, muito baixo, depois do que pareceram horas. Taec sabia o que era. Pensou em pará-lo, mas não fez, porque já não adiantava mais. Não deixar que ele dissesse não ia mudar a forma com que ele se sentia. – E com certeza vou me arrepender depois... e você provavelmente já sabe, de qualquer forma...

- Sungie... Tem certeza de que quer dizer? – ele acabou perguntando, no mesmo tom, porque tinha a impressão de que se falasse um pouco alto aquilo acabaria.

O mais novo suspirou, derrotado.

- Não. Eu nem acho que consigo.

- Então... eu posso dizer isso no seu lugar. – Taec fez uma pausa. — Estou apaixonado por você.

ChanSung sorriu e o beijou. Era a única resposta que ele precisava.

Notas finais
N/A: não tenho nenhum comentário pra fazer :(
Eu adoro escrever besteiras aqui, quem reparou? XDDD
Enfim... É isso xDDD
Annyeong o/