All Night Long
8 Capítulo 8
Correu para a porta assim que ouviu a campainha soar. Ele nem precisava tocar, pensou. Tem a chave, mas isso seria tão óbvio, tão não-ele.
Abriu a porta o mais depressa que conseguiu. Sorriu, desajeitado, assim que o viu de novo. Era como se ele nunca tivesse saído de seu lado, para começo de conversa. E ele parecia bem. O cabelo estava mais comprido, mas no geral ele parecia o mesmo, talvez mais bonito. E estava ali, acima de tudo. Antes de tudo. Tinha voltado.TaecYeon não sabia direito o que deveria fazer. Não era a primeira vez que ele ficava fora por tanto tempo, mas era a primeira depois que o relacionamento dos dois – que nem eles sabiam direito como deveriam chamar, embora devessem pensar sobre, a partir daquele momento – começara, e ele não soube direito como agir.Jay acabou fazendo. Não disse nada, só o puxou pelo ombro e o beijou. Taec se deixou levar, porque era mais ou menos o que ele estava pretendendo fazer, também. Tentou interromper e perguntar como ele estava, mas Jay não deixou que ele fizesse isso, o beijando de novo todas as vezes que ele se afastava. Taec deu de ombros mentalmente, desistindo de tentar dizer “oi”.Havia muito que dizer, mas aquilo podia esperar, afinal. No momento, tinham outras coisas para fazer.***- Eu nem tinha percebido como tinha sentido falta da Coréia até descer daquele avião – Jay comentou, distraidamente olhando para a xícara de café posta em sua frente. – Então eu finalmente percebi que aqui já é meu lar, tanto quanto a América é. Eu não me sinto mais um estrangeiro.Taec sorriu, tomando um gole de sua própria xícara. Eles tinham pedido comida pelo telefone – comida coreana, já que Jay havia passado uns dois meses sem ela – e estavam esperando que chegasse. Haviam tomado banho, e Taec se sentia estranho toda vez que olhava para ele. Gotas de água se desprendiam dos fios de seu cabelo, de vez em quando, e Taec não perdia uma só delas, porque simplesmente não conseguia tirar os olhos dele. Lindo, ele era mesmo lindo.- Eu sei como é. Me chamam de americano aqui e de coreano lá. Jay sorriu. – É, é mais ou menos por aí. Taec riu.- Acho que eu tenho que passar mais tempo lá.- E eu acho que temos que ir juntos, na próxima vez.Ele tinha boas intenções, mas TaecYeon acabou deixando que o sorriso que ele sustentava até então fosse embora. Estreitou os lábios, pensativo. Tinha que falar com Jay, não importando o fato de que não se sentia nem remotamente preparado. Não é sua culpa ter um quase-namorado cafajeste, Park JaeBeom. - Claro – acabou dizendo, se forçando a sorrir novamente. – Quando eu te levar pra conhecer a minha família.- E depois disso a gente pode casar em Las Vegas – Jay respondeu, ainda sorrindo, olhando para ele com aqueles olhos divertidos e tão familiares que ele tinha.TaecYeon sorriu de volta, e por um momento eles só ficaram se olhando, num meio termo entre rir ou se constranger. Não que eles precisassem dizer alguma coisa, entretanto. Se conheciam bem demais para aquilo.- Sabia que o seu sorriso é lindo?Jay engoliu em seco e limpou a garganta, desta vez positivamente constrangido. Não era como se Taec não fosse bom em fazer elogios, eles só não costumavam dizer coisas como aquelas um para o outro. Evitar esse tipo de comentários era quase como um acordo entre eles, porque ainda não sabiam direito como lidar com aquilo.- Eu... acho que isso está realmente ficando sério.- O quê?- Nós – Jay respondeu simplesmente. – Eu senti uma puta falta de você, sabe. Muito mais do que eu achei que sentiria.Taec olhou para a mesa, subitamente lembrando de todas as vezes em que ele tinha desejado que Jay não voltasse para que ele pudesse passar mais tempo com ChanSung. Claro que havia sentido falta do outro. Muita falta. Mas ainda havia aquela parte errada das coisas.- Às vezes tudo o que nós precisamos é de um tempo separados... pra ver quais são as pessoas das quais a gente realmente sente falta. - É estranho perceber que eu acho que espero mais de você do que só amizade, agora – ele estava sério.- Então eu acho que essa deve ser a hora de admitir que não está ficando sério. É serio – saiu, antes que ele pensasse direito no que estava dizendo.Jay olhou para ele, inexpressivo, por algum tempo. Então, ele sorriu levemente e ergueu a xícara, propondo um brinde. Taec acabou soltando uma risada baixa pelo nariz e bateu sua própria xícara na dele.Eles sorriram um para o outro, tão cúmplices quanto sempre foram, sabendo que mais nada precisava ser dito. E, por alguns segundos, TaecYeon realmente sentiu que estava tudo bem.***No dia seguinte, quarta-feira de noite, Jay e TaecYeon combinaram de se encontrar com todos os seus amigos para comemorar a volta do mais velho. Taec não deixava de se sentir um pouco nervoso, já que ultimamente não sabia direito o que esperar de si mesmo – era quase como se ele fosse duas pessoas distintas, que queriam coisas totalmente opostas e que mudavam de ideia o tempo todo. Detestava a sensação de não poder dizer se o que estava sentindo mudaria totalmente no segundo seguinte.
Não tinha conseguido mais falar com ChanSung desde o final de semana, e, no começo, nada lhe tirava da cabeça que ele poderia acabar aparecendo na festa, como quem não quer nada. Afinal, JunHo iria, na condição de quase-namorado de WooYoung. E não que ele achasse que ChanSung faria uma coisa tão estúpida como aparecer por lá... mas, sendo dele que se estava pensando, não dava pra duvidar. Nunca. E ele subitamente percebeu que ele adorava pensar nas coisas estúpidas que ChanSung poderia fazer mas que, no final, sempre acabava fazendo coisas ainda mais estúpidas do que ele.A noite foi passando, entretanto, e não havia sinais de que ele apareceria. JunHo os cumprimentara como se não soubesse de nada, e TaecYeon tinha que admitir que devia muito a ele. Queria perguntar sobre ChanSung – onde ele estivera, na noite em que Taec ligara? Porque não conseguia mais falar com ele? Ele tinha desistido definitivamente? – mas não encontrava brechas e, afinal, provavelmente era melhor que não dissesse nada. Pelo menos se ainda tinha algum respeito por Jay e pelo que eles tinham conversado no dia anterior... e achava que tinha.Cada vez que pensava nisso, TaecYeon bebia qualquer coisa que encontrasse na frente. Não era exatamente um adepto de se embebedar, mas naquele dia ele particularmente queria testar se ficar bêbado faria com que ele não pensasse em mais nada – duvidando muito disso, em todo o caso.- Muitos casos nos Estados Unidos, Jay? – ele ouviu NichKhun perguntar, sentado com a mais nova namorada do outro lado da mesa, e na mesma hora apurou os ouvidos. Aquilo só podia acabar mal.- Hã? – Jay perguntou, parando de falar com SeulOng, que estava sentado na sua frente, para se virar para o outro. – O que foi, Khun?- Perguntei se você pulou a cerca, lá – ele repetiu, divertido. Victoria, sua namorada, cutucou-o nas costelas, mas NichKhun pareceu ignorar. Ele também parecia um pouco bêbado, TaecYeon notou. Provavelmente esse era o motivo pelo qual ele ficara a noite toda olhando torto para JunHo – se estive sóbrio jamais deixaria aquilo transparecer.Jay sorriu. – Eu bem que tentei... mas Taec é mais forte do que eu, mesmo com toda essa distância.- É, mas Taec também não foi exatamente um santo, por aqui – SeulOng comentou.TaecYeon, sentado no lado direito de Jay, sentiu os próprios olhos arregalarem. Sem conseguir se conter, encarou SeulOng e lançou um olhar feio para ele. - O que você quer dizer? – Jay perguntou.- Ele não te contou nada? – WooYoung perguntou, sentado do outro lado de Jay.Taec suspirou e revirou os olhos. Não foi uma boa ideia, no entanto, porque desta forma seus olhos se cruzaram com os de JunSu, sentado na sua frente, e ele teve que aguentar mais uma vez a expressão irritada de “eu te avisei” dele.- Por quê? Deveria? – e então o mais velho olhou para ele.- Não é nada – TaecYeon respondeu, no auge de sua irritação. Que SeulOng fosse se foder, ele e aquele papo de “vai nessa, Taec, eu não vou dizer nada para o Jay”.- Era amigo do JunHo – WooYoung continuou.- Hey, que história é essa? – NichKhun perguntou, sorrindo.- Semana passad-- Olha – Taec interrompeu, olhando pra ele – Semana passada eu saí com eles porque o SeulOng passou vinte horas me enchendo. Cheguei aqui e um amigo louco do JunHo quis dançar comigo e depois me beijou. Fim.Jay ergueu uma sobrancelha e soltou uma risada debochada.- Okay. Por que você não me contou?- Porque foi só isso. Não foi? – ele perguntou, olhando novamente para todos os outros na mesa.- Foi – JunHo respondeu, mais do que depressa. – Nós vimos.O menor continuou olhando para ele por um tempo, como que dizendo que eles voltariam a tocar no assunto mais tarde, quando estivessem sozinhos. Depois deu de ombros e sorriu, e TaecYeon se sentiu satisfeito por, pelo menos por enquanto, ter se livrado do problema.- Bom, eu não tenho moral pra falar dele, na verdade. E, se querem saber, isso nem interessa mais... Nós meio que decidimos levar o nosso relacionamento a sério, agora.TaecYeon parou no meio do que quer que estivesse fazendo, congelando. Não achava que Jay diria aquilo para eles. Não naquele momento, pelo menos. JunSu estava ali. JunHo estava ali. E ele estava mesmo fodido, agora.- Sério? – WooYoung perguntou animado.- Nossa, já estava mais do que na hora – NichKhun comentou, sorrindo.- Parabéns – Victoria disse, batendo palmas.TaecYeon tentando sorrir, procurando ignorar o olhar ligeiramente incomodado de JunHo e a expressão acusadora que JunSu sustentava, apesar de por fora parecer tão feliz quanto os outros.- Sério – ele respondeu, sentindo o estômago se revirar desagradavelmente. – Nós conversamos sobre isso ontem e percebemos que não tem mais necessidade de decidir se vai ser sério ou não, porque já ficou sério por si mesmo.- Sábias palavras, Taec – SeulOng brincou.Taec não conseguiu fazer nada além de sorrir, embora fizesse uma nota mental para não esquecer de bater nele até a morte pela traição, mais tarde.- Agora falta o beijo – Woo disse, inclinando-se para frente para poder vê-lo, através de JaeBeom.Ele suspirou, enquanto Jay o olhava, sorrindo. TaecYeon notou que a linha entre as borboletas no estômago e a vontade de se jogar contra um trem em movimento podia ser realmente muito tênue.Inclinou-se para frente e depositou um beijo breve nos lábios de Jay, enquanto ouvia aplausos escandalosos vindos dos outros presentes. Separou-se logo dele, porque não queria confusão com ninguém no lugar, e nem todo mundo aceitava bem dois homens se beijando em público.Jay ainda sorria quando olhou novamente para ele. E, então, ele achou que era simplesmente demais para que pudesse aguentar. Se esforçando para não deixar de sorrir, murmurou que estava indo até o banheiro e alevantou da mesa. Andou pelo bar em que estavam a passos largos, até entrar no banheiro. Não era o melhor lugar do mundo, mas pelo menos estava vazio e limpo. Apoiou os braços na pia de mármore que ocupava uma parede inteira. Olhou para baixo, não querendo ver o próprio reflexo no espelho que havia ali. Não entendia o que estava fazendo. Era uma questão de tempo até ele conseguir falar com ChanSung e dizer que eles precisavam terminar, mas... não queria fazer aquilo. Só de pensar que podia nunca mais vê-lo...Suspirou, tentando colocar os pensamentos em ordem. Não estava sendo fácil, principalmente pela quantidade que havia bebido. Abriu a torneira e, antes que pudesse pensar direito no que estava fazendo, jogou água no próprio rosto. Ainda ficou por algum tempo daquele jeito, os pingos de água escorrendo de sua face abaixada para a pia.Depois de alguns minutos em que não conseguiu fazer muito mais do que contemplar os desenhos no mármore, decidiu que aquilo não estava ajudando em nada. Secou o rosto e depois de se olhar brevemente no espelho, saiu do banheiro.Logo na saída alguém escorado do lado da porta puxou seu braço. Ele se voltou, assustado. Era JunSu.- Escuta aqui, que merda você está fazendo?- JunSu... – ele tentou, puxando de volta o braço. Não se achava em condições de discutir com ninguém.- Não é de mim que você quer fugir, Taec, é de você mesmo. Falou com ChanSung?- Eu tentei-JunSu rolou os olhos.- Só um beijo? E aquele papo de estar com Jay pra valer? Eu nem sei mais qual é a pior parte – ele perguntou, parecendo realmente indignado. – E provavelmente você vai dizer que eu não tenho que me meter nessa história... mas é com você que eu estou preocupado, não com eles.Ele deu um passo na direção de JunSu, para que ele pudesse o ouvir mesmo que falasse muito baixo.- Eu vou falar com ChanSung assim que eu conseguir, só que ele não atende o telefone. O que você quer que eu faça?- Você não sabe onde ele mora?TaecYeon piscou.- Sei.- Então vá até lá.- Você acha que eu já não pensei nisso? – ele olhou para o lado, frustrado, e então mordeu o lábio inferior. – Se eu for lá- eu não vou conseguir fazer isso olhando pra ele.O mais velho bufou.- Eu não estou ouvindo isso.- O que você quer que eu faça? Não é como se eu não tentasse não me sentir desse jeito.- Você vai acabar voltando com ele na primeira vez em que o vir, eu s-
- Não – ele respondeu, decidido. – Não se eu não o ver mais.- E você acha que não vai?TaecYeon somente olhou para ele, porque não sabia o que responder. JunSu tinha razão, e ele sabia. Podia saber que não voltaria com ChanSung se não o visse mais, mas não dava para garantir que não o veria.JunSu respondeu seu olhar por alguns segundos, antes de simplesmente balançar a cabeça e fazer um sinal para que lhe desse licença. Taec andou um passo para o lado e o outro entrou no banheiro. Assim que JunSu sumiu de vista, ele se escorou na parede, no mesmo lugar em que ele estivera. Não dava pra continuar daquele jeito. Fazia muito tempo que não dava.***No final da noite, quando TaecYeon sentia-se mais bêbado do que sóbrio – sabia desde o começo que isso não deveria acontecer, mas não fizera nada efetivamente para evitar – ele acabou tendo uma oportunidade de falar com JunHo. NichKhun, Victoria e JunSu haviam acabado de ir embora, e SeulOng tinha sumido há algum tempo, o que provavelmente significava que ele nem mais apareceria. Taec tinha dançado um pouco com Jay, mas não conseguia dançar pelo mesmo tanto de tempo quanto o mais velho sem se sentir extremamente cansado, de forma que acabou voltando para a mesa e deixando Jay exibir pela enésima vez seus movimentos de b-boy pela pista, com WooYoung e JunHo.Alguns minutos depois, porém, viu que alguém sentava ao seu lado. Olhou, sentindo-se meio tonto. - Eles ainda estão lá – JunHo disse, acenando com a cabeça para a pista. – Jay está ensinando alguma coisa para ele, embora eu tenha certeza de que aqui não é o melhor lugar.TaecYeon sorriu.- Ah, eles sempre fazem isso. Jay não tem a menor noção do que é um bom lugar.JunHo sorriu brevemente para ele também, mas então o sorriso transformou-se lentamente em uma expressão preocupada.- O negócio é sério mesmo? Quero dizer, vocês dois...- Ele sempre soube disso – TaecYeon disse, sabendo que JunHo entenderia que ele se referia a ChanSung. – Que era sério... e que ele ia voltar.O menor parecia que ia dizer alguma coisa, mas permaneceu calado, com uma expressão dura no rosto. Taec lembrou que haviam mil coisas que ele pretendia perguntar para ele se tivesse oportunidade, mas no momento havia esquecido de praticamente todas.- Ele está me evitando? – conseguiu dizer, após um tempo. – É de propósito?- Taec, eu não quero me meter nesse assunto mais do que o estritamente necessário. Se quiser saber, eu falei pra ele que vocês precisam conversar, mas ele não me escuta, então-- Ele está, não está?JunHo balançou a cabeça e olhou para o chão. – Acho que sim. Eu acho que ele espera que você diga que terminou com Jay e que vai ficar com ele... na verdade, eu nem sei se ele ainda vai querer falar com você se souber que você não pretende fazer isso.- Eu não disse que não pretendo – ele respondeu, franzindo o cenho.- E precisava?TaecYeon olhou para ele por algum tempo, pensando no que deveria responder. Não havia nada que pudesse dizer, no entanto. Sabia que JunHo tinha razão.Resolveu, então, continuar bebendo, porque ficar sóbrio começava a parecer uma possibilidade cada vez mais desesperadora. ***- Me deixa, Jay – ele resmungou, enquanto Jay tentava ajudá-lo no que provavelmente era sua milésima tentativa de enfiar a chave na fechadura da porta.- Deixar você? – o mais velho perguntou, com uma sobrancelha arqueada em ironia. – Pra quê, exatamente? Pra você acabar dormindo no corredor porque está tão bêbado que não consegue abrir a porta do próprio apartamento?Taec bufou.- Não estou bêbado, só estou cansado.- Oh, sim, me desculpe pelo mau julgamento.- Quer parar de ser irônico?- Quer parar de ser teimoso e me deixar abrir essa maldita porta?O maior simplesmente entregou as chaves na mão dele, desistindo. Ele nem ao menos se sentia assim tão mal. Era a droga da porta que não estava colaborando.Em questão de segundos Jay destrancou a porta e entrou no apartamento, seguido de um TaecYeon cambaleante.- E eu que estava pensando que a comemoração de verdade ia começar agora – Jay suspirou. – Duvido muito que você consiga fazer alguma coisa que não seja cair na cama e roncar.- Ah, que é isso? – Taec disse, pendurando-se nele. – Estou me sentindo ótimo.- Não, não está – Jay retrucou, soando irritado. – Aliás, por que exatamente você fez isso? Não tinha a menor necessidade de tomar todas. - Eu estava comemorando a sua volta, caso não tenha percebido – ele largou Jay para ir se jogar de qualquer jeito numa das poltronas.Jay riu sarcasticamente. - Mais parecia que você estava tentando afogar as mágoas pela minha volta, isso sim.Essa ele tinha acertado na mosca. Adorava Jay, mas ele podia ter ficado uns dias a mais nos Estados Unidos.- E se fosse?O outro só olhou para ele por alguns minutos, sério. Então balançou a cabeça e pegou o molho de chaves que havia largado em cima da estante apenas alguns segundos antes.- É melhor eu ir para casa, antes que isso vire uma discussão séria. Ou, pelo menos, que vai parecer séria para a parte sóbria de nós dois.- Eu estava brincando! – ele protestou, indignado. – E você não tinha dito que ia dormir aqui?- Sério, Taec, amanhã a gente conversa, transa, faz o que você quiser. Mas não com você nesse estado. Boa noite.Jay saiu do apartamento antes sequer que ele conseguisse proferir um protesto coerente. Ou, no mínimo, desejar boa noite de volta. Não sabia por que ele tinha ficado tão irritado. Tudo bem, ele tinha se embebedado na noite em que eles deveriam estar comemorando e, depois, deixara implícito – mas nem tão implícito assim – que lamentava que Jay tivesse voltado. Mas isso não lhe parecia muito motivo para se ficar irritado no momento, realmente. Podia ter sido pior. Ele podia ter falado sobre ChanSung. Aí até ele daria razão para Jay se ele resolvesse ir embora do nada. Não era esse o caso, entretanto.Arrastou-se até seu quarto, sentindo-se frustrado, e se largou na cama bagunçada. Conseguia sentir o cheiro de Jay entre os lençóis, o que não era exatamente uma boa coisa. ChanSung havia dormido ali várias vezes, mas o cheiro dele nunca ficava impregnado, como o de Jay. Quando ele queria sentir era exatamente quando ele lhe fugia. O que ele podia dizer que não era só uma propriedade do cheiro dele, mas dele em si.Estendeu o braço até o telefone que estava em cima do bidê. Sua cabeça ainda girava um pouco. Discou automaticamente o número de ChanSung. Até aquele momento, nunca havia se dado conta do fato de que tinha decorado o número.O telefone chamou algumas vezes, e ele tinha praticamente certeza de que ChanSung não atenderia. Primeiro, porque já era muito tarde. Segundo, porque JunHo mesmo afirmara que ele o estava evitando. E terceiro porque Taec havia ligado zilhões de vezes para ele quando se sentia bem, e ele não achava provável – e muito menos justo – que ele fosse atender justamente quando ele estava ligando bêbado.- Taec? – ouviu, do outro lado da linha, e levou alguns segundos para processar que ele realmente tinha atendido.Primeiro achou que tinha discado o número errado, mas a voz dele era inconfundível.- Ah, oi.- São quase cinco da manhã – ele respondeu, embora TaecYeon achasse bastante óbvio o fato de ele não soar como alguém que havia acabado de ser acordado. Se perguntou se ele poderia estar com alguém, e, lá no fundo, sabia que sim. Sabia que provavelmente ele estava.- Eu sei. Eu sequer achava que você atenderia, sabe. - Você normalmente liga para as pessoas não querendo que elas atendam, só porque no fundo acha que elas não vão atender mesmo?Bem, Taec não poderia ter explicado melhor a situação.- É. Mais ou menos isso – ele suspirou. - Então... eu deveria desligar e fingir que essa ligação nunca aconteceu?- Não. Eu... eu quero falar com você. Eu preciso ver você.ChanSung riu.- Você está bêbado, não está?Taec esfregou os olhos. Não sabia por que estava fazendo aquilo.- Um pouco. Eu acho.- Você falou com Jay? Ou, pelo menos, decidiu que não vai falar?- Channie, você não pode simplesmente vir pra cá, sem me fazer essas mesmas perguntas se sempre? Eu já tive uma noite difícil, Jay saiu daqui furioso e-- E eu consigo imaginar o motivo – ChanSung respondeu, frio. – Não, não posso ir até aí nessas condições. Não porque eu não queira, e nem ao menos porque eu não deva, mas porque você não parece em condições de falar alguma coisa que não soe uma completa merda, e eu não estou afim de continuar ouvindo.- Você está até soando como ele – Taec resmungou, antes de se dar conta do que estava falando.ChanSung levou um longo tempo para responder – ou, pelo menos, pareceu um longo tempo.- Nós não deveríamos estar tendo essa conversa, sabe – ele disse, soando magoado.- O qu-- Eu nem ao menos deveria ter atendido.- Mas atendeu. E agora? Ouviu o outro soltar uma risada curta que lhe pareceu um tanto quanto sarcástica.- E agora... eu vou desligar e esperar que seja a última vez que você liga pra mim pra descontar a sua frustração pelo fato de não estar fodendo ele.- Eu não te liguei por causa disso.- É claro que ligou – ele respondeu, frio.- Eu preferia estar com você.O silêncio pareceu, novamente, longo demais.- Não, Taec. Se você preferisse mesmo, você estaria comigo. E vê se para de bancar o cafajeste. Isso nem mesmo combina com você.- Provavelmente é porque eu estou bêbado.- Bem, você admitiu. Já é um começo.- Você está com alguém? – ele perguntou, com um nó na garganta.- E se eu estiver? – ChanSung retrucou, com uma ponta perceptível de irritação na voz, embora fosse óbvio que ele estava tentando soar controlado.- Você quer que eu chore, ou alguma coisa do gênero?- Vá se foder, Taec, sério.- Não posso dar conta disso sozinho.- Então ligue pro seu namorado, não pra mim – e desligou.
Notas finais
N/A: ChanSung apareceu pouco nesse capítulo :(
Ironicamente, acho que ele é um dos meus preferidos xD
Desculpem o atraso pra postar, to com um monte de coisas na cabeça e realmente acabei esquecendo hehe
Annyeong o
Ironicamente, acho que ele é um dos meus preferidos xD
Desculpem o atraso pra postar, to com um monte de coisas na cabeça e realmente acabei esquecendo hehe
Annyeong o
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