Nossa turnê de março já estava no fim e estavam nos pressionando para começar a fazer outro álbum.

-- Aah, que falta me faz ficar assim, deitado no sofá com nada pra fazer.

-- Nas suas épocas de estúdio era bem assim, né? – disse Bonzo (era um apelido para John Bonham, assim nós não o confundíamos com John Paul Jones), que estava abraçado com sua mulher em um canto da sala.

-- É, era um pouco. John, não era bom ficar assim o dia inteiro?

-- Hm... Sim, e como era. – disse John Paul Jones, meio distraído com seu baixo.

-- Mas, nesse seu tempo de “ser desocupado”, você nem me conhecia. – Robert sussurrou no meu ouvido. Eu dei risada e assenti com a cabeça. Ninguém dali sabia que éramos amantes secretos e nem deviam saber. Para eles, só éramos bons amigos. E que amigos...

-- Ah, Jim, eu acho que... Já vamos pra casa. – falou Bonzo, se levantando. – Eu preciso... Bom, eu preciso ir. Você vem comigo, John?

-- Hm... É, eu vou. Tchau, Jim, Robert.

-- Até mais. – acenamos educadamente, enquanto esperávamos a porta ser fechada. Assim que isso aconteceu, Robert se deitou ao meu lado no sofá e começou a me beijar ardente e apaixonadamente. Nossos corpos ficavam colados, pelo medo de cair do sofá e pelo fogo que nos unia sempre que ficávamos sozinhos. Sem que eu pudesse sequer notar, já estávamos sem nossas camisas.

-- Estamos indo muito rápido, não acha? – eu disse

-- Agora ou... No geral?

-- Agora.

-- Ah, sim. – ele se sentou e eu me sentei ao seu lado. – Nós podemos... Ficar assim, só.

-- É. Afinal, pode chegar alguém a qualquer hora.

Nós nos fitamos por uns 2 segundos e decidimos que esperar não era a melhor solução. Fomos até o quarto e nos deitamos na cama, embaixo das cobertas. Como eu já estava sabia que ia acontecer, Robert fez meu corpo se retorcer e me fez gritar de prazer.

Arfando, nós os deitamos lado a lado, descansando um pouco.

-- Robert, eu te amo, sabe? – ele olhou intensamente nos meus olhos e simplesmente mexeu sua boca, repetindo as mesmas palavras.

-- Eu vou... Ali no banheiro. Espere-me aqui. – ele me beijou e se levantou. Assim que a porta se fechou, eu me levantei e sentei em uma cadeira, ao lado da minha guitarra. Quando estiquei meu braço para pega-la, ouvi uma voz.

“Ele deve estar no quarto, pode entrar.” disse Bonzo. Mas quem poderia ser? Fitei o chão, pensando quem podia estar me procurando agora.

A porta se abriu e lá estava ela. Ela que eu não via há tanto tempo, ela que eu tentava esquecer, ela tão linda, Lori Maddox.

-- Jimmy... – ela correu e me beijou, do jeito que só ela me beijava. Robert continuava no banheiro, e eu pensava que ele poderia sair a qualquer momento. Mas Lori, passando a mão pelo meu corpo, me fez esquecer qualquer pessoa que existisse.

Deitamo-nos na cama e, levado pelo instinto, fiz o mesmo que Robert fazia comigo. Ao ouvir os gemidos, Robert socou a parede do banheiro. Não conseguia fazer mais nada sabendo que ele continuava ali.

-- Lori... – eu a beijei, rapidamente. – Acho melhor nos encontrarmos depois.

-- Mas...

-- Eu tenho uma surpresa para você em casa. Vá pra lá e me espere na porta, certo?

-- Só não demore.

-- Não demorarei. – beijamo-nos novamente e ela vestiu as roupas enquanto saía do quarto. Assim que a porta bateu, Robert falou através da parede.

-- Ela de novo, Jim?

-- Eu não a chamei aqui. Você sabe. – ele saiu do banheiro.

-- Claro que não, mas... Pra quê? Abraços, beijos, sexo, e você não que mais nada com ela?

-- Robert, eu juro. Você sabe que ela é minha fraqueza.

-- Eu sei... Mas eu pensei que eu fosse seu amor.

Um silêncio reinou no quarto por instantes. Logo me levantei da cama e o beijei novamente. Senti lágrimas caindo dos olhos dele, enquanto ele me beijava ternamente.

-- Não, não chore... Por favor. – eu o abracei e levei-o para cama, onde permanecemos abraçados por longo tempo. Não queria deixá-lo ali, porém, não podia deixar Lori parada em frente a minha casa. Meu corpo estava tenso, pelo conflito entre querer ficar e ter que ir.

-- Você não para de pensar nela. – disse ele, saindo do abraço. – Sabe, vai. Vai pra ela. A gente se fala... Depois.

Ele colocou as roupas e saiu do quarto, sem esperar uma explicação. Mas que explicação eu daria? Vesti minha roupa e saí logo em seguida, meu coração prestes a explodir, sem saber se ficava feliz por encontrar Lori ou triste por deixar Robert ir. Simplesmente segui meu caminho, tomando um chá frio que deixei em cima da mesa da sala.