All My Life

2 I’m Going to Marry You Someday


Sua mãe arrumou sua camisa social pela milésima vez quando chegaram à porta dos Hunt. Seu pai abafou uma risada e sua mãe lhe dirigiu um olhar irritado.

A porta abriu e em um pulo sua mãe estava ao lado do pai, segurando o ombro de Todd. Um homem sorridente apareceu, acompanhado por uma mulher.

– Olá. – Disse David Hunt. – Que bom que puderam vir. Entrem, entrem.

Houve uma sequência de cumprimentos e elogios entre seus pais e os pais de Megan Hunt. Ele ouviu calado e esperou pacientemente pela menina que estava apaixonado.

Ela apareceu alguns minutos depois, com um vestido bege e os cabelos vermelhos soltos, apenas uma presilha segurando sua franja.

Joan Hunt estendeu a mão para a filha e disse:

– Megan, querida, porque você não leva Todd para brincar no seu quarto?

David, que estava entretido preparando bebidas para seu pai, virou-se em alta velocidade para a mulher, os olhos esbugalhados.

– Um garoto no quarto dela?

Joan revirou os olhos enquanto seus pais riram sem graça.

– Pelo amor de Deus, David, eles tem oito anos. Não são adolescentes.

Megan sorriu, um ato adorável aos olhos de Todd. Ela pegou sua mão e o menino tinha certeza que tinha algo errado com seu coração. Megan o arrastou pelas escadas e corredores da casa até seu quarto.

Ele não havia entrado no quarto de muitas meninas, mas normalmente eram rosa. Não o de Megan. O dela era de um azul claro, com bonecas de porcelana e bichos de pelúcia. Ele olhou para cima e viu nuvens pintadas no teto.

Megan pulou em sua cama e ficou sentada lá como índio, vendo o garoto olhar seu quarto de cima a baixo.

– Nunca esteve no quarto de uma garota, ahn? – Ela perguntou.

Todd fixou seu olhar na menina e caminhou até ela, sentando-se desajeitadamente na beira da cama.

– Já estive sim.

Megan riu desdenhosamente. Aquela era uma garota difícil.

– Eu tenho uns livros muito legais. – Ela começou a falar, mas Todd estava ocupado demais prestando atenção em seus longos cílios e nas sardas ao redor de seu nariz e bochechas. – Você quer ver?

Todd assentiu, sentindo a bochechas esquentarem sem saber ao certo por que.

Ele passou os próximos quinze minutos vendo imagens de cirurgias, órgãos e sangue. Ele se perguntava onde Megan havia conseguido aquilo. Ela parecia bastante feliz vendo as gravuras e explicando para Todd o que sabia. E ela sabia muito para uma menina de oito anos.

Megan estava debruçada sobre o livro, as pernas balançavam no ar, apoiada nos cotovelos. Seus cabelos ruivos caíam em cascatas ao redor de seu rosto e Todd mal conseguia vê-lo. Ela colocou um pouco atrás da orelha e sorriu para o menino. Todd aproximou-se dela e Megan parou o que estava fazendo para ouvir o que ele tinha a dizer.

Ele nunca soube por que disse o que disse. Muitas vezes durante sua vida, ele ria ao lembrar esse momento.

– Eu vou casar com você um dia.

Megan não esperou nem um segundo antes de rir.

– Não vai não. – Ela disse. – Eu vou garantir que isso não aconteça.

Ele quase teve seu coração partido; na verdade, até sentiu-o quebrando, mas nesse momento Megan sorriu para ele e deu uma piscadela.

Na semana que se seguiu, ele não conseguiu comer nada antes de pensar sobre as fotos que Megan mostrou a ele.