All My Life
20 A Call in The Night
Todd acordou atordoado com o seu celular tocando na mesa de cabeceira. Ainda era noite lá fora e uma rápida olhada no relógio mostrou que já eram quase quatro horas da manhã. Ligações há essa hora só poderiam significar coisas ruins.
Seu coração acelerou quando ele leu o nome de Megan na tela de seu celular. Assustado ele atendeu rapidamente.
– Megan? O que aconteceu? É a Lacey?
Ele disse tudo em um só fôlego, receoso do que poderia ter acontecido com sua filha única. Todd nunca tinha estado tanto tempo tão longe dela. Megan soltou uma risada baixa do outro lado da linha e isso acalmou seus medos. Ela jamais riria se algo ruim tivesse acontecido com Lacey.
– Não, relaxa. – Ela disse, baixo. – Lacey tá bem.
Todd lembrou que essa era sua ex-esposa e que supostamente eles não se gostavam. Passando a mão no rosto e sentando mais desajeitadamente na cama, ele perguntou em um grunhido:
– São quase quatro da manhã. O que você quer, Megan?
Houve um silêncio grande do outro lado e Todd considerou desligar o telefone seriamente, até que Megan respondeu com uma voz não só baixa, mas pequena:
– É o meu pai.
Isso chamou a atenção de Todd, mas ele ficou ainda mais confuso do que estava no início da ligação.
– Seu pai? O que tem ele?
Ela suspirou, procurando as palavras certas. Ele sabia que aquele era um tema delicado para Megan, mas também sabia que ela não ligaria para ele de madrugada para falar algo sem importância.
– Ele não se matou. – Ela disse e antes que Todd pudesse responder, continuou: — Eu descobri a verdade.
Ele sentou mais ereto na cama.
– Você descobriu?
Megan ficou alguns segundos em silêncio e depois começou a contar a história de como descobriu aquilo, ou seria melhor dizer confirmou? Contou sobre uma carta de suicídio falsa. Falou sobre sua mãe e as várias vezes que o pedido de exumação do corpo de seu pai foi negado até que a Juíza Hunt cedeu e deu permissão. Contou sobre o caixão vazio, sobre a ajuda de seus companheiros e principalmente sobre a ajuda daquele seu ex-namorado de Nova York, Tommy Sullivan. Contou sobre a chefe de polícia e sobre um psicólogo maluco que havia salvado sua vida. E contou sobre seu pai e sobre como ela esteve certa durante anos, desde que limpou as lágrimas de seus olhos e colocou na cabeça que seu pai seria incapaz de fazer algo daquele tipo.
E Todd escutou, escutou pacientemente durante uma boa meia hora; escutou porque queria saber o final dessa história, mesmo depois de tantos anos, porque era uma boa história verdade seja dita, mas principalmente porque de repente Megan Hunt não era mais sua ex-esposa da qual ele supostamente não gostava, ela era sua amiga de infância, a paixão de sua vida e ele queria saber acima de tudo o impacto que aquele desenredo havia causado nela.
Quando Megan terminou sua história, eles ficaram em silêncio e Todd nem sabia o que dizer.
– Wow. – Ele disse por fim. – É uma história e tanto.
Megan deu uma risadinha.
– É.
– Então... Você estava certa o tempo todo. Ele não se suicidou. – Uma pausa. – Como você está se sentindo?
Ela suspirou.
– Eu não sei.
– Melhor? – Ele tentou.
– Não, não melhor. Só... Mais leve. Quero dizer, ele não fez de propósito. Ele não desistiu de tudo e partiu sem se despedir. Ele não se despediu porque ele não sabia que a última vez que nos vimos era a... A última vez que nos vimos. Sabe...
– Eu sei...
Eles ficaram em silêncio e por algum tempo, Todd poderia jurar que sentia um sorriso em seus lábios no outro lado da linha. Joan nunca havia entendido porque a filha não podia aceitar o suicídio do pai. Mas Todd sempre soube, lá no fundo, que aquele pequeno detalhe, o fato de David Hunt se matar e não ter ao menos se despedido da filha, dava uma quase certeza a Megan que ele não poderia ter feito aquilo de propósito.
Agora ele via que ela não tinha certeza, apenas desejava desesperadamente que sim, que seu pai a amasse o suficiente para não se matar sem dizer adeus, ao menos que fosse só para ela.
– Estou feliz que você tenha descoberto a verdade. – Todd se lembrou das verdadeiras circunstâncias da morte de David Hunt. – Mesmo que a verdade não seja assim tão boa.
Megan deu uma risada e Todd sorriu.
– É, eu também. – Ela respondeu.
Ela parecia prestes a dizer alguma coisa, mas alguém a interrompeu, a voz era baixa e distante, mas Todd pode perceber que era masculina e ouvir suas palavras:
– O que você tá fazendo acordada? Alguma coisa aconteceu?
– Não aconteceu nada. Eu já estou indo. – Ela respondeu, um pouco longe do celular. Depois voltou a falar com Todd. – Eu tenho que ir.
Todd respondeu rápido, quase como se fosse um adolescente se despedindo da garota que ele gostava depois de perceber que ela tinha um namorado.
– É, claro. Você deveria dormir um pouco. Deve ter sido um dia difícil.
– Você não faz ideia.
Eles ficaram em silêncio. Todd deu uma risada abafada e Megan o imitou baixinho. Ele ia se despedir dela, mas Megan falou antes:
– Eu estou feliz que você conseguiu o emprego na Califórnia. Você sempre quis ele.
Todd ficou sem palavras.
– Ahnn... Obrigado.
Megan riu.
– Okay. – Ela disse. – Boa noite, Todd.
– Boa noite, Megs.
Megan desligou o celular no segundo seguinte e Todd ficou com uma expressão feliz e confusa, o que não era nenhuma novidade se tratando de Megan Hunt. Ele voltou a se deitar, deixando-se confortável debaixo das cobertas e fechou os olhos. Como Megan, ele também se sentia mais leve.
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