All I Wanted
2 Capítulo Dois
Notas iniciais
Acordei rezando para que o energúmeno que me cutucava parasse com aquilo.
– Estou acordada! -gritei, jogando o travesseiro.
– Ai!
Droga. Eram as gêmeas.
Elle estava ao chão, massageando a cabeça.
– Seu travesseiro é duro, Harris.
– O que... — Peguei o travesseiro do chão e revirei-o inteiro. Acabei encontrando um anel que era da minha mãe.
Sorri desajeitadamente para Elle que levantava. — Olha... Me desculpe. Começamos com o pé esquerdo. Me desculpe.
– Olha. — disse Vanessa. — Eu e minha irmã nunca fomos ao País das Maravilhas... Talvez, quando o ano letivo acabar, nossos pais deixem a gente passar uns dias com você. É um jeito de acabarmos com essa divisão. Isso irrita. Estamos no mesmo quarto e essa divisão não é legal. Aqui, não somos filhas da Cinderela e a filha da Rainha de Copas. Somos Vanessa, Gabrielle e Hannah. Ok?
– Que bom que alguém tem juízo nessa escola!
Eu disse, me jogando de volta na cama. Ouvimos várias batidas na porta.
– ABRAM A PORTA, SUAS PRINCESINHAS MIMADAS E...
– Chega Cástor.
A discussão tardou a terminar. Quando terminou, as batidas à porta voltaram.
– Abre a porta. — as gêmeas sussurraram para mim.
Porquê eu, mundo? Porquê?
Me levantei e abri a porta.
Uma criatura (lê-se impossível de descrever) estava parada à porta. As duas cabeças olhavam atentamente para mim.
– Bom dia.
– BOM DIA PARA QUEM?
Me assustei com o tom de voz dele. Para quê gritar?
– Cástor, por favor, pare. — A segunda cabeça se virou para mim. — Eu sou Pólux e este é Cástor. Viemos aqui para perguntar se está tudo bem.
– Está... — eu disse... — Acho que sim.
– É que as três, faltaram à todas as aulas, o horário do almoço já passou e, daqui a exatos vinte minutos o sol irá se pôr.
– É que... — Vanessa chegou ao meu lado. — Hannah não acordava, então ficamos com ela, quando ela acordasse levaríamos ela para a Ala Hospitalar.
– Muito nobre de sua parte, Vanessa. Mas, irei escrever aos seus responsáveis. Estão na escola agora, e ficarão por quatro anos inteiros. Que isso não se repita.
Ele (Hm... Ou seria eles? Eis a questão.) se retirou e eu e Vanessa nos entreolhamos.
– Obrigada.
– Não tem problema. Viu? É essa divisão que temos que extinguir. Se for para se ferrar, nos ferramos juntas.
– É...
Como Pólux falou, em exatos vinte minutos o sol se pôs.
– Ficaram mesmo por minha causa? — perguntei certo tempo depois.
– Não. — Elle deu de ombros. Olhei-a, confusa. — Nós não acordamos também.
[...]
O céu estava lindo, e a Floresta Azul cintilava à luz da lua cheia.
Sentei-me com Elle e Vanessa. As cestas estavam cheias de coisas gostosas, um verdadeiro banquete.
– Ei. — disse Vanessa, cutucando meu braço. — Quem é aquele?
– Quem?
– Aquele que está olhando para você a pelo menos meia hora.
Olhei para o lado que ela apontava discretamente.
Sentado sozinho, encostado em uma árvore, estava James.

Ele deu um meio sorriso.
– Um... Amigo meu do País das Maravilhas. — respondi.
– Olha, não me leve à mal. — Elle disse. — Mas ele é lindo.
Nós rimos, mas, mentalmente, não pude deixar de concordar.
– Ele vai te levar ao Baile da Neve, não é?
– O Baile do quê?
– Da Neve. — Vanessa teve a gentileza de me explicar tudo, enquanto Elle fazia comentários sem noção, lembrando das histórias que sua mãe contava sobre o Baile.
– Não sei. — respondi por fim. — Eu jurava que ía ser uma Nunca, e Nuncas não têm Bailes.
– Pelos sapatos de cristal! — exclamou Vanessa. Pelos o quê?
– Nunca diga isso, garota! — completou Gabrielle.
– O.k, o.k! — eu disse por fim. — Mas não deixa de ser verdade.
Elas riram, e eu me perguntei se eu realmente teria sido feliz na Escola do Mal. Talvez sim, talvez não. Nunca se sabe, não é mesmo?
Mas não pude deixar de pensar... Será que James teria a descência de me convidar? Para, Hannah. Não pensa besteira, garota. É claro que ele vai te convidar. "Será?" me perguntou meu subconsciente. Eu desisto de tentar me entender. Apena preciso... Deixar acontecer. Não era isso que Alice sempre havia me dito? Pois é. Hora de colocar isso em prática.
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