Notas iniciais
Eu não ia postar esse capítulo antes do Natal, mas vou precisar já que vou ficar sem pc por um tempinho.
Espero que gostem :*

I don't want a lot for Christmas
There is just one thing I need
I don't care about the presents
Underneath the Christmas tree
I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
You know that all I want for Christmas is you...

Enquanto sua família toda preparava as festividades junto aos demais moradores da cidade no Granny’s Emma andava pelas ruas, cabisbaixa, com as mãos nos bolsos da jaqueta de couro vermelho e os longos cabelos loiros ao vento.

A cidade estava completamente enfeitada: luzes coloridas, estrelas, árvores, bonecos de neve e todo o tipo de adorno feliz que for possível imaginar, o que tornava o estado emocional da salvadora ainda mais caótico.

Ela não estava feliz, não estava contente e muito menos satisfeita. A vida parecia ir muito bem para todo mundo, inclusive para si mesma, se fosse olhar pela visão de outrem. Devia estar bem com Hook e o resto da família junto a si, sendo aceita por todos por quem ela era e principalmente: por si mesma.

Havia ali, entretanto, uma única coisa que não estava certa. Um vazio interior que parecia toma-la aos poucos, até que a engolisse como um buraco negro. Sentia algo faltando, um pedaço seu muito importante, como o gás de seu fogão, a água de seu chuveiro.

I won't ask for much this Christmas
I won't even wish for snow
No, I’m just gonna keep on waiting
Underneath the mistletoe
There's no sense in hanging stockings
There upon the fireplace
Cause Santa he won't make me happy
With a toy on Christmas day
I just want you here tonight
Holding on to me so tight
Girl, what can I do?
You know that all I want for Christmas is you...

Ouvira o telefone tocar e o atendeu com um desanimo incomum, assustando quem estava ao outro lado da linha.

-Fala.

-Hey, mãe... O que houve?

-Nada. O que é?

-O pessoal está te esperando pra começar a ceia.

-Diga para começarem sem mim, eu posso demorar um pouco.

-Mas o pessoal quer você aqui, você é a salvadora, poxa. Eles precisam de você.

-Não estou com fome, garoto. E estou bem longe também.

-A gente te espera. Vem?

-Quem está ai?

-Todo mundo, ué!

-Regina?

-Ah! Ela não quis vir, disse que não era bem vinda.

-Claro. Vou tentar chegar, ok?

-Sim! Por favor! Tente o máximo que puder.

-Me dê 20 minutos, ok?

-Uhum, estamos te esperando!

Desligou o aparelho e respirou fundo passando as duas mãos ao rosto, após guardá-lo em um de seus bolsos. Bufou olhando para os céus como se fizesse um pedido silencioso às estrelas. Podia ganhar o que quer que fosse, não queria nada, não queria a companhia de ninguém, ninguém que não fosse ela.

Acreditou que seria mais fácil quando se livrasse de Robin, mas na verdade não sabia como se aproximar. Tentou algumas vezes e até conseguiu e algumas delas, mas sabia que cenas como as que ocorreram na ultima vez que se viram, quando beberam juntas, não aconteceriam de novo tão cedo – se é que voltariam a acontecer algum dia.

Os passos eram lentos, não tinha a menor pressa de voltar para a civilização. Sentia os olhos arderem. De certa forma, não achava justo ver a felicidade alheia explodindo em cada uma das pessoas presentes naquele lugar, enquanto a sua felicidade estava tão distante, tão...

-Mas que merda, Emma. Vai ficar tudo bem, eu prometo que vai ficar tudo bem.

Flocos de neve começaram a despencar sem pressa do céu e arrancou-lhe um sorriso triste, lembrando-se dos últimos acontecimentos: Elsa... Anna... Ingrid… A verdade é que ela sempre perdia todos que amava. Isso caso conseguisse te-los.

And all the lights are shining
So brightly everywhere
And the sound of children's
Laughter fills the air
And everyone is singing
I can hear those sleigh bells ringing
Santa won't you bring me the one I really love
Won't you please bring my baby to me...

Parou a poucos passos da porta do estabelecimento que brilhava como se fosse carnaval. Dali de fora podia ouvir a música animada, a conversa alta em tom divertido, o riso das crianças que corriam para lá e pra cá.

Ergueu a mão para a maçaneta e deu a volta sobre os próprios pés, quase desistindo da ideia. Quase.

Emma engoliu o ar e pintou o melhor sorriso que conseguia em seu rosto. Finalmente virando e pedindo forças mentalmente para que suportasse umas duas horas em meio a toda aquela alegria.

A mão foi lenta no giro. Ao entrar naquele local fora muito bem recebida por todos aqueles que a esperavam ansiosamente. Distribuiu alguns abraços e tentara ser gentil ao máximo os presentes até que o pirata se aproximou com aquele sorriso cafajeste, buscando-a como um cachorro busca seu osso.

-Emma!

-Hook.

-Estávamos esperando por você.

O rapaz buscou um abraço que foi bloqueado por duas mãos firmes em seu peitoral impedindo a aproximação do pirata e virou o rosto, fazendo com que seu beijo caísse em sua bochecha, desgostosa com toda a situação.

-Ahn... Eu fiz algo de errado?

-Não. Eu só... Estou preocupada.

-Deixe-me adivinhar: Regina?

-Quão perspicaz.

-Eu nunca vou ter uma chance real, não é?

-Honestamente? – Ele assentiu, arqueando uma das sobrancelhas –Já teve, você só... Não é quem eu estou procurando.

-Eu não sou Regina, você quer dizer.

-Não, você não é.

-Que pena. Para nós dois.

-Nisso eu preciso concordar...

-Emma! Emma! – Interferiu Snow, puxando a filha para que ela fizesse um discurso antes que o pessoal estivesse liberado para atacar a mesa e se servir à vontade. –Venha, estávamos esperando seu discurso!

-Você está louca? –Sussurrou, para que só ela ouvisse. –Eu não tenho o que dizer.

O tilintar do metal no vidro ecoou pelo ambiente assim que o som fora diminuído, chamando a atenção dos convidados e fazendo-os prestarem atenção no que seria dito em seguida.

-O momento que nós esperávamos Emma, a cidade gostaria de te agradecer por tudo o que tem sido feito nos últimos anos, nós todos lhe devemos grande parte de nossas vidas atuais, do que construímos juntos. Cada um de nós já foi salvo por você ao menos uma vez, nada seria o mesmo sem você.

-Isso!
-Valeu, Emma!

-É! Valeu salvadora!

A mulher fora praticamente ovacionada pelos presentes, que batiam palmas e chamavam seu nome até ouvirem o tilintar novamente e então passaram a bola para que ela dissesse alguma coisa, mas Emma se calou.

Snow cutucou-lhe, sussurrando uma espécie de ordem de mãe para que ela dissesse alguma coisa e com um revirar de olhos, foi o que ela fez.

-Er... Obrigada. –Olhou para todos e já ia saindo do centro do local, mas viu sua mãe fita-la de forma meio mortal e sorriu sem graça, dando o melhor de si, como tinha se prometido antes de adentrar no local. –Mas eu não posso aceitar isso, sabe? Todos aqui nessa cidade se ajudam o tempo todo, todos dependem de todos. Eu não sou salvadora. Como eu poderia ser algo do gênero se eu falhei tantas vezes, comigo, com meus pais, com aqueles que eu amo acima de tudo? Como eu posso aceitar esse título se eu consegui estragar o final feliz de quem mais precisava? Eu não quero nada que vocês possam me dar, além do perdão, mas a verdade é que eu não posso continuar com isso. Não quando tudo o que eu queria nesse Natal está completamente fora do meu alcance.

Tentou tragar a situação, o nó na garganta, olhando para a plateia silenciosa enquanto uma lágrima solitária percorria o seu rosto alvo e respirou fundo, engolindo o ar, engolindo o choro.

Viu Hook envergonhado e decepcionado andar até a porta, retirando-se do local, chamando a atenção de todos. A surpresa foi ainda maior, ao notarem que ao lado da porta, ao fundo, havia uma morena olhando com o cenho franzido e empatia para a loira.

Os olhos de Emma estavam levemente avermelhados, pensou em uma porção de coisas, mas, mais uma vez, fora interrompida por sua mãe.

-Emma...

-Eu te prometi. Tudo o que eu queria... Era o seu final feliz e eu falhei. Eu não podia falhar, mas eu falhei...

I don't want a lot for Christmas
This is all I’m asking for
No, I just wanna see my baby
Standing right outside my door
Oh I just want you for my own
More that you could ever know
Make my wish come true
You know that all I want for Christmas is you
Is you...

-Emma, eu preciso lhe dizer uma coisa: Eu encontrei isso…

Regina desfilou por entre os cidadãos de Storybrooke até alcançar a xerife e lhe entregou um pedaço de papel dobrado, o qual não demorou a ser desdobrado por ela que, ansiosa, sentiu aquele nó se travar na garganta ao ver a cena desenhada no papel. Seus olhos subiram e encontraram os de um castanho muito escuro, os lábios tremeram um tanto quanto hesitantes.

-O que...

-Operação Mangusto.

-Isso quer dizer que...?

-Que eu posso fazer o seu desejo se realizar.

Os moradores da cidadela cochichavam entre si, confusos, sem entender absolutamente nada do que viam. Snow olhava a cena com desejo de botar fogo naquele lugar, não podia acreditar no desenho que via nas mãos da filha e virou o rosto do filho que carregava no colo na direção contrária à irmã, enquanto a reação de seu marido e neto eram o completo oposto, quase como se eles estivessem torcendo por aquilo.

Os olhares se cruzaram por poucos segundos, que mais pareciam uma eternidade ambas. Foi então que Henry, para facilitar a vida de suas mães, segurou um azevinho acima de suas cabeças, arrancando um sorriso de Regina. A velha tradição fez com que a morena finalmente tomasse coragem de puxar a outra pela nuca, procurando colar os lábios com sucesso e permitir que as línguas e encontrassem, dançando juntas como em uma valsa, com passos que pareciam ensaiados.

Emma segurou a mulher pela cintura e mais lágrimas escorreram, lágrimas de felicidade que salgaram o beijo apaixonado que elas trocavam e fizeram com que Regina interrompesse o contato para limpar as lágrimas e sorrir largamente, assegurando à sua salvadora que tudo ficaria bem dali pra frente.

Alguns comentários felizes e animados ecoaram pela lanchonete junto a algumas palmas e assovios, Snow era a única que não entendia com aquela equação era perfeita, era o final feliz de todos.

-Tudo o que eu queria para o Natal era você.

Emma confessou o óbvio e as bocas logo voltaram a se encontrar em um beijo saudoso e apaixonado, lento, carinhoso e ao mesmo tempo intenso, se encaixavam com perfeição de mais para ser verdade.

Notas finais
Ah, já ia me esquecendo *-*
Feliz Natal e um ótimo ano novo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!