All I Want For Christmas Is... You.
1 Capítulo único
Notas iniciais
Annabeth acordou exasperada – aquele era o décimo pesadelo que tinha. Todos envolvendo Percy correndo alguma espécie de perigo; e o que mais lhe preocupava era o fato de que todos os seus sonhos acabavam se tornando realidade.
Pare, Annabeth. Percy está bem.
De repente, ela se perguntou onde estava com a cabeça para ter aceitado passar o ano na casa de seu pai, longe do Acampamento e de seu namorado. O que ela estava pensando quando recebeu o convite? Que seria uma boa oportunidade para se redimir com a madrasta e os meio-irmãos? Ah, por favor.
Ela nunca deveria ter ido á São Francisco.
– Annabeth? – chamou Frederick do andar debaixo. Ela ouviu seus irmãos berrando, o barulho de algum artigo de vidro caindo no chão e sua madrasta gritando tão alto que pensou que seus tímpanos estourariam. Ela fez uma careta ao constatar que o tal objeto que havia quebrado era, na verdade, o vaso de cristal preferido de seu pai. – Desça, temos um café da manhã especial.
Ela revirou os olhos – não era como se o cheiro das panquecas de chocolate não chegassem no quarto mal-ventilado da garota.
– Já vou, pai. – gritou em resposta.
Café da manhã especial?
Annabeth olhou para a mesa de cabeceira – esquecera completamente da data de hoje. O aniversário de casamento de Mariah e Frederick, talvez? Não.
Não, não era o aniversário de casamento de ninguém.
Era Natal.
Ela sentiu os olhos enchendo-se de lágrimas. Percy havia a convidado para passar o Natal em sua casa, sem saber que a namorada já tinha planos. Ela sentiu o coração comprimir-se até virar uma bolinha de gude – depois de tantos pesadelos e a falta de tempo para entrar em contato com o filho de Poseidon, Annie achava que ele realmente corria perigo.
Limpou algumas lágrimas teimosas que escorreram por suas coradas bochechas e se levantou para trocar de roupa e arrumar a cama. Aquele iria ser um longo dia.
– — —
– Annie? – chamou seu pai novamente. Annabeth alisou a camisa e verificou, pela última vez, se carregava tudo o que precisava na bolsa pendurada em seu ombro. Adaga? Ok. Filtro solar? Ok. Néctar e Ambrosia? Ok. Celu... – Anda logo, minha filha, nós vamos pegar um trânsito insuportável.
É Natal, pai. Hoje não tem trânsito nenhum. Os mortais comuns comemoram o Natal em suas casas, com a lareira acesa e assando marshmallows. Eles não vão para restaurantes chiques comer todos os tipos de massas presentes no cardápio.
– Já estou indo, pai.
Desceu as escadas tão rápido que quase caiu no último degrau. Na verdade, teria ido de encontro com o chão se Frederick não tivesse a segurado pelos ombros.
– Faca, Néctar e Ambrosia com você? – perguntou, e Annie assentiu. – Ok, então vamos.
– Por que nós precisamos sair, pai? – ela se queixou. – Ah, vamos, é Natal. Não podemos ficar em casa assando marshmallows e rindo na ceia como todas as outras famílias?
Ele se limitou a balançar a cabeça negativamente. Ao menos eu tentei, ela pensou, dando de ombros mentalmente.
Durante o percurso, tudo o que pôde-se ouvir foram os berros de Bobby e Mattew ao som de Higway to Hell, canção que Annabeth achava que combinava perfeitamente com o momento. Sair no Natal estava na sua lista de coisas que ela mais detestava fazer. Ainda mais quando tinha a horripilante sensação de que seu namorado estava correndo risco de vida, de que o Acampamento estava em guerra e Quíron não a contatara por achar perigoso demais.
Sem drama, Annabeth Chase, ela se repreendeu mentalmente, você só está um pouco preocupada por ser o... Primeiro? Natal que passa longe do Acampamento Meio-Sangue. Só concentre-se na sua pseudo-família e aja como uma adolescente normal.
Virando-se para olhar pela janela, e apertando o boné dos Yankees numa das mãos, Annabeth pensou ter visto um rapaz moreno e alto correndo em direção ao parque que ficava perto do restaurante no qual estava indo. Quem seria louco de correr pelo parque com esse frio horroroso, ela se perguntava.
Dando de ombros, virou-se novamente para frente, quase suspirando de alívio ao perceber que o restaurante se aproximava rapidamente.
E sem nenhum ataque de monstros.
– — -
– Annabeth? – o pai chamou-lhe mais uma vez. – Vamos dar uma volta no parque? Quero lhe mostrar algo.
Ela deu de ombros.
– Pode ser.
Pegou a bolsa que colocara no encosto da cadeira e apertou a jaqueta de couro ainda mais, como se fosse uma proteção extra contra o frio que se dava do lado de fora do restaurante.
Frederick abraçou a filha para esquentá-la, mas não que isso tenha resolvido muita coisa – ele deveria estar ainda mais gelado que ela.
Juntos, pai e filha caminharam para o outro lado da rua, onde ficava um imenso parque. Diferente do que imaginara Annabeth, o parque estava lotado de pessoas que resolveram aproveitar o feriado cristão da mesma forma que a família Chase resolvera.
Com a visão levemente embaçada, Annie avistou um menino moreno acenando. Inicialmente, Annabeth não conseguiu identificar quem era. A fumaça que saía de sua boca entreaberta dificultava a vista de qualquer objeto que estivesse a mais de dois metros de distância.
Mas aquele objeto em especial...
– Feliz Natal, Annie. – Frederick apontou para o rapaz e saiu correndo de volta para o restaurante, deixando para Annabeth uma única opção: caminhar até o garoto que a chamava insistentemente.
Não precisou dar muitos passos para que a expressão de confusão fosse substituída por uma de surpresa e, depois, de felicidade.
– Cabeça de Alga! – gritou a menina, lançando-se nos braços do namorado.
Droga, Chase. Você parece uma filha de Afrodite bobona e melequenta.
É a paixão, respondeu uma voz em sua cabeça. E não ouse chamar minhas filhas de melequentas, Annabeth, ou eu farei questão de acabar com esse relacionamento de vocês e Percy será in-tei-ri-nho da Rachel. Eu teria mais cuidado ao escolher minhas palavras, se fosse você.
Annabeth tentou ignorar a ameaça que a deusa do amor fizera em sua mente e começou a rir, quase sem perceber que algumas lágrimas de alívio escorriam por suas bochechas. Então ele estava bem. E em segurança. O Acampamento provavelmente também estava.
– Feliz Natal, Sabidinha. – Percy murmurou no ouvido da namorada.
Annie se separou do garoto, franzindo o cenho.
– Como chegou aqui?
Perseus parou para pensar, mas isso não enganava Annabeth. Sem deixar que o namorado respondesse, ela deu um tapa no braço dele – que não deveria ter doído, considerando a quantidade de casacos que ele vestia.
– Você veio de avião? – ela deu um tapa na própria testa, como se quisesse berrar todos os xingamentos que conhecia, mas estava se segurando para não atrair muita atenção. – Deuses, Perseus Jackson, como você é burro! Poderia ter morrido, sabia? Talvez por isso eu...
Ela pensou em contar sobre os pesadelos, mas se calou imediatamente. Não queria contar que estivera sonhando com ele durante as últimas duas semanas.
– E eu quase morri, Annie... – ele começou a contar. – Turbulências. Mas fiz isso por sua causa. Já arrisquei minha vida por você antes, não é? Poderia fazer isso de novo.
Percy Jackson... Por que tão perfeito?
Annabeth corou com o pensamento... E com a declaração, é claro.
– Pelo menos você está bem.
Ele sorriu. Aquele sorriso que parecia fazê-la se derreter completamente. Um sorriso que, mesmo no frio, a deixava com um calor inexplicável.
– Eu te trouxe um presente. – ele puxou uma caixinha do bolso, e a entregou para Annabeth. Era azul e tinha uma fita cinza – sua cor favorita mesclada com a cor favorita de Percy. – Abre, vai.
Ela quase se sentiu mal por não ter comprado nenhum presente, mas abriu a caixinha. Dentro dela continha uma pequena pulseira, com um pingente de coruja – pasmem – azul.
– Ah, Percy... Obrigada. – ela deu um selinho no namorado e colocou a pulseira, admirando-a em seu pulso. – É linda, puxa. E eu não te comprei nada.
– Não precisa. – ele deu um sorriso amarelo. – Você nem sabia que eu vinha... E meu maior presente é...
Annabeth calou-o com um beijo, mas, no fundo, sabia – ou queria – que a palavra que faltava para completar a frase era você.
I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
All I want for Christmas is you
Notas finais
Pouco convencida.
Feliz Natal, gatos e gatas - e cavalos e éguas, e pássaros e pássaras, e minhocas e minhocas, e bois e vacas, e tigres e tigresas e
Fale com o autor