All I Want (EM REENCONSTRUÇÃO) 04/2020
34 Capítulo 33
Notas iniciais

Minha vida é sua
Yasmim
Peguei minha passagem e entreguei a moça que analisa as passagens. Ela sorriu e acenou.
–Boa tarde senhorita, boa viagem. –Sorri em forma de agradecimento e puxei minhas malas até o avião. O carregador pegou o meu carrinho e a levou para dentro, colocando as em cima.
Cumprimentei as pessoas que sentariam do meu lado pelo o resto da viagem, e peguei meu celular discando o número de Aaron. Caiu na caixa postal e eu desliguei o celular.
Depois de nove anos, resolvi voltar para Miami. Estou com saudades de todo mundo, apesar de que eles nem devem lembrar mais de mim. Talvez o Aaron e o Tio Ronald, mas Alexia e Seth... Eu tinha dúvidas. Um dos motivos de eu não ter dado notícia, foi meu pai tirar o meu celular, e eu ter ficado de castigo. E depois de alguns meses, fiquei para recuperação em três matérias na escola, e tive que estudar muito. Passei de raspão, e eu fiquei sem graça de ligar para eles, e desisti deles.
Confesso que pensei em voltar quando atingi a maioridade. Mas além de ser gerente da cafeteria que estava no auge agora, e que não pude ir para Miami, justamente por esse motivo, tinha outro fato, Seth tinha 13 anos, eu não sei se ele gostava de mim ou não, se ele se lembrava de mim ou não. Só sei que é considerado pedofilia, se tivéssemos em um relacionamento, então resolvi esperar por mais três anos.
E aqui estou eu, voilá!
Sou dona da cafeteria Starwoods, o que foi considerado pela maior parte do mundo, como umas das melhores cafeterias do mundo. Imagina minha felicidade. Comecei a trabalhar lá, com 16 anos de idade e fui evoluindo de cargo.
Agora, ficarei definitivamente, em Miami. Comprei um apartamento no centro da cidade e tenho uma moto, eu adoro motos.
Desci do avião e o carregador trouxe o carrinho com as malas para mim. Dei uma gorjeta e caminhei até a rua. Entrei em um táxi e pedi para o motorista me levar no destino que falei. Casa do Tio Ronald. Desci do carro, e o taxista tirou as malas e colocou no chão. Paguei-o e toquei a campainha. Eu estava nervosa. Será que ele ainda morava lá?
–Quem é?
–Ronald mora aí?-Perguntei hesitante quando ouvi uma voz grossa.
–É o próprio. Quem fala?
–É a sua sobrinha.
–Mas eu não ten- CARALHO, YASMIM?
–Oi tio. –Ri e ele desligou o interfone. Fiquei sem graça e me afastei devagar. O.K não esperava isso dele. Coloquei minhas malas um em cima da outra e comecei a puxar caminhando pelo enorme calçadão.
–YASMIM! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? VOCÊ É A YASMIM? CARALHO, ESTOU FALANDO PRO VENTO. –Virei assustada e ele olhava para os lados com cabelo desarrumado. Ele olhou para mim diversas vezes e olhava para os lados. Eu estava tão irreconhecível? Ele olhou novamente para mim e arregalou os olhos. –Mentira, que tu é a Yasmim, tu mudou pra caramba, espera você é a Yasmim né-Assenti lentamente. –Caramba, só quero ver a reação do Aaron. Entra aí.
[...]
–Mas me conta aí, como está sua vida?
–Está ótima, terminei minha faculdade para o caso der algo errado. Fiz advocacia. Mas só usarei essa faculdade quando eu realmente precisar.
–Está trabalhando?
–Atualmente, sou a dona da cafeteria Starwoods. –Ele riu e bateu palmas.
–Cafeteria ótima, caramba, sua vida está perfeita. E namorado?
–Sem namorados. –Respondi e olhou para mim sem expressão nenhuma, provavelmente pensou em algo. –E você tio? Casado?
–Solteiro. Aaron só chega à noite, se quiser descansar no quarto dele... –Ele sugere e eu sorri com a mesma bondade que ele sempre teve. Levantei e dei um abraço a ele.
Estava com dor de cabeça e resolvi deitar, mas não antes de tomar um banho.
[...]
Quando deram oito horas da noite, eu acordei e fui até a sala. Tio Ronald jogava DC Universe.
–Posso jogar? –Perguntei. Ele levantou do sofá e me entregou a manete. Começamos o primeiro round, e eu jogava com o arqueiro verde. Perdi três seguidas. Suspirei frustrada e uma porta foi aberta e uma figura alta com barba e aparência cansada adentrou na sala jogando a mala no chão. Ele olhou para mim e revirou os olhos levemente. –Por acaso, você traz muitas mulheres aqui? –Perguntei, e o Ronald riu balançando a cabeça positivamente. –Oi Aaron, não vai cumprimentar sua prima?
–Eu nem sabia que tinha prima. –Ele falou óbvio e parou em frente a mim. Levantei e batia no seu peitoral. Levantei a cabeça e sorri.
–Seu arrombado, sou a pirralha. –Ele olhou estranho para mim e arregalou os olhos se afastando.
–Nanica... –Ele riu e sentou no sofá levemente surpreso. As pessoas crescem, poxa!–Caramba, você está muito gata e grande. Está com um belo corpo. –Eu ri dando tapa no seu braço. –Esperava que você superasse as suas manias irritantemente chatas. –Reclamou e apontei o dedo pra ele. –Essa, por exemplo, eu não faço mais.
–Não ligo, me conte, está com a Alexia ainda?
–Estamos noivos. –Eu sorri feliz, e bati palmas. –Talvez vamos nos casar ano que vem. E você?
–Fiz faculdade, e sou dona da cafeteria Starwoods. –Ele riu surpreso e assentiu. –E Alexia, trabalha com que?
–Ela está vindo aí, vamos sair, e levar o Seth para festa. –Quando ele pronunciou o nome do Seth, ele abaixou um pouco a voz. –Acho que não vai conseguir conversar com ela. –Concluiu visivelmente incomodado com a situação. –Vou tomar um banho, já volto.
[...]
Aaron esperava sentado e ainda continuava incomodado. A campainha toca e ele levanta olhando para mim.
–Vou para o seu quarto, e não diga que estou aqui, por favor. –Ele entende e eu vou para o seu quarto e fecho a porta encostando o ouvido na porta. Ouço vozes mais perto. Perto o suficiente. Droga, o que o Aaron está fazendo? Abaixo a cabeça, e tento achar uma solução. Vejo sombras abaixo da porta, e a maçaneta sendo virada.
–Não entre, estou nua. –Gritei eufórica. Fecho os olhos, me arrependendo em seguida.
–Quem está aí Aaron? –A voz feminina está zangada. A voz de Alexia estava fina. Muito fina. –Me responda.
Abro as portas sorrindo. Apenas o Aaron e Alexia estavam na porta. Coloco a cabeça pra fora e vejo um garoto alto arrumado, com blusa preta e uma calça jeans, e tênis vans. Meu coração acelera, e começo a ter dificuldade para respirar. Ele está jogando com Tio Ronald. Puxo a Alexia para o cômodo e abraço com força. Ela está linda! Maravilhosa.
–Alexia, é a Yasmim. –Murmuro. Ela começa a pular e a me abraçar com força. –Não conte para o Seth. –Disse e ela se afasta sem sorrir.
–Como assim? Por que não? Ele está solteiro, ele ainda gosta de você.
–Preciso conversar com ele. Mas não agora, ele não pode me ver aqui. –Eu passo a mão na testa. –Faz assim, me passa o endereço da festa que eu vou e converso com ele. Preciso me arrumar. –Ela me olha confuso, e assente hesitante.
[...]
Encaro a enorme casa a minha frente. A música estava tão alta que sentia o tremor nos meus pés. Tinha vários copos espalhados pelo chão e a porta estava aberta dando para ver perfeitamente as pessoas se agarrando, conversando, bebendo.
Subo as escadinhas, e fico na porta incomodada porque as pessoas ali me encaravam. Pensando bem, o que estava vestindo não é adequado para esse tipo de festas. Enquanto as meninas usavam vestidos colados ao corpo ou uma calça jeans, e blusas curtas, eu usava um vestido laranja com flores brancas e solto. E com uma jaqueta jeans sem mangas. Estava mais para piquenique que festa. Literalmente.
Ali na porta, o vi. Estava bonito e alto. Provavelmente a blusa de mangas que usava era de uma banda. Os cabelos estavam um pouco grandes espalhados pela testa. E segurava um copo. Ele conversava com alguns garotos, provavelmente seus amigos e ria. Sorri também. E ele desviou o olhar para os seus amigos, e olhou para porta. Olhou para mim.
Pensei em sorrir, pensei em entrar na festa por completo, pensei em acenar, pensei em correr até ele e o beijar. Pensei em muitas coisas, porém fugir estava no topo. E ficou bem clara que essa era opção certa a fazer, quando vi uma menina loira o abraçar pela cintura. Ele não desviou o olhar quando a menina o abraçou. Pelo contrário, parecia que queria se libertar dela, mas não fiquei lá para ver o que ele iria fazer. Desci a escadas e virei em uma rua, andando rapidamente.
Fico zangada por ter tido três namorados e nenhum deles me fez o esquecer. Fico irritada, porque todo mundo dizia que era só uma fase e olha só? Não era a droga de uma fase! Fico mais zangada ainda por não conseguir superar um amor de verão, infância sei lá. Eu estava com uma vontade enorme de chorar.
–YASMIM! –Paralisei quando ouvi uma voz grossa demais. Pensei em Aaron e Tio Ronald, mas eu sabia que não eram eles. Devia ter continuado a andar fingindo que não era eu. Mas ter parado foi à prova de que eu era a Yasmim. E ter virado para trás foi à prova mais suficiente para indicar que eu era a Yasmim. Talvez, só talvez eu esteja um pouco paranoica. Seth estava na escadinha me encarando, e eu podia correr ali, porque estava longe o suficiente.
Entretanto, eu lembrei que estava de salto. E alto. Se eu corresse, provavelmente quebraria a perna. Então, o ignorei e virei voltando a caminhar, só que um pouco mais rápido. Eu ouvi várias vezes ele me chamar. E fiquei em pânico, porque quando virei para trás, ele estava perto o suficiente. O.K, talvez eu esteja muito paranoica.
Ele puxou minha mão, e eu parei virando lentamente. Ficamos alguns minutos em silêncio.
–Sua mão era macia. –Comecei e ele me olhava sério. Estava tenso. Puxei minha mão lentamente, e coloquei atrás das minhas costas.
–Por que parou de me ligar?
–Eu- Comecei a gaguejar e parei fechando os olhos. –Eu fiquei de castigo por um bom tempo e fiquei para recuperação no colégio, e já fazia tanto tempo... Então não tive coragem de ligar novamente. –Ele me encarava sem expressão. –Eu preciso ir para uma cafeteria e até mais. –Murmurei baixo já me afastando.
–Posso te acompanhar?
[...]
Empurrei a porta e sentei numa mesa vazia.
–Boa noite Senhora Yasmim, deseja algo? –Uma garçonete pegou o bloquinho e pegou a caneta.
–Só uma água. –Olhei para o Seth e ele me encarava pensativo, eu acho. –E você?
–Chocolate quente. –Respondeu sem desviar os olhos. A garçonete sorriu e adentrou dentro do estabelecimento. –Você está linda.
–Você também. –Respondi. Mordi os lábios, nervosa, e encarei um casal atrás dele. –Como está a escola?
–Um saco. Você tem namorado? –Arregalei os olhos.
–Você é tão direto assim?
–Não. –Ficou envergonhado. –Me desculpe, é que estou surpreso.
–Não tenho. Você tem?
–Não. Elas não conseguiram me fazer te esquecer. Eu sei que faz muito tempo, mas ainda gosto de você. Muito. –Sorri e ele sorriu também e começamos a conversar sobre vários assuntos.
Quando vi as horas, já são 2 horas da manhã. Arregalei os olhos, e levantei da mesa, chamando o Seth para ir junto. Eu o levaria para sua casa.
–Não vai pagar?
–Não. –Olhei para ele confusa e lembrei que não tinha contado. –Sou dona de Starbucks. Agora venha que preciso te levar para sua casa. –Ele rolou os olhos.
No caminho, conversamos sobre mais coisas. Eu estava tão feliz, foi como se eu voltasse há nove anos e revivesse tudo de novo. Eu sabia que não era só fase, para outros podem ser, mas para mim, nunca vai ser. O que eu sabia sobre amor? Amor é só bom quando você é correspondida. Mas quando acaba, é a pior sensação do mundo. Você parece que vai morrer lentamente. Talvez você supere, talvez não.
Estávamos em frente a sua casa. Igualzinha como antes. Antes de ele dizer alguma coisa, resolvi dizer o meu destino.
–Vou morar aqui, perto de Starbucks.
O que eu não esperava é que ele avançasse e me puxasse o meu rosto selando nossos lábios. E dessa vez, beijamos de verdade. Não foram apenas selinhos.
–Acho que devemos ir devagar. –Disse me afastando. –Vamos recomeçar de onde paramos.
–Nós estávamos beijando. –Bufou e tentou me beijar novamente, mas eu o empurrei levemente. –O.K, quer sair comigo amanhã? Posso te mostrar a cidade.
Revirei os olhos e assenti sorrindo.
–Último selinho?
–Não.
–Por favor?
–Não.
–Só pra ficar legal.
Comecei a rir e ele me puxou pela cintura juntando nossos lábios.
Está aí uma coisa misteriosa. Existe cerca de 5 bilhões de pessoas ou mais neste planeta, mas, a gente acaba se apaixonando por uma determinada pessoa e não quer trocá-la por nenhuma outra.
Finalmente seremos eu e você.
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