All I Want (EM REENCONSTRUÇÃO) 04/2020
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Mulheres são complicadas!
Alexia
–Conseguiu mamãe?
–Não. –Minha mãe estava séria e ligava para cada parente, mas todos inventavam uma desculpa para não emprestar o dinheiro.
Egoístas.
Enfim, acenei para minha mãe e subi as escadas do hospital. Fiz uma oração antes de entrar no quarto. Peguei a cadeira que estava perto do armário pequeno e a coloquei do lado da cama onde meu pai estava deitado. Tubos espalhados pelo seu corpo me incomodavam. Muito. Evitava o máximo de olhá-los.
–Oi papai. Tudo bem? Eu estou bem. Quero te apresentar o Aaron. Quando você ficar bom, ele vai conversar contigo. Estamos juntos. Mamãe e Seth estão bem. Ela está aqui, daqui a pouco vai visitá-lo. Seth não pode entrar aqui por ser menor, entretanto você vai melhorar rapidinho e vai poder vê-lo. Ele gosta de uma menina acredita? Acho fofos, mas são muito novos para namorarem. Nesse exato momento, ele está na casa do amigo dele, amanhã ele vai pra escola. –Respirei fundo e conferi o relógio. Precisava ir embora. –Vish, tenho que ir papai. –Levantei e dei um beijo na sua bochecha. –Sinto sua falta.
Saí do quarto e desci as escadas despedindo da mamãe. Voltei pra casa de ônibus. A casa estava silenciosa. Sorri de lado e subi as escadas, atravessando o corredor e parei no meu quarto. Enquanto pegava a toalha para banhar, eu desabei. A vida está uma merda. Soluçava alto e só piorava. Liguei o chuveiro e sentei no chão, chorando mais que antes.
–Sinto sua falta pai. Volta para mim. Onde você está? Pai! Eu preciso de alguém e tem que ser você. Não me abandone.
[...]
Saí do banheiro e olhei o celular. Duas chamadas perdidas de Lauren.
Ignorei e liguei para o Aaron. Ele não atendia desde cedo. Será que tinha acontecido algo?
Resolvi ir para sua casa. Toquei a campainha e seu pai atendeu.
–Boa noite Sr. Ronald, o Aaron está? –Ele sorriu meio sem graça. Ele negou. –Ele não atende as minhas ligações e eu estou ficando preocupada.
–Ah querida, deixa ele pra lá, ele foi visitar a Yasmim e lá não tem sinal, amanhã você conversa com ele. –Acenei e fui embora. Mentiu na cara dura. Fiquei irritada com isso.
***
Aaron
Lá estava eu deitado na grama do parque desde 7 horas da matina. Resolvi faltar à aula e não atender ninguém, não estava bem. Alexia me ligou várias vezes e recusei as todas.
Era seu aniversário. Hoje ela faria 17 anos, se ela não estivesse morta, se não estivesse suicidado.
Olhei para ela e ri alto. Sua cara estava toda suja de chantili. Úrsula tenta me sujar também, mas não consegue.
–Caramba, deixa eu te sujar, babaca. Não é justo ser a única suja aqui. –Ela bufou e sentou-se à mesa chateada. Sim, estávamos na escola e ela estava sentada em cima da mesa. Ela é a mais louca da escola, se bobear do mundo. Puxei seu braço, mas ela retirou. Tentei de novo, e ela me mordeu.
–Canibal, rejeita meu abraço não. –Úrsula revira os olhos e senta no meu colo de lado e me abraça. Ficamos assim por um bom tempo, até que vimos a diretora de longe. Fudeu! Puxei a Úrsula e corremos até a quadra e ficamos atrás da casa de banheiro. Mas para ficarmos nós dois ali, ela tinha que me abraçar e levanta-la um pouco já que ela é baixa. Senti um aroma diferente e vi que vinha do cabelo dela. –Mudou de xampu?
–Sim, enjoei de morango, agora é melancia. –Sorri, minha fruta preferida, a abracei com mais força e ela resmungou um palavrão. –Você é grudento de mais.
Suspirei e sentei novamente. Até hoje não visitei seu túmulo. Eu sou um covarde e sempre vou ser.
Úrsula estava deitada na minha cama, pensativa.
–Oppa... –Esse era um dos apelidos que ela me chamava. –Eu sou feia?
–Não. –Respondi olhando para televisão. Jogava Crash e estava enfrentando o chefão. –Está gostando de alguém?
–Sim. –Sorri e a incentivei a falar um pouco mais. –Estou em dúvida se eu declaro pra ele ou não.
–Declara, a não ser se você estiver na zona de friendzone. Ai já era. –Ela ficou calada, e eu a virei observando. –Você gosta tanto dele assim?
–Eu o amo. –Falar de amor com a Úrsula nunca dava certo, porque eu não sabia dá conselhos.
–Então tenta, ou é sim ou é não.
–E se for não?
–Segue em frente. Existem outros caras e outras oportunidades.
–O.K Oppa, vou me declarar amanhã para ele, só espero que seja um SIM.
–Também. –E gritei ganhando do chefão.
Olhei para o celular e vi que era quase meia noite. Decidi voltar para casa.
Feliz aniversário Úrsula.
Abri a porta da geladeira e peguei duas fatias de pizza.
–Alexia veio aqui. –Fechei os olhos passando a mão no rosto. –Quando vai falar pra ela sobre a Úrsula? Eu disse que você foi para casa da Yasmim, mas eu sei que ela não acreditou.
–Mais frente, eu digo. Ela está cheio de problemas.
–Você devia ter atendido pelo menos uma ligação dela, agora ela vai está cheio de desconfianças. Mulher é fogo, Aaron.
–Tá, não enche, não estou bem. Amanhã eu resolvo com ela.
–Boa sorte filhão, porque vai precisar.
Terminei de comer e fui tomar um banho.
[...]
Coloquei meus cadernos no armário e esperei a Alexia passar no corredor. Ela estava conversando com as amigas delas. Ela não olhou uma vez sequer para mim, ou não minha direção. Na língua do meu pai, eu estava lascado. Finalmente, ela estava passando no corredor. Fiquei sem graça de chamá-la, eu simplesmente fiz o que não devia ter feito.
–Oi Alexia.
Ela passou reta continuando a conversar com as garotas.
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