All I Want (EM REENCONSTRUÇÃO) 04/2020
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Lembranças nem sempre são boas
Coxinha
The Mowgli's — Carry Your Will
Sim, eu sou gay.
Vicent e Yuri são as únicas pessoas que sabiam sobre a minha homossexualidade. Creio que o resto nem imagina a minha opção sexual. A questão de homossexualidade é um assunto bem delicado para ser discutida. Afinal, ainda existe preconceito no mundo.
Quando ouvi a voz de Alexia, eu fiquei com pena da Liz. Ela estava tentando matá-la. Eu não sei o que realmente aconteceu, mas o Aaron entrou em desespero e entrou no banheiro. Eu ouvi o barulho da água e murmúrios. Quando encarei a Liz, ela estava chorando.
–Arrependida? –Ela chorou mais ainda e colocou a mão no rosto. –Tarde demais para isso. –Respondi. –Reza para ela está viva senão, quem irá dessa vez para o inferno... É você.
Eu não estava nem um pouco surpreso com que a Liz tinha feito. Acho que isso é genética. Quando ela era mais nova, o irmão dela matou sua esposa depois de descobrir que ela estava traindo-o. Triste realidade.
Corri até o banheiro e o Aaron estava com dedos enfiados na garganta de Alexia. Seria uma cena maliciosa se a situação não fosse séria. Virei o rosto quando a morena teve ânsia de vômito. Os olhos delas estavam revirados e ela murmurava coisas sem sentido. Por dentro, eu estava em desespero, porque eu nunca passei por uma situação como essa. O que era pra fazer afinal? Dei um passo na direção deles e o Aaron pegou a no colo e ligou o chuveiro, pegando seu corpo e jogando dentro da água. Foi uma cena doida e ao mesmo tempo triste. Ele apertava sua barriga, mas ela não conseguia jogar nada pra fora.
–Cacete! Temos que levá-la para o hospital. Ela consumiu bastante comprimido. Quase três cartelas. Sabe dirigir? –Neguei. –Droga! Chama o vizinho e conta a situação. Anda Coxinha! Acelera, caramba!
Assenti meio desnorteado. Corri batendo porta em porta, até que um homem com aparência de universitário abriu e me pegou pela gola.
–Você está querendo morrer, moleque?
–Minha amiga está passando mal, ela precisa ser socorrida. Você tem carro? –Ele me soltou imediatamente e virou o corpo olhando para os lados. No seguinte instante, Aaron aparece no corredor arrastando o corpo de Alexia pelos braços. Deus! Ele não conseguiu carregá-la. O universitário viu-os e saiu correndo.
–O que aconteceu?
–Tomou muito remédios. Você pode me ajudar? Tem carro? –O cara assentiu e pegou a Alexia e desceu as escadas rapidamente. Elevador é mais rápido.
Aaron me deu um soco e eu o segui.
Quando chegamos ao hospital, os enfermeiros colocaram seu corpo em uma maca e a levou para uma sala, e um médico saiu da outra sala e foi para essa. E isso foi em menos de um minuto.
***
Aaron
Passar novamente, a mesma situação por isso é uma tortura.
A mãe de Alexia quando soube da notícia veio correndo. Avisamos aos nossos amigos e todos nós estamos esperando por alguma notícia dela.
Coxinha me cutucou querendo conversar comigo em particular. Resolvemos ir para cantina comer algo.
–Você parecia saber o que estava fazendo naquela hora. –Eu assenti já sabendo até onde aquilo iria. –Quer me contar algo?
Neguei. Ele assentiu e pediu a moça um sanduíche e refresco. As lembranças que não queria que voltassem, surgiram.
Eu estava jogando vídeo game quando meu pai entra no quarto com cara de enterro. É raro ele fazer isso, então sabia que algo de ruim tinha acontecido. Chorei por uma semana inteirinha quando soube que Úrsula tinha morrido. Ela tinha cometido um suicídio. Ela tinha falhado duas vezes. E nas duas, eu a salvei. Da mesma forma que fiz com Alexia. É como diz um ditado: você erra duas vezes, mas na terceira, você sempre acerta. Ou algo assim. Eu estava tão mal que não compareci no seu enterro e nem na escola. Eu sabia que iria ser julgado quando pisasse naquela escola.
Pedi meu pai para que mudasse e ele assim o fez. Durante dois anos, eu não consegui superar sua morte. Eu desconfiava o motivo do seu suicídio. E eu tinha apenas 13 anos.
Encarei o cardápio e pedi apenas um refrigerante e um salgado.
Lanchamos e voltamos para sala de espera. Encarei a galera esperando por algo, e alguns negaram.
[...]
A mãe de Alexia tinha ido conversar com médico sobre o seu marido e pediu para que a avisasse quando recebesse alguma notícia. Depois de longos minutos, o médico apareceu. Finalmente.
–Quem é parente de Alexia?
–A mãe dela me deixou responsável por ela.
–Você é? –Ele perguntou olhando para o papel. Acredito que sejam exames.
–Namorado.
–Desculpe-me, quando a mãe dela aparecer, diga a ela para me procurar no terceiro andar.
–Ela está cuidando de outro caso. O marido dela também está nesse hospital.
–Qual nome dela?
–Não lembro. Mas o marido dela chama Higor. –Ele piscou várias vezes e assentiu.
–Me acompanhe rapaz, ela já acordou. –Fui seguindo ele e entramos no elevador. –Ela foi levada para outro quarto. O quadro dela é estável, mas não descarto que ela pode está com depressão. Preciso que converse com ela sobre isso. Não agora, mas um pouco mais tarde. –Assenti ouvindo cada palavra que ele pronunciava. Depressão? Cara, isso é muito sério.
Paramos em frente uma porta branca com um número. 522.
–Voltarei em cinco minutos. Tragarei remédios. Se ela tiver algum surto, em cima da cama, estará um botão vermelho. Aperte imediatamente. Boa sorte.
Inspirei e expirei várias vezes.
Ela estava deitada vendo TV. Entrei devagar e ela virou me encarando e voltando a ver TV. Peguei a cadeira que estava do outro lado do cômodo e coloquei ao seu lado. Por onde eu iria começar? Eu estava muito feliz por ela está bem, apesar de que está pálida.
–Você está bem? Eu fiquei preoc...
–Te odeio.
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