All I Want (EM REENCONSTRUÇÃO) 04/2020
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Dia ruim todo mundo tem
Yasmim
Jacksonville? Observei meu tio e vi que estava falando sério. Ele não podia fazer isso. Não, quando minha vida está ótima.
–Tio Ronald, eu não quero voltar.
–Não posso fazer nada Yasmim, eles são seus pais. Você irá partir amanhã na parte da tarde, na ferrovia.
–Eles não se importam comigo, eles nem vêm me buscar.
–É porque eles têm que trabalhar querida.
–Não me chame querida. –Gritei e bati o pé no chão. Sua expressão calma foi trocada por uma expressão zangada.
–Você tem escola Yasmim. –Sabia que eu iria chorar. –Não chore, você pode voltar nas férias.
–Eu te odeio. Eu te odeio. Eu te ODEIO. –Fui para o quarto de Aaron e bati a porta com força.
–Eu não admito que você fale desse jeito comigo! Pede desculpas.
Filho de uma p***!
–Você acha que não te conheço Tio Ronald? Será que você é meu tio mesmo? –Vi confusão em seus olhos. –Ou você é meu pai? –Ele arregalou os olhos.
–O que você está dizendo garotinha?
–Não se faça de sonso. –Ele bufou e cruzou os braços. –Amor de verão? Sério papai? E você me odeia tanto assim por não me querer?
–Olha o que você está dizendo Yasmim. Não seja ridícula. Eles são seus pais, e eu sou seu tio. Eu não namorei a sua mãe. Nunca.
Revirei os olhos impacientemente e fechei a porta na sua cara. Ele não me incomodou mais.
[...]
De manhã, fiz minha higiene e arrumei as malas e saí sem se despedir do Tio Ronald/papai. De longe, vi o ônibus e acenei e ele parou ao meu lado.
A estação estava lotada. Pessoas apressadas empurrando os outros, alguns dormiam no chão. O trem que eu esperava já tinha chegado. Só percebi depois que o carinha gordo gritou. Puxei minha mala e o cara gordo pegou a mala colocando na porta e me carregando até lá. A desvantagem de ser baixinha é essa. Uma droga, eu sei. Quando entrei no saguão, tinha várias pessoas conversando e poucos assentos livres. Sentei do lado de um cara que estava dormindo.
E a vida continua... Sempre contra a mim. Isso é fato.
Tinha certeza que o Tio Ronald sabe que fui embora, mas o Aaron... Ele ficaria feliz quando soubesse da notícia. Eu sei o quanto ele me odeia. Queria ter causado mais confusão. Seria mais legal.
Eu vou esquecer o Seth. Ele é novo demais para mim. Ou eu sou velha demais para ele. Tem o mesmo sentido. Lá vou eu com mesma vida de antes. Meninas me odiando, eu vou está usando roupas pretas e caçando problemas com professores, e futuramente serei rejeitada pelo meus pais. Principalmente, a mamãe, já que trabalha o tempo todo.
O trem começou a movimentar e eu fechei os olhos mergulhando na escuridão.
O esbarrão que o cara que estava dormindo deu, me fez acordar. Ele pediu desculpas e saiu apressado. Demorei um tempo para saber onde estava e qual estação estava.
–Senhores passageiros, bem vindos á estação Southside, cuidado ao descer...
A parada era a próxima. Levantei os olhos, observando o saguão. Estava mais vazio, e silencioso. São quantas horas mesmo? Deve ser de noite... Levantei preparando para pegar a mala quando não o vejo. Mas que diabos...?
–Senhor, você viu uma mala de carrinho branca, com vários desenhos? –Perguntei o homem que estava sentado a minha frente.
–Sim, o rapaz que estava sentado ao seu lado pegou.
Fechei os olhos com força e passei as mãos no meu cabelo.
–Inferno... Que miserável de vida é essa?
Sentei de novo, olhando para o chão. O que eu esperava? Morava numa cidade onde há bastante ladrões. E eu, burra, esqueci.
–Senhores passageiros, bem vindos á estação Northside... –Levantei-me e o trem parou. Diversas pessoas levantaram ao mesmo tempo e caminharam até a porta.
Empurraram-me e caí em um banco.
–Vai empurrar a avó. –Resmunguei.
–Não tenho culpa se você é uma lesma. –Uma voz fina surgiu no meio dos cidadãos. Bufei e esperei todos saírem. Quando cheguei à porta, me concentrei em pular sem machucar.
Pulei.
E estava no ar e um instante depois, no chão. Olhei para figura que me segurou. O que o papai estava fazendo aqui? Ele estava sério.
–Cadê sua mala?
–Roubaram. –Respondi fria.
–Ninguém merece... –Murmurou. Encarou a multidão e virou se para mim. –Precisamos ter uma conversinha bem séria. E você está encrencada mocinha.
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