All I Need
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Boa leitura!
~Yuuko
Um ano depois...
– NATSU, PEGA! – Gritou Gray ao passar a bola laranja para mim, eu a peguei e me virei, mirando na cesta em seguida. Dei um pulo e ergui os braços, mandando a bola diretamente para a cesta. Ótimo. Mais um ponto para o time A.
O professor apitou, dando fim àquela aula de Educação Física. Bufei e olhei pro chão, passando a mão pela testa. Juvia veio e entregou uma toalha de rosto para mim e para Gray.
– Vocês jogaram muito bem hoje. Principalmente você Gray-sama! – Falou a azulada apoiando-se no ombro de Gray e depositando um beijo no canto de sua boca, meu amigo colocou a mão na cintura dela e sorriu convencido.
– Todos os meus pontos foram pra você, baby.
Revirei os olhos e saí dali. Hoje eu acordei com o pé esquerdo. Tudo me irritava, desde o canto de um pássaro até os “tic-tac” do relógio.
– Nossa o que deu nele? – Pude ouvir Juvia falar para Gray.
– É que amanhã faz um ano...
. . .
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Lucy
Eu andava pelos corredores cheios da Fairy Tail...
Desde que um mês da minha morte se passou, eu “voltei” a minha vida normal. Não sei como, mas quando eu desejava ir para um lugar, eu aparecia lá. Ou seja, eu ia para casa, passava a tarde observando meus pais, de noite eu me deitava e fitava o teto, de manhã acordava para ir pra escola... Sempre a mesma rotina.
Atualmente, estou na escola, andando entre todos os alunos que estuda no período da manhã... E a cada aluno que passa por mim, me faz querer chorar... Ninguém me vê ninguém me ouve, e ninguém mais se lembra de mim...
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Eu gritei com todas as minhas forças, apertando os punhos. Eu queria chamar atenção, queria que alguém me notasse.
Mas isso não acontecia.
Eles continuavam com a sua rotina, me ignorando, nem sabendo da minha presença ali. Todo dia era assim.
Mas parece que eu não aprendo, pois faço isso todos os dias. Eu caí de joelhos, já em prantos. Isso dói. E eu me sinto só. Eu queria... Eu queria voltar à vida...
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Natsu
Eu estou enlouquecendo.
Parece que de uns tempos para cá, Lucy decidiu me atormentar. Escutava seus gritos, eu escutava-a chorar, eu escutava sua voz a me chamar.
Na escola, na minha casa, nos meus passeios...Até nos meus sonhos.
Eu acabei de sair do vestiário masculino, estava indo sem vontade para a sala de aula.
Ah, foda-se a maldita aula de biologia.
Mudei o meu rumo, agora estava indo para a quadra coberta, que ficava apagada e trancada. Por sorte, eu era amigo da secretária. Passei por uns corredores e cheguei até a secretaria. Ela deve ter uns... 20 anos.
– Bom dia Kinana! – falei sedutoramente pra ela, que corou.
– N-Natsu? Não deveria estar na aula?
– Sabe o que é minha linda... É que eu esqueci uma jaqueta minha lá na quadra coberta, poderia me dar a chave para eu ir buscá-la?
– Natsu, Natsu... Isso pode me trazer problemas.
– Por favor, Kinana! – Eu me inclinei para ficar próximo de seu rosto – Vai ser o nosso segredinho... Além do mais, eu estou com um pouco de frio.
– Certo. – Disse ela, se rendendo e abaixando o olhar para pegar a chave que eu precisava. – Aqui. Se você a perder, eu te mato.
– Nossa, que agressiva. – Falei, direcionando o olhar para os peitos dela. “Será que ela sabe ser agressiva assim na cama?”
– Natsu, meus olhos são aqui em cima. – Disse brava, eu ri e peguei as chaves de sua delicada mão e disse:
– Você usa um decotão e espere que eu olhe pro seus olhos? – Ela corou, eu abri ainda mais o sorriso – Sério, se você fosse uma aluna eu te pegava aqui mesmo. Bem, deixa eu ir lá pegar minha blusa. – Ela ficou estática, com a boca aberta e as bochechas vermelhas como um tomate. – Se cuida Kinana, te trago a chave depois.
Dito isso, saí. Mas tenho certeza que deixei uma Kinana atordoada lá atrás.
Logo...
A porta abriu com aquele rangido chato, e eu entrei naquela quadra escura com um bufo. Eu sabia chegar à arquibancada mesmo estando na mais profunda escuridão, o que não era o caso, pois as janelas de ferro deixavam alguns raios de luz aparecendo, deixando a quadra com uma penumbra. Eu me aproximei delas e me sentei. Passaria umas duas aulas ali e voltaria para a sala.
Estava tudo quieto, eu não ouvia nada além da minha respiração.
Até que...
Eu ouvi uma bola quicar. Mas não qualquer bola. Era uma bola de basquete. E então eu me levantei. Quando isso fiz, uma névoa colorida entrou pelas frestas da janela e se aglomerou na minha frente. Uma imagem estava se formando. E eu reconhecia muito bem esta cena que estava vendo.
Ou melhor, revendo.
. . .
A loirinha estava com as suas madeixas presa em um rabo-de-cavalo alto, e usava uma blusa branca com um short de academia preto. Seu tênis branco estava levemente encardido e ela trazia consigo uma bola de basquete, e em sua frente, estava eu. Do nada, era como se eu estivesse na cena. Entre Lucy e o mini-Natsu. Eles não me viam, mas eu estava boquiaberto. Essa foi a primeira vez que ensinei Lucy a jogar basquete.
– Achei que você não ia vir! – A loira falou levemente brava, mas eu sabia que ela não estava. Ela nunca conseguia ficar brava comigo. Não importava a ocasião. Ela ficava me ignorando por no máximo dez minutos, mas era só eu sorrir para ela que ela desistia desse gelo.
– Gomen nee! – Disse com um sorriso amarelo e com uma das mãos na cabeça. – Eu estava terminando uma partida na casa do Gray. Aquele baka me atrasou um pouco! Mas enfim, vamos para o campinho?
Na época, tínhamos sete anos. Era um dos verões mais quente de Magnólia, mas eu não furaria com a minha melhor amiga.
– Vamos. – Lucy falou e eu peguei sua mão, fomos conversando durante todo o caminho para o campinho de esportes que ficava umas duas quadras para baixo de onde estávamos.
Quando chegamos, não havia ninguém. O que era bom. Coloquei Lucy no meio da quadra e comecei a dar algumas dicas para ela. Para uma iniciante, até que jogava bem.
Duas horas depois...
Eu e a loira estávamos deitados no meio da quadra olhando para as nuvens, rindo de idiotices que hora ou outra eu falava.
Ela olhou para mim e parou de rir, e eu fiz o mesmo.
– Nee... Natsu...
– Oi?
– Você gosta de mim? – Perguntou corando e desviando o olhar.
– Claro que gosto. Você é a minha melhor amiga! – Falou o mini-Natsu sorrindo abertamente. Eu sorri de canto revendo esta parte.
– Então promete que seremos amigos para sempre? E que ficaremos juntos para sempre também? – perguntou estendendo o dedinho.
Aquilo para nós era um compromisso mais sério que casamento.
– Para sempre! – disse apertando o dedo dela.
A cena estava ficando turva, e nossas miniaturas estavam sumindo, eu estava em pé ao lado deles, olhando para baixo. Quando ergui o olhar, eu a vi. (♫)
A névoa já havia sumido, não era uma ilusão. Ela realmente estava ali agora, segurando a bola de basquete da escola e olhando para mim. Ela estava ali...
A Lucy de 16 anos. Aquela que morreu.
Eu levei um susto, mas pude jurar que eu a ouvi dizer:
“Para sempre, lembra?”
E então, ela também sumiu, assim como a névoa colorida.
Eu senti que estava pálido e com lágrimas nos olhos. Mas eu não ia chorar. Não ia. Esfreguei bruscamente as costas das minhas mãos nos meus olhos, o que resolveu esse problema. Eu estava próximo a uma parede, então a soquei, com toda a minha força.
– LUCY! – Gritei com novas lágrimas nos olhos. Não estava mais agüentando, eu ia fraquejar.“Por que fui tão estúpido com você? Por que eu te ignorei por tanto tempo? No que eu me tornei? No que nós tornamos?”Tudo isso se passava pela minha cabeça. — VOCÊ PROMETEU QUE FICARIAMOS JUNTOS PARA SEMPRE! – Gritei novamente, me jogando de joelhos no chão. Droga, eu estava chorando como uma menininha.
– Eu continuo aqui, Natsu... – Ouvi sua voz ecoar pela quadra. Eu definitivamente estava louco, alucinado. Ergui a cabeça e olhei na direção que a vi pela ultima vez. E a vi novamente, mas quando pisquei, ela sumiu.
– Lucy... – Murmurei involuntariamente.Quando essa dor vai sumir?
Dias depois...
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Narradora
Natsu caminhava com um buque em mãos, passava por túmulos e mais túmulos a procura de um. Logo, viu uma lápide de mármore branco e se aproximou.
“Lucy Heartfilia
uma amiga de ouro.
1997 – 2013”
Ele ajoelhou-se e depositou as rosas brancas, que sempre foram as favoritas da loira, no túmulo. E ficou cabisbaixo.
– Hey, Lucy... – Disse choroso – Já tem um ano... Um ano que... Que... – Ele apertou os punhos e segurou o choro – Que você... Morreu...
Atrás dele, a loira observava tudo com uma cara triste.“Ele ainda se lembrou da minha flor favorita...”
– Sua loira baka. Você faz falta... – Ele fungou – Eu queria ter outra chance Lu... Queria poder voltar a ser seu amigo como antigamente... G-gomenasai... – ele gaguejou – Se eu não tivesse sido um tremendo otário... Você estaria viva, Lucy... Eu matei você... Matei... Matei... – repetia atordoado, lágrimas caiam de seus orbes.
– Eu te perdôo Natsu... – Ela falou sem esperanças de ser ouvida. Mas Natsu olhou para ela. E olhou de forma assustada.
Ele podia a ver. Ele podia ouví-la.
Será que tinha ganhado outra chance?
Notas finais
espero q tenham gostado ^^
~Kagome-chan
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