All I Need
2 Chapter 2 - Dear Diary.
Notas iniciais
Esse capítulo é só uma introdução para o próximo, mesmo assim, espero que gostem! x
– Então, Damon... Diga-me, o que eu quero?
– Você quer um amor que te consome. Quer paixão e aventura. Até mesmo um pouquinho de perigo.
– Então, o que você quer?
– Quero que consiga tudo o que deseja. Mas agora, quero que esqueça que isso aconteceu...
O inverno estava chegando. Tão lentamente e tão pouco acolhedor. Eu estava enroscada nos lençóis e cobertores da cama de meu quarto agora sem vida. Eu sorria tão debilmente ao lembrar, a cada maldito segundo, as palavras de Damon, naquela primeira noite em que nos conhecemos. Eu lembrava-me de seu sorrisinho irônico, seus lindos olhos azuis fixados em mim, observando-me. Sua voz sexy e perigosa, aquela que me passava segurança, por mais incrível que pareça. Eu pensava nele vinte e quatro horas por dia e, nem nos meus sonhos ele escapava. Ele dominou a minha mente de uma forma inexplicável. Ele não conseguia sair de lá, por mais que eu tentasse tirá-lo. Ele estava preso. Preso em todo o meu ser. E eu não podia mais fazer nada ao não ser clamar por ele ao meu lado.
Agarrei os ombros e me encolhi em uma tentativa fraca de aquecer-me. Mesmo com três cobertores quentes, eu ainda sentia um frio enorme percorrer toda a forma de meu corpo. Estremecia. Batia o queixo. Pensava no nome do vampiro que dominou minha pele.
Damon.
Onde ele deve estar agora?
Eu não o via frente a frente há muito tempo. Eu apenas me lembrava, por uma fresta de porta, seus olhos azuis, muito preocupados, encarando-me de uma forma nunca encarada antes. Isso ocorreu a alguns segundos depois de minha forma humana dissipar-se e ir embora. Eu havia ficado parada, observando-o, confusa e culpada. Confusa por que vê-lo ali fez pensar-me sobre todas as lembranças que ele retirou da minha mente naquelas noites. Culpada por ter partido o coração dele ao momento em que eu disse que iria voltar para Stefan.
Stefan.
Eu amei Stefan por muito tempo. Por tanto tempo que eu não me imaginei com mais ninguém ao não ser ele. Mas sempre tivera Damon, que estava ali todo o tempo e eu era muito burra para dar-me por conta. Eu devia para Stefan desde o momento em que ele me salvou da morte, há algum tempo atrás. E, desde que meu coração começou a aceitar Damon, eu ficara confusa entre os dois. Eles pareciam bonecos que esperavam ser controlados por mim. Eu tinha que escolher um dos dois. Apenas um. Isso era a maior complicação de minha vida.
Mas, sem pensar, eu escolhi Stefan, há algumas semanas atrás. Eu havia falado para Damon minha escolha, enquanto sentia meus olhos arderem e as lágrimas escorrerem descontroladamente.
E o que eu não queria admitir era que eu não tinha me arrependido disso depois que minhas lembranças voltaram a mim. Eu já amava Damon muito antes disso.
Eu odiava-me. Eu sentia ódio de mim mesma. Eu enganei a mim mesma todo esse tempo.
Eu queria amar Stefan. Mas eu amava Damon mais do que qualquer coisa.
[...]
– Elena, você está se sentindo bem? – Stefan falou á minha frente, desligando-me de todos os pensamentos. Apenas olhei para ele, franzindo a testa. Não era a primeira vez que ele me chamava, mas eu não podia responder. Estava muito ocupada pensando nos beijos que eu e Damon já trocamos. – Você não falou nada desde que chegamos aqui.
– Desculpe, Stefan. Eu só... – Apoiei a cabeça em minhas mãos. – Desculpe, mesmo. Eu não devia estar assim.
Ele olhou-me, porém eu não consegui ler sua expressão. Seus olhos, entretanto, mostraram uma sensação de dúvida que me fez ficar desconfortável. Ele ficou em silêncio por vários segundos e, não sendo por o som dos humanos em volta do local, Mystic Grill, eu sentia que um grande silêncio iria inundar-nos pelo resto do dia.
Mas, eu sabia que eu não iria aguentar ficar ali por muito tempo. Ficar perto de sangue fresco não era o meu forte, não agora. Eu sentia uma fome imensa e isso estava me matando. Quando eu não pensava em Damon, pensava em sangue. E, bem, eu odiava-me pelos dois pensamentos.
Eu não sabia se aquilo era normal ou não. Stefan me alimentou com sangue animal por todos esses dias, porém, sangue humano era totalmente diferente. Eu podia sentir o cheiro de sangue a metros de distância e eu podia jurar que eu não iria aguentar por muito tempo. Essa necessidade pulsava dentro de mim muito fortemente.
Sangue. Damon. Sangue. Damon. Sangue. Damon. Damon. Damon. Sangue. Damon. Damon...
Minha mente estava cada vez mais confundida em pensamentos.
– Eu preciso... Preciso... – Sussurrei e logo percebi Stefan arregalar os olhos para o que eu fosse dizer. – Eu preciso sair daqui...
E assim foi feito. Meus pés logo se adiantaram e já estavam na porta do local. Passei atropelando várias pessoas e podia ouvir Stefan gritando meu nome logo atrás. Não olhei para ele, entretanto. Continuei caminhando rapidamente e, quando eu já estava longe de várias pessoas, corri até minha casa. Em menos de dez segundos, estava praticamente no meu quarto. Joguei-me na cama, bufando. Eu não iria aguentar por muito tempo essa sensação.
– Elena! – A voz de Stefan gritou e eu o vi indo a minha direção. Ele agarrou-me pelos braços e abraçou-me. Retribui o abraço, embora não quisesse. Não queria transmitir para Stefan tudo que eu sentia no momento e, apesar de tudo, ele me conhecia muito bem. Sabia quando eu estava com medo, com raiva e com tristeza.
E eu me pergunto: Ele sabia que eu estava loucamente apaixonada pelo seu próprio irmão?
– Eu... Eu... – Apertei os olhos. Eu estava enlouquecendo, e sabia que ter Stefan nos meus braços não era certo. E talvez ele soubesse disso também, por isso ultimamente permanece tão afastado de mim.
Sim. Desde que eu fiz minha escolha, Stefan tentou me motivar sobre isso. Ele levava-me para sua casa e tomava conta de mim, embora, nesse longo tempo, nem um beijo foi trocado, entre nós. Eu estava, obviamente, agindo estranha com ele. E eu podia jurar que, em todas as horas em que estivemos juntos, ele tentou procurar os meus sentimentos pelo olhar que meus olhos transmitiam. E algo me avisava que ele conseguiu os achar.
Mas por que ele veio ao meu encontro, correndo, e me puxando para um abraço?
Então, será que Stefan sabia? Realmente sabia?
– Eu preciso ficar sozinha, se você não se importa. – Afastei-me dele e levantei da cama, ficando de costas. Houve um silêncio até que ele respondeu:
– Certo, sim. Qualquer coisa, me ligue.
E depois, ele não estava mais lá. Eu não sentia mais a presença de Stefan ali. Agora era só eu, minhas lágrimas e meu desespero.
Apoiei as mãos na escrivaninha de meu quarto e deixei as lágrimas a molharem. Levantei os olhos, olhando para meu rosto inchado e meu cabelo desarrumado. Logo depois, minha visão se fixou no velho diário em minha frente. Sem pensar duas vezes, agarrei-o com a ponta de meus dedos e o levei até minha cama. Deitei e o apoiei nos joelhos. Com as lágrimas ainda molhando cada extensão do meu rosto, tirei a caneta do meio das páginas e comecei a escrever.
“Querido Diário,
A semana está sendo difícil. Está se passando lentamente. Cada vez mais, na verdade. As horas são como eternidades e os dias, bem, não posso explicar. O tempo está tendo uma guerra comigo. É como se ele estivesse parando. Como se o mundo estivesse parando de andar.
Meu coração não bate mais. Meu corpo está diferente agora. Eu sou uma vampira. E eu nunca pedi por isso. Eu nunca pedi para tornar-me quem eu sou hoje e eu também nunca pedi para isso doer tanto. É uma dor insuportável.
É difícil sair de casa. Quando saio, é porque eu sou arrastada por Stefan, Jeremy ou meus amigos, especialmente Caroline. Eles tem me apoiado mais do que nunca, mas, porém, estão agindo diferentes. Eu estou agindo diferente. Eu estou perdida nessa confusão e eu não sei mais quem sou. Essa sensação é a pior coisa do mundo e, a cada segundo que se passa, é multiplicada por cem. Eu não consigo parar para pensar em tudo que está acontecendo. Quando paro, eu só chego à conclusão de que eu preciso de duas coisas: Damon e sangue.
Eu sinto uma fome imensa, e isso é exatamente o porquê de eu não querer colocar um pé para fora de casa. Eu não tenho mais coragem de dizer oi para as pessoas, porque eu sempre acabo imaginando o sangue delas no meu corpo. É tão estranho e assustador. Eu nunca pensei que fosse acabar assim.
E Damon. Eu não sei onde ele está agora. A última vez que eu o vi, foi por míseros segundos e, logo depois, ele havia desaparecido. Ninguém mais tocava no seu nome e eu cheguei à conclusão que era porque não queriam que eu me machucasse ao ouvir sobre ele. Na verdade, eu queria ouvir o nome dele. É como se fosse um remédio para mim e era por isso que eu sempre sussurrava o mesmo antes de deitar na cama para dormir.
E eu sempre me perguntava onde ele estava. Ele podia estar muito longe. Talvez do outro lado do mundo ou do outro lado da galáxia. Não sei, realmente. Mas, onde quer que ele esteja, eu queria estar ao seu lado.
E a distância também doía. Afundava-se dentro de minha alma. O buraco vazio dentro dela estava matando-me aos poucos.
E aí vai a pergunta: O que eu devo fazer para livrar-me disso?”
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