All For You

35 All For You


Notas iniciais
Olá pessoas lindas.
Último capítulo dessa fan fic.
Leiam as notas finais (por favor, por favor, por favor)
Aproveitem bem o capítulo =)

Desde a morte de Sebastian, Figgins decidiu ser melhor Kurt receber uma dispensa mais cedo da escola. O garoto não via a hora de mudar com Rachel para NY. Aliás, a única coisa que o impedia de agora estar dividindo o mesmo espaço com outras três pessoas em um Subway da cidade que nunca dorme era exatamente essa: Rachel. Ela quem tinha algo para fazer. Os pais da garota já haviam dividido tudo para saber como seriam os “esquemas” na grande cidade. Rachel teria bancado tudo pelos pais; Kurt trabalharia até conseguir ingressar em NYADA e com esse dinheiro ele ajudaria em algumas contas e assim por diante.

Rachel observava Kurt pular da cama em queda livre até o chão pela simples falta de energia – que melhorava quando ele começava a guardar as roupas em uma mala.

– Só mais três dias – Rachel sussurrou para si.

Kurt empurrou algumas almofadas de perto da morena e sentou ao lado, fitando a expressão cansada, derrotada da garota. Ela dizia aqui tão sem animação, sequer parecia a Rachel Berry que sonhava em dominar a Broadway.

– Hey! – Ele cutucou-a no braço. – Não fique triste.

– Kurt, como não ficar? – Ela choramingou contra o peito do moreno. – Ela sequer...

Rachel mordeu o lábio para conter tudo dentro de si, exceto as lágrimas. Ela não queria mal dizer Quinn e depois se arrepender mortalmente de cada palavra, ela só precisava que suas lágrimas carregassem de uma vez a tristeza e se caso voltassem trouxessem Quinn de volta.

– Você... – Kurt afastou-a do seu peito – sabe que causou tudo isso, não é? – Ele franziu o cenho e desfez tal quando percebeu o olhar de Rachel. – Não quis soar rude, mas é que... Eu vi-a tentando, mas digamos que você a ignorou todas as vezes em que ela sorria para você. E se não notou existe uma barreira patenteada pelos Lopez que está tentando proteger a indefesa amiga loira patenteada pelos Fabray.

Rachel abaixou a cabeça.

“Por que você tem que ser sempre tão idiota e egocêntrica?” – Rachel suspirou.

(...)

Quinn vagava pelo parque de Lima depois da escola, ela aproveitava seu uniforme de Cheerio enquanto podia no dia seguinte ela seria obrigada a devolver seu uniforme para Sue e em troca receber sua beca de uma forma nada agradável – contando que Santana Lopez era a responsável pelas becas dela, Brittany e da própria.

Ela implorava para que os outros dois dias passassem com a velocidade da luz como aquele não fazia. Era entediante e cansativo ficar lá dia após dia. Depois do episódio de Russell chegando a casa – que sequer é dele – completamente alto e falar várias coisas tanto para Quinn quanto para Judy.

No parque ela vê um senhor de camisa xadrez inconfundível.

Ela sorri ao ver que se lembra de Thomas ainda, e caminha até o senhor, tocando-o nas costas antes de sentar-se ao lado dele.

Thomas pisca algumas vezes tentando acreditar no que seus olhos viam. E sorriu quando os braços da loira apertaram seus ombros, o mesmo sorriso diminuiu quando sentiu a camisa molhar no peito.

– O que há de errado? – Ele puxou o queixo da garota.

Quinn respirou fundo, procurando coragem para falar.

– Lembra-se da minha namorada? – Quinn mordeu o lábio.

– Aquela morena simpática? – Quinn assentiu. – Claro que me lembro. Mas deixe-me adivinhar... Todos descobriram?

– Por aí... – Quinn abaixou a cabeça.

– E ela terminou com você? – Thomas mexia as peças de xadrez em um jogo contra si mesmo.

Quinn estreitou os olhos, mas não questionou como o homem sabia praticamente tudo. Seu único incomodo foi contar ao senhor tudo o que ocorreu nas últimas semanas, com lágrimas e uma enorme dificuldade em falar ela conseguiu por para fora todas as palavras presas na garganta. Ela preferiu por pular absolutamente nada, inclusive sua sonegação de ajuda com o bullying. Santana decidiu que seria assim. Sem uma ajuda para Rachel até as coisas se acalmarem um pouco.

– Sabe Quinnie... – ele desistiu do xadrez para dá-la atenção total – às vezes tudo que ela precisa é saber que você ainda se importa com ela, que está por ela. Você deveria tentar demonstrar isso a ela. Que a quer e sem ela você é algo vazio. Até onde eu sei, ela fez isso no começo.

“Maldito velho, sempre certo!” – Lucy urrou com raiva.

E ela descobriria que ele estava muito mais certo do que ela achava.

(...)

– Então loira, preparou o seu discurso? – Santana jogou a beca contra Quinn no vestiário, depois da reunião das Cheerios Sue estava recolhendo os uniformes de todas.

Quinn seria a oradora da turma, ela estava aflita com tudo aquilo e principalmente devido às ocorrências da semana anterior. Ela não saberia onde enfiar a cabeça caso todos começassem a caçoar dela.

– Está tudo pronto. – Quinn jogou a beca sobre o ombro, quando chegasse a seu armário guardaria na caixa especialmente separada para ela.

Sue chamou Quinn, Britt e Santana de uma só vez, o que elas estranharam um pouco.

– Meninas... – Sue parou o discurso antes de começa-lo para expulsar algumas alunas do vestiário antes de prosseguir – eu não costumo falar isso, mas só Deus e meu diário sabem como vou sentir falta das três. – Ela riu nervosa, então passou os braços pelos três pescoços em uma vez. – Vocês me fizeram rir muito, principalmente você pequena Brittany e fico enormemente feliz que conseguiu se formar – ela beijou a testa da mais alta. – Santana Lopez, o projeto moreno de Sue Sylvester com um toque sexy único, você me deu de tudo, felicidade, decepção, raiva e orgulho incomparável, mas o mais importante é que me deu esperanças que todo ser vivo pode ser bom.

Santana estreitou os olhos sobre a treinadora rindo em seguida. Ela sempre pegaria no pé da latina. Ela também recebeu um beijo na testa e um cumprimento.

Sue se dirigiu à Quinn, fitando a loira de cima em baixo com um brilho diferente nos olhos. Lágrimas. Nunca fora registrado uma lágrima de Sue Sylvester – até porque, segundo as lendas, ela retirou os canais lacrimais.

– Você... Eu vejo algo Sue Sylvester que nunca consegui atingir. Dentre todos os sentimentos você foi a mais complicada. Às vezes não parece, mas vocês são como filhas para mim... – ela passou a mão embaixo dos olhos – e quando vocês sofriam eu sofria junto, mesmo assim mantinha a pose de durona para saberem que sempre alguém podia compartilhar a dor de vocês. – Sue passou as mãos pelos ombros de Quinn. – Grávida, mentirosa, derrotada no Prom Queen por um garoto, Skank e agora a mais nova gay do colégio. Você passou por tantas aventuras na sua vida, Quinn. Espero que a próxima seja por algo que realmente compense.

Era impressão ou Sue piscou para ela? Aquilo era alguma indireta? Algum “toque” para trazer o cérebro da loira de volta ao lugar?

Depois do pequeno discurso que arrancou algumas lágrimas delas, Sue optou por devolver os uniformes as três como recordação do melhor período de suas vidas. De uma forma ou de outra foi uma grande época que deveria ser lembrada do melhor jeito que conseguissem.

Quinn juntou a beca nos braços junto com o uniforme e empurrou as outras duas amigas para fora do vestiário.

Logo no final do corredor uma menina de baixa estatura, cabelos castanhos e suéter, andava de costas. De inicio Quinn se questionou se a morena estava ficando louca ou algo aproximado, mas em segundos sua pergunta foi respondida pelos brutamontes do time de futebol.

Quinn abaixou a cabeça lembrando-se de tudo, como um flash de todos os momentos em que Rachel Berry esteve presente em sua vida. No último ano as lembranças rápidas eram como socos na boca de seu estômago, em especial a vez no balão. Aquilo pesava em seu coração.

Santana estendeu o braço antes de Quinn pensar. Quinn remontou de qualquer jeito o uniforme das Cheerios e lançou a beca sobre os braços estendidos da latina.

Com passos rápidos Quinn chegou à frente de Rachel antes do slushie lavá-la por completo. Muito tempo que a loira não fazia ideia de como aquilo era gelado e se arrependia mais do que amarga por não ter tomado providencias antes.

Os garotos correram o mais rápido que podiam antes que Quinn saísse de sua posição de surpresa.

– Uva... – Rachel fez um barulho engraçado como se estivesse reprovando algo – já me estragou várias roupas. – Ela sorriu de canto e estendeu a mão à Quinn. – Acho que o mínimo que posso fazer é te limpar em agradecimento.

No olhar de Rachel havia um brilho que Quinn adorou assistir e adoraria ver novamente.

(...)

O Glee Club fez sua última reunião sem Will, a ideia era na verdade cantar uma última música para o homem no dia seguinte em comemoração ao ano que o professor ajudou os formandos a ter. Eles cantariam We Are The Champions em grande estilo.

Basicamente todos compareceram inclusive os não formandos e Kurt, exceto pela ausência de Blaine, eles davam uns aos outros a despedida quase final.

O clima era tão bom que até mesmo Rachel cedeu em apertar a mão de Finn e abraçar Quinn de forma intensa, sentindo, talvez, o calor da loira pela última vez antes de dominar os palcos da Broadway e por todo o seu passado em seu lugar definitivo: esquecimento. Exceto por Kurt, que seria o cara ao seu lado nesse mesmo palco e seus queridos e amados pais Hiram e Leroy.

– Ninguém faz ideia mesmo de onde está Blaine? – Tina perguntou outra vez olhando cada um nos olhos.

Finn negou, sentindo que a pergunta indiretamente era em especial para ele.

Todos se separaram para falar algumas últimas coisas que provavelmente não daria tempo de falar depois da formatura.

Quinn decidiu não incomodar Rachel. Aquilo devia estar sendo difícil para ela também. E era.

Já que Quinn não iria até lá, Tina se aproximou de Rachel, pedindo licença para o garoto de olhos azuis junto da morena. Kurt logo saiu de lá inventando a desculpa de falar com Sam e agradece-lo por nunca terem feito um dueto.

– Não venha falar da Quinn... – Rachel esticou as mãos antes de Tina abrir a boca.

– Será que pode pelo menos esperar eu falar? – Tina se fez de ofendida.

Rachel suspirou antes de assentir e observou a outra garota puxar algo no bolso de trás. Um pequeno cilindro com tampa, de lá tirou um rolo de filme e colocou-o de volta na caixa o mais rápido que pode.

– Eu tirei essa gracinha do armário do Blaine – ela estendeu para Rachel. – Você deve saber o que é. Não recuse, pegue e guarde, te garanto que um dia você quererá.

Rachel segurou-o em mãos e sorriu. “Blaine...”.

(...)

– Quem está aí? – Blaine gritou para a escuridão.

– Você não me conhece... – a voz masculina assustou Blaine por segundos – mas eu conheço você e, digamos, que te odeio muito.

Blaine tropeçou em algo que ele não saberia dizer o que é. Quando seus joelhos colidiram com o chão ele reclamou da dor e passou a observar o chão, mesmo que não o visse.

Ele sentia algo à sua frente, mas sem iluminação era impossível dizer o que era.

– É difícil ver no escuro, não é mesmo? – O garoto bateu o pé na frente de Blaine, então chutou o nariz do rapaz. – Mas você passa tanto tempo na escuridão, pensei que fosse o ás da visão noturna.

Blaine choramingou com as mãos envolvendo o nariz que tinha resquícios de sangue. Ele tentava controlar a dor e ouvir de onde a voz vinha para reagir ao golpe.

– Metáforas são uma droga, não são? – Ele riu, trocando de lugar. Blaine pode perceber com a mudança de direção da voz. – Sebastian adorava metáforas, entretanto veja onde ele está adorando metáforas agora.

Exatamente como gelara na hora em que algo o agarrou por trás e drogou-o, Blaine reagiu nesse momento. Então aquilo era uma vingança por Sebastian? Quem seria?

– Ops, agora você deve imaginar do que se trata... – o garoto balançou a cabeça em decepção consigo – eu sou um banana mesmo. Mas não esquente a cabecinha Blaine, isso vai doer muito menos do que doeu com Sebastian.

– Quem diabos é você? – Blaine se pôs em pé com os punhos apontados à frente.

– Abaixa essa mão seu otário... – o garoto vociferou – e caso responde a tua pergunta, sou Tyler... O que não tem problema você saber, já que é a última coisa que aprenderá para a vida toda.

Blaine ouviu um barulho e logo uma fraca chama se espalhou por um curto espaço até onde o isqueiro permitia iluminando o rosto do garoto. E ele gelou novamente lembrando-se do garoto na mesa do natal. Ele...

– Agora se lembra, não é? – Tyler sorriu.

Aproveitando a chama Blaine descobriu como tropeçou. Uma corrente prendia seu pé em uma, aparentemente, pesada estante a metros de distância.

– O que pretende? – Blaine ofegou.

– Isqueiro, porão, você acorrentado e eu saindo em dez segundos. O que acha que pretendo?

Ele engoliu em seco observando o garoto fazer exatamente o que disse, caminhar em direção a uma porta subindo as escadas.

– Você não ousaria! – Blaine suava agora.

– Me assista...

Tyler sorriu de canto e jogou o isqueiro sobre o corrimão da escada e uma trilha de chamas foi caminhando em direção a um monte de serragens que pegavam fogo aos poucos. Blaine pode ver até onde seguia as serragens que logo entravam em combustão: um tanque consideravelmente grande para um porão que destacava a palavra GASOLINA.

Engolir em seco e assistir sua morte chegando foi o que restou a ele. No fundo ele implorava por uma redenção e que algo fizesse o maldito fogo parar.

Em um minuto... Ele não parou.

(...)

Quinn entrou no carro depois de Santana e Brittany. As três no banco traseiro já que Judy dirigia-as para o Breadstix onde comemorariam a formatura, o plano era simples: elas dormiriam todas na casa de Quinn pelos próximos quatro dias antes que cada uma pegasse o voo para sua futura faculdade.

Damon sorriu para Brittany quando se voltou para os bancos de trás.

– Falou com a Rach? – O ruivo sorriu.

A loira para qual a pergunta foi destinada abaixou a cabeça se reprovando.

– Quinnie – Santana bateu no braço da amiga – você perdeu sua chance de fazê-la ficar com você, afinal vocês não estarão a minutos de distância? Existem finais de semana, sabia?

Quinn se encostou ao banco, ou melhor, se afundo nele. Ela só queria desaparecer naquele momento. Ainda era um trauma perceber que a pessoa que ela mais queria não estava lá. Se ela pudesse voltar pelo menos duas horas no tempo ela certamente teria abaixado o copo de champanhe que Will serviu e teria falado com Rachel, ao invés de se esconder atrás de sua vergonha e medo.

Sem que ninguém percebesse Judy trocou completamente o rumo do carro. Apenas Damon se deu conta quando ele desviou o olhar de Quinn para a janela ao lado da garota e viu passar uma construção que certamente não fazia parte do percurso ao Breadstix.

– Nem tudo está perdido. Pelo que eu sei Rachel deve estar esperando os vinte minutos restantes para o voo.

Até Judy olhou Brittany pelo retrovisor. A menina fitava o celular calculando as horas.

E todos agradeciam por Brittany ter seus momentos de gênio. O que seria um feito grande para aquela situação se Judy não tivesse pensado primeiro. De qualquer forma a mulher agradecia por seu esforço não estar sendo em vão.

– Mamãe...

– Estou um passo à frente de vocês – Quinn viu o sorriso de Judy pelo retrovisor.

Durante o caminho Quinn vestiu seu uniforme manchado de Cheerio que ela usou para salvar Rachel de seu último slushie.

Quinze minutos foi o tempo que levou para Judy conseguir chegar e estacionar no aeroporto. Apenas Quinn saiu do carro correndo para dentro da construção, ela chegou sem problemas até os bancos e não viu Rachel esperando por seu embarque, foi então que ela ouviu o chamado para o embarque do voo de Rachel. Em segundos ele decolaria levando embora seu amor.

Ela não pensou duas vezes antes de passar por cima dos brutamontes da segurança, uma luta desigual contando que se amontoasse eles, apenas dois dariam dez Quinn Fabray. Mas essa é a vantagem de ser um corpo pequeno contra duas montanhas: eles são lentos.

Sem perceber ou raciocinar Quinn estava na pista de decolagem se enfiando no caminho do avião que ela viu Kurt embarcar.

E conforme o avião avançava um homem grandalhão agarrou a loira pela cintura e a retirou do caminho sobre birra, choramingo e lamentações ele segurou a loira.

Quinn chorava contra o peito do homem, socando-o e o chamando de estúpido por ter feito perder a pessoa de sua vida.

Mas a vida sempre nos reserva surpresas.

(...)

Quinn pode foi liberada pelo aeroporto sem nenhuma reclamação depois de se explicar e ficar claro que foi puro descontrole emocional. Eles relevaram quando a loira disse seu sobrenome em voz alta o suficiente.

Ela parecia tão desanimada quando passou por uma garota morena sentada no banco da sala de embarque, a garota estava sozinha e sem malas.

– Rach? – Quinn parou de andar.

Rachel sorria e balançava seu colar, brincando com ele entre os dedos.

Ela olhou a loira em admiração.

– Eu ia partir, mas sentei aqui quando o voo foi chamado, mandei minhas bagagens com Kurt. Fiquei esperando você aparecer – ela sorriu mais, se fosse possível, e segurou firme o pingente na mão – como naqueles filmes onde o garoto se declara para a menina no último instante e a convence a ficar. Só que você não apareceu.

Quinn prestou atenção no discurso da morena que começava a derramar lágrimas.

– Mas daí eu vi algo lá fora enquanto assistia Kurt partir. Certa loira entrando no meio da pista, depois batendo em um cara que poderia mata-la com um tapa ao mesmo tempo em que chorava.

Quinn sorriu para a frase.

– Eu teria rido e não fosse um gesto tão bonito e significativo para mim – ela suspirou.

Rachel se arrastou até perto de Quinn e segurou o rosto branco dela entre as mãos, massageando as bochechas com os polegares antes de soltar um beijo apaixonado e lento nos lábios da garota.

– Morango... – Rachel sorriu.

Quinn respirou fundo saindo de seu pequeno transe.

– Rach... Você sabe que eu faria tudo por você, certo?

Rachel assentiu, estendendo o colar para a loira.

– Ajuda-me a por de volta e vamos ao Breadstix? Eu estou morrendo de fome e eles têm salada lá. Além do mais meu próximo voo só sai em quatro dias.

– Que coincidência, hein? – Quinn sorriu aceitando o colar.

(...)

– Rachel, vista algo bem confortável e entre no carro em dez minutos – Quinn atravessou a sala, desligando a televisão e recolhendo as chaves do carro.

Ela vestia algo confortável como um pequenino short jeans e regata branca.

Rachel assentiu mesmo que confusa.

(...)

– A floresta? Não chega desse lugar não? – Rachel franziu o cenho.

Elas perderam um agradável passeio no parque de Lima com Santana e Brittany – se bem que com a latina ao lado de Rachel o passeio provavelmente só seria agradável para Brittany –, então divisão de sorvete com os respectivos casais e para finalizar um cinema com um filme entediante.

– Eu aposto que não vai se arrepender. – Quinn sorriu, parando o carro em uma trilha.

A pé elas seguiram por alguns metros com a loira carregando uma cesta. Rachel se lembrou dos diversos piqueniques delas. Só não sabia como esse seria diferente.

Ao chegar lá havia uma clareira que não estava exatamente clara... Um campo de flores se estendia por ele, um circo gramado no centro com um caminho igualmente gramado, rodeado por violetas e mais afastado do círculo algumas gardênias.

– Lembra-se de quando eu disse que faria tudo por você? – O hálito quente de Quinn em sua orelha fez Rachel se arrepiar. – E lembra-se daquela cabana onde tudo se tornou definitivo? – Rachel assentiu pela segunda vez, observando Quinn tomar a sua frente e instalar as coisas sobre a grama.

– Uma chuva forte semanas depois castigou aquela casinha e ela veio abaixo – Quinn fez careta triste – tudo que eu precisei foi limpar o lugar e plantar as flores. Claro, gastar algumas horas aqui também.

Rachel arqueou as sobrancelhas, espantada com tamanho cuidado.

– E aqui onde nossa toalha está é exatamente o lugar onde ficamos naquela noite – Quinn fechou os olhos e abraçou o corpo, ela podia sentir o calor febril da morena naquele dia como se fosse momentâneo.

– Uau – foi toda a reação que Rachel conseguiu processar com tamanho susto.

Rachel se sentou ao lado de Quinn e beijou-a na testa.

– Sabe quando cantou para mim no balão? – Quinn assentiu. – O que exatamente era o que amava sobre mim?

– Hey, eu ainda amo isso sobre você... Use o verbo no presente. – Quinn fechou o rosto. – E a resposta é muito simples...

Quinn apontou para o peito da morena.

– Mas... – ela abaixou o olhar – eles são tão pequenos.

– Deixa de ser besta! – Ela disse divertida com a besteira da novamente namorada.

– Eu amo seus olhos – ela disse de súbito. Estava preso na garganta da morena e ela sequer sabia. – Eles me envolvem. Se você arquear a sua sobrancelha no estilo Ice Queen eu sou capaz de dar a volta no mundo usando uma perna só.

Quinn fez exatamente o que Rachel pediu, teve o prazer de assistir a morena se derreter sobre seus lábios e mordiscar o seu inferior.

– O que nós vamos fazer, exatamente? – Rachel mordeu um morango.

– Não se lembra mesmo? – Quinn arqueou a sobrancelhas. – Campo de flores, sol agradável da tarde, a sombra da árvore, o piquenique...

– Ah – Rachel sorriu inocente.

(...)

Não foi apressado, estranhamente saiu natural. Quinn não se importaria se tivesse tomado mais tempo, ou se Rachel se sentisse pronta só anos depois, ela voltaria naquele mesmo lugar e amaria Rachel ali onde basicamente o amor cresceu sem restrição alguma. Quinn nunca forçaria Rachel em nada, a morena só se sentiu pronta, na verdade, ela tomou a iniciativa. E ela não poderia estar mais feliz por ter recebido Quinn dentro de si, tê-la amado tantas vezes quanto seu corpo pode implorar antes de ser levado ao extremo dos extremos, de ter proporcionado a mesma sensação a garota que ama. Quem sabe se nem mesmo um palco da Broadway se comparasse a Quinn Fabray. Rachel teve o prazer de viver para dizer que não, nada se compararia àquele momento.

Depois da exaustiva dança rítmica com os corpos as duas se abraçaram, observando o céu já estrelado como na noite em que Quinn levou Rachel nas alturas. Mas dessa vez ela levara a morena a um lugar cuja medida ainda não foi inventada para registrar.

Quinn fechou os olhos lembrando-se daquela noite, o violão no seu colo.

.

You're so beautiful

But that's not why I love you

I'm not sure you know

That the reason I love you

Is you, being you, just you

.

– Acho que eu estava errada – Quinn sussurrou com a voz rouca.

– Sobre o que? – Rachel mal moveu a cabeça para não sair da posição mais do que confortavelmente perfeita.

– Você não é bonita... – Quinn passou a mão pelos cabelos de Rachel – você é perfeita.

Quinn sentiu o sorriso da morena aumentar sobre o peito.

(...)

Nenhum deles poderia ter pedido por uma vida melhor. Kurt finalmente conseguiu esquecer-se de Sebastian e Blaine quando conheceu Adam em NYADA – após uma audição surpresa que foi sua chance de ouro – o homem com quem se casou e decidiu depois de um embate maluco com Rachel fazer a seguinte troca: Rachel teria um filho com Kurt e essa criança seria delas e Quinn teria um filho com Adam e esse seria deles.

Acabou que Berry-Fabray ficaram com uma linda menininha de cabelos marrons e olhos azuis com um talento vocal perfeito que fazia Rachel chorar de orgulho. Harmony.

Hummel-Crawford com um charmoso garoto de olhos avelã e cabelos loiros bagunçados. O orgulho dos pais, principalmente por ser filho único. Assim como Harmony ele tinha uma voz que orgulhava Kurt, a perfeita combinação da suavidade e nasalidade de Quinn com a versatilidade de Adam. Não seria uma voz para a Broadway como Harmony estava destinada a ser, mas para estourar nas paradas competindo com os recordes dos antigos ídolos teen... Era mais do que garantido. Jeremiah.

Santana e Brittany tiveram brigas ao decorrer dos anos, com a garota ainda presa em Lima acabou namorando Sam causando raiva em Santana que logo tratou de achar tal de Elaine e matar a pobre loira de ciúmes. Então depois de cinco anos finalmente se acertaram. Tiveram dois filhos. Um garotinho loiro e imperativo: aparência de Brittany, temperamento de Santana. E uma garota extremamente o oposto do garoto.

Quinn tinha um grande estúdio de fotografia e sempre era chamada para fotografar o elenco da Broadway. Kurt e Rachel alcançaram seus sonhos. Adam era o perfeito marido que trabalhava junto com Kurt. Brittany e seu estúdio de dança para crianças, seu assunto favorito depois de gatos e unicórnios – coisa que ela nunca perdeu foi sua inocência – e Santana a séria médica e cirurgiã renomada cujo nome era conhecido em todos os hospitais da capital.

(...)

“Nada poderia ter ido melhor” – Quinn ouviu a voz idêntica à sua ecoar em sua mente, Lucy, alguém que não ouvia há tempos, enquanto observava a foto dela e Rachel abraçadas à Harmony no palco da Broadway depois de um ensaio de Wicked. Ao lado mais duas fotos com as outras duas famílias dos amigos de colegial. E várias outras semelhantes.

– Concordo, Lucy.

Notas finais
Erros? Perdão.
Reviews, favoritos, recomendações?
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Espero que tenham gostado. Eu demorei para postar porque estava meio desanimada para terminar essa fic, e sem inspiração, mas quando decidi escrever saiu tudo isso daí.
Então, fico por aqui com essa fic, mas sabem que tenho uma nova que podem ler, comentar e que será tão especial quanto essa, em foco para aqueles que gostam de algumas coisas mais darks misturadas no enredo.
Gostaria de agradecer cada um de vocês que leram, mesmo que nunca tenham comentado nada, vocês lendo e não desistindo já foi ótimo. Cada favorito foi um enorme elogio. Cada review foi uma motivação incomparável! Desejo não tê-los desapontado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!