All Fall Down
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Amanhecia.
Da janela aberta, os raios de sol adentravam o quarto, iluminando tudo com uma claridade morna e preguiçosa.
Uma brisa fresca acariciava o rosto de Vampira, que continuava com olhos fechados.
Estava tão calma, tão confortável, tão serena... Provavelmente, estava morta.
Lentamente, abriu os olhos.
Piscou.
Estava no Lad-Med do doutor Hank McCoy, o Fera.
Suspirou aliviada.
Estava salva.
Fechou os olhos novamente, lembrando-se do quanto era bom não ter preocupações.
Havia perguntas a serem feitas.
Conseguira deter Sinistro? Os X-Men estavam bem? O que acontecera a Lamúria?
E Remy?
Mas agora, uma sensação que ela nunca havia experimentado antes tomava conta de todo o seu corpo.
Vampira estava em paz.
E se pudesse, continuaria assim, sem nunca mais ter de abrir os olhos...
Ouviu a porta sendo aberta.
Não demorou muito para que percebesse quem havia entrado.
Remy LeBeau continuava usando o mesmo perfume.
Apesar de ter dormido por apenas três horas, Gambit sentia-se disposto como nunca.
De fato, fora apenas pela insistência de Tempestade que ele fora descansar um pouco, deixando temporariamente o leito de Vampira.
Todo o Instituto ainda dormia.
O que era bom, pois Remy gostava de ficar sozinho com sua dama.
Infelizmente, isso nunca acontecia, já que sempre havia alguém para vigiá-lo. Na maioria das vezes, Joseph, com o qual sempre acaba discutindo.
Mas Remy gostava de imaginar que Vampira seria capaz de acordar apenas para revirar os olhos verdes e dizer:
‘‘Vocês não tomam jeito mesmo. ’’
Sentou-se ao seu lado na cama, admirando seu rosto de boneca.
Vampira o sentiu tocar seu rosto com a ponta dos dedos, em uma carícia tão leve... Mas que, se não estivesse usando luvas, seria o bastante para ter sua energia e lembranças sugadas.
A mutante sentiu todo seu corpo se arrepiar ao perceber a respiração dele próxima ao seu rosto, a voz grave e baixa, como um sussurro, perto de seu ouvido.
O pouco que Vampira sabia de francês era suficiente para entender a música.
Ele se inclinou mais para perto dela, segurando sua mão entre as dele, enluvadas.
Ela nunca desejou tanto poder tocar alguém sem as malditas luvas.
A voz dele era calma, como se ninasse uma criança. A música resumia todos seus sentimentos.
Tudo o que jamais tivera coragem de dizer.
Non... rien de rien
Non... je ne regrette rien
Ni le bien qu'on ma fait
Ni le mal — tout ça m'est bien égal!
Non... rien de rien
Non... je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé!
Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux!
Balayé les amours
Avec leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro
Non... rien de rien
Non... je ne regrette rien
Ni le bien qu'on ma fait
Ni le mal — tout ça m'est bien égal!
Non... rien de rien
Non... je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui, ça commence avec toi!
Ao final da música, Vampira havia mais uma vez caído em sono profundo, um pequeno sorriso a brotar-lhe dos lábios.
A garota não ouviu quando Remy murmurou-lhe, com a voz agora trêmula, o segredo que por tanto tempo havia guardado:
–Je t’ aime, ma cherie.
Inclinando-se sobre ela, roubou-lhe o mais singelo dos beijos. O contato durou pouco mais de dois segundos; amais que o suficiente para que Remy começasse a ter a sua energia sugada e sentisse uma dor leve, quase inexistente.
Sorrindo, pensou que era uma dor boa.
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