Alived

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Os personagens me pertencem, mas as fotos deles não. enjoy ^¬^
Alived

Era uma dor alucinante. Senti minhas forças se esvaírem lentamente. Hero perdera o controle, mas eu não me sentia morta, pelo contrário, nunca me senti tão viva!

Meu sangue escorria frenético, meus sentidos começaram a se dissipar. Eu estava enfraquecendo. Um feixe de luz irrompeu o firmamento noturno proclamando a madrugada. Hero começou a se contorcer e arrancava-me o sangue com mais pressa.

Antes de desfalecer, porém, pude vê-lo imergir na escuridão e fugir pelas sombras que restaram da noite. Depois disso, tudo apagou.

-Arleen! Acorde! – chamou Briana.

Resmunguei sonolenta.

-Arleen! – cutucou-me.

-Oi? – respondi.

-Você está bem? – indagou preocupada.

-Só um pouco zonza.

-Como veio parar aqui? – intrigou-se.

-Não sei – respondi olhando ao redor, piscando muitas vezes – Onde estou? – disse confusa.

-Na sacada do meu quarto – respondeu e logo depois olhou para a porta de vidro que dava para o quarto.

-Ah, sim – falei atordoada pensando no que dizer... Ou melhor, no que não dizer.

-Então, Arleen. Como veio parar aqui? Sei que somos vizinhas, mas não acho que seja fácil de subir até aqui – Briana me olhou interrogativa. Como eu queria contar...

-É que eu resolvi passar aqui para falar com você sem incomodar muito os seus pais. Mas subir aqui foi muito cansativo, então acho que peguei no sono – menti.

-Certo, mas e quanto a essas roupas estranhas? – perguntou apontando para mim.

Observei minhas vestes. Eu estava com uma blusa masculina larga de algodão vermelha e um short de dormir preto. Hero, pensei. Olhei constrangida para Briana, que esperava pacientemente a resposta.

-Esqueci de me trocar – falei constrangida.

-Arleen, só você mesmo – riu Briana – Vai tomar um banho, eu te empresto umas roupas.

-Obrigada Briana – abracei minha melhor amiga de infância e depois me dirigi ao banheiro.

Após me trancar no recinto, tirei a blusa vermelha e olhei-me no espelho. Como esperado, ela estava lá. A marca de lua crescente fora aderida a minha jugular, bem aonde antes eu fora mordida.

O símbolo prateado ardia um pouco me recordando da dor e da angústia que me fora causada. Pousei minha mão esquerda sobre a marca. Eu tomara a minha decisão.

*** ******

À tarde, o vento bateu em minha janela, que permanecera aberta desde ontem. Eu estava sóbria, deitada em minha cama sentindo minha cabeça girar com as lembranças. Quem era aquele ser dos cabelos loiros, curtos e esvoaçantes que eu via em meus sonhos e, depois, perto da sacada do meu quarto? Agora que tinha as respostas para isso, senti-me cada vez mais tonta e fui embrulhando o estômago.

Aquele cheiro voltou com o vento a bater na minha porta. A presença de Hero estava próxima. O vento açoitou as cortinas com mais violência e só então pude vê-lo sair da parte mais escura do quarto. Sua risada rouca se dissipou pelo cômodo.

-Como está minha jovem dama? – perguntou-me gentil enquanto se aproximava.

-Eu não me lembro – fite-o inexpressiva.

-A dor fora demais para você? – disse sarcástico.

-Não! Quero dizer, não sei – respondi confusa.

-Princesa – Hero segurou meu queixo obrigando-me a fitar seus olhos amendoados – Você se transformou. Meus parabéns – Um doce sorriso lhe tomou as feições.

-Hero, eu...

-Não se preocupe. – interrompeu o meu protesto – Todos lhe esquecerão assim que a meia-noite chegar.

Suas palavras não conseguiram me acalmar. Eu ainda me sentia fraca. Hero conduziu-me até a sacada.

*** *** ***

E ao badalar do relógio, as nuvens que cobriam os céus se dispersaram permitindo-nos o vislumbre da majestosa Lua Cheia. A intensidade daquele brilho perolado começou a pesar e arder sobre minha pele. Uma onda intensa de dor percorreu meu corpo. Sentia minha pele rasgando, como se algo estivesse para sair do meu corpo. Isso me arrebentou por demasiados minutos, que mais pareciam horas.

As nuvens voltaram a encobrir a Lua. Caí sobre meus joelhos. As dores aos poucos iam passando e por último, minha marca parou de doer.

Hero abaixou-se ao meu lado e tocou meu ombro. Fitei-o exaurida. Ele, cuidadosamente, tirou um pedaço de navalha do bolso da calça e passou sobre seu pulso direito, colocando-o em minha boca depois.

E aquele líquido quente inundou minha boca energizando meu corpo outrora amolecido. Renovada, pude me levantar e movimentar minhas asas recém conquistadas.

Eu sabia que estava morrendo para a Terra hoje, mas eu me sentia cada vez mais viva... De certa forma eu ainda continuaria viva através daquele luar...

Abro minhas asas e me aprumo, assim tomando vôo. Hero liberou as suas asas e me seguiu para perto do brilho da noite. O luar que me capturava viva e preservava minha existência... Como uma criatura da noite.

Notas finais
reviews ? *-----------*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!