Alive
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu era um desastre em relacionamentos. Isto é fato. Me considerava bonita, mais não bonita do tipo “modelo” ou “capa de revista”. Me olhei no espelho, meu cabelo parecia um monte de feno agora, (acabei de acordar) mais geralmente ele é meio indefinido, liso com leves ondulações de cor castanho-escuro. Meus olhos castanho-claros, a parte do meu rosto mais triste nesse momento, era a prova de que fiquei até tarde acordada, navegando na internet, o de sempre. Mais o que eu mais gostava em meu rosto era minha boca, grande e carnuda, gostava de pensar que era parecida com a da Angelina Jolie. Minha pele, não gostava muito dela, era morena clara, não que eu tenha alguma coisa contra morenos, mais era impossível corar, o que era definitivamente uma pena, é muito bonito.
Meu primeiro namorado não foi uma experiência bem gratificante, apesar de não ser ruim, foi há uns quatro anos atrás, quando tinha treze anos. Bem, foi o primeiro menino que eu beijei, então estava naturalmente nervosa, acho que me sai bem nisso, quero dizer, pelo menos o garoto não reclamou.
Depois desse incrível namoro, que durou apenas duas semanas, arranjei outro, que por sinal, nunca preferia ter encontrado na minha vida, um Dom Ruan nato. Foram três semanas incríveis pra mim, mais que acabou mal (mal quer dizer: muitos chifres), e um barraco no MSN. Humilhante, né?!
Meu histórico de namoros não é muito extenso, e nem é uma coisa com a que eu possa me orgulhar, foi um desastre. TODOS.
Eu ainda sonhava há um tempo atrás, em algum dia encontrar alguém que goste de mim, e principalmente, eu goste dele, sabe, já tentei também com quem gostava de mim (sem eu gostar dele), e não deu muito certo, mais um dos meus namoros que não durou, namorei dentro de casa, um mês, e definitivamente descobri que a frase: “fica com quem gosta de você” não presta. Bom, vivendo e aprendendo.
Minha dor estava completa, sem namoro, e tentando dar uma de “durona”, “pegar sem me apegar” (ou de vadia, defina como quiser), comecei a achar por um tempo que jamais iria encontrar alguém bom pra mim, então desisti, mais não completamente, ainda havia esperanças.
Me tornei essa pessoa morta, que hoje não vive, respira (af, brega) e que tenta fazer um simples para casa, 2º ano é triste.
Hoje o meu dia não foi muito animado, chegou um menino novo na escola, o ruim de escola que fica em cidade pequena, é que quando entra aluno novo é um acontecimento especial, mais eu não ligava. Falaram-me que ele chama Joe, ou alguma coisa parecida, não era bem nisso que eu reparei (ou que a escola toda estava reparando), era em um Jaguar XK8 conversível preto, estacionado no pátio da escola. Ele era rico, e provavelmente um daqueles playboys metidos que só pensam em uma coisa: sexo. Bem infantil.
- Susan, telefone!
O grito que me tirou dos meus agradáveis pensamentos, minha irmã como sempre, atrapalhando os meus momentos de reflexão.
- Não sou surda, já to indo! – gritei.
Minha irmã Alice, era completamente diferente de mim, não fisicamente, tínhamos traços parecidos, mais a sua vida e personalidade, ela é do tipo típico patricinha popular da escola, não tão típico, todas são geralmente loiras, ela pelo menos era morena, por enquanto eu acho. Os olhos dela negros. Cor de jabuticaba, como dizia minha vó. O corpo dela era perfeito, fruto de muita malhação e dieta, ou seja, todos os meninos da escola tinham uma queda, ou melhor, um tombo por ela. Alice mantinha sorriso pra tudo, podia acabar o mundo que ela continuava sorrindo, isso era bem irritante.
Fui me arrastando para cozinha, onde o telefone ficava e lá estava ela, de roupas indecentes, micro saia (que mais parecia um cinto), e uma blusa (que mais parecia um topper), dançando Britney Spears, normal.
- Na esquina você ia se dar bem. – disse mandando um sorriso sarcástico, eu adorava fazer essas piadinhas.
- Só atende o telefone, srta. eu me acho engraçada.- Ela disse com mau humor .
Quanto amor. Fiz minha melhor cara (de bunda) pra ela e atendi o telefone.
- Nossa amiga, que demora! — era minha amiga linda para alegrar o meu dia, Diana Stoofs ela tinha cabelos loiros, que há pouco tempo era ondulado, mais que ela fez questão de alisar, bobagem. Tinha os olhos castanhos mais claros que o os meus, quase verdes, e uma pele que de tão branca parecia que não tinha vida, a mortinha, com eu a chamava de vez em quando. Ela era uma ótima amiga, me ajudou nos meus momentos depressivos (como as minhas frustrantes tentativas de namoros) e ainda cisma que eu não superei aquilo, simplesmente diz que a minha aversão a namoros não é normal. Não é aversão, é não se importar mesmo.
- foi mal, tava no quarto – ia começar a me preparar para ouvir um dicurso melodramático que provavelmente estava por vir, ela era bastante exagerada.
- Ta, ta. Amiga, você viu o novato?! Ele é perfeito – Disse ela com uma empolgação fora do normal. Não teve discurso, milagre.
- Anh, não o vi não, mais reparei no carro dele, é muito bonito – e chamativo, mais não quis ser hipócrita, até eu queria ter um carro igual o dele, mais por pura luxuria. Estava feliz com o meu Ford K preto, definitivamente, não era um carro muito caro, nem luxuoso, mais era o que eu tinha, e eu dava valor a isso.
- Eu reparei também, ele deve ser rico, o que melhora as coisas, alem de extraordinariamente lindo, tem dinheiro, que pena que eu não tenho chance. — falou ela meio desanimada.
- Claro que tem amiga, você é linda. – tentei reconforta-la.
- Não amiga, ele já esta de olho em outra — Mais já? Nem chego à escola direito.
- Rápido ele. Você sabe quem é? – Fiquei curiosa agora, será que ela era bonita?
- Claro que sei, sua irmã, Alice. – O choque passou por mim, mais não durou muito, poucos segundos, é claro minha irmã, popular e gostosa, o sonho de todo o menino.
- E ela retribuiu o interesse? – Pergunta idiota.
- Claro amiga, e sua irmã é boba?
- Nem um pouquinho. – é por isso que ela tava tão feliz dançando. Ok, esse papo já ta me enchendo.
- Dih, tenho que desligar, vou tomar um banho básico e dormir. — estava mesmo cansada, o dia hoje foi muito chato, queria acabar logo com ele.
- Vai lá Suzy. Até amanhã.- Odeio que me chamem de Suzy, me lembra a boneca.
- Suzy? Que engraçada você. Até. — escutei risos antes de desligar, ela se achava engraçada.
Fui tomar banho, tentei relaxar o máximo possível, para dormir e consegui. Estava mesmo cansada.
Tive um sonho bom, nada de especial, mais perfeito. Um sonho em que me sentia feliz, completa, mais não me conseguia lembrar do motivo que me fez sentir assim. Que pena.
Acordei mais feliz, o que era uma raridade, geralmente acordava de mau humor. Ter que levantar da cama quente e encarar o frio que fazia aqui era um dos motivos.
Levantei e fui tomar café, minha mãe e meu pai já tinham saído, eles eram muitos ocupados trabalhando, eu não ligava para isso, alguém tinha que trabalhar. Alice já tinha acordado e já estava secando o cabelo. Bom, então fui tomar café, adoro tomar café sozinha, a essa hora da manhã agüentar sorrisinhos não era minha idéia de café agradável.
Tomei um suco com o meu serial favorito, fui pra o meu carro lindo e amado.
- Suzy, espera! – Alice gritava. Odeio realmente que me chamem de Suzy, começou a acabar com o meu humor hoje, merda.
- Shssss, você sabe que eu odeio que me chamem assim, então não começa o dia me estressando!- eu falei com uma voz cortante.
- Credo, quis tentar ser carinhosa.
- Então não tente. – até eu tive dó dela agora, bom ela mereceu.
- O que você quer? – Perguntei ainda fria.
- Será que você podia me dar carona hoje? Meu carro estragou. – Ótimo, perfeito. Claro que o carro dela ia estragar. Um fusca rosa-choque, conversível, reformado. Tinha que estragar. Era uma benção não vê-lo hoje. Mais como tudo tem um preço, o meu ia ser bem caro. Carona. Triste.
- Ta, entra ai. – falei indo para o lado do motorista. Entrei e coloquei o CD da minha banda favorita, Offspring, eles são demais.
- Ah nem, já vem você com essas musicas repetidas. – ó que folga, to dando carona pra ela e ainda vem reclamar do som.
- Quer ir a pé?- perguntei simplesmente. Ela ficou em silencio, graças a Deus.
Fale com o autor