Alison's Body

5 Your Own Good


Notas iniciais
Gente, vocês acreditam que eu tinha esquecido da fanfic? Lindo para minha cara. Eu andei meio atarefada, mas voltei. Boa Leitura.

Depois de queimar todas as aulas do dia, ignorar telefonemas e evitar pessoas, Emily tombou cansada em sua cama, soltando um suspiro longo e esgotado. Tanto tempo perdido dentro daquela biblioteca agora fazia sua cabeça girar. O cheiro de livros novos ou velhos, e a poeira de alguns deles ainda estava agarrada na roupa da morena, mas a sua boca aberta em um “O” que ainda não havia se conscientizado de sumir a deixava aparentar um estado catatônico. Levantou e andou por seu quarto, impaciente, perguntando-se se deveria voltar a desabafar com sua amiga Spencer. Havia tentado uma vez, e agora provavelmente Spencer estaria em seu apartamento se perguntando se o “stress” da faculdade ainda mexia com o juízo de Emily. Oh, quem dera fosse apenas stress.

Aria surtaria. Hanna... Bom, não se pode prever como Hanna reagiria com as novas descobertas de Emily. Ela não tinha muitas escolhas, e Spencer parecia a mais sensata, de fato. Assim fez, discando rapidamente o número da garota e arfando pesado ao telefone, enquanto o barulho de chamada fazia com que as palmas de sua mão transpirassem ainda mais.

— Spence? — Disse, ao ouvir a respiração da amiga antes mesmo dela lhe saudar.

— Que bom que ligou. Estava indo fazer isso agora... Como as coisas estão por aí?

A morena mordeu os lábios do outro lado da linha e caminhou pelo quarto, checando suas janelas e sua porta.

— Spencer... Ainda é sobre a Ali.

— Meu Deus, o que houve dessa vez?

— Ela apareceu aqui no meu quarto, me contando uma historia de que tinha sido sacrificada por adoradores de satã, mas que não tinha morrido e eu passei o dia tentando descobrir como ela conseguiu, e tem algumas coisas que você precisa ouvir.

— O que?! Ali está ferida?!

— Não mais! Uns caras a sacrificaram para que a banda deles fizesse sucesso.

— Emily, você está se sentindo bem?!

— Eu pesquisei sobre isso o dia todo, devo ter lido uns sessenta livros de ocultismo e... A Ali é um demônio.

— Isso não é hora pra ofensas, Emily, o que está acontecendo?!

— Não, ela é mesmo um demônio! Por isso sobreviveu...

— Emily, eu estou começando a ficar realmente preocupada!

— Me deixa ler pra você... — Emily puxou sua mochila e abriu um dos livros que tinha alugado para estudar mais sobre aquilo tudo, abrindo-o em seu colo e limpando sua garganta. – Aqui. Achei: Transferência demoníaca. É o que acontece quando você tenta sacrificar uma virgem a satanás em condições erronias.

— Erronias?

Emily corou, sentindo seu coração disparar só com aquela memória antiga e tão calorosa.

— Spencer... Ali e eu já transamos.

— Vocês o que?! Emily, você não me contou essa parte!

– Isso não importa muito agora! Os caras da banda tentaram sacrifica- lá na floresta, mas os que eles não sabiam que ela não era mais virgem. E eu disse que ela era... Disse a eles que ela era pra protegê-la deles. Pensei que não iriam querer uma garota sem experiência e deixariam-na em paz, mas eu... Eu preciso da minha Ali!

— Você só pode estar usando drogas!

— Vá se foder, Spencer! Acha que eu estou de pegadinha ou algo do tipo?! A coisa é real, eu juro pela minha vida! Eu vi os olhos dela... Eu vi o que ela pode fazer! Aquilo lá nem mesmo é a minha Ali de verdade! Eu respeito você como uma irmã que eu nunca tive, mas você não pode duvidar de mim assim! Eu não durmo há dias, não me lembro da última vez que comi e não me concentro mais em nada sabendo que a garota que eu amo foi morta e trocada por uma besta!

— É cinematográfico demais, Emily! Até mesmo pra mim!

— Por favor, acredite em mim! É só o que eu peço! — Implorou, tentando controlar as lágrimas que explodiam desesperadamente do seu rosto.

Spencer suspirou do outro lado da linha, tentando entrar de peito aberto na conversa de sua amiga. Poderiam mesmo ser drogas ou uma pegadinha, mas ela nunca ouvira a voz de Emily soar tão verdadeira.

— Conte isso com riqueza de detalhes. — E Emily o fez, “tim tim por tim tim” e usando das palavras da loira. Contou sobre sua confissão no quarto, e tudo o que vinha acontecendo naquela semana. Depois de longos minutos em silêncio, Spencer bufou estressadamente do outro lado da linha. — O que mais você conseguiu ler nesse livro?

— Aqui diz que... Se o sacrifício for impuro, seu praticante pode até obter sucesso em seu pedido, porém o demônio residirá pra sempre no corpo da vitima, que se alimentará pra sempre de almas pra sustentar a sua “vida”.

— E a solução?

Emily levantou e segurou o aparelho com as duas mãos, balançando a cabeça para evitar as lágrimas que se formaram nos seus olhos.

— Uma estaca. Do mesmo tipo da que sua alma foi guardada da primeira vez. Direto no coração. — Disse com peso na voz, sentindo sua garganta queimar.

— Emily... Eu não... Nós estamos chegando aí amanhã para...

— Amanhã? O que fazem aqui amanhã?

— É o baile da sua faculdade, não é? Final de período. Como pode esquecer-se disso?

— Vocês não podem aparecer!

— Aria e Hanna se preparam pra isso desde sempre! Tem noção do quanto elas esperam pra ver vocês ou de quanto sentem sua falta?

— Não, Spencer! Eu tenho medo de que a Ali ou o que quer que seja isso se descontrole e...

— Não acredito que dei ouvidos a isso.

— Spence, eu juro que isso é verdade!

— Agora tenho mais que um simples motivo para ir a esse baile amanha à noite. Está me dizendo que a Ali foi sequestrada, sacrificada a um demônio que tomou seu corpo e que o único jeito de trazê-la de volta é enfiando uma estaca no coração dela e matando-a? Meu Deus, pense no absurdo que é essa história toda!

— Não é história, e não vamos matá-la!

— Então o que vai fazer sobre isso?!

— O livro diz que se alguma parte da Ali verdadeira ficou conectada a ela de alguma forma, ela ainda está lá.

— E como vai saber disso?

— Ela... Disse que nunca me machucaria e talvez... Talvez ela ainda me ame. — Limpou a garganta para livrar-se da dor que a invadia como se várias mãos estivessem apertando-a. – Se esse sentimento foi mantido nela na hora que o sacrifício aconteceu, ela...

— “Se”? “Talvez”? Como pode estar supondo quando estamos falando de enfiar uma estaca no coração de Alison?

— Eu não tenho escolha, Spencer! Mas eu te peço que, por favor, não venha aqui amanhã e não traga a Aria ou a Hanna com você, ou poderão se ferir!

— Até amanhã à noite, Emily.

— Spencer, não! — Berrou e grunhiu, explodindo o aparelho telefônico na parede.

Sentia-se humilhada, fracassada e estupidamente ridícula, se é que tamanha redundância era possível de se concretizar. Continuava encarando aquele texto antigo que em letras de itálico dizia:

“Quaisquer que seja o sentimento humano, objeto, nome ou pessoa no qual a vitima do sacrifício se apegou em seu ultimo suspiro, sua alma poderá ser resgatada e o demônio expulso no momento em que a estaca atravessar seu coração, valendo-se verificada a suposição. Caso contrário e o desespero e o medo tenham dominado o corpo do sacrificado, o demônio será expulso e o seu corpo, vazio e gelado para todo o sempre.”

Emily nunca havia sentido tanto medo na vida. Mas o punhal prateado reluzia em sua mochila, encarando-a como se tivesse dois lados. Um no coração de Alison e outro no de Emily. Que vantagem teria viver, carregando o sangue dela em suas mãos? E tendo a certeza de que o amor dela por Emily era inexistente, caso ela não resistisse? Seria uma pobre infeliz assassina, mais do que já se considerava ser. Mas ela uma vez jurou cuidar de Alison, quando ela tinha a cabeça repousada sobre seu peito nu, e Emily lhe acariciava os cabelos loiros, ainda arfando pelo cansaço do prazer, as testas suadas e coladas umas nas outras, o fogo lhes consumindo e se esvaindo pelas bocas unidas que gemiam de excitação. Sim... Ela jurou cuidar de Alison, e cumpriria essa promessa até o fim. Jurou cuidar de Alison. Aquela não era Alison. Não mais.