Aline
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Entrei na casa de meus avós com Bellie, que saiu correndo indo em direção as escadas buscar sua mais nova Barbie, a Mari. Caminhei a frente de Lizza que estava atrás de mim conversando com Carlos indo em direção a cozinha tendo certeza de que minha avó estaria por lá.
Entrei na cozinha vendo minha avó sentada em sua cadeira, lendo seu velho livro de receitas, que já foi de sua avó também. Me aproximei dela, quando fui percebida dando um abraço apertado na mesma e dando um beijo estalado em sua bochecha.
— Olá vovó!
— Olá querida, finalmente apareceu para nos visitar. — disse dando um sorriso amoroso me dando um beijo.— Estavamos com muita saudades de vocês, espero que apareçam mais vezes novamente.
— Se possivel vamos aparecer sim vovó. Onde está o vovô?
— Está nos fundos querida, perto da piscina. Onde está a Beth? Eu ouvi a voz dela.
— Vovó! — a adverti logo depois de ter rido.— Você sabe que ela não gosta que a chamem assim! Ela deve estar na sala, falando com o Carlos no celular. — Apontei para trás, indicando o corredor.
— Sim, eu estava. — disse Lizza aparecendo na cozinha abaixando minha mão. — E dona Clara, não me chame de Beth! Sabe que nunca gostei de ser chamada assim, faz-me parecer uma velha!— choramingou fazendo um biquinho.
— E quantas vezes eu ja lhe disse minha neta para parar de me chamar de dona Clara?! — ralhou com ela estreitando seus olhos. — Então fique quieta ai. Querida, — voltou-se para mim novamente. — Eu e as meninas fizemos uma torta que todos gostam de comer, especialmente você, vá ver seu avô, daqui a pouco a torta ja estará pronta. E leve Lizza com você, se não ela vai querer comer a torta antes da hora novamente. — riu voltando-se para o livro.
Puxei Lizza para os fundos enquanto ouvia a mesma reclamar de mil e uma coisas, abri a porta dos fundos que ficava ao lado da lavanderia e sai da casa descendo os cinco degraus da pequena varanda, caminhei pelas pedras que faziam caminhos pelo jardim sempre bem cuidado de meus avós, com vários tipos de flores, vindas de diversos lugares. Mais a frente ja podia ver a piscina, que sempre esteve limpa, pelo menos sempre que eu venho, ela está.
Atravessei o arco cheio de ramos de flores, diversas rosas o enfeitavam, as vermelhas, amarelas e brancas, todas bem cuidadas, avistei meu avô Jonathan que estava na outra extremidade da piscina sentado em uma cadeira observando todo o jardim a sua volta. Ele parecia estar preocupado com algo, seu olhar distante denunciava isso, nos aproximamos mais dele, saindo dentre as plantas e flores do jardim. Jonathan se levantou da cadeira onde estava sentado e caminhou até a nós com um sorriso enorme no rosto.
— Finalmente veio nos ver querida, estava com saudades, e preocupado também...
— Também estava com saudades, muitas. Mas preocupado? Com o quê?— perguntei ao abraça-lo apertado.
— Nunca se sabe quando algo de ruim pode acontecer querida... Nunca se sabe...
O olhei juntando as sobrancelhas, o encarando confusa, mas ele não me olhava nos olhos, e quando fazia, desviava rapidamente. Ele sorriu, um tipico sorriso forçado e se virou para Lizza que estava com os olhos na tela de seu celular, pelo jeito nem havia prestado atenção em nada do que nosso avô me disse. Dei de ombros tomando seu celular de suas mãos que gritou assustada pela abordagem.
— Me devolve sua louca! — gritou.
— Pare de ser Tão viciada nisso! — revirei meus olhos ao rir de sua cara zangada devolvendo o celular.
— Sua irmã tem razão Elizabeth, aprenda a viver fora disso pelo menos um pouco. Curta mais a vida fora dessa pequena tecnologia querida.
— Nossa vovô isso me comoveu! Eu até pararia de me conectar com essa pequena tecnologia, mas eu dependo dela para me comunicar com Carlos, sinto muito.— disse colocando uma de suas mãos no ombro de Jonathan como se estivesse o consolando.— Ally, você só não esta igual a mim, apenas porque não esta namorando com ninguém. Ou devo dizer que por enquanto não está namorando com ninguém?
— Conheceu alguém e nem nos apresentou Ally? — Me perguntou vovô parecendo estar decepcionado, só parecendo mesmo.
— Sim vovô, conheci, mas nem se preocupe, nem mesmo ela sabe quem é. A única coisa que ela sabe é o nome, Caio, nada mais do que isso, apenas o conheci em um supermercado, e ele me deu seu número...
— Mas do jeito que ela é, deve ter falado apenas um oi para o garoto e nem lhe respondeu mais! — começou a rir.— Ela é mais desligada do que uma televisão velha sem uso!
— Caio. Blanes? Caio Blanes querida? — perguntou passando pelo arco se direcionando para a casa.
— É.— afirmei— Como sabe que é ele?
— Eu não sabia querida. Apenas me lembrei do filho de um amigo de seus pais; Jason e Nicolly Blanes, eles tiveram um garotinho chamando Caio.— parou seu andar por um instante, voltando a andar ao se lembrar de algo — Mas nem sei por que me lembrei dele, esqueça... — abanou a mão se virando para mim rapidamente.— Preciso fazer uma ligação.
Dei de ombros, e olhei para tras percebendo que Lizza ainda estava na area da piscina. A gritei mandando-a vir logo, e parar de ficar com a cara no celular, antes que eu o pegasse e nem devolveria. Ela ficou murmurando enquanto andava na minha frente emburrada, mas ainda com seus olhos pregados no celular. Ao entrar novamente pelos fundos da casa, ja vi minha maravilhosa torta me esperando em cima da pequena mesa da cozinha. Lizza nem havia percebido a gostosura ali, passou direto indo para a sala, talvez. Andei calmamente, com a grande missão de pegar um delicioso morango. Quando estava quase, quase tocando delicadamente no maior morango da torta alguém me deu um tapa na mão quase me causando um ataque cardiaco.
— Tire a mão daí, sua não espertinha!!
— Aaaah!— gritei recolhendo minha mão rapidamente, a colocando no peito.— Quer me matar do coração Bellie! Que mãozinha pesada a sua hein! Meu Deus!
— Não acho minha mão pesada...— disse pensativa colocando a mão a qual me deu um tapa em cima da outra a relachando, para sentir o 'pequeno' peso da sua mãozinha gorda. — Só um pouquinho...
— O que estão fazendo crianças? — perguntou minha avó entrando na cozinha pegando a torta em cima da mesa, a depositando no balcão.
— Nada! — respondemos ao mesmo tempo.
— Vocês sabem que isso foi suspeito não? — fez uma pergunta na qual sabiamos não era para ser respondida— Mas como eu contei os morangos, e nenhum sumiu. Irei acreditar nisso; Bellie, chame sua irmã, e Ally, chame o seu avô, ele foi para o escritório.
Assentimos e saimos em direções diferentes, Bellie saiu saltitante pelo corredor (como sempre) até a sala para chamar a Lizza, e talvez assustá-la também. E eu fui lentamente até o escritório de meu avô; Estava sendo uma necessidade ir até lá em passos lentos, cautelosos, eu sentia que ele estava fazendo algo que me envolvia, sentia isso em meus braços e pernas arrepiadas. Ao parar em frente a porta, aproximei meu rosto dela, até cola-la na porta, apurei meus ouvidos, para conseguir ouvir, a voz baixa de meu avô conversando com alguém, que provávelmente era por telefone, já que não tinhamos visitas.
— ... Como assim, vai dar certo?! Não precisamos de mais ninguém de babá! E fica pior com alguém da mesma idade! — pausa, provavelmente a pessoa da outra linha estaria lhe respondendo.— Três anos! Uma enorme diferença! E se Aline desconfiar e descobrir?! — outra pausa.— Ninguém fica no escuro para sempre Luke! E... — Luke?! Quem é Luke?
Decidi parar de agir como uma criança curiosa, e bati timidamente na porta, a conversa que estava lá dentro ficou silenciosa, e decidi dizer quem era para não parecer que eu estava escutando algo que "não era da minha conta".
— Vovô? — perguntei, me certificando se ele ja estava desoculpado.
— Só um minuto querida! — disse mais alto para mim conseguir ouvir melhor. — Sim, é ela. Espero que façam a decisão certa sobre isso Luke. Até.
Me distanciei da porta olhando para cima e apreciando a tinta da parede, e a madeira escura do batente da porta, pensando sobre o pouco da conversa que eu escultei. Se travava sobre, mim, okay, mas qual assunto?, E quem é Luke?!
— Aline?! Aline esta me ouvindo?!
— Hãn?! — perguntei olhando para ele assutada. — Ah! Bem, vovó esta nos chamando para irmos comer a torta.
— Vamos então! Faz tempo que não comemos essa torta!
— E porque? Não é como se a vovó a fizesse...
— Sim, — me cortou. — Ela só faz a torta quando você vem. E quando você está nós estamos todos juntos, e é disso que ela sente mais falta. Não que eu não sinta também, mas, bem, você sabe, ela as consideram como suas filhas, mesmo Lizza sendo nossa neta de sangue ela a considera como filha, uma filha que nunca tivemos...— disse ficando pensativo.
— Vovô?
— Sim.
— Porque você não nos conta sobre os pais de Lizza? Eu acho que está mais do que na hora dela saber sobre seus pais.Ela não pode ficar no escuro para sempre não é? — disse a mesma frase que falou para o tal de Luke, ele empalideceu e arregalou os olhos, eu sorri e apertei seu ombro.— O que houve vovô?! Eu só disse a frase que o senhor usou para a pessoa com quem estava falando. Eu não ouvi mais nada que isso.— sorri novamente, o vendo dar um sorriso sem graça, voltando a cor natural, me virei e segui em frente até a sala de estar, Lizza já estava lá, assim como Bellie e vovó, só falatava apenas nós dois. Quando vovó questionou nossa demora, eu lhe respondi, apenas dizendo que vovô estava em alguma ligação e eu esperei por ele. O mesmo afirmou, e disse que depois falaria sobre isso com ela.
Eu ainda não sabia sobre o que falavam sobre mim, mas tenho certeza de que iria descobrir.
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