Alicia
1 Prólogo.
Notas iniciais
O inferno deve parecer exatamente assim.
Sério, eu realmente acho que o inferno tem essa aparência opulenta e cara, o diabo parece ser um sujeito com bom gosto. Olhei ao redor e me perguntei como eu faria para me misturar naquele lugar, nada ali me trazia a sensação de acolhimento eu estava tão docemente acostumada em casa. Casa significa Califórnia, lá onde as pessoas sorriem a cada misero segundo e as praias são maravilhosas, não que eu realmente frequentasse alguma para saber disso, mas ei, eu vi fotos o tempo todo.
– Pai, você ainda tem a chance de desistir dessa idéia patética, eu até finjo que isso nunca aconteceu, apenas vamos dar a volta e ir pra casa. — Eu ofereci enquanto encarava meus pai tentando reproduzir o olhar de cão sem dono que eu assistia July dar aos seus pais o tempo todo para conseguir coisas. Obviamente não funcionou.
– Alicia isso é para o seu bem, seu futuro vai ser brilhante com a ajuda desse colégio, apenas agradeça a oportunidade que estou lhe dando. — Revirei os olhos e dei as costas, não precisava disso, não queria ouvir isso. Só queria voltar pra casa, para July e Manson, o gato.
– Faça o que você quiser, eu não dou mais a mínima. — Eu resmunguei e agarrei minha mochila, segurei apertada a alça da mala que estava ao meu lado no chão e disparei na frente sem esperar o velho.
No meio daquela multidão de rostos eu podia ver claramente milhões de motivos pelos quais aquele lugar não seria bom para mim. Veja bem, eu não sou uma anti social sofredora e etc, mas eu também não sou a garota popular ou a que arranca olhares, eu tenho meus amigos e eles são bons pra mim mas então eles são um grande bando de garotos, July e eu. As garotas aqui não são como July ou as outras meninas de casa, elas estão em saias drapeadas, sapatos altos e com um olhar superior, elas parecem bonecas recém saídas da caixa e eu momentaneamente me sinto mal vestida com o meu moletom de Harvard e minha calça jeans, meu tênis é surrado e o boné cobrindo meus olhos não deve estar ajudando. Eu devo parecer um garoto, mas então eu não vejo porque isso seria um problema em definitivo, exceto que talvez garotas como essas não saibam lidar com garotas como eu. Diferentes e um tanto quanto loucas.
– É um garoto? Nossa que cara estranho. — Um cara sussurra quando eu passo e reviro os olhos. Isso é sério? Porra eu tenho um par de seios bem aqui, será que isso parece comum pra um cara?
– Você não pode ver meus seios? Talvez você não tenha visto tantos assim na vida, okay, eu realmente deveria ser mais compreensiva. — Eu resmungo num semi tom que eu posso ser capaz de jurar que o cara que agora ficou pra trás não pode ouvir, mas então eu ouço um coro de "ow" e eu instantaneamente sei que deveria ter ficado quieta, mas essa sou eu, não se pode esperar isso de mim.
– Desculpe, o que você disse? Repita, por gentileza. — O cara tem meu braço na sua mão direita e ele tenta fazer com que eu vire para encará-lo, mas isso simplesmente não vai acontecer, eu continuo fincando meus pés no chão para não ter que virar.
– Você escutou, se não tivesse escutado você definitivamente não estaria encrencando comigo, não preciso repetir então.
– Eu queria acreditar que você não estava seriamente falando aqui, mas se analisar direito agora eu posso ver que você é uma garota, você sabe, tendo em vista que eu não tive muitas será que a senhorita gostaria de ser mais uma? — Tremi de raiva. Eu literalmente tremi de raiva no instante em que as palavras foram processadas pelo meu cérebro, virei irritada e tive que erguer os olhos para encontrar o rosto do idiota. Um par de olhos verdes me encaravam arrogantes, o cabelo loiro bagunçado e a mão livre enfiada no bolso da calça jeans. Inferno maldito. Tinha que ser um dos bonitos?
– Foda-se, eu não tenho tempo pra idiotas como você. — Puxo meu braço da sua mão e sigo meu caminho enquanto ele grita ao que eu não me dou ao trabalho de tentar ouvir, mas soa como seu nome, algo como Brandon, eu realmente não dou a mínima.
Abro o mapa do colégio que o cara lá na entrada havia entregado a mim e tento encontrar algum ponto de referencia que me faça achar onde no inferno eu estou e como faço para chegar até os dormitórios, meus braços simplesmente estão fartos de carregar a bagagem e eu não acho que os caras daqui me fariam o favor de carregar pra mim, eles nem mesmo carregam suas bagagens, eles tem alguém para fazer o trabalho pesado. Ando pelo que parece ser o jardim e só então consigo me encontrar no mapa, desço a escadaria principal e então os prédios gigantes dos dormitórios entram no meu campo de visão, parece uma grande mansão de alguma estrela de Hollywood, e parece assustadoramente bonito. Arrasto meus pés até o hall de entrada e sou recebida por uma outra multidão de alunos gritando e correndo no meio do salão, alguns estão em grupos rindo alto e conversando, as meninas jogam seus cabelos brilhantes e sedosos, os caras estão distribuindo piscadelas e sorrisos com covinhas, July acharia esse lugar o próprio paraíso. Tiro meu boné da cabeça e solto meu cabelo, tento ajeitar do modo que posso para que ele não crie os malditos nós que demoram tanto para desfazer de manhã, apanho a mala do chão outra vez e me dirijo para o quadro de avisos onde os papeis com os nomes dos alunos e os números dos quartos estão disponíveis, solto minha mala no chão outra vez e corro o dedo pela folha da letra A procurando pelo meu nome, encontro e verifico o nome de quem quer que vá ser a pessoa a dividir o quarto comigo pelo ano, Bonnie McCanzie é o nome ao lado do meu e eu instantaneamente crio na minha cabeça a figura da garota a quem o nome pertence, merda, eu poderia ser mais azarada? No mínimo o que me esperava no quarto 378 era uma falsa loira usando um maldito gloss com cheiro de alguma fruta que eu odeio. Fechei os olhos e me xinguei baixinho pela má sorte.
– Então você é uma Alicia? Na verdade acho que você é a única Alicia daqui, e pelo figurino de hoje eu acho que vai ser bem fácil te diferenciar das outras. Deixa eu ver aqui, hm, você está com Bonnie... Somos vizinhos. — Eu virei para encarar quem quer que fosse e encontrei os olhos verdes outra vez. Mas porque raios esse cara insistia em aparecer? Essa merda de ano seria meu fim.
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