Alice's Key

6 Alan e Willow


O Valete, a salvação

O Rei, a tradição

A Dama, a revolução

O Às, a união

Irmã? O Zak tem uma irmã?

Como assim? Isso é sério mesmo?

E ela namora o Kit? Não... Ela não pode namorar o Kit porque ele ficou lamentando desde o momento que mencionamos a palavra 'moinho'.

— O que você quer, chapeleiro? — sorriu irônica, dando ênfase na última palavra.

— Primeiro, solte o meu amigo. Segundo, por que não tomamos um chá?

— Que maravilhosa ideia. — não sei como é possível, mas o sorriso dela aumentou.

Os dois caminharam lado a lado até a cabeceira da mesa, e eu fiquei para trás junto do Kit. Ele começou a tossir, como se estivesse engasgado, e bati em suas costas.

— Beijar ela, é pior que bola de pelos. — comentou quando o ataque passou.

Isso, definitivamente, não é um elogio. Então, realmente, eles não são um casal.

Ainda bem.

— É... Eles são irmãos mesmo, ou piores inimigos de uma vida?

— Irmãos. A diferença é pequena, mas o desgosto deles um pelo outro se tornou palpável quando ele tinha oito anos.

Fomos até onde os outros estavam. E sentei do lado de Martin.

— Quer uma xícara de chá? É muito? Que tal meia? — me questionou, e, sem que eu respondesse, pegou uma faca e cortou a xícara pela metade.

— Meia está uma maravilha! — ele sorriu e me entregou.

— Alan! Acorde! Sirva os outros!

— Hum... O que? — o menino a sua frente perguntou esfregando os olhos. — Por que agora? Está na hora do chá! — bocejou. — É muito cedo.

Gostei desse menino, cinco horas da tarde é cedo para ele.

— Arganaz, faça-me o favor! É hora do chá! Feliz desaniversário!

— Pra você também. — Alan falou fechando os olhos e deitando a cabeça na mesa de novo.

— Eu posso chamar a Miley...

— Não! — o menino berrou assustado — Aquela ratinha violenta e hiperativa não! Já basta você que fica hiperativo quando toma chá!

— O que você quer, Zak? — a menina ruiva interrompeu a conversa deles colocando os pés na mesa com um baque.

Bem educada, não?

— Você não irá no festival. — ele respondeu.

— Como é que é? — gritou ela.

— Madge, você não pode ir no festival. Simples assim. — ela riu quando ele terminou

— Você acha que simplesmente vai vir e me mandar ficar aqui? É o meu primeiro festival! Eu vou mesmo que você me acorrente no pé da mesa.

— Sabia que não é uma má ideia?

Ele o fulminou com o olhar.

Por Alice!

Esses são os irmãos mais... Inimigos que já vi!

Deixa eu pegar um bolo. Por que?

1- Estou com fome.

2- Isso está interessante.

— Você sabe que jamais ficarei aqui. Eu sou a verdadeira chapeleira, por mais que os outros não vejam isso.

— Irmã, eu já falei com você sobre isso. Nosso pai também já fez isso. Você sabe que não é tão simples.

— Ninguém de autoridade explicou para mim. Não posso confiar em pessoas da minha família.

— Confia na nossa mãe.

— Porque ela sabe o que é o certo.

— Callyda afirmou que você não era uma opção.

— Aquela maldita só finge ter sabedoria! E ainda por cima é cega!

— Você está cercada de preconceito.

O tom de voz do Zak estava mudando, cada vez mais raivoso. E eu não estou gostando disso.

Kit engoliu em seco, e as crianças se entreolharam temerosas.

Como vai ser minha história?

Era uma vez... Uma menina chamada Allya, ela foi raptada por um garoto de orelhas que ronrona e um menino pacífico que sofria ataques de raiva. Foi levada até Maravilhas, para fazer o papel de Alice no festival de Copas. Em sua primeira visita ao reino de paus, encontrou as Lagartas filosóficas azuis; o coelho adiantado e a lebre calma; o arganaz dorminhoco e, por último, a ruiva louca. A cabeça quente discutiu com o irmão, fazendo ele ter um ataque de raiva e destruir todos ao seu redor.

Uma maravilhosa história.

Com um final tão feilz!

— Primo... — Martin murmurou com medo.

— Eu não vou me ajoelhar aos seus pés só porque você foi escolhido como chapeleiro. A louca aqui sou eu! Você é normal, não faz o menor sentido você ter sido escolhido!

Os olhos de Zak pegaram fogo. Literalmente.

Bom... Não literalmente, mas sim literalmente. Entende?

Semi-literalmente!

Seus olhos ficaram mais escuros e brilhantes, meio avermelhados.

E este é o verdadeiro chapeleiro louco.

— Você acha que eu gostei de ser escolhido? — ele se levantou e continuou a berrar — Tudo é uma maravilha para você, não é? Tem ideia do que eu passei esses anos? Não! Você é uma criatura imatura, ingênua que não sabe de nada!

O moinho começou a girar, e chamas se espalharam pelo gramado. Encostei as pernas no meu corpo para escapar das fagulhas. Os meninos procuravam por uma saída, e Kit...

Estava calmo.

Nós estamos no meio de um incêndio e ele está calmo!

Madge estava subindo em cima da mesa, apavorada.

Uma emoção diferente de desgosto e raiva!

— Pare com isso, Kaz. — o nosso gato loiro atravessou as chamas sem nenhum problema até o amigo.

E não é gato por ele ser gato. Mas por ele ser um gato. A diferença existe, um é bonito, outro tem orelhas.

Agora eu, perto da morte, divagando sobre gatos.

— Kaz!

— Não consigo. — sussurrou, as pernas fraquejando.

— Will, você vem com a gente. Ally, levante! — Kit pegou Zak no colo, e foi correndo em direção a orla da floresta. Como? Não sei. — Mart e All, vocês tem que controlar a Mad, distraiam ela depois que isso acabar e inventem alguma história.

— Sim, senhor!

— Venha! — o coelho pegou minha mão, e seguiu os outros dois.

Passamos por algumas trilhas que eu não conhecia, e paramos em uma clareira cheia de árvores com o naipe de paus.

O gato e o chapeleiro estavam sentados por perto, Chess conversava com Hat tentando acalmá-lo.

— Vamos deixar os dois sozinhos, por enquanto. — meu guia se virou, e estava prestes a segui-lo.

— Não precisa, não estou doente. — Zak sorriu para nós. — Só um pouco cansado, não é nada.

— Nada? Você está pior que a Will quando ela brinca de pega-pega com o Martin!

Franzi as sobrancelhas.

— Mas não é William o nome dele? — os dois amigos prenderam o riso, e o coelhinho olhou para mim horrorizado.

— Eu sou uma menina! Não um garoto! — reclamou — E meu nome é Willow! W-I-L-L-O-W

— Desculpa! — balancei as mãos tentando acalma-la. — Você parece um menininho!

— Eu não pareço um não! Sou bem crescidinha! — cruzou os braços irritada.

Zak jogou a cabeça, rindo. E todos acompanharam.

....

Quando eu o conheci, ele tinha o cabelo castanho... Não tenho certeza...

Ele sempre teve a franja branca?