Alice no País das Maravilhas
7 Capítulo 7 - O Chapeleiro
Notas iniciais
Alice vai pela direita, achou melhor ver o Chapeleiro, mas será que ele estará em casa? E como irá recebe-la? Se recebe-la
A casa deste senhor é bem peculiar, tem a forma de um chapéu e um grande jardim com flores também em forma de chapéu. A frente disso tudo está uma mesa de jardim extensa repleta de xícaras, bules e açucareiros. Ela deve mesmo se sentar e se servir deste chá?
***
Decidi que seria mais prudente ir à casa do Chapeleiro, chegando lá
- Mais chá! Mais chá! Mais chá!
Uma lebre de cartola batia a todo fervor na mesa de jardim, enquanto um Dormidongo enchia molemente a sua xícara.
- Mais chá! Mais chá! Rápido!
O Dormidongo bocejou e fez o chá transbordar da xícara
A lebre, sem se importar, bebeu tudo num gole e logo estava batendo as mãos na mesa querendo mais chá
Logo outros bichinhos, como uma mãe gansa e seus filhotes, alguns camundongos e uma corujinha chegaram e se acomodaram
Decidi fazer o mesmo e a lebre logo veio em meu encalço gritando
- Levante-se!
Eu me levante inconscientemente
- Endireite-se!
Minha postura ficou mais que ereta
- Agora... Fale. quem sois vós e o que queres?
- Sou Alice e queria, quero ir para casa
- Esta é sua casa?
- Não
- Então não tem nada que queira aqui! — empinou o nariz e voltou ao seu lugar
\"Que petulância!\" pensei, mas não sai do lugar
- Você ainda está aqui? — ele se levantou empurrando o Dormidongo, que dormia sobre a mesa. Este caiu sem acordar
- Poderia me dizer onde está o Chapeleiro, o Gato, quer, dizer o Mestre...
- O Chapeleiro?! — ela retirou a cartolinha e chorou aos berros, de repente parou — Não vai achá-lo aqui, receio que ele tenha nos deixado
- Ele morreu?
- Eu disse que ele havia morrido? Disse que não o encontrará, não devidamente como ele devia estar. Agora se sente e tome um chá conosco, menina alada
- Agora quer que eu me sente com vocês?!
- Preferi ficar de pé? Pois bem...
- Não, não, obrigada
Sentei antes que ele pudesse mudar a frase
Logo senti uma vontade tremenda de tomar chá e por mais que me servisse queria sempre mais chá
Os outros animaizinhos também sentiam o mesmo
- Mais chá! Mais chá! Mais chá! — logo me uni ao coro que clamava pelo liquido
Senti minhas pernas serem amarradas nas pernas da cadeira e meus pés serem amarrados nos pés desta, e minha cabeça à cabeceira desta
E o mesmo ocorreu com todos os outros. Mesmo assim ainda queriamos chá!
- Mais chá! Mais chá! Mais chá!
- Veja que sublime... — uma voz apaixonada veio da frente da casa — quantos bichinhos
- Mais chá! Mais chá! Mais chá!
- Bules! Sirvam-nos! — ele ordenou e uma algazarra de bules serelepes e xícaras saltitantes se mexia em cima da mesa, acompanhadas por um comboio de colherinhas e açucareiros
- Mais chá! Mais chá! Mais chá!
- Que fantástico: uma menina. Melhor que isso, uma menina com asas. Como a Sophie... Seria mais prudente não deixar esta escapar
Um homem de estatura mediana se pôs na luz, permitindo os convidados vê-lo. Era desfigurado, magro, olhos cansados e rígidos, cor de mel, e uma faca. Uma enorme faca de pão.
Mas não havia pão
O Coelho entrou apresado pelo portão
- Chapeleiro?!
- Sim? — o homem com a faca respondeu
- Oh, não, não, nada, esqueça — mas antes que o Coelho pudesse correr para longe o homem o agarrou pelo colarinho do colete e o ergueu no ar até finalmente solta-lo numa poltrona.
- Mais chá! Mais chá! Mais chá!
- Mais chá, bah! É só isso mesmo que vocês dizem... — ele se conformou e saiu cortando o pescoço do cada bichinho que agonizava por chá, menos o meu e o do Coelho — Sei que a Rainha não gostará nada se eu te matar, por isso vá!
Ele soltou o Coelhinho que saiu pulando apressado
Recolheu o sangue dos animais em um bule enorme e este saiu pulando para dentro da casa
- E tu! — ele se voltou a mim — Tu darás uma pela estatua
- Mais chá! Mais chá! Mais chá! — era a única coisa que eu podia dizer
- AH, pare com isso!
Parei de imediato.
- Como se chamas?
- Alice, e tu sois o Chapeleiro?
- Certamente, quero dizer, era, serei, bem não importa. Você gosta de serragem?
- Não
- E fuligem?
- Não, senhor
- E estopa?
- Não
- Certo está decido, será empalhada com todos os três
- Que?! Senhor, não podes...
- Claro que posso! Um espécime tão raro merece ser lembrado
- Não quero ser lembrada
- Mas eu quero lembrar de você
Ele pôs a faca no meu pescoço, mas neste instante o relógio badalou. Cinco horas
- Vejamos... — ele checou o horário num relógio de bolso — realmente. Dormidongo!
O pobre Dormidongo se ergueu do chão vagarosamente
- Vão fazer mais chá!
- Já são cinco horas de novo? — ele falava e bocejava
- É sempre cinco horas, seu estúpido, Vá fazer o chá!
- Sim, senhor
- Agora você!
Ele desprendeu meus pés e minhas mãos e os amarrou novamente, para que eu não corresse, só havia algo que ele não conseguia amarrar. As asas.
Levantei vôo da forma mais desengosada possivel, mas com os pés e as mãos amarrados era dificil manter alguma direçao.
Ainda pude ouvir o Chapeleiro gritando palavrões de cima de sua mesa de jardim
\"A mãe dele devia lhe ensinar que estas não são palavras boas\"
Logo perdi o controle e cai numa várzea, logo uma voz feminina e brava gritou
- CORTE-LHE A CABEÇA!
Notas finais
A voz não pareceu nada feliz em ver uma menina alada caindo em sua frente.
Quem será a dona desta voz?
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