Alice no País das Maravilhas
10 Capítulo 10 -
Notas iniciais
Alice passou por muitas coisas até finalmente parecer \"segura\" na corte, mas é uma pena que não seja verdade... Agora ela será o centro das atenções, aquele que vai falar e ser ouvida no julgamento, mas o que ela pode dizer?
***
\"O que? O que ela pretende?\" pensei enquanto descia as escadas até o banco de testemunhas
Sophie me escoltou até que eu tivesse sentado e não saiu do meu lado
- Comece! — mandou brandindo a foice em minha direção
- Bem, eu creio que...
- Não creia! Apenas diga o que sabe sobre o Gato
- Oh, claro, sei que é um felino e que...
- Está brincando comigo? — ela apontou a foice para meu pescoço
- Não, não de forma alguma — \"Céus, que fiz eu? Ela vai me matar\" — De fato o Mestre Gato me parece um tanto perturbado e risonho e desgrudado de si próprio
Sophie baixou a foice para meu alivio
- Então ele é culpado?
- Eu... Eu não sei
- Como não sabe?! — desta vez a Rainha quem gritou — Ou é culpado ou é inocente, e para teu bem creio que ele é culpado
\"Não posso acusá-lo por ser perturbado, mas quanto às outras acusações, creio que ele tenha culpa\"
- Ouça Majestade — falei com cuidado — o Ga... O Mestre Gato pode ser realmente culpado da maioria das acusações, mas não creio que deva ser sentenciado pela perturbação
- Como disse? — o Rei perguntou curioso — E por que isso agora?
- Ele não tem culpa de ser perturbado, suponho
Ou vi um pequeno alvoroço na bancada do júri e cochichos entre a Rainha, o Rei e o Coelho, até que o Rei falou
- Certo prossiga
- Um instante! — a rainha gritou do nada — Se ela discorda das acusações, logo discorda do julgamento e logo apoia o Gato, assim ela também é ré!
Um alvoroço ainda maior tomou conta do júri
- Prendam-na! — Uma doninha do júri gritou
E logo duas cartas-guardas me levantavam pelos cotovelos e eu me juntava ao Gato
O Coelho começou
- Alice, acusada de entrar no reino, sem autorização previa de vossas Majestades, perturbar a paz e defender o Gato
- Mas eu apena...
- Silencio! — a Rainha gritou — agora posso dar a sentença?
- Dê logo querida — o rei falou já farto da insistência da esposa
- Cortem-lhe as cabeças!
Ouviram-se grandes vivas do júri
- Espere! E minhas testemunhas e o voto do júri? — pedi desesperada
a Rainha apenas falou com voz suave e apaixonada
- Matem-na!
- Oh, não, por favor, esperem! Esperem!
Logo uma multidão saltou da bancada e senti sendo levantada em seus braços e sendo levada para fora, até a dita execução
Olhei para os lados em busca de uma salvação, mas vi apenas o Mestre gato rindo, também nas mãos da multidão. Ele estava brincando de mudar a cor do próprio pêlo, agora listrado de vermelho e branco
- Matem! Matem! Matem! — a multidão gritava
Fomos levadas até uma arena, onde Sophie aguardava segurando a foice. Já postos no chão a ouvimos anunciar o que era obvio:
- Sentenciados a morte por decapitação, com chance de defesa
\"Defesa?! Como vamos nos defender?\"
- Primeiramente o Gato — ela anunciou pondo-se em posição de combate
- Certamente — o Gato fez um reverencia e transformou o próprio rabo numa espada, arrancou-a de si e atacou
Sophie desviou de todos os ataques com eximia facilidade
O Gato dava passadas pesadas em direção a ela, mas não conseguia tocá-la
\"Realmente ela sabe lutar... Oh Céus, eu vou morrer!\"
Até que houve o inevitável: Sophie alçou vôo e atacou de cima, sua foice arrancou a cabeça do Gato
Fechei os olhos, mas era tarde já tinha visto tudo
A cabeça do Mestre gato rolou até parar em meus pés, assim como sua espada
Sophie limpou a foice calmamente no vestido. O sangue do Mestre era azul e este emanava da cabeça
Olhei os restos mortais dele um instante.
“É uma pena...”
A cabeça sorriu disfarçadamente e piscou para mim, depois voltei a ficar estática
- Agora, Alice das asas negras!
Notas finais
Uma chance de defesa é o suficiente?
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