Notas iniciais
A história é uma releitura (que começa bem parecida com o original) e não pretendo com isso torna-la idêntica ao texto original. HAVE FUN!

Quando caiu pela toca do coelho, ela imaginou que seu traseiro bateria quase que imediatamente no chão duro, mas isso não aconteceu. Seu corpo voou com força para o fundo que nunca chegava, a escuridão reinava e a única luz vinha do buraco por onde ela havia caído. Caiu,caiu e caiu, o chão parecia não mais existir e lembrou-se de histórias sobre pessoas que cavaram tão fundo que conseguiram chegar do outro lado do mundo e pensou que era para onde ela voava agora.

— Mamãe vai ficar muito brava se tiver que me buscar na China Por que tive de seguir aquele coelho estupido?

Esperneou, tentou gritar, lágrimas brotaram dos olhos mas ela continuou a cair, cansada de lutar, esticou os braços e tomou um susto ao perceber que conseguira no escuro encontrar uma vela.

— Uma vela? Mas não me servirá de nada, não tenho fogo.

E como se tivesse vida própria, a vela iluminou-se e seu pequeno brilho encheu toda a dimensão do buraco. Alice caía solitária mas haviam cadeiras,mesas,chaleiras,chapéus, meias e luvas flutuando contra as paredes de terra. Uma suave vento veio por suas pernas fazendo o vestido azul se abrir como um guarda chuva e a partir daí voou tranquilamente, já não caía, apenas flutuava até o chão.

Foram suas pernas que atingiram o chão e não o seu traseiro e Alice se alegrou com aquilo, não precisava de mais sujeiras em seu vestido. Deixaria mamãe completamente furiosa.

Teve de esfregar os olhos algumas vezes até acreditar no local que estava.

Havia caído em um buraco mas aquela sala não se parecia em nada com o interior de uma toca de coelho. O piso do chão era branco e os ladrilhos nas paredes eram vermelhos e se estendiam até onde os olhos podiam ver, o local era totalmente circular e havia uma gigantesca porta, tão alta que Alice nunca poderia tocar em sua maçaneta e uma porta tão pequena que nem um gato magricela conseguiria passar. O cômodo era ricamente iluminado mas não haviam candelabros na parede, também não haviam janelas. No meio da sala havia algo que se parecia com uma mesa gigantesca.

Furiosa com o desaparecimento do coelho, Alice sentou-se encostada em uma das pernas da mesa. Encostou as mãos no chão e reparou em um pequeno embrulho, o agarrou e leu sua etiqueta "coma-me" implorava um bolinho. Alice se lembrou de que não deveria aceitar comida de estranhos, mas em sua cabeça não via como um coelho lhe podia fazer mal.

Enfiou todo o bolo na boca.

Primeiro sentiu-se satisfeita com o sabor adocicado em seus lábios, depois um estranho formigamento começou em seus dedos dos pés, os dedos das mãos começaram a formigar em seguida. Seu sapato foi a primeira coisa a voar, fugindo de seus pés que cresciam desproporcionalmente ao corpo, em seguida os botões dos vestidos começaram a abrir e pouco tempo depois Alice estava gigante e nua com os pedaços do vestido caídos ao chão.

Grande como estava, conseguia facilmente passar pela enorme porta de carvalho, mas a porta estava completamente trancada. Uma pequena e prateada chave encontrava-se por cima da mesa que agora já não parecia tão gigantesca. Agarrou a miúda chave em suas mãos mas a fechadura não a aceitou.

Furiosa, Alice caiu no choro, pisou forte contra o chão e berrou como só uma menina de sua idade poderia fazer. Quando as lágrimas cessaram, percebeu finalmente no pequeno vidro por cima da mesa, era brilhante e verde e havia um liquido dentro.

"Me beba" oferecia o vidro e Alice não pode recusar. Bebeu todo o conteúdo de uma vez e desta vez não aconteceram formigamentos, o corpo apenas diminuiu a ponto de mergulhar nas lágrimas que haviam sido derramadas.

A menina nadou com ferocidade, a chave pequena estava apertada contra a palma da mão, não demorou até encontrar a porta pequena, meteu a chave na fechadura e quando a porta se abriu, ela e toda as lágrimas correram contra o mundo lá fora.

A menina recolheu os trapos de seu vestido e os enrolou no corpo, apenas uma manga do vestido era capaz de cobrir todo o seu corpo, amarrou o tecido com seu antigo laço de cabelo e se deparou com o mundo que a aguardava.

Notas finais
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