Alice na toca do coelho
4 A Rainha
Notas iniciais
A rainha observava o esplendor do seu reino do topo de sua fortaleza inexpugnável, a porta de seu quarto na mais alta torre se abria para uma varanda e dela podia observar o passivo reino abaixo de si. Podia ver os jardins lá em baixo, podia ver as roseiras com seus botões em flor, mal podia esperar por ver as rosas que nasceriam, as rosas eram suas flores favoritas.
De resto, pouco lhe agradava no castelo ou no reino. As muralhas estavam lá e então o fosso com sua ponte levadiça e então outra muralha e só guardas idiotas tomavam conta das muralhas, dos portões, da porta de seu quarto, do castelo, do reino. Estava repleta de idiotas e insubmissos e por isso reinava pelo fogo e espada, não poderia haver clemencia a aqueles súditos que se recusavam a obedecer.
Além das muralhas de seu castelo estendia seu reino, haviam pequenos casebres imundos mais próximos do castelo do que ela desejaria, mandaria queimar tudo cedo ou tarde. Ao longe estavam as vilas repletas de pessoas que tão emprestáveis como os guardas em seus muros. E além disso, a floresta profunda e quase infinita, ao leste, sua irmã protegia a região com seu castelo pálido. No castelo da rainha reinava o vermelho, a cor do sangue, a cor dos corações, a cor que brilhava em seus cabelos.
O ar frio passou por ela e se apressou em entrar em seus aposentos, fechou as portas com força para que nenhum ar pudesse entrar e sentou-se na cama inquieta.
Estava farta e entediada.
Nada mais lhe divertia, nenhuma execução lhe causava qualquer emoção, as bajulações de sua corte de loucos pouco lhe interessavam. Chess Kingdom, um reino próximo do deles também não lhe mandava nenhuma noticia interessante.
Precisava de alguém com quem pudesse conversar, alguém com que pudesse aprender sobre a vida como rainha. Sentia-se estranhamente só e pensou na floresta e em todos os loucos que lá viviam.
Talvez devesse chamar um novo bobo, alguém que distraísse e podia lhe arrancar a cabeça do pescoço caso se tornasse enfadonho e cedo ou tarde, todos eles se tornavam.
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