Notas iniciais
A história levou a um lugar diferente, não era isso o que era pra ser, mas estou feliz com o resultado, espero que gostem

Todos a mesa de jantar, deram as mãos, rezaram algo baixo e de olhos fechados. Alice esperava tanto por ter essa chance. A Madame havia colocado a garota de castigo, o que a obrigava a servir as outras crianças e não degustar um dos seus pratos favoritos.

– Você que te atreva a fugir novamente! Estás encrencada, mocinha. Não tem mais 10 anos, já sabes por demais quais são tuas obrigações. Ficará sem a janta de hoje e o desjejum de amanhã, para aprender a não ser tão rebelde. — Disse, fechando a porta num estrondo enorme.

Aquilo já não importara mais, pois Alice ia fugir e ia ser esta noite. No momento da reza, deu discretos passos até a porta da cozinha, que se encontrava aberta, e correu pela cozinha, mas parou quando viu panelas e suas tampas espalhadas pelo chão. "Aquela velha, quando aprenderá que jamais poderá prender Alice?", pensou furiosamente. Subiu pela pia de mármore, passando pelo velho fogão à lenha, ainda quente e se jogou de encontro a porta de saída. "Só mais um pouco e estou livre!". Deu mais alguns passos e girou a maçaneta, estava trancada. Girou mais algumas vezes para confirmar, trancada.

– O que faço agora? — disse a garota, em total desespero — As chaves, cadê as chaves?!

Deu uma olhada ao e redor, a chave estava pendurada no vestido da Madame. Era impossível de voltar e, mais ainda, de conseguir pegar as chaves. "Como essas orações demoram", pensou. Andou até uma das altas janelas, arrastou uma cadeira e subiu, mas não conseguia passar pelo buraco. "Estes doces, preciso para de come-los". Avistou Gato do lado de uma arvore do lado de fora e acenou.

– O que estás fazendo? — Perguntou.

– A porta está trancada, me ajude.
Gato tirou seu canivete suíço, que havia ganhado do seu avô que participara da 1ª guerra mundial. Enfiou a lâmina pela fresta da porta e puxou a tranca para fora, abrindo a porta. Alice foi correndo, fecharam a porta e saíram as pressas. O Coelho os esperavam sentado numa pedra pedro de um rio.

(. . .)

– Quando chegaremos lá? Meus pés já estão implorando por um pouco de descanso. — Disse Alice, se sentando no pé de uma arvore.

– Descanse aqui, vou buscar algo pra comer, vi umas arvores frutíferas uns passos atrás! — E correu o coelho, em uma direção diferente da que estavam vindo. Alice tirou os sapatos, que apertavam tanto seus pés. Gato sentou ao seu lado e a olhou.

– Preparada? — Perguntou. Um longo suspiro se ouviu de Alice.

– Estou. Muito. — Respondeu sorrindo. Gato sorriu, retribuindo o gesto da garota. Estava contente pelo fato de os três velhos amigos se unirem novamente.

– Eu trouxe seu chá, Chapeleiro me deu um pouco. Ele disse que iria viajar esta noite, só o veremos daqui algumas boas luas. — Sorria, tirando uma pequeno frasco com um liquido amarelo quente. Alice bebera um pouco, oferecendo ao seu amigo. Os dois beberam e ficaram sentados, observado uma enorme arvore logo a sua frente, que abria uma grande clareira a sua volta.

– Deve ser incrível ter todo esse tamanho. — Disse Alice.

– Sim. Mas veja, ela está sozinha. — Apontava para as outras arvores menores e distantes.

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Comeram algumas frutas silvestres, bebericaram um pouco da água fresca de outro rio que ali passava e seguiram caminho. Wonderland estava perto, mas ainda havia caminho.

Caminharam até anoitecer, o coelho sempre a frente e o Gato tentando fazer com que Alice continuasse e não se rendesse ao cansaço. O que era muito dificil. Passaram por alguns troncos derrubados, arbustos e FINALMENTE o grande buraco, que levava para o outro mundo.

– Bem, antes de entrarmos, queria fazer meu discurso. — Gato se colocou a frente dos dois amigos — Sr. Coelho, depois que perder esta aparência de garoto bonitinho, mimado e limpinho, lembre-se que você tem compromissos, SAIA MAIS CEDO, assim não te atrasarás! — Disse, colocando a mão no ombro do amigo — E mais uma coisa, não te atreva a comer cenouras na minha frente, serei um gato sagaz, te comerei num ensopado delicioso e sabes que o farei! — Riram os três. — E querida Alice. Espero que nosso passado aqui, na Terra, não atrapalhe nossa convivência em Wonderland. Já que estás amiga íntima de Vossa Majestade Rainha de Copas, poderia a avisar que gosto mais de quando estou com a cabeça. Um corpo apenas não me tem nada de útil.

– Tentarei, mas vê se não come os porcos assados e esqueça de chamar os amigos. — Disse Alice, e riram novamente.

– Bom — se aprontou o coelho — Eu sei que esqueceremos toda essa loucura que passamos nos últimos anos, quero que saibam que há um lugar no meu coração que jamais os esquecerá! — Coelho abraçou seus amigos, prendeu uma lágrima que insistia em cair.

– Bom, posso dizer que este mundo está mais para loucura do que Wonderland, então não faria questão se perdesse a memória. Ainda porque — Puxou a bainha do vestido para os lados — este corpo de nada me pertence e em nada me parece. — puxou os cabelos — E essas mechas negras, isso jamais que lembraria de Alice, a garota que enfrentou Wonderland sozinha. É loucura! — Disse, imitando uma das frases favoritas da Rainha de Copas — Cortem a cabeça de quem inventou tudo isso! — E todos riram.
– E eu que nem a um gato me pareço. Sou um garoto. De que nada me serve, já que não posso ficar invisível e desaparecer na escuridão.

Se abraçaram, num momento de pura tristeza. Iam esquecer sua forma humana e voltar a quele mundo, totalmente insano e com suas formas diferentes. Entraram os três juntos no buraco, estavam caindo pela loucura de ser Wonderlandic.

Notas finais
E o que acham que pode acontecer no proximo capitulo?