Alice Is Dead
4 Capítulo 3: I was weak and powerless
Notas iniciais
Levei alguns longos minutos para absorver a informação. Eu não podia sair dali. Nunca mais veria a verdadeira luz do sol. Nunca mais veria minha casa ou meus pais. Nunca mais veria o único mundo que conhecia. Não pode ser verdade.
Eu estava presa num lugar onde coelhos elegantes falavam e homens aparentemente normais são cínicos o suficiente para te paquerar enquanto você está de luto pelo morte da sua irmã mais nova.
Não.
Eu vou sair.
–Quero os detalhes dessa merda de acordo. Agora. — Falei firme e decidida, toda de pé. Eu sairia de lá e levaria o corpo de Alice comigo. Mesmo que fosse presa por homicidio depois.
–Gregory. Se importa? — Perguntou John.
–Neste momento, sim. — Ele apontou uma sombra que se aproximava rapidamente se esquivando com habilidade das árvores encantadas. — Anya, finja que não viu.
–Por quê?
–Vem comigo. John, a gente se encontra na cidade em uma hora. Anya, me siga.
–Por quê? — Insisti em perguntar e sem obter resposta, olhei acusatória para o coelho. — Vai mesmo me deixar sozinha com ele?
–Pare de perguntar — Gregory revirou os olhos. — Não vou te machucar, só me siga. — Ele pegou meu braço e começou a me arrastar floresta adentro. Comecei a corre na frente dele e fui sendo arranhada pelos diversos galhos. Ouch.
Ficamos correndo, com ele segurando meu braço e apertando muito, por algum tempo interminavel e me perguntei se já não tínhamos ido longe demais. Olhei para trás e vi a mesma sombra correndo atrás de nós. Ok, isso não é um bom sinal.
Tentei ir mais rápido e Greg foi me puxando com mais força. Eu já estava ficando cansada da corrida, mas não podia parar agora. Minha respiração e batimentos cardíacos estavam muito alterados e cada músculo meu ardia em protesto, mas parar seria meu fim.
–Se proteja! — Greg gritou e eu senti uma dor fortíssima na parte interna da minha coxa direita. Era lancinante, um arrepio percorreu minha espinha e soltei um gemido alto.
Caí no chão sentindo a dor se aprofundar rápido, tomando toda minha perna e um líquido que não pude ver escorreu. Me encolhi tremendo e Greg me puxou para debaixo da raíz de uma árvore, onde havia um tipo de esconderijo escuro. Ali, desmaiei.
*
Acordei exausta e num lugar diferente daquele onde perdi a consciência. Estava deitada e de pijama, provavelmente de banho tomado também. Minha coxa direita estava com uma tala branca amarrada em volta e havia uma flecha dourada com penas negras cravada ali, que foi o que me atingiu e me fez desmaiar. A tala estava com uma coloração avermeljada ao redor da tala, o que me fez concluir que eu estava sangrando e epa!Foi isso que eu senti escorrer ontem. Agora faz sentido. Ao menos, eu não sentia mais dor.
O quarto no qual eu repousava era pequeno e lindo. As paredes tinham tons pasteis e o chão era xadrez, havia uma mesinha tabaco, um frigobar vermelho e uma pequena televisão com mais botões que o normal sob um ármario tabaco, além de um mini guarda-roupa também tabaco. Era lindo.
A porta se abriu e Greg entrou acompanhado por um John muito preocupado.
–Tu pareces melhor, Anya. — Disse o coelho num sussurro. — Fiquei com medo de que tivesse morrido. — Ele pareceu faezr bico de choro.
–Estou melhor — garanti e tossi. — Não morri — dei um sorriso amarelo — vocês não vão se livrar de mim desse jeito.
–O que é uma pena — comentou o moreno sentando-se na ponta da cama.
–O que aconteceu? — Indaguei ignorando o homem.
–Bem, aquilo que te atacou era um arschloch. — Falou Gregory.
–Explicação bem clara, entendi tudo. — A ironia fria na minha fala fez Greg rir baixo.
–Anya — ele revirou os olhos absurdamente azuis — Arschloch é um dos piores tipos de criaturas deste país. São criaturas das trevas, o que torna surpreendente o fato de que ele te atacou na luz do dia. São incrivelmente rápidos e ágeis, parecem espiões, precisam de um lugar escuro para viver. Só sobrevivem com a força vital do sangue de criaturas puras, como crianças e fadas. Na Terra, arschloch é basicamente o bicho fictício que vocês conhecem como vampiro.
–Oh!Vampiros e fadas?Estamos em Wonderland ou Nárnia?
–Engraçadinha. Eles são caçadores perfeitos e a Rainha tem um exército deles. Ela os mantém vivos com os presidiários. É horrível e nojento. A defesa dos moradores contra eles são o sal e o alho, maas caçadores desses bichos sabem amis pontos fracos.
–Wow, tem gente que caça essas merdas?
–É claro, tem louco para tudo. Agora, Kõiv, precisamos fazer uma cirurgia rápida. — John mostrou luvas brancas de latex e uma tesoura.
–Como é? — Falei sem reação.
–Greg, retire a tala, por favor.
Engoli em seco pelo medo quando ele arrancou sem delicadeza a tala da minha perna, deixando a mostra a flecha atravessada na carne, que praticamente saia do outro lado. Ai que merda. Isso vai doer tanto.
–Agora, eu sugiro que você não olhe. — John deu um meio sorriso.
–Quero ver o que vocês vão fazer comigo. — Respondi com a voz trêmula.
O coelho me fez dobrar a perna e pediu para Greg me de novo o remédio que parava a dor. Finalmente, vi a ponta da flecha, que Greg segurou firmemente.
–O que vocês farão?
–Greg vai empurrar a flecha e eu vou puxar essa parte de cima. Aí eu limpo e fecho o ferimento.
–Ah, vai doer demais. — Resmunguei baixo. Inconscientemente, agarrei a gola do casaco de Gregory e John pegou a parte de cima da flecha.
–Um... — John murmurou.
–Dois.... — Greg passou a mão pela minha cintura.
–TRÊS! — Gritaram juntos, o coelho puxou e o homem empurrou, então eu senti a flecha deslizar dentro da minha carne.
–AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH — Berrei, não de dor, de pânico e agonia. Logo, eu só sentia um imenso buraco na coxa. Sinistro.
–Doeu muito? — John perguntou jogando a flecha ensanguentada numa bandeja prateada.
–Achei que estivesse medicada — comentei com um tanto de medo na voz.
–Você está, mas pode ter sido pou....
–AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!! — John foi interrompido pelos meus berros. QUE DOR!Ai, Ai, AAAAAI. Franzi os lábios para não gritar e ouvi Greg:
–Doeu?
–Puta.... merda. — Resmunguei trêmula de dor. — Doeu não, estou treinando para quando for atacada. — Minha belíssima ironia foi arruinada pela minha expressão agozinante e o gemido que soltei. Me encollhi e esperei a dor passar. Ouch.
–Então... bonequinha.. — Greg começou.
–Como é?
–Como é o que?
–Não me chame de bonequinha. Ou boneca. Ou coisa parecida.
–Tudo bem — ele levsntou os braços, rendido. — Não precisa estressar, bonequinha.
–Vá se foder. — Eu não queria dizer isso, mas eu estava fraca, completamente sem poder, e não podia fazer nada além disso.
–Teu vocabulário é péssimo. — Ele tirou uma mecha de cabelo do meu rosto e sorriu irônico.
–Fique longe de mim. — Pedi irritada. Ninguém percebe que estou confusa e com dor? — Eu quero ir embora.
–Você só poderá sair se fizer o mesmo que Alice. — Jonh falou calmamente.
–Mas eu... droga, expliquem.
–Alice fez um acordo conosco. Ela iria derrotar a Rainha com nossa ajuda, então ela seria obrigada a dar o poder à Rainha Branca e contar como sair daqui.
–Não há outra maneira?
–Se houvesse, tua irmã teria tentado.
–Então eu quero esse acordo.
–Anya, precisa entender o quão perigoso é aqui. — Greg se apoiou no meu joelho e eu fervi de raiva. — É um lindo lugar, tem animais falantes, fadas, duentes, elfos e muito mais... um verdadeiro conto de fadas. mas há coisas como os arschloch, Teapot Eye, Colossal Ruin e muitos outros que tranformam isto num conto de fadas obscuro e assassino.
–Nossa, que horror. — Respondi irônica. — Minha irmã está morta, eu sei que este lugar não é um dos melhores.
–Você teria que aprender a se defender.
–Aula de artes marciais na lista, ok, anotado. — Ironizei.
–Anya, tem certeza? — John tinha um tom que me convencia a dizer "não, vocês estão loucos de acreditar que eu faria o mesmo que minha irmã para acabar morta como ela", mas seu olhar gentil implorava por um "sim".
–Eu não tenho outra escolha. Tenho certeza. Quero o acordo.
–John — Gregory e ele trocaram olhares tensos. — Convoque os outros.
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