Alice In An Infernal World
4 Capítulo 4 - Descoberta
Alice recua e não aceita as boas-vindas. Porém o Chapeleiro insiste, e lhe obriga a sentar. Alice, como mostra-se teimosa, nega, e continua seguindo até o portão. Jean, diferente da Alice, mostra-se objetiva e puxa ela até a cadeira, prendendo-a, e Alice, sem força de vontade, fica sentada, sem arranjar confusão.
–Muitos anos se passaram, e você não voltou. Tinha a certeza de que estivesse morta. Todos tinham. Muitos queriam que estivesse, outros acreditavam em você. Como a sua mãe. Saudades daquele rosto frágil, não conseguia viver sem você, pequena garotinha. Se lembra, Alice? — Perguntou o Chapeleiro, com uma possível intuição de que ele estivesse relembrando o passado para Alice.
–Minha mãe me deixou a 6 anos, ela não sentia amor por mim, muito menos meu, por ela. E por que todos me conhecem? Alguns tem raiva de mim, e outros não? Como sou tão conhecida, e mal conheço nada daqui? — Perguntou Alice, com diversas dúvidas sobre o passado, e presente.
–Aquela não é sua mãe, Alice. E muitas de suas dúvidas serão solucionadas com o tempo...
–Então por que estou aqui? Cadê minha 'mãe'? E como irei achar as respostas para as minhas dúvidas? — Perguntou Alice, intrigada.
–Chega de perguntas, você fica calada, e eu te explico o que você precisa saber. O resto de suas dúvidas, você própria irá entender. — Falou o Chapeleiro.
Alice respira fundo, e se apoia sobre a mesa, enquanto o chapeleiro tira um pequeno papel dobrado de dentro de um bule de chá. O papel foi se desdobrando, até tornar-se um grande mapa, cheio de letras, enigmas, e desenhos.
–Está vendo essa figura? — o Chapeleiro aponta. — Dessa garota segurando esse pergaminho, com esse vestido estravagante e uma espada de Morús na cintura? É você. Não questione, nem me interrompa, vou lhe explicar. Muitos anos atrás, a Rainha Branca, nossa grande rainha, que governou esse lugar por muitos anos, foi chamada por sua irmã, até a Grande Floresta. Ela se encontrou com sua irmã e foi desafiada à um duelo. A Rainha não entendeu o porquê da proposta, e recusou. Porém sua irmã, com a espada de Tronús, que havia roubado da Rainha, obrigou-a a lutar, ou iria matar todos seus fiéis. A espada de Tronús, é a espada mais poderosa do mundo. Além de ter diversos poderes, leva a morte com uma facada, e a dona da espada, fica mais poderosa, a cada morte que ela causar. A Rainha Branca é completamente poderosa, mas nunca matou nenhum de seus fiéis. Seu poder era grande por causa de sua lealdade e inteligência. Mas sua irmã, era invejosa, o que a tornou a pessoa mais cruel do mundo. — O Chapeleiro suspirou, e continuou. — O dia do duelo chegará, e o caso a Rainha Branca ganhasse, o mundo ficaria em paz, para sempre, sem interrupções de sua irmã. Mas se a sua irmã ganhasse, ela se tornaria a Grande Rainha. Como se esperava, a sua irmã ganhou, tornando-se a Rainha Vermelha. O mundo continua cruel, e macabro. E muitos que trabalham no castelo — o Chapeleiro aponta — tem suas cabeças cortadas.
–Que crueldade, emocionante. — Disse Alice, rindo.
–Burra. Muito burra. — Disse Jean. — Como podes rir de uma coisa dessas? A Rainha Vermelha apenas espera por um momento de sua vida. Duelar com você. Ela nunca que aceitaria você nesse mundo, e se souber que estás aqui, mandará todas as Cartas lhe procurarem.
– HAHAHAHAHA, cartas? Mais sacanagem? Isso é um sonho mesmo, irei me beliscar e voltarei a minha vida, onde posso fazer tudo o que eu quero, sem todos esses loucos que moram por aqui. — Falou Alice, fechando os olhos e beliscando seu braço.
– Não é um sonho Alice, e as Cartas são fiéis da Rainha, como soldados. — Explica Jean.
– Ok, me rendo. Mas o que devo fazer? E cadê essa espada de Morús? To louca pra matar essa rainha e sair daqui.
–Não pense que é tão fácil, Alice. Você terá que passar pelo mundo inteiro, e será difícil para você sair. — Disse o Chapeleiro enquanto aponta para todo o mapa. — A espada de Morús será encontrada, quando você falar com o Gato de Cheshire.
–Um gato, uma feiticeira, e um chapeleiro maluco, o que mais eu irei encontrar por aqui? — perguntou Alice.
–O que eu falei sobre perguntas? Você ainda irá se surpreender ainda. Agora vá embora. — Disse o Chapeleiro.
–Ou prefere tomar um cházinho? — Falou Jean, zuando.
–Eu prefiro saber para onde vou. — Disse Alice, confusa.
–Leve este mapa contigo. Jean irá acompanha-lá. — Disse o Chapeleiro.
–Porque vou acompanhar, essa pirralha? — Perguntou Jean, estressada.
–Tu tem a minha idade, infeliz. — Falou Alice.
–Mas tu é muito burra, nem sabe se cuidar, se não fosse eu, você não estaria nem aqui. Agora vamos procurar o Gato. — Disse Jean.
–Adeus... Nos veremos em breve... — Disse o Chapeleiro, enquanto desaparece no vento...
Alice e Jean continuam andando, sem questionar, nem abrir a boca. Só andavam.
O portão se abre e logo se deparam com a escuridão profunda. Alice respira fundo, e continua andando. O lugar era frio, assustador, cheio de árvores enormes e diferentes, animais assustadores, plantas exóticas... Tudo era diferente para Alice; apesar do Chapeleiro Maluco ter tirado diversas de suas dúvidas, ainda existia muitas para serem reveladas. Ainda não entendia o porquê dela ser escolhida, e nem sabia se tudo isso era um mundo de verdade, e ela não aceitava, mas estava com medo do que viria pela frente.
Jean seguia em frente, sem olhar para os lados; parecia objetiva, procurando um lugar específico, já Alice, olhava para tudo, com um medo interior, e mostrando-se objetiva e 'falsa' externamente. Logo, se cansando, resolve se sentar em uma pedra qualquer. Jean se vira para ver se Alice à seguia, e nada. Voltou um pouco e encontrou ela sentada, refletindo e descansando.
–Vamos logo? — Disse Jean, continuando objetiva.
–Não, temos tempo de sobra, pode esperar um pouco?
–Não temos tempo de sobra, e já passei por muito mais coisa que você, então se você já está com medo, prepare-se para morrer logo, os bichos daqui amam ter uma "humanazinha" qualquer como comida. — Falou Jean, rindo e a puxando.
Elas continuaram andando, e Alice não ligou para o que Jean disse, e logo quando abriu a boca para falar algo, um grande sorriso apareceu na escuridão. Alice se assustou.
–Finalmente você apareceu, Gatinho de Cheshire. — Disse Jean, abrindo um sorriso no rosto.
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