Alice, A Rainha Vermelha
1 Estamos Atrasados
Notas iniciais
Hoje teremos um capítulo simples, mas espero que esteja do agrado de vocês.

“Alice, não pode viver a vida para agradar os outros. A escolha tem que ser sua!”
♔♕♖♗♘♙♚♛♜♝♞♟
Alice...
A voz ecoou ensurdecedora por todo o quarto e o espelho se quebrou em vários pedaços irregulares.
Alice...
Soou mais fraco, mas quebrou a janela em segundos.
Alice se levantou e caminhou até a janela, lá embaixo pulava de um lado para outro uma pequena bolinha alva e peluda.
“Coelho!”
Ela pensou enquanto vestia um cardigan por cima da camisola azul celeste enfeitada com rendas brancas. A loira desceu as escadas correndo, o piso de velho de madeira apodrecida rangia debaixo de seus pés descalços.
Alice abriu a porta devagar e lá estava o pequeno coelho parado á sua frente. Ele estava diferente, estava assustadoramente menor, porém ainda segurava seu relógio dourado. Alice sorriu.
— Sentiu minha falta? — Alice questionou com as sobrancelhas arqueadas.
O coelho, entretanto apenas apressou-se em pular sem parar, Alice o seguiu como sempre fazia em seus sonhos desde que voltara daquele lugar estranho.
— Coelho espere-me — ordenou.
Depois de alguns poucos minutos de correria lá estava Alice novamente frente á frente com o buraco que dava exatamente no lugar em que ela mais queria ficar longe.
País das Maravilhas. Devo seguir ou retroceder?
Pensou. Pensou. Pensou. E hesitou.
Alice voltou para dentro da casa com passos rápidos, tropeçando em seus próprios pés arranhados pelo mato que havia crescido.
A casa havia sido abandonada á anos, desde o que acontecera com a família de Alice. Ela bateu a porta atrás de si e teto rangeu, ela correu escada acima e se sentou em sua cama enferrujada e fedorenta.
— O que aquele coelho idiota queria de mim dessa vez? — questionou á si mesma.
— Coelho idiota... Coelho idiota... — a voz soou na entrada da porta do quarto de Alice — Sempre recebendo ordens — soava meio insano. Mas não soaria insano se não fosse ele.
Alice levantou-se devagar, seus passos mal podiam ser ouvidos por ela mesma. Parou á poucos metros do homem á sua frente que a encarou. Os olhos insanamente azuis fitaram a garota loira pasma, ele sorriu largamente mostrando mais dentes do que Alice poderia contar, levou os dedos tortos até o enorme chapéu que dançou entre suas mãos e então ele se curvou perante ela.
— Prazer em te ver minha doce Alice — encarou-a novamente.
— O prazer é todo seu — cruzou os braços.
— Mais doce do que nunca — aproximou-se dela e a garota deu um passo atrás — Achei que sentisse minha falta — fez careta.
— Não sinto — estreitou os olhos — O que você e aquele coelho tolo querem aqui? — vociferou.
— A pergunta verdadeira é... — caminhava até ela e ela dava passos atrás — O que você quer novamente aqui Alice? — tocou a ponta do dedo no queixo modelado da moça.
— Resolver coisas de família — mentiu.
— Você está mentindo, te conheço como ninguém — afastou-se dela.
O Chapeleiro começou a falar coisas sem sentido, sussurros perdidos no uivo do vento que invadia o quarto de Alice. As pernas da loira estavam bambas, sua boca seca, ela agarrou-se na mesinha para não cair.
— O que você quer aqui Chapeleiro? — esbravejou.
— Preciso de você Alice — virou-se para ela.
Os olhos da garota brilhavam mais do que a junção de todas as estrelas do céu mais estrelado do mundo inteiro.
— A Rainha Vermelha está morta, mas de morrer ela deixou uma carta dizendo para que aqueles que ainda eram fiéis á ela para encontrarem sua filha — a vozinha feminina soou atrás do Chapeleiro.
Ele deu um passo para o lado direito e clareou a visão para que Alice pudesse enxergar a pequena coelha segurando um relógio dourado.
Então não era o Coelho.
O pensamento de Alice clareou sua mente.
— Você necessita voltar conosco e impedir que encontrem a filha daquele monstro — a coelha encarava seu relógio — Vamos Alice, tic tac — pulava de um lado para o outro.
— Então não é você que precisa de mim — Alice cerrou os punhos — São eles — apontou para a bola de pelo.
— Alice... — começou.
— Não fale — gritou — Deixe-nos á sós — vociferou na direção da coelha que prontamente se retirou — Eu deveria saber que você estava aqui para quebrar meu coração novamente — acusou.
— Você era uma criança Alice — ficou sério.
— Adolescente. Eu era uma adolescente — cruzou os braços.
— Você vem conosco ou não? — mudou de assunto.
— Eu tenho escolha? — arqueou a sobrancelha esquerda.
— Não — jogou-a no ombro.
— Estúpido — gritou — Além de insano virou um tosco sequestrador — continuava a gritar.
— Ela só sabe gritar... Gritar... Gritar... — cantarolava enquanto desciam as escadas.
— Estamos atrasados — a coelha reclamou.
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