Alice

6 Capítulo 5- Fim da esperança


Quando acordei não estava mais no sofá, estava deitada em minha cama. Suspirei. Max deve ter acordado, colocado-me na cama e ido embora.

Não... Espera um pouco aí. Um braço me envolvia. Alguém estava deitado do meu lado. Nesse exato momento eu parei de respirar. Virei para ver quem era, mas eu já sabia que não era Noah com medo do escuro, ou minha mãe. Era o Max.

Ele ficou. E o mais importante, trouxe-me para mais perto dele. Então não era ilusão. Ele realmente me ama!

Fiquei um tempo estudando suas feições, os leves traços que ele tinha no rosto, o formato de seu queixo, até mesmo o leve movimento da respiração. Seus cílios eram incrivelmente longos e volumosos, o tipo de cílios que qualquer garota morreria para ter. Seu rosto era incrivelmente perfeito, nenhuma espinha ou linha de expressão, fora as lindas covinhas que ele tinha.

— Acordem pombinhos! Ou vão se atrasar! – Noah bateu em minha porta feito um louco, assustando-me.

— Bom dia. – disse Max assim que acordou – Obrigado por não ter me acordado ontem, estava com tanto sono que estava louco, falando loucuras como um bêbado. – então era loucura, suspirei.

— Na-ão foi nada.

— Eu preciso ir para casa me arrumar. – ele se levantou e colocou os sapatos – Você não precisava ter dormido no sofá. – eu não sabia o que dizer, eu estava ainda processando o que eu vi ao acordar – Eu estava precisando de uma boa noite de sono, fazia dias que eu não dormia bem.

— Então dormiu bem essa noite? – fiz um pergunta óbvia.

— Como um anjo. – ele sorriu, exibindo aquelas covinhas que eu tanto amava.

— Me desculpe por Noah, — disse – ele não bate muito bem da cabeça.

— Não se preocupe, eu gosto dele. – tive a impressão que ele diria mais alguma coisa, mas um uivo vindo do quarto ao lado o impediu de continuar.

— É Noah se comunicando com o bando.

— Como assim? – perguntou ele com um olhar confuso.

— É que ele é um lobisomem, sabe como é. – respondi, fazendo ele ir – Não tente entender meu irmão, você não vai conseguir. Nem os psiquiatras entendem.

— Eu preciso ir Alice, você vai ficar bem sozinha com o irmão lobisomem?

— Vou tentar.

— Ok. — ele se aproximou de mim, e deu um beijo na testa, deixando-me sem ar. – Até mais.

Então ele partiu.

Levantei da cama e olhei para o relógio, estava atrasada. Enquanto arrumava-me, a as palavras “ele não me ama!” gritavam em minha mente. Assim que estava pronta, fui para o colégio. Minha primeira aula era com minhas amigas. Sentei ao lado de Andy. Janel e Kim estavam sentadas atrás de nós.

— Ele não me ama. – disse assim que sentei ao lado de Andy.

— Como? – perguntaram todas juntas.

— Ontem Max veio me ver. Ele estava cansado e acabou dormindo em meu ombro. Eu não quis acordar ele, então o deixei dormindo na cama, e eu dormi no sofá. Quando acordei, eu estava deitada na cama ao lado dele. E noite passada ele me contou que disse ao meu irmão, que me ama, mas de manhã ele disse que estava com tanto sono que estava louco, falando loucuras igual a um bêbado .

— Cara, loucura mano! – disse Kim.

— Ele disse que me amava e caiu no sono.

— Ah, Alice! – Andy segurou minha mão – Você é que é louca! Ele estava tão cansado que acabou falando uma verdade e nem percebeu! Ele não se lembra do que disse ontem garota!

— Como você pode saber? E mesmo que ele tenha falado, ele pode ter falado sem pensar, achando que se tratava de Juliet, talvez.

— Mas se ele disse que a amava como amiga apenas? – perguntou Janel.

— Janel! Pare com isso! Eu sofri para enfiar na cabeça da Alice, ontem, que o Max a amava! – reclamou Andy – Ela não precisa que mais ninguém a deixe mais para baixo do que já está.

— Janel, você por um acaso está sabendo de tudo que o Max fez? – perguntou Kim – Sim, ele ama ela.

— Se vocês dizem. – respondeu Janel, mas ainda não convencida.

— Alice, nem tudo dá errado na vida. – disse Amanda – Às vezes a gente acerta alguma coisa.

— Ou alguma coisa nos acerta, – disse Kim – aí BUM, já era. – ela gritou a palavra “bum”.

— Srta. Roosevelt, — disse o professor ficando vermelho — poderia por favor, uma vez na vida, ficar quieta em minha aula?! – ele meio que gritou a última parte.

— Desculpa senhor, não vai se repetir.

O professor voltou sua atenção para o quadro enquanto Kim sussurrava:

— Não vai se repetir hoje, mas amanhã vai. –

Tudo o que elas me disseram, fez minha cabeça dar voltas. Será que Max realmente me ama? Se tem uma coisa que eu não quero é me machucar, afinal, garotas não devem chorar.

Mas no final, a questão não é se Max me ama; mas sim se me ama mais do que ama a Juliet. Mas no final talvez ele não me ame mesmo.

“Será?” foi a palavra que ficou ecoando em minha mente.

No almoço, não quis olhar para Max. Não quis procurar seu olhar. Precisava tomar uma decisão, e rápido. A primeira era apostar que me amava, com consequências que variam de ele me achar louca, até ele estar mentindo e tudo isso ser uma farsa dele e de Juliet, afinal, tudo isso parece ter saído de um romance, não parece a vida real. E a segunda era desistir de Max, seguir minha vida como ela era antes, sem ele.

No final do almoço minha decisão estava tomada. Diria a Max que eu o amava.

Ouvi o som da estática do microfone e a voz de Max soou por todo o refeitório.

— Desculpem tomar seu tempo, caros alunos, mas hoje eu queria dizer a uma garota especial o quanto a amo. – ele começou a dizer, alimentei uma esperança de que essa garota fosse eu. Alimentei essa esperança tão forte que chegava a doer, latejar em meu corpo. Essa esperança consumia-me muito. – Porque essa garota merece o mundo e muito mais, ela é uma pessoa especial, que me mostrou quem eu sou. – minhas esperanças aumentaram, se é que isso é possível –Ela me conhece melhor do que eu mesmo. Sabe tudo sobre mim, o meu lado bom e ruim. – só podia ser de mim de que ele falava! Não? – Juliet, eu quero que você saiba que eu amo você muito, mais do que a mim mesmo, mais do que qualquer um pode amar. Você é um presente vindo dos anjos, um pedaço do paraíso. Eu te amo Juliet Campbell.

Senti que estava quebrando por dentro. Não sei ao certo o que senti, mas não era bom, apenas sei que aquilo que sentia era pior do que a morte. Cada pedaço de mim se despedaçava enquanto Juliet e Max se beijavam. Alice Holloway não existia mais, apenas um corpo vazio. Minhas esperanças se foram com o vento. Nada mais me importava, do que sumir.

Andy tinha razão, ser a “melhor amiga” de Max só piorava meu sofrimento a cada dia e eu não notava isso. E hoje, eu não apenas tive esperanças, mas tive certeza de que ele me amava, e tudo isso fez eu me destruir completamente por dentro.

O sinal tocou, mas eu não queria ir para a sala de aula, eu queria apenas ficar aqui sentada sozinha e chorar. Não queria nunca mais ver Max Rossi na minha frente.Nunca mais.

Só quero um tempo para mim.

Mas isso não se consegue no colégio. Nada se consegue no colégio.

Levantei e fui para minha próxima aula. Max já estava sentado em nossa mesa, que dividíamos nos últimos meses, os meses que alimentaram minha dor. Mas o lugar ao lado dele não era o único livre. Hoje era o primeiro dia de Erick nessa aula, pois duas alunas tinham desistido, e como ele estava avançado nessa matéria, ofereceram a ele uma vaga.A cadeira ao lado dele estava livre. Sentei ao lado de Erick e comecei a falar com ele como se tivéssemos um assunto que não deveria ser deixado para depois.

A aula passou rápido, e quando o sinal tocou, Erick me puxou para um corredor vazio.

— Alice, o que está acontecendo? – perguntou ele, sabendo que havia alguma coisa errada.

— Nada Erick, você sempre acha que tem algo mais.

— Alice, sou seu melhor amigo, já fui seu namorado, não sou bobo, sei quando você está magoada e nesse momento você está carregando um sofrimento muito grande.

— Ah Erick! – deixei minhas lágrimas rolarem e Erick envolveu-me em seu braço.

— É por causa de Max, não é?

— Sim. – quase não consegui dizer em meio às lágrimas.

— Vai ficar tudo bem Alice, eu vou falar com ele. – ele acariciava minha cabeça.

— Não Erick! Não faça isso! Por favor! – ele suspirou.

— Está bem. Mas você vai vir comigo. Não vai ser bom você entrar na sala chorando, e ainda por cima ver aqueles dois juntos.

Ele me pegou pela mão e seguiu pelos corredores vazio até o banheiro das meninas, ele entrou comigo e ficou ali enquanto eu enxugava minhas lágrimas. Ele trouxe um copo com água e eu bebi inteiro.

— Obrigada Erick.

— Venha.

Ele levou-me até o pátio e sentamos, envolveu-me em seus braços e deixou-me chorar e soluçar até o choro passar, porque essa dor vai demorar a passar.

Isso me fez lembrar dos tempos que éramos namorados. Foi um erro, mas foi um erro bom.

— Alice, talvez seu momento não seja agora. – disse ele, enquanto acariciava meus ombros – Do mesmo modo que eu e você não éramos para ficar daquele jeito, talvez você e Max estejam destinados a ficar junto de outro modo.

— Mas esse é o problema, eu não o vejo de outro modo.

— Você não vê agora. Mas um dia vai aparecer um príncipe em um unicórnio, que vai te salvar de ser devorada por um dragão, vai olhar pra você e se apaixonar, aí ele vai levar o coração do dragão para seus pais, pedindo sua mão em casamento. E vocês vão viver felizes para sempre.

Uma leve risada surgiu em meus lábios.

— Vamos Alice, isso não é o suficiente! – disse ele, fazendo cócegas, aí sim eu ri completamente.

— Obrigada Erick. – disse quando ele tinha parado.

— Eu cobro cinquenta dólares a consulta, mas pode botar na conta. – sorri pra ele.

— Talvez você tenha razão. Estou me desesperando por uma coisa boba, às vezes alguma coisa não dá certo, mas é porque uma coisa melhor está por vir.

— Viu, Alice? Você vai ficar bem. Garotas são assim, quando acontece alguma coisa, acham que é o fim do mundo. E quando vê, puff, tudo passou.

— Quem dera fosse tão fácil assim esquecer.

— O tempo que você passou com ele te machucava, e você nem percebia. – disse ele acariciando meus cabelos – Amanda e Kimbelry não ajudaram muito, colocando lenha na fogueira.

— Elas só queriam ajudar.

— Eu sei, mas essas nossas amigas tem que perceber, que nós somos cegos demais para saber o que é bom ou ruim para gente. Desculpe Alice, queria ter percebido o quanto você se machucaria antes.

— Tudo bem Erick. Você fez o melhor que pode. Além do mais, eu e ele estávamos nos dando tão bem, que eu não iria te escutar. A gente só aprende quando apanha, quando a vida bate com a porta na cara da gente.

— Saiba Alice, que eu sou seu irmão de outra mãe e pai, e de coração também. Estou ao seu lado para o que der e vier.

Segurei a mão dele firme, e ele retribuiu o aperto. Era bom ter um amigo/irmão igual a Erick, porque com alguém igual a ele ao seu lado, você não tem tanto medo de cair. Porque, se cair, ele tentará segurar, e se não conseguir, vai ajudar a levantar.

— Obrigada Erick.

Voltei para casa antes mesmo do sinal da última aula tocar. Estava cansada, exausta, as lágrimas que derramei são um peso em meu corpo e alma. Larguei minha bolsa e meus cadernos em um canto do quarto e joguei-me na cama, peguei meu IPod e liguei uma música baixa para dormir. Acordei com Noah batendo em minha porta, a noite já havia nascido e meus pais não tinham chegado em casa. Desci as escadas porque Noah disse que eu tinha visitas, talvez Erick querendo saber como eu estava. Mas me deparei com Max parado em minha sala de estar.

— Olá. – disse ele sorrindo, não respondi, apenas cruzei os braços – Você está bem? Por que não foi para aúltima aula?

— Estava com Erick.

— Ah. Você estão...tendo um caso?

— Não. Mas já tive um caso com ele, como você sabe. – disse secamente.

— Você está brava comigo?

Como eu poderia estar brava com ele? Nos não estávamos tendo um caso, ele nem sabe que o amo. O único problema é que estar com ele machuca. E ele nem sabe disso. Não sabe que a decisão que tomei, mudou de declarar-me para ficar longe dele.

— Não. – suspirei – Estou brava comigo mesma por permitir essa loucura. Devia ter dado o fora quando você disse que realmente amava Juliet.

— O que você está dizendo?

— Será que você realmente não consegue notar?

— Não Alice! Eu não sei o que está acontecendo com você! – respirei fundo.

— Max, o que eu sou para você?

— Você é minha melhor amiga, uma irmã para mim. – suas palavras me feriram como uma navalha.

— Não podemos mais ser amigos.

— Como? – sua expressão ficou assustada.

— Por favor Max, se você realmente me considera sua irmã, você vai fazer o que eu te pedi.

— Mas Alice...

— Saia Max.

— Alice...

— Saia. – minha voz era dura.

— Eu sinto muito se fiz alguma coisa errada. Não foi minha intenção. – ele finalmente fez o que eu pedi e foi embora.

Quem dera ele soubesse que eu agia dessa forma como uma autoproteção.

Eu estava criando um casulo para me proteger da dor, que repelia Max toda vez que ele tentasse se aproximar.

Joguei-me no sofá, agarrei uma almofada e comecei a chorar novamente. Sorte que Noah estava trancado no quarto com o som alto.

Max fez lembrar de quando Erick e eu terminamos, quando dissemos um ao outro “eu te amo como irmã”, e foi isso que Max disse, só que dessa vez eu amo mais do que irmão, enquanto ele só me vê como a irmãzinha. Não devia de jeito nenhum ter ido longe demais nesse jogo. Quanto mais longo é o jogo, maior é a queda do perdedor.

Voltei para meu quarto e dormi rapidamente, o cansaço falou mais alto. Acordei com Noah dizendo que eu estava atrasada.

No colégio as horas passavam lentamente, se arrastavam como uma lesma com misturas de tartaruga. Eu olhava o relógio, 09h32min, desviava a minha atenção dele, parecia que uma eternidade havia passado até eu olhar novamente para o relógio, e decepcionar-me, eram apenas 09h35min.

O mundo girava lentamente ao meu redor. O relógio parecia estar com a pilha fraca, com os ponteiros andando lentamente, fazendo sua volta ao redor dos números. A luz que entrava da janela parecia fraca e sem vida. O vento parecia ter tirado um cochilo, sem vontade de soprar uma brisa fresca. Minha cabeça latejava pelas lágrimas derramadas noite passada, e o pior de tudo era que ele não saia da minha cabeça.

Na hora do almoço, Max veio sentar em nossa mesa. O que me deixou esperançosa por um momento, aí eu lembrei que esperança era o mesmo que sofrer, então ela logo foi substituída por frustração.

— Posso? – ele pediu, enquanto meus amigos respondiam sim, eu disse:

— Não. – todos me olharam surpresos – Não tem lugar.

— Ele puxa uma cadeira. – disse Kim.

— Não. – repeti.

— O que deu em você Alice?

— Max, não piore minha vida, vá sentar com Juliet.

— O que está acontecendo aqui? – perguntou Gabriel.

— Max, — disse Erick – acho melhor você dar um tempo. Não piore as coisas.

— Tudo bem. – disse Max se retirando com um olhar nada feliz.

— O que houve? – perguntou Andy.

— Tô afim de um refrigerante, vem Alice. – Janel puxou-me da mesa e levou-me de volta à fila do refeitório, antes mesmo que eu pudesse dizer qualquer coisa.

— Obrigada. – sussurrei para Jany.

— Não há de que.

— Qual foi a parada? – perguntou Kevin, não notei que ele veio com a gente, pelo jeito nem Jany, pois deu um pulo ao ouvir a voz dele atrás de si.

— Por que você veio? – perguntei.

— Tô afim de um refrigerante. – ele copiou a fala de Janel e piscou para ela.

— Espião. – respondeu ela.

— Garota esperta. Logo arranja outro namorado. E aí, qual a parada?

— A parada é a seguinte: — Janel pegou uma lata de Coca–Cola e jogou em seu peito, ele pegou a lata antes de ela cair – pega essa porra desse refrigerante e caia fora daqui.

— Não gosto de Coca-Cola. – ela pegou uma lata de guaraná e deu a ele – Prefiro uma light.

— Ah, vai toma no teu cú! – ela empurrou-o para fora da fila e pegou um refrigerante para ela. – Vamos ao banheiro.

— Você sabe como se livrar das perguntas. Né? – disse enquanto caminhávamos.

— Claro. Agora é só “arrumar” o cabelo até tocar o sinal.

— Valeu Janel.

— Disponha. Sei como é chato alguém ficar lhe fazendo perguntas que você não quer responder. Mas parece que Erick já sabe.

— Ele adivinhou a maior parte.

— Nem te esquenta. Quando você estiver pronta para falar, eu vou estar pronta para ouvir. Eu, o fuinha do Kevin e um bando de lhamas curiosas e preocupadas.

Não ficamos muito tempo no banheiro, o sinal tocou algum tempo depois de Janel fazer uma trança em meus cabelos. Saí e fui para minha aula, despedindo-me de Janel. Quando cheguei na sala, Max ainda não havia chegado. Erick tinha uma colega de mesa dessa vez, o que me impedia de sentar com Erick. Notei pela sua expressão que ele queria sair dali, mas a garota,espera, era uma garota? Enfim, havia uma suposta garota de cabelos compridos, negros, um pouco musculosa, de olhos verdes e peitos enormes, ela tentava a todo custo chamar a atenção de Erick. E pelo jeito, não o deixava sair dali.

Espero que Max não tente sentar comigo. Machucava mais ainda ser grossa com ele.

Sentei em minha cadeira e esperei a aula começar. Abri meu caderno e comecei a desenhar um lobo, estava completamente distraída, concentrada apenas em meus rabiscos.

— Posso me sentar aqui? – droga, era Max, virei para dizer não a ele quando me deparei com um garoto de cabelos castanho-escuros, que chegavam mais ou menos na altura de seu queixo, com olhos igualmente escuros. Ele lembrava Tyler Blackburn, em um jeito muito sexy.

— Pode. – ainda bem que não vou precisar dizer não a Max.

— Lindo o seu lobo. – disse ele, após ter sentado.

— Valeu. Acho que ele não está tão perfeito assim. – respondi.

— Está maravilhoso. Sou novo aqui, meu nome é Lyen Evans, e o seu?

— Alice Holloway.

— Alice, um nome muito lindo.

— Obrigada. Lyen também é lindo.

Max entrou na sala e ao ver Lyen ao meu lado sua expressão ficou... diferente, nada feliz. Eu tentava esconder a tristeza que deveria estar estampada em meu rosto, mas sem muito sucesso, com certeza. Acompanhei seu olhar até ele sentar. Lyen percebeu.

— Seu namorado? – perguntou ele.

— Não. Apenas um babaca.

— Isso está me parecendo ser um problema.

— Não é nada. Ele é só um... cara.

— E você é só uma.... garota. – eu ri.

— Problemas pessoais.

— Deixe eu adivinhar. Você ama ele, mas ele está amando outra?

— Sim. Ele me quer apenas como sua melhor amiga barrinha irmã.

— Ele é realmente um babaca.

— É. Um babaca.

Não sei se fiz o certo em relação a Max. Mas uma coisa eu sei, Max não desviou os olhos de mim durante as duas aulas, já que Lyen foi meu parceiro nas duas. E quando olhava para Lyen, sentia raiva, o que me deixava com mais raiva ainda. Ele mesmo disse que não me amava, ele não tem direito de sentir ciúmes. Se ele pode ser meu melhor amigo, por que Lyen também não pode?

Duas semanas se passaram desde daquele dia em que Max disse com todas as letras o quanto amava a Juliet. Na primeira semana, ele tentava ligar, mas eu não atendia. Às vezes, ele ia até a minha janela, mas eu fechava a cortina e ligava uma música alta até ele ir embora e chorava.

Lyen se tornou meu parceiro nas penúltimas aula do dia, o que me deixava feliz, pois conversávamos sobre muitas coisas e isso me fazia esquecer de Max, temporariamente. Ele era muito divertido, contava muitas coisas da sua vida, contava histórias loucas que ele viveu com irmão – que não veio morar com ele em Littleton por causa da noiva -, ou de como era em Nova York, sua antiga cidade – eles se mudaram para cá, pois a mãe desenvolveu câncer no pulmão no último ano, acharam melhor sair de uma cidade grande, e mudar para o lugar onde ela sempre quis morar -, ou contava como o pai era babaca e acabou parando numa clínica de reabilitação para bêbados. Lyen confiou em mim e eu confiei nele. Ele transmitia uma aura de confiança e tranquilidade incríveis, o que me fazia sentir muito bem ao seu lado.

Meu mais novo melhor amigo era Lyen.