Alice
3 Capítulo 3
Teríamos que começar procurando uma tal de Flávia, que segundo Luca mora aqui no Alasca mesmo. Uma brasileira – por sorte, ou não — que é amiga de Luca, uma nerd em tecnologia e coisas assim.
Luca e eu saímos da cabana e fomos a pé até a casa dela, uma casa lilás, um tanto compacta.
Ela não gosta muito de gente, logo se vê de cara isso, ela tem uma casa como uma pessoa normal, até aí tudo bem, mas é ai entra o porão escondido, é quase uma agência de computação inteira, parece maior que a casa, é mais fria e está atulhado de computadores, papeis, máquinas que eu não faço idéia de para o que servem e outras coisas, como uma geladeira.
– Luca, quem é o ser humanóide que tem leucócitos e plaquetas nas veias?
Luca cochichou para mim que esse era o jeito dela de perguntar “quem é ela?”.
– Ela é Alice, uma amiga minha de longa data. E você poderia não usar mais o seu vocabulário inteligente? Não há ninguém aqui para impressionar.
– Sim – ela limpou a garganta e continuou – o que vocês querem?
Ela era uma mulher entre vinte e trinta anos. Tinha os olhos cor de caramelo e os cabelos loiros na altura da cintura, magra e alta – mas não pense nela como uma vareta.
– Eu vim cobrar meu direito a um favor.
– O que vocês querem de verdade, neste favor?
– Por enquanto só saber se você aceita pagar o seu favor.
– Apesar da pergunta ser um tanto retórica, sim eu vou aceitar, quanto mais cedo me livrar de dever algo a você melhor.
– Ótimo, quero que você procure em qualquer lugar que você procura suas informações e dados sobre uma pessoa. Laura Albert.
– Aquela vac..., desculpem minha intolerância ao nome citado, há alguns anos atrás em um curso que fiz no Brasil sobre computação avançada, ela roubou alguns arquivos meus e até programas de computador que eu estava tentando criar para facilitar a procura de pessoas e seus atos, roubou alguns relatórios, um tanto inteligente ela, tentou não deixar rastros, digitais, até câmeras de segurança desativadas, menos uma que ela esqueceu, a principal que está por aí nesta sala ativada com sensor de movimentos. Não pude entregar ela porque não me dou bem com a polícia e outras coisas aleatórias. Mas respondendo a sua pergunta, esperem dez minutos e eu saberei até a cor das unhas dela.
– Nós vamos ficar lá em cima e deixar você trabalhar – disse Luca.
– Melhor – disse Flávia.
Nós subimos e sentamos no sofá.
– Pergunta logo – disse ele.
– Que favor ela te deve?
– Quando eu vim pra cá, quando morri – ele riu — conheci Flávia num curso de medicina, não me pergunte quantos cursos e faculdades ela tem, um dia um carro quase atropelou ela e eu a salvei. Ela me devia uma e agora não deve mais. Ponto final, fim da história.
–Pensar em você como herói é um pouco complicado – eu disse sorrindo.
Ele revirou os olhos.
Passaram-se dez minutos nos quais eu meio que tirei um cochilo em quanto Luca jogava no celular, e Flávia nos chamou.
– Aqui está tudo que consegui, e a cor das unhas dela no momento é azul – me lembrei que era a cor que minha mãe estava usando, mas não admiti isso em voz alta — se vocês querem saber.
– Obrigado, mas ainda posso precisar de você.
– Você sabe onde me encontrar, apesar de eu preferir não ter que ver você, vocês – ela corrigiu olhando para mim e eu sorri torto para ela.
– Foi muito bom te rever também – disse Luca.
E ele me empurrou escada acima, Flávia demonstrou certa impaciência para que saíssemos logo.
Voltando para cabana, Luca estava quase abrindo a porta quando falou:
– Ela é uma pessoa muito querida, só que não suporta muito a companhia de pessoas.
– Percebe-se – eu disse.
Luca destrancou a porta e eu abri a porta e quando entrei me deparei com tudo desorganizado, tudo estava fora do lugar.
Luca fechou a porta e colocou a chave no bolso para poder ver o que realmente tinha acontecido.
As gavetas estavam reviradas e fora do lugar, as camas estavam desarrumadas, o travesseiro de penas, agora era apenas tecido, as penas estavam em todos os lugares, minhas roupas e as de Luca estavam espalhadas pela casa, os sapatos havia alguns pares até no teto baixo da casa, os livros atirados no chão havia cacos de vidro e uma janela quebrada, aquilo estava um caos.
– Agora sou eu que não gosta de pessoas – disse Luca.
Começamos a arrumar, primeiro as gavetas, depois as roupas minhas e de Luca, depois os sapatos, arrumamos o que deu do travesseiro de penas, as camas então foram arrumadas, demos um jeito nos livros e coisas das prateleiras que estavam em desordem, limpamos os cacos de vidro, pegamos um pedaço de tecido grosso como dez cobertores juntos e colocamos no lugar da janela quebrada. Estava entrando um vento horrível da janela quebrada.
Depois de quatro horas tudo parecia arrumado de novo, então a voz de Luca ecoou atrás de mim e percebi que ele estava atirado na sua cama exausto.
– Ei, eu disse que bilhete é esse? – ele perguntou para mim, mas ele não me olhava e sim atrás de mim.
Virei-me e primeiro notei que havia uma parede ali, pena que só percebi isso quando dei de cara com ela, fora isso vi um bilhete pendurado ali.
Estava escrito:
“Avisos, avisos, avisos, quantos mais vocês precisam para ficar longe dos assuntos que não lhes dizem respeito? Porém desta vez não haverão mais. Aqui está uma prova. Sejam espertos e saiam fora antes que a coisa fique realmente feia.”
– A louca, tô passada, que meda – disse Luca tentando parecer engraçado e acabando por se provar sem graça.
Eu estava intrigada, havia algo naquele aviso que fazia ser diferente do que eu li antes, este parece menos direto e mais poetizado. Como se outra pessoa estivesse escrito.
Uma idéia me ocorreu.
– Luca, quantas pessoas exatamente podem estar envolvidas neste, hum, assunto?
– Porque a pergunta?
– Nada, só agora me ocorreu esta dúvida.
– Muitas, talvez oito ou oitenta. Talvez mais. Não se pode ter uma ideia bem certa.
– Luca, onde exatamente elas podem estar?
– Não era para saberem que estamos aqui, não sei como sabem, subornei muitas pessoas que me viram, mas aqui devem estar pelo menos umas três, nós saímos duas horas no máximo, para fazer essa folia, não pode ser apenas uma.
– Luca e se nós, hum, estivéssemos sendo observados agora?
O sorriso que se erguia nos cantos de sua boa, rapidamente sumiu.
– Você trouxe o seu celular? – disse ele procurando o seu dele.
– Não, no hospital eu não sabia onde ele estava.
– Ótimo, então me dê espaço...
Levantou da cama em um pulo jogou o celular no chão e começou a pisar com muita força. Saiu do quarto pegou apenas sua carteira e duas jaquetas.
– Vamos dar uma volta.
Quando ele disse uma volta imaginei que iríamos comprar outro celular para ele, não comprar outra casa – quer dizer, alugar uma.
Passamos o resto da tarde procurando uma casa, achamos uma mais longe e afastada da cidade que a outra. Ela era menor, com duas camas de solteiro, porém no mesmo quarto, um banheiro que mais parecia um freezer de tão gelado e pequeno e uma cozinha que em vez de cadeiras na mesa tinha um sofá.
Muito prática eu pensei.
Luca e eu olhamos as peças nos estalamos pagamos a diária de uma semana. Uma semana. Já ia fazer quase três dias que eu peguei um avião e vim pra cá. Imaginei como meus pais estariam enterrando uma menina que na verdade não é sua filha, chorando por causa dessa menina morta e com certeza sofrendo por sua morte. Tudo não passa de uma ilusão, vai acabar tudo bem, minha mãe é uma pessoa do bem e eu vou poder voltar a ter uma vida normal quando pararem de...
De quê? Eu mal sei por que estou aqui, eu não sei quanto tempo vou ficar não sei o que fazer, não sei quando vou poder ir embora e se depois de tudo isso ainda vou poder ter uma vida normal. O que será que há comigo? Porque estou sendo tão condescendente com tudo que Luca diz? Porque não estou fazendo as coisas como sempre? Eu, investigando, sozinha, seguindo só o que eu acredito serem as ordens certas. Porque estou concordando com tudo?
– Luca abre o jogo para mim, o que de verdade está acontecendo?
– O que você quer saber?
– Tudo, e juro que se você não me contar, vou embora de volta para minha casa, de onde aparentemente eu nunca deveria ter saído.
– Ok não vai apelar, não me interrompa, por favor – ele fez uma pausa limpou a garganta e com seu tom mais profissional continuou -, muitos anos atrás, meu pai, Tomas, foi apaixonado por sua mãe, — uma pausa — desculpe esqueci o nome da sua mãe, retomando, Amanda, eles se gostavam muito até fizeram uma pequena cerimônia onde se casaram, alguns meses depois, tiveram um filho que se chamou Vitor, mas eu não sei o que aconteceu e eles se separaram, me parece que, como era mesmo o nome? Ah sim, Amanda culpava Vitor pelo problema. Então um ano depois meu pai conheceu minha mãe e sua mãe conheceu seu pai, não me pergunte como eles se conheceram, enfim por ter uma sorte pra lá de péssima eles acabaram se reencontrando minha mãe e seu pai ficaram amigos, o que você me contou sobre ter interrompido a conversa deles sobre contar para as meninas, era provavelmente algo com eles terem sido casados. Vitor desapareceu quando Amanda e Tomas se separaram. E eu sei disso porque eu pesquisei em muitos lugares, escutei conversas escondido e tenho alguns amigos.
– Porque estou aqui? –perguntei.
– Porque você é uma das peças principais nesta história, você corre perigo porque sua mãe usa o nome falso de Laura Albert para intimidar meu pai, dizendo que sabe do segredo dele e de sua mãe, não sei por que ela faz isso, mas você corre risco porque ela quer que você a ajude a matar meu pai e minha mãe, talvez até minhas irmãs, ela quer que você me mate, desta vez de verdade. Só por vingança Alice, mas eu fingi minha própria morte, estou tentando agir com o meu plano no qual eu possa colocar ela pelo menos na cadeia, quero ela bem longe de nós, todos nós. Então um belo dia, eu estava na biblioteca procurando coisas sobre nossos pais e adivinha quem eu vi? Você. Eu tive que me esconder, queria falar com você, mas acabei saindo da biblioteca, quando já estava a quase uma quadra de distância, ouvi a bomba e sai correndo, só deu tempo de eu tirar você para fora do prédio e ir para sombras, vi o hospital para que você foi levada e o resto você já sabe.
Então ele me explicou o plano, ninguém poderia desconfiar.
– Não irá ser fácil, as coisas não estão a nosso favor – eu disse.
– Você não tem imaginação, é muito fácil – ele respondeu.
– Fácil? Se é tão fácil, porque não executa sozinho?
Pedi desculpas a ele por ter tido um surto de raiva e ele as aceitou.
Então mamãe abriu a porta da casa com mais cinco pessoas atrás dela e todas bem armadas e com coletes a prova de bala.
– Olá filha, olá caro amigo que roubou minha filha.
– Oi mãe.
– Oi dona coisa.
Ele sempre esquecia o nome da minha mãe, não me pergunte como ele conseguia.
– Vamos andando caro amigo e filha da dona coisa.
Não sabia que minha mãe tinha humor. Também não gostei muito desse humor.
– Para onde vamos? – Luca perguntou.
– Para onde eu quiser levar vocês, nem pensem em fugir, casa cercada, carros sem gasolina, e todo local a mais ou menos 5 km daqui cercados também. Sejam bem-vindos ao lado dos mauzinhos – disse mamãe e soltou uma gargalhada.
Eu olhei para o caro amigo – Luca — da filha da dona coisa – eu – e ele fez sinal para ficar quieta.
Mamãe saiu e nós a seguimos.
Quando ainda estávamos vendados dentro do carro e sentia algum olhar sobre mim, provavelmente da minha mãe Luca falou:
– Não acredito que gastei dinheiro naquela casa em que nem pude aproveitar o sofazinho com cara de ser feito com couro e palha.
Sem comentários.
Quando o balanço do carro parou, mamãe tirou nossas vendas, de uma coisa eu tinha certeza, ainda estávamos no Alasca, havia neve e estava frio.
Luca foi deixado no carro, sem venda, com dez homens cercando ele, mamãe parecia ter planos especiais para mim, o local onde eu estava tinha um portão grande de metal com muitas pessoas cercado qualquer lugar que você olhasse. Mas o que mais chama a sua atenção se você estivesse no mesmo caso que eu seria a casa a minha/sua frente, preta, estilo gótico, quatro andares, portas daquelas que parecem de casas mal-assombradas, muito imponentes e assustadoras. Eu estava tremendo de medo, quando entramos vi que o primeiro andar era como uma casa, sala, quarto, cozinha, banheiro, área de serviço, fim. Segundo andar centro de tecnologia mais avançada do que na casa de Flávia, muitas pessoas trabalhando ali. Terceiro andar quarto, banheiro, escritório. Já no quarto andar mamãe disse que eu não poderia entrar lá.
Quando estávamos de volta ao primeiro andar com minha mãe me explicando como ela queria que as coisas tivessem acontecido e acontecessem daqui para frente, houve um tumulto lá fora. Era Luca, segundo um homem que entrou apressado na sala falando aos gritos que “o caro amigo fugiu”.
Ficar feliz ou não. Eis a questão. Feliz porque ele fugiu, mesmo que ele possivelmente tenha se aranhado dos arames dos muros, mas estava longe, sem ser vitima e poderia colocar seu plano em prática. Infeliz porque eu agora estava sozinha, com uma pessoa meio caduca das ideias.
– Como ele fugiu seus incompetentes? Pago vocês para o que? Jogarem baralho com o cativo? – mamãe gritava como louca.
– De... desculpe nossa incompetência, senhora, não irá acontecer de novo – o homem tentava acalmá-la e depois saiu sussurrando – ela nem paga a gente tão bem assim.
Depois de se recompôs ela continuou:
– Melhor assim, voltando aos negócios gostaria que você conhecesse a pessoa responsável por eu poder encontrar você e o menino. Flávia.
Será que eu ando com problemas de visão e audição? Porque penso ter ouvido o nome Flávia e ter visto “A” Flávia. Nossa amiga.
– Mentira a história, toda ela? Ou parte dela?- perguntei quando a vi.
– Parte dela – ela me respondeu.
– Alice, eu gostaria de oferecer no momento, um conforto descente para minha filha, chuveiros com água quente, roupas mais bonitas e de maior preferência sua, comida de mãe e um bom sono numa cama com lençois de seda e tudo que você tem direito. Aceita?
– Claro – respondi, já estou com medo, fome e frio, não posso dar um passo sem ser vigiada e não posso fugir ou sair daqui, que mal tem eu ter uma boa noite de sono?
Subi para o terceiro andar, demorei-me no banho, sequei os cabelos com um secador, coloquei as minhas roupas –eram do meu guarda-roupa – e fui de volta para cozinha, havia uma refeição dedicada a mim na sala de jantar, então comi e perguntei o que havia no escritório para mamãe. Ela respondeu assim:
– É tudo seu, seus trabalhos de engenharia, seus livros, rabiscos, tudo, o terceiro andar é seu. Só não vá para o quarto andar.
Eu assenti e fui para escritório. Vi tudo que havia ali voltei para o quarto e acabei adormecendo antes de conseguir terminar de orar o Pai Nosso.
Na manhã seguinte o Sol inventou de aparecer, a neve parecia ter baixado um pouco e o vento não estava tão frio. Coloquei um roupão e fui olhar o despertador, 14:00 horas, eu devia mesmo estar cansada. Fui para o banheiro, escovei os dentes, fiz as necessidades, troquei de roupa e desci para a cozinha, de novo tinha comida me esperando só que fria, esquentei ela no micro-ondas, comi tudo me servi de um copo de uma boa Coca-Cola, lavei a louça e deixei no escorredor, inventei de passar no segundo andar para ver o que realmente acontecia ali. Era surpreendente o que Flávia podia fazer.
Ela me explicou um monte de coisas sobre os equipamentos de lá e algumas vezes disse que não podia comentar o assunto. Então subi para o escritório. Havia folhas em branco, borrachas, lapiseiras e muitas outras coisas que um engenheiro pode fazer uma casa.
Adivinhe qual a minha ideia.
Desenhar a casa na qual estou morando, com certeza no escritório havia câmeras de segurança, então peguei o necessário para fazer um rascunho da planta baixa da casa começando pelo lado de fora e saí. Encontrei de novo tudo fechado e cheio de muros, acho que esperava que os muros magicamente tivessem sumido ou Luca tivesse dado um jeito de derrubá-los enquanto eu dormia. Minha vida não é um conto de fadas, voltando à realidade, temos uma planta para fazer. Pedi para um dos homens-guarda se havia uma fita métrica ou algo que pudesse medir o terreno. Ele disse que providenciaria uma para mim. Então uma fita métrica com 50m apareceu na minha frente e eu comecei as medições, demorou, mas no final eu descobri que o terreno era totalmente quadrado, as medições eram:
Frente: 50m
Atrás: 50m
Lado direito: 50m
Lado esquerdo: 50m
Um total de 250m²
Anotei as medições no papel, fui ver a casa. Era um quadrado.
Frente: 35m
Atrás: 35m
Lado direito: 35m
Lado esquerdo: 35m
Total: 70 m²
Entrei em casa de novo, fui para meu quarto e comecei a fazer os desenhos segundo as projeções.
Uma hora mais tarde mamãe entrou no quarto e disse que precisava falar comigo urgentemente.
– Alice, você sabe por que tudo isso?
– Não mãe, por quê?
– Porque eu quero mostrar para o pai do caro amigo que as mulheres também conseguem o que querem que não precisamos baixar a cabeça para homem nenhum e que depois que ele ver meu sucesso e glória, vou matá-lo, mas sem antes acabar com a família dele. Fui subjugada muitas vezes por ele, fui humilhada, sofri por causa dele, ele me maltratava e às vezes me batia.
– O Senhor Tomas? Não deve haver um engano aí...
– Não há engano. Por fora bela viola, por dentro pão bolorento. Vitor, meu pequeno bebê, tive que abrir mão dele por causa de Tomas, não queria que meu filho crescesse num ambiente onde o pai não acredita que mulheres são alguém de verdade, ou onde o pai humilha e despreza a mulher dele. Mandei Vitor para uma casa de órfãos na Suíça, nunca o encontrariam lá.
– Vitor, como ele está?
– Ele está bem filha, ele é um menino adorável muito parecido com você. Mas um dia eu conheci seu pai num restaurante, ele era técnico de um clube pequeno no Rio e estava se hospedando no hotel de Tomas junto com o time, nós nos conhecemos e a cada dia que eu via ele, percebi que não havia porque não tentar de novo, fui ver quais eram meus direitos, pedi a separação, por um tempo trabalhava de dia para comer de noite, ficava na casa da minha tia de favor, mas Roberto crescia no ramo do futebol a cada dia, assim como eu crescia a cada dia financeiramente, ele passou a ser técnico de um time muito importante e eu estava trabalhando como secretária de psicóloga, enquanto fazia o próprio curso de psicologia. Um dia após muito tempo, Roberto me pediu em casamento eu aceitei, dois anos depois veio você e depois Théo.
– E o que aconteceu com Tomas?
– Ele não demorou a encontrar outra mulher, logo que se casou com Susana e um ano depois Luca e após algum tempo as trigêmeas, acho que ele pagou alguns pecados por ter três filhas meninas. Ele também cresceu financeiramente e um dia Susana e Roberto se encontraram, e combinaram uma reunião em nossa casa, eu já havia perdoado Tomas, mas ele achava que eu precisava de perdão então agia muitas vezes com um completo estranho na minha presença. O resto você conhece. Agora que sabe da verdade, gostaria de fazer parte da minha equipe?
Pensei um momento, se é que dá pra pensar depois de tantas revelações, então decidi:
– Sim. O que exatamente vai precisar que eu faça? — perguntei.
Ela sorriu para mim e falou:
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