Alianças de sangue e ferro 2 O Preço da Liberdade
5 O Fantasma do Passado
O clima de celebração pela restauração da honra da família Kildare ainda pairava no ar, mas a vida no palácio tinha uma maneira cruel de cobrar o preço pela felicidade. Enquanto Francesca e Alexander compartilhavam uma cumplicidade crescente, uma carruagem sem brasões oficiais cruzava os portões de Versalhes sob a luz cinzenta da manhã.
James e Eloise estavam no escritório real quando a audiência foi solicitada. Alexander, que passara a manhã tentando convencer Francesca a cavalgar com ele, foi convocado às pressas.
Quando as portas se abriram, o silêncio que se seguiu foi gélido.
Parada no centro do salão, estava Lady Genevieve, uma nobre de uma linhagem menor que Alexander conhecera em uma de suas passagens por Florença, três anos atrás. Ela estava mais pálida do que ele se lembrava, mas o que realmente paralisou o coração do príncipe foi a pequena figura agarrada às saias de seda da mulher.
Uma menina de aproximadamente três anos, com cachos escuros e revoltosos — exatamente como os de Alexander — e olhos de um azul tão profundo que não deixavam margem para dúvidas.
— Alexander... — a voz de Genevieve era um sussurro trêmulo. — Eu tentei seguir em frente, juro que tentei. Mas as dívidas de meu pai nos deixaram sem nada. Eu não posso dar a ela o futuro que o sangue dela exige.
Alexander deu um passo à frente, sentindo como se o chão estivesse desaparecendo sob seus pés. James levantou-se lentamente, o olhar de choque transformando-se rapidamente na severidade de um rei que preza pela moral da coroa.
— Alexander — James disse, a voz baixa e perigosa. — Diga-me que isso não é o que parece.
— James, eu... — Alex começou, mas as palavras morreram.
Ele se lembrou daquelas noites em Florença, quando o mar parecia ser sua única responsabilidade. Ele fora imprudente, o "Leão Errante" que não pensava nas consequências.
Nesse exato momento, Francesca entrou no salão. Ela trazia um livro de Melinda, pronta para comentar algo engraçado que a princesa dissera, mas parou subitamente ao ver a cena. Ela olhou para a mulher, depois para a criança que era a cópia fiel do homem que ela estava começando a amar.
O livro escorregou das mãos de Francesca, batendo no mármore com um som surdo que ecoou como um tiro.
— Então é por isso que você não queria fincar raízes, Alexander? — Francesca perguntou, a voz embargada, mas carregada de uma mágoa profunda. — Porque você já tinha deixado sementes pelo caminho e simplesmente as esqueceu?
A pequena menina, assustada com a tensão, soltou o choro. Alexander, movido por um instinto que nunca soube que possuía, deu um passo em direção à criança, mas Genevieve a puxou para trás.
— Ela se chama Marina — disse Genevieve, olhando para James. — Eu não quero escândalos, Majestade. Eu só quero que ela não passe fome.
O Rei James olhou para o irmão com um desprezo que Alexander nunca vira antes.
— Você é um Príncipe da Inglaterra e da França, Alexander. Suas aventuras não são mais apenas suas. Elas agora são responsabilidade do Estado.
Alexander olhou para Francesca, implorando por uma compreensão que ele mesmo não conseguia ter, mas ela apenas deu as costas, saindo do salão tão rápido quanto entrara. O peso da coroa, que ele tanto tentara evitar, acabara de cair sobre seus ombros com a força de uma avalanche.
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