Alianças de Sangue e Ferro
14 Nova ordem
O silêncio das ruas de Paris foi cortado pelo som metálico das ferragens da carruagem real estacionando bruscamente em frente à taverna. A porta do estabelecimento foi escancarada não por guardas, mas pelo próprio Rei Ricardo, seguido por uma Katherine cuja expressão era mais gélida do que o mármore de Versalhes. O impacto da presença dos soberanos naquele lugar imundo fez o barulho cessar instantaneamente.
Sem dizer uma palavra, Ricardo segurou Lucas pelo braço com uma força que demonstrava toda a sua fúria de guerreiro, enquanto Katherine apenas apontou para a saída, um comando silencioso que Alice não ousou desobedecer.
A viagem de volta foi um túmulo. O único som era o ranger das rodas e a respiração pesada de Ricardo. Assim que cruzaram os portões do palácio e entraram no Salão do Reino, as portas foram fechadas e trancadas. O eco do baque das portas marcou o início do julgamento.
— Vocês perderam completamente o juízo? — rugiu Ricardo, a voz ecoando pelas abóbadas do salão. Ele olhou para Lucas com um desprezo que doía mais do que qualquer golpe. — Um herdeiro do trono se escondendo em cortiços, e a futura rainha dançando entre bêbados como uma meretriz de rua!
Alice tentou erguer o queixo para retrucar, mas Katherine deu um passo à frente, sua voz baixa e mortal.
— Chega de jogos, Alice. Chega de rebeldia infantil, Lucas. Nós tentamos dar tempo a vocês, tentamos a diplomacia e a paciência. Mas o que vimos hoje prova que vocês não têm maturidade para gerir a própria liberdade, quanto menos o destino de dois países.
A rainha aproximou-se dos dois, olhando-os nos olhos com uma severidade absoluta.
— O casamento não será mais um evento para o futuro. Os preparativos serão acelerados para o fim desta quinzena — declarou Katherine.
Ricardo deu um passo à frente, cruzando os braços sobre o peito, a sombra de sua figura cobrindo os noivos.
— E aqui está a nova cláusula do contrato, escrita pela nossa própria paciência esgotada: assim que o casamento for consumado, não queremos apenas a união no papel. Queremos a garantia da linhagem. Exigimos um herdeiro nos primeiros meses desta união.
Alice empalideceu, a audácia da taverna desaparecendo diante da realidade brutal.
— Mas isso é... um absurdo! Não se pode ordenar a vida assim!
— Nós podemos — rebateu Ricardo, irredutível. — Se vocês querem agir como animais movidos por instintos e fúria, então tratarão o dever como a função biológica que ele exige. Vocês darão a este reino um sucessor rapidamente para provar que a aliança é real, ou eu juro que as restrições que vocês conheceram até hoje parecerão liberdade comparadas ao que farei com suas vidas.
Lucas desviou o olhar, o rosto ardendo de humilhação, enquanto Alice sentia o peso da coroa esmagar qualquer esperança de romance ou escolha. Eles não eram mais apenas "cão e gato" em uma briga de egos; eram agora prisioneiros de um dever biológico e político do qual não podiam mais fugir.
— Saiam — ordenou Katherine, apontando para as escadarias. — E rezem para que a próxima vez que nos desapontarem, não seja a última.
Os dois herdeiros subiram as escadas em silêncio, a tensão entre eles agora carregada por uma promessa sombria que transformaria o quarto de núpcias no próximo campo de batalha.
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