Notas iniciais
Olá povo lindo... Bora em mais um capítulo. Digo de ante mão que está dez, maravilhoso. Agora chega de papo e bora ler.

Nenhuma palavra foi trocada entre Bella e Jacob. Cada um parecia distante do outro, deixando o ar entre o grupo pesado, exaustivo, mesmo que não passasse mais de uma hora desde que partiram da reserva. Uma carroça simples foi levada para que carregassem um pouco de comida e cobertores para aquecê-los quando parassem para descansar, mesmo que ali fosse um grupo de lobos facilitando a viagem, existia Bella que era uma humana e não poderia seguir o ritmo da matilha.

Embry observava a postura de seu alfa e amigo, não entendendo porque daquela atitude dele com a Bella. Eles eram amigos de infância, e sempre soube dos sentimentos do índio com relação à moça bonita de pele alva, ainda que seus mundos fossem diferentes nada poderia abalar o amor entre eles, era assim que Embry acreditava ser... Como também acreditou que com esse laço que os uniam poderia haver alguma chance dos dois quebrarem as leis e regras para está juntos, bem, o que já fizeram no momento em que realizaram o ritual da aliança.

Jacob queria estar ao lado da amiga, mas havia algo nele que o fazia hesitar, como se tudo o que lhe fora ensinado, as regras de seu povo, tivessem ficado vivas dentro dele e se agitassem agora lhe mantendo afastado de Bella, em certos momentos de reflexão ele chegou a se repreender severamente por ter cometido tamanha tolice ao ter realizado aquela Aliança. Mas ao mesmo tempo, uma ira cobria a superfície do seu peito por culpa dos sentimentos que nutria por Bella. Mas não poderia voltar atrás, e tudo o que lhe restava era tentar concertar o erro que cometeu. De uma coisa Jacob estava certo: não iria abrir mão de tudo que lutou e conquistou para viver algo que, por mais que quisesse, ele sabia não ter futuro.

Bella estava dentro da carruagem que seu pai havia emprestado para que ela seguisse confortavelmente durante a viagem. Tentou ignorar a presença de Jacob que seguia ao lado da sua carruagem em forma lupina. Por mais que nunca antes tivesse visto o amigo transformado em seu segundo “eu”, não teve medo dele, como se vê-lo daquela forma fosse natural para ela.

Bufou quando seus olhos insistentes se direcionaram até o lobo. Irritou-se com o fato dele estar daquela forma como se ela estivesse a ponto de fugir e não realizar o ritual de cancelamento, mesmo que no fundo ela soubesse que Jacob estava daquela forma por vigilância caso algum inimigo os atacassem. No meio disso tudo, mesmo não querendo admitir para si, queria que Jacob tentasse lutar por eles, mas o mesmo se mostrou avidamente disposto a quebrar a união entre eles. Nesses pensamentos, Bella sentiu o colar em seu pescoço queimar. Pôs a mão prensando o pingente contra sua pele, pouco se importando se machucaria sua mão.

De repente, Bella sentiu que a carruagem parou. Até que um dos índios que seguiam na viagem veio até ela.

-O que aconteceu? – ela perguntou ao rapaz.

-Temos que seguir a pé por aqui. O caminho tem várias árvores e ribanceiras que uma carruagem dessa não suportaria. – avisou Quil.

Bella franziu a testa, não gostando de ter que caminhar, mas nada poderia fazer. Então assentiu saindo da carruagem.

Todos ali pareciam estar somente esperando que ela se juntasse a eles para seguirem a pé lado a lado. Jacob voltou à forma humana vestindo uma calça e uma camisa que mal cobria seu peito nu. Bella engoliu em seco com a visão do rapaz, pois Jacob parecia ainda mais bonito.

-Tem tudo em mãos? – Jacob perguntou se postando ao lado de Bella.

A mesma piscou os olhos voltando à realidade por estar hipnotizada com a beleza do amigo- marido.

-Não trouxe bagagens. – ela respondeu mostrando as mãos vazias, tendo somente um longo casaco de pele de animal em seus ombros, pois como o caminho levaria a lugares frios, era necessário ter algo quente.

Jacob arqueou a sobrancelha, pois esperava que a moça levasse suas coisas fúteis para sobreviver uma viagem nas montanhas.

-Somente isso? – ele apontou para o casaco de pele de Bella ainda completamente incrédulo pela atitude prática da moça.

Bella deu de ombros, ignorando qualquer comentário preconceituoso que poderia vir dele.

-Se não vamos demorar, tão pouco precisarei de roupas luxuosas, joias ou sabe mais o que nessa viagem. Creio que um casaco seja mais que o suficiente para não passar frio. O tempo pode ter passado, mas foi você quem me ensinou muitas coisas sobre explorar florestas e montanhas durante a nossa infância. Jamais me esqueci...

Com aquela resposta, Jacob olhou para ela por um segundo absorvendo a surpresa a qual não esperava ser pego. Por mais que quisesse acreditar que Bella tenha mudado, olhando em seus olhos ele pode ver que ela tinha ainda um pouco da menina pela qual se apaixonou em sua infância e que se entregou para ele. Mas logo balançou a cabeça tentando esquecer tudo que poderia fazer com que sucumbisse aos seus sentimentos por ela.

-Está certo. Então vamos. – ele disse dando as costas para ela e tomando a frente do grupo, mas antes fez sinal para que Quil ficasse do lado de Bella protegendo-a.

E assim sucedeu a viagem, em silêncio, um profundo silêncio. Todos pareciam estar atentos a sua volta como se estivessem prontos para qualquer ataque, ainda que não tivessem chegado às proximidades das terras inimigas.

Jacob procurou manter o grupo num ritmo veloz, pois seu intuito era passar ainda aquele dia por volta das terras inimigas para que encontrassem um lugar para descansar. Mas com Bella ali, isso não aconteceria, então decidiu montar um acampamento há uma boa distância de onde poderiam correr riscos.

Alguns permaneceram em suas formas lupinas observando todo o movimento a volta, e outros foram arrumar seus lugares para poderem descansar e depois trocar a vigia. Bella observava tudo com atenção, até que decidiu fazer algo. Não queria deixar que todos trabalhassem e ela ficasse só olhando. Viu Embry cortando uma espécie de carne seca, e colocando dentro de uma panela recém-posta em cima de uma fogueira.

-Precisa de ajuda? – ela perguntou se agachando ao seu lado.

Embry olhou para ela de testa franzida sem entender, mas vendo que apontava para o que estava em suas mão respondeu...

-Oh, eu... Só estou tentando fazer algo para todos comerem. Sei que não é nada igual ao que você come, mas...

-Cozido na lenha... Gostoso quando colocado umas lascas de noz moscada, ou folhas de louro silvestre. – Bella disse com um sorriso maravilhado, ignorando a ênfase que o rapaz citou por ela ser uma moça que está acostumada com luxos.

Embry a encarou boquiaberto, mas sem deixar que ele expresse sua descrença, Bella explicou como conhece os ingredientes para a comida simples.

-Quando éramos crianças, Jacob e eu brincávamos de explorar a floresta ao lado de casa, mas nunca chegávamos tão longe, somente nos limites do riacho. E lá montávamos uma espécie de acampamento. — ela sorriu concentrada na lembrança de sua infância. –E na primeira vez, observei ele fazer tudo, como também ele me disse que aprendeu com sua mãe, e que ela só o ensinou por que era tradição um homem saber fazer alguma comida para mostrar que sabe mais que o necessário de um homem que cuidaria de sua família. E que também era uma boa forma de conquistar a pretendente com uma comida feita por ele. Então, quando experimentei, adorei o tempero... O cozido passou a ser nosso alimento quando brincávamos de acampar. Foi assim que aprendi a fazer o cozido.

Bella revelou orgulhosamente o privilégio que teve com o Alfa, o que era uma tradição usada pelos homens quando queriam conhecer e se aproximar de uma jovem da tribo que tinham intenção de se casar. Céus! Ela não tinha ciência de que estava sendo ouvida por todos, mas ninguém ousou esboçar reprovação por alguém da tribo ter feito aquilo, sabendo que era proibido fazer tal ato com uma menina branca, além do mais foi feito pela escolhida do alfa, e sabe-se por qual razão os espíritos aprovaram essa união, então não havia razão para ultraje.

Jacob mesmo procurando se manter longe de Bella, sentiu uma pontada no peito ao escutá-la falar das suas lembranças passadas e de seus momentos juntos.

-Puxa... Isso é... Legal. — foi tudo o que Embry conseguiu dizer, e acabou por aceitar a ajuda de Bella para fazer a comida.

Tempos depois todos comiam o cozido em silêncio, até que estavam por satisfeitos.

Bella então seguiu para onde dormiria, tentando dormir, mas um olhar a fez despertar.

Jacob estava ao seu lado olhando de maneira estranha para ela.

-Algum problema? — ela perguntou sentando-se.

Como não esperava que ela reagisse, Jacob desviou seu olhar, mas procurou respondê-la.

-Não... Não há nada.

Bella mordeu seu lábio inferior. Ponderou um pouco se deveria continuar de maneira fria com ele, ou se cederia um pouco e conversaria civilizadamente. Decidida, o fez:

-Jacob?

-Sim. — ele disse com a voz pesada.

-Porque está me tratando como se fosse um estorvo? Sabe que não tenho culpa... Bem, pelo menos não sozinha, mas...

Ela se calou vendo que Jacob a olhou sério. Ainda que estivesse escuro pode ver a intensidade do olhar do índio.

Jacob foi pego totalmente de surpresa por aquela pergunta, não esperava que Bella fosse ser tão direta, na verdade não esperava sequer que o flagrasse enquanto a observava dormir. Ele estava se sentindo tão dividido, queria muito se reaproximar dela, as lembranças de seu passado juntos o atormentavam, mas ao mesmo tempo sabia que não podia, tinha uma missão a cumprir, precisava desligar aquele laço que os unia e para facilitar aquela separação o melhor a fazer era se manter afastado. Então suspirando pesadamente ele resolveu continuar a ser o mais frio que conseguisse:

-Não vou mentir para você Isabella. Arrependo-me do que fiz... Muito. Sinto-me envergonhado diante do meu povo, e pela vergonha que causei a eles e a meu pai. Não posso mais justificar que essa besteira foi por ser um moleque inconsequente, porque sempre soube das regras da tribo e ainda assim fiz. E para mim, estar unido a você faz com que tudo que sonhei, lutei e conquistei vá por rio abaixo. Não sei por que os espíritos abençoaram essa nossa união, mas sei que você não é aquela que serve para estar ao meu lado.

Bella abriu a boca estupefata pela rudez do índio. Não conseguia acreditar como ele era capaz de fazer aquilo. Jacob decididamente jogou fora tudo o que tiveram no passado, ainda que tenha sido de maneira inconsequente. Não era justo... Ele não poderia dizer isso. Mas não ficaria calada, então com todo rancor, respondeu:

-Está dizendo que não sou honrada para ser esposa de um guerreiro? Está jogando fora a amizade que tivemos por conta de hoje se arrepender do que fez? Saiba que não pedi por nada, e se quer culpar alguém, culpe a si mesmo porque foi você quem insistiu em fazer esta droga de ritual. – nesse momento, Bella já estava de pé pronunciando cada palavra em voz alta. Ela não iria permitir ser humilhada e rebaixada por ele.

-Eu não estou dizendo que não é capaz... Quer saber? Somos diferentes, e mesmo que isso tivesse de ser assim, obviamente você não seria forte o suficiente para gerar um filho meu, para cuidar de nossa casa, ou qualquer obrigação referente a ser companheira de um alfa. – Jacob falou, meio sem pensar, tomado pelo calor do momento e pela vontade de se obrigar a se manter afastado dela.

Bella trincou seus dentes em fúria, deixando suas mãos fecharem em punhos.

-EU NÃO SERIA FORTE PARA GERAR UM FILHO SEU? POIS SAIBA QUE... — ela se calou percebendo que já estava falando demais e sem nexo.

-Pois saiba o que Isabella? — ele a incentivou.

Com o olhar perdido, ela voltou a encará-lo.

-Pois saiba que apesar de tudo Jacob, não é porque tenho a pele branca, uma condição financeira ótima e que hoje sou uma mulher adulta que mudei meus princípios. Sempre acreditei que apesar de sermos diferente, nossa amizade seria a mesma, mas vejo que me enganei. Esse tempo todo fui uma tola em procurar manter dentro de mim lembranças das coisas boas que vivemos na infância e que nada mudaria entre nós ainda que estivéssemos distantes. Mas você... Mudou. E quer saber? Não é vergonha para você, seu pai ou seu povo estar unido a uma mulher branca... Vergonha é você não manter seu caráter puro... Sempre acreditei que conseguiria tudo o que quisesse, pela pureza e dignidade em seu coração, mas não... Corrompeu-se com o poder e arrogância. Realmente, não é mais aquele molecote que eu amei, é um estranho com quem não quero estar unida por nada, nem mesmo faço questão de lutar por isso. Saiba que mesmo não sendo dessa forma, te liberaria deste fardo para ser feliz como quiser, mas eu só queria que você voltasse a ser o Jacob que eu conhecia.

Ela se afastou um passo mostrando o quanto queria estar distante do alfa.

Jacob a olhou surpreso por tamanha intensidade de suas palavras. Mas ali ele não via uma mulher frágil, e sim a mesma Bella de sua infância no corpo de uma mulher íntegra, honesta, apaixonante... Talvez fosse isso que a fez ser aprovada para ser sua, pois não importava a cor de sua pele, e sim a pureza de seu coração. Ela estava certa, ele se corrompeu, foi longe demais em sua obsessão por seus deveres como alfa, e agora estava magoando a pessoa que sempre acreditou nele e estava disposta a fazer de tudo para que ele fosse feliz, mesmo não sendo com ela.

Jacob tentou se aproximar, mas Bella deu as costas para ele correndo e entrando por entre arbustos.

Não contendo as lágrimas, Bella correu na intenção de ficar só, mas antes de seguir, um som estranho à fez sessar seus soluços.

Um rosnado feroz.

Causando um arrepio temeroso em sua espinha.

Ainda que estivesse escuro, ela identificou os olhos escuros olharem para ela com fome. E tudo o que conseguiu fazer foi forçar seus pés a correr para fugir... E gritar por socorro:

-JAKEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!

Notas finais
N/LU: Nossa, Jacob mostrou o papo reto, mas Bella esculhambou o lobo. Merecido, neh? Como diz aquela frase " fala o que quer, escuta o que não quer". Agora esse finalzinho...Uia que deu arrepio rsrsrs. O que será que vai rolar no próximo capítulo? Luta, morte,ação... Gente ,ate eu to curiosa. Comentem, recomendem...Bjs e até a próxima postagem.