Alianças de sangue e ferro 2 O Preço da Liberdade
6 O Peso do Erro e o Decreto Real
O jardim do palácio, que antes fora palco de confissões e sorrisos, transformou-se em um campo de batalha sob a luz da lua. Alexander alcançou Francesca perto do labirinto de cercas vivas. Ele tentou segurar seu braço, mas ela se desvencilhou como se o toque dele a queimasse.
— Francesca, por favor! Me escute — implorou Alexander, o desespero tingindo sua voz. — Eu não sabia. Foi antes de você, antes de Suffolk... foi apenas uma aventura em uma noite em que eu estava tentando fugir de quem eu era.
Ao ouvir a palavra "aventura", algo rompeu dentro de Francesca. A máscara de Lady de Kildare caiu, dando lugar à fúria pura da mulher que fora traída pela esperança. Ela se virou e, antes que ele pudesse terminar a frase, desferiu um tapa sonoro no rosto do príncipe.
— Uma aventura?! — ela gritou, a voz rouca de raiva, ignorando qualquer protocolo. — Você chama uma vida humana de aventura? Você viveu dois anos navegando enquanto uma criança que tem o seu rosto crescia sem pai! Você não é um explorador, Alexander, você é um covarde que foge quando as coisas se tornam reais!
Ela o empurrou, batendo no peito dele com os punhos cerrados.
— Eu não sou mais uma das suas conquistas de porto. Não ouse falar comigo sobre sentimentos quando você não tem a decência de assumir os rastros que deixa no mundo!
No alto da sacada de mármore, James e Eloise observavam a cena em um silêncio pesado. O rosto de James era uma máscara de pedra.
— Ele desonrou o nome da nossa família — declarou James, a voz gélida. — Não permitirei que ele continue vivendo como um libertino enquanto herdeiros de sangue real são deixados ao relento. Eu vou obrigá-lo a se casar com Genevieve. Marina terá um nome legítimo.
— James, por favor, não faça isso — pediu Eloise, tocando o braço do marido. — Casamentos forçados só trazem amargura. Veja o que Alexander sente por Francesca... ele cometeu um erro, mas o amor dele é real. Unir duas pessoas que não se amam é uma sentença de prisão.
— O dever não pergunta pelo coração, Eloise — rebateu o Rei, irredutível. — É a lei.
A manhã seguinte trouxe um ar de funeral para a mesa do desjejum. James sentava-se à cabeceira, a aura de autoridade emanando dele. Genevieve estava presente, pálida e silenciosa, enquanto a pequena Marina comia frutas, alheia ao caos que sua existência provocara.
Francesca entrou na sala, usando um vestido austero, os olhos inchados pelo choro da noite anterior. Ela se sentou em silêncio absoluto.
— Tomei minha decisão — anunciou James, a voz ecoando no salão. — Alexander, você se casará com Lady Genevieve em duas semanas. O título de Marina será oficializado e ela será reconhecida como Princesa da linhagem real. É o único caminho para reparar o dano causado.
O silêncio que se seguiu foi sufocante. Francesca levantou-se lentamente, sua cadeira arrastando-se no chão com um ruído seco.
— Com licença, Majestades — disse ela, a voz desprovida de qualquer emoção. — Preciso verificar os estudos da Princesa Melinda.
Ela saiu da sala sem olhar para trás, a cabeça erguida, embora o coração estivesse em pedaços. Alexander saltou da cadeira para ir atrás dela, o pânico evidente em seu rosto.
— Francesca! Espere!
— Fique onde está, Alexander! — a ordem de James foi como um chicote. — Você já causou danos o suficiente. Sente-se e aceite as consequências de seus atos. Você é um herdeiro do trono, comporte-se como tal.
Alexander parou, os punhos cerrados, vendo a única mulher que realmente amara desaparecer pelo corredor, enquanto as correntes do dever que ele tanto temera finalmente se fechavam em volta de seu pescoço.
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