​O jardim do palácio, que antes fora palco de confissões e sorrisos, transformou-se em um campo de batalha sob a luz da lua. Alexander alcançou Francesca perto do labirinto de cercas vivas. Ele tentou segurar seu braço, mas ela se desvencilhou como se o toque dele a queimasse.

​— Francesca, por favor! Me escute — implorou Alexander, o desespero tingindo sua voz. — Eu não sabia. Foi antes de você, antes de Suffolk... foi apenas uma aventura em uma noite em que eu estava tentando fugir de quem eu era.

​Ao ouvir a palavra "aventura", algo rompeu dentro de Francesca. A máscara de Lady de Kildare caiu, dando lugar à fúria pura da mulher que fora traída pela esperança. Ela se virou e, antes que ele pudesse terminar a frase, desferiu um tapa sonoro no rosto do príncipe.

​— Uma aventura?! — ela gritou, a voz rouca de raiva, ignorando qualquer protocolo. — Você chama uma vida humana de aventura? Você viveu dois anos navegando enquanto uma criança que tem o seu rosto crescia sem pai! Você não é um explorador, Alexander, você é um covarde que foge quando as coisas se tornam reais!

​Ela o empurrou, batendo no peito dele com os punhos cerrados.

— Eu não sou mais uma das suas conquistas de porto. Não ouse falar comigo sobre sentimentos quando você não tem a decência de assumir os rastros que deixa no mundo!

​No alto da sacada de mármore, James e Eloise observavam a cena em um silêncio pesado. O rosto de James era uma máscara de pedra.

​— Ele desonrou o nome da nossa família — declarou James, a voz gélida. — Não permitirei que ele continue vivendo como um libertino enquanto herdeiros de sangue real são deixados ao relento. Eu vou obrigá-lo a se casar com Genevieve. Marina terá um nome legítimo.

​— James, por favor, não faça isso — pediu Eloise, tocando o braço do marido. — Casamentos forçados só trazem amargura. Veja o que Alexander sente por Francesca... ele cometeu um erro, mas o amor dele é real. Unir duas pessoas que não se amam é uma sentença de prisão.

​— O dever não pergunta pelo coração, Eloise — rebateu o Rei, irredutível. — É a lei.

​A manhã seguinte trouxe um ar de funeral para a mesa do desjejum. James sentava-se à cabeceira, a aura de autoridade emanando dele. Genevieve estava presente, pálida e silenciosa, enquanto a pequena Marina comia frutas, alheia ao caos que sua existência provocara.

​Francesca entrou na sala, usando um vestido austero, os olhos inchados pelo choro da noite anterior. Ela se sentou em silêncio absoluto.

​— Tomei minha decisão — anunciou James, a voz ecoando no salão. — Alexander, você se casará com Lady Genevieve em duas semanas. O título de Marina será oficializado e ela será reconhecida como Princesa da linhagem real. É o único caminho para reparar o dano causado.

​O silêncio que se seguiu foi sufocante. Francesca levantou-se lentamente, sua cadeira arrastando-se no chão com um ruído seco.

​— Com licença, Majestades — disse ela, a voz desprovida de qualquer emoção. — Preciso verificar os estudos da Princesa Melinda.

​Ela saiu da sala sem olhar para trás, a cabeça erguida, embora o coração estivesse em pedaços. Alexander saltou da cadeira para ir atrás dela, o pânico evidente em seu rosto.

​— Francesca! Espere!

​— Fique onde está, Alexander! — a ordem de James foi como um chicote. — Você já causou danos o suficiente. Sente-se e aceite as consequências de seus atos. Você é um herdeiro do trono, comporte-se como tal.

​Alexander parou, os punhos cerrados, vendo a única mulher que realmente amara desaparecer pelo corredor, enquanto as correntes do dever que ele tanto temera finalmente se fechavam em volta de seu pescoço.